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Ao longo de toda essa trajetória de estudos do teatro relacionado ao ensino-aprendizagem da LI, tivemos a oportunidade de perceber a importância da arte na educação. Presenciamos o brilho nos olhos de alunos que dificilmente falavam inglês durante as aulas e que, nos jogos e nas pequenas encenações, já utilizavam a língua razoavelmente.

Tal afirmação pôde ser apreendida ao encontrarmos nos registros das notas de campo (NC) da professora Lucy o enunciado que segue:

(27) A aluna que no início das aulas de drama estava absolutamente recuada e inibida, hoje apresentou um diálogo com uma expansividade razoável. Deu um passo significativo. (Professora. DC, 04/05/2019)

Deparamo-nos também com diferentes registros feitos pelos alunos durante o processo de intervenção, nos quais eles demonstram que as atividades oferecidas durante as aulas facilitam a aprendizagem da LI.​20

Inferimos, portanto, que o fato de tornar as aulas mais lúdicas por meio dos ​jogos fez com que os alunos se envolvessem de maneira mais efetiva, tornando a aula mais interessante e viabilizando um melhor aprendizado. De acordo com Viola Spolin (2008, p. 21), “Mais do que mera atividade lúdica, o jogo constitui-se como o cerne da manifestação da inteligência no ser humano”. Acreditamos, assim, que os jogos teatrais utilizados nessa intervenção tenham exaltado a capacidade de compreensão dos alunos, proporcionando uma aquisição mais efetiva da língua inglesa. Sabemos que tal apuração não é o cerne de nosso trabalho, no entanto, vale ressaltar aqui que os achados corroboram com os resultados dos trabalhos de autores já citados na revisão literária.

Para este trabalho especificamente, o que buscamos perceber foi o (re)posicionamento desses alunos do terceiro ano do ensino médio, em uma escola estadual. Respondendo ao nosso objetivo principal, que era investigar as implicações do uso de jogos teatrais e encenações pautadas na escolha de temas voltados para as questões de conflitos, violência, cidadania e opressão, para um possível (re)posicionamento do sujeito em sua relação com o outro, podemos dizer que, de um modo geral, e pelo que nos apontam as análises dos dados, vários alunos se reposicionaram perante os temas abordados. Entretanto, não podemos afirmar com certeza se houve uma mudança de atitude ou de posicionamento fora da escola, perante a sociedade, até porque não continuamos acompanhando a turma. Porém, pelo que indicam os resultados, houve, sim, para alguns alunos, durante as encenações, um reposicionamento e uma maior sensibilização e conscientização em relação ao outro dentro da sala de aula. Esse

20 Tais excertos constam do item 2.4 deste trabalho.

fato pode ser observado nos registros apontados nas análises, quando nos deparamos com dizeres referentes à empatia e a se colocar no lugar do outro.

Quanto aos objetivos específicos, fomos bem sucedidos em possibilitar o uso de jogos e atividades teatrais voltados para a negociação de poder, o enfrentamento da opressão e a abordagem de aspectos de justiça social. Conseguimos também verificar, no caso específico desta turma, quais os temas estimulam os alunos a expressarem suas opiniões respeitando o papel do outro. Sabemos que nem todos os alunos se viram totalmente envolvidos pelo processo e que alguns deles, como detectado principalmente na fala das meninas, já se diziam conscientes do seu papel na sociedade e não mudariam o modo de ver tais situações.

Finalmente, ainda considerando os objetivos específicos, sabemos que contribuímos de forma positiva para o ensino-aprendizagem de LI, na medida em que investimos na qualidade das relações do espaço da sala de aula dessa escola pública. As análises apontam para um maior interesse dos alunos em relação às aulas, assim como maior facilidade dos alunos em se expressarem e apreenderem vocabulário.

Abordando, então, a questão norteadora deste trabalho, que questiona as implicações do processo em relação ao posicionamento dos alunos perante as situações de conflito, podemos afirmar que os jogos e as atividades teatrais ampliam a sensibilidade em relação ao outro, estimulam o enfrentamento da opressão e ainda incentivam o aluno a expressar suas opiniões. Concordamos novamente com Christine Revuz (1998), para reforçar a ideia de que quanto melhor se fala uma língua, mais se experimenta um sentimento de deslocamento em relação à sua origem. No entanto, acreditamos que não tivemos tempo suficiente para alcançar um deslocamento mais visível nesses alunos. Porém, postulamos que a vivência dessas situações, a longo prazo, por meio dos jogos teatrais e das pequenas encenações, possa trazer um melhor resultado no que diz respeito ao (re)posicionamento do sujeito.

Enquanto pesquisadora, tive a oportunidade de experimentar situações que me fizeram acreditar ainda mais no poder que a ferramenta do teatro exerce nas aulas de língua inglesa.

Percebo também o meu enriquecimento enquanto professora, uma vez que também precisei me reposicionar em certas situações, procurando assumir uma postura de neutralidade perante os temas, para que pudesse ver emergir as impressões dos alunos sem direcionar as opiniões deles acerca dos temas. O processo como um todo me fez perceber melhor os alunos como indivíduos que têm sua opiniões, suas crenças, seus medos e suas ambições. Considero-me uma profissional mais engajada com as questões individuais dos meus alunos.

Esperamos que os resultados deste estudo possam servir como incentivo para professores de LI que almejam um melhor resultado dos alunos, não somente em relação à

língua inglesa, mas também em relação à sua postura perante o outro e, principalmente, perante a sociedade, sendo capaz de se posicionar, expor o seu ponto de vista e, o mais importante, respeitar o outro em suas diferenças.