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circuito marítimo já existente. Contudo, destacam-se pontos negativos observados nessa atividade, como o treinamento e a capacitação tanto da tripulação e do guia para atender ao turista, sendo importante capacitar o guia a falar em público, a conhecer a história regional e natural de todo roteiro percorrido. Outros elementos técnicos também necessitam de adequação, isto é, os barcos devem ser equipados com aparelhos de comunicação interna (microfones e caixas de som) para que o guia possa orientar todos os passageiros, higienização dos alimentos, conservação dos barcos.

Ao se comparar o roteiro dos passeios de barcos existentes com os locais de potencial turístico apontado pelos pescadores no Mapa Ambiental Mental ficam evidentes as inúmeras outras possibilidades de atividades turísticas náuticas a serem exploradas no Município de Cabo Frio. Utilizando o saber popular trazido pelos pescadores, este pode ser incrementado com a história da ocupação regional, e causos locais, bem como dos elementos naturais, como, por exemplo, falar da maior lagoa do Estado do Rio de Janeiro (Lagoa de Araruama), da história de extração do sal na região.

A sugestão para criação de um novo circuito via Canal de Itajuru à Lagoa de Araruama vai ao encontro dos anseios apontados pelos pescadores. Entretanto, para que os pescadores possam ter acesso a mais essa fonte de trabalho e renda, especialmente no período de temporada turística, será fundamental a adequação dos barcos, o treinamento e a capacitação para o atendimento ao serviço turístico. Além de programas periódicos de educação ambiental vinculados às práticas sustentáveis.

No entanto, para que tudo seja concretizado, torna-se necessário que todos os envolvidos, segundo os próprios pescadores, recebam a qualificação necessária para a realização desse projeto: curso de guia, de mergulho, fotografia, curso para retirada da carteira de habilitação, línguas, garçom, dentre outros e, para sua realização não basta apenas o querer se inserir e ter boas sugestões, pois, se deparam com a realidade que impõe limitações, adequações, regras a seguir, condições imprescindíveis para atuarem nesse ramo de atividade, sendo, neste caso, a educação ambiental um fator fundamental para promover a inclusão dos pescadores, segmentos da população que ficaram à margem dos processos de desenvolvimento econômico, especialmente, estimulando que os gestores públicos passem a reconhecer as possibilidades apresentadas pelos próprios pescadores, incluindo alternativas que valorizem a cultura local, percebendo que é o recurso turístico que deve ser explorado, e não o turista, durante as temporadas e a promoção do turismo na região.

Assim a educação ambiental é um processo vivo que pode trazer a tona inúmeras

possibilidades de ação. Uma prática como a ora aplicada vem destacar o quanto é necessário se considerar os saberes populares daqueles que são locais à área em estudos. Em nenhum momento foram feitas promessas nem assumido nenhum compromisso que pudesse gerar falsas esperanças aos presentes, a preocupação foi em buscar, juntos, um caminho para o desenvolvimento de uma ação prática junto aos pescadores.

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