3 ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE COARACI/BA
Neste capítulo apresentamos a organização do município de Coaraci para a gestão da EI.
Após breve contextualização do município, destacamos a institucionalização do SME, os principais órgãos colegiados e as principais normativas do sistema. Na sequência, situamos a organização da Secretaria Municipal de Educação para a gestão da EI e a organização da gestão escolar nas instituições infantis da rede pública municipal de ensino, apontando os principais desafios à constituição da gestão dessa etapa, como uma dimensão da garantia do atendimento educacional das crianças pequenas, com qualidade referenciada socialmente. Por fim, contextualizamos as principais políticas/programas do governo federal presentes em Coaraci direcionadas à EI e que visam à garantia do direito da criança pequena à educação.
TLS aponta para a carência e necessidade de políticas públicas voltadas ao atendimento das populações em diferentes áreas sociais. Em se tratando dos municípios que integram o TLS, a maior parte é considerada de pequeno porte; entre outros fatores, possuem baixa densidade demográfica e baixo dinamismo econômico (CERQUEIRA; JESUS, 2016).
Figura 1 – Mapa do Território Litoral Sul.
Fonte: Sistema de Informações Territoriais/Bahia (2017).
Quanto ao município de Coaraci, este possui extensão territorial de 274,500 km² e os seguintes municípios limítrofes: Itapitanga (Norte), Almadina (Sudeste), Ibicaraí (Sul), Itajuípe (Leste), Ilhéus (Nordeste) e Ibicuí (Oeste). Sua hidrografia conta com a presença do Rio Almada que atravessa o município e desemboca na cidade de Ilhéus. Seu clima é quente e seco no verão e frio e úmido no inverno. O município está situado a 214 metros de altitude, cujas coordenadas geográficas registram: Latitude - 14° 38' 29'' Sul; e Longitude: 39° 33' 1'' Oeste (COARACI, 2015b).
O território, hoje designado de Coaraci, começou a ser ocupado por volta de 1889/1919, na região atualmente denominada de Itamotinga. Na época, conhecido como Ribeirão do Terto,
esse território pertencia ao município de Ilhéus. Sua ocupação está relacionada à necessidade de se estabelecer um entreposto para servir de ponto comercial, residência e pousada para os tropeiros e moradores que se deslocavam da região até Pirangi (Itajuípe), a fim de escoar a produção agrícola e trazer de volta especiarias, roupas e alimentos (COARACI, 2015b).
De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, a população de Coaraci totalizava 27.852; em 2010, a população era de 20.964 habitantes, destes, 19.130 viviam na zona urbana e 1.834 na zona rural (COARACI, 2015b).
As últimas projeções realizadas pelo IBGE, a partir de dados do último Censo Demográfico, realizado no ano de 2010, e informações mais recentes dos registros de nascimentos e óbitos, apontam que, para 2016, o município possuía população estimada de cerca de 19.383 habitantes (IBGE, 2013). Nota-se que o movimento populacional de Coaraci apresenta tendência de decréscimo e involução. De acordo com o Plano Municipal de Educação (PME) (COARACI, 2015b), o decréscimo da população coaraciense apresenta-se como um fenômeno que alcança os municípios da Região Cacaueira, como consequência de ocorrências climáticas, excesso da produção de cacau no mundo, diminuição da renda do produtor, entre outros fatores presentes no cenário regional desde o final da década de 1980.
A Tabela 1 apresenta a variação demográfica da população de crianças no município entre os anos de 2000-2005.
Tabela 1 – Número de crianças de zero a cinco anos no município de Coaraci/BA – zona urbana e rural (2000/2010).
POPULAÇÃO DE CRIANÇAS (0 A 5
ANOS) 2000 2010
0 a 3 anos Campo Urbano Campo Urbano
356 1.528 111 1.095
4 a 5 anos Campo Urbano Campo Urbano
259 919 83 644
Total 3.062 1.933
Fonte: PME de Coaraci (2015b).17
Ademais, as mudanças relacionadas à população coaraciense podem ser compreendidas a partir da visão de Rigotti (2012) e Reichert e Marion Filho (2015), quando discorrem sobre as
17 A tabela apresenta o dado referente à população de crianças atualizado. No Plano Municipal de Educação (COARACI, 2015b), o cálculo total referente à população de crianças no levantamento realizado pelo IBGE em 2010, campo e urbano, registra 1.739 crianças, quando o cálculo correto refere 1.933.
transformações demográficas da população brasileira nos últimos anos. Os autores explicam em seus estudos que está em curso no Brasil uma transição demográfica. Esse fenômeno é caracterizado pela passagem de uma situação de equilíbrio no crescimento populacional em que ocorrem mudanças expressas pela transição de altos níveis de fecundidade e de mortalidade para uma etapa de níveis baixos, em ambas componentes, ocasionando o que pode ser definido como janela de oportunidades e/ou bônus demográfico. De acordo com Rogotti (2012), o contexto de diminuição da fecundidade implica menor proporção de crianças e jovens, ao passo que aumenta a participação de idosos na população.
Na visão de Reichert e Marion Filho (2015), dados das Nações Unidas apontam que as mudanças demográficas no Brasil decorrem principalmente da queda no nível de fecundidade a partir dos anos de 1965. Em análise complementar, Rogotti (2012) destaca que, durante um longo período, o comportamento reprodutivo no Brasil se caracterizava por famílias numerosas – típicas de sociedades agrárias precariamente urbanizadas e industrializadas. Para esse autor, a atual fase de transição demográfica brasileira resulta de profundas mudanças decorrentes, principalmente, do padrão reprodutivo das mulheres.
Nesse sentido, pondera que o Brasil alcançou baixos níveis de fecundidade em um prazo relativamente curto, se comparado com os países desenvolvidos do mundo ocidental. Pela ótica desse autor, outros fatores justificam as alterações no padrão reprodutivo das mulheres: muitas mulheres se deslocaram do campo para as cidades; a intensificação da urbanização que impulsionou o assalariamento da economia; a crescente participação feminina no mercado de trabalho; e a elevação dos custos de reprodução familiar.
Com o intuito de apontar outras características da população coaraciense, reunimos informações sobre o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)18 de Coaraci. Em 2000, o IDHM do município registrou o percentual de 0,433 e, em 2010, 0,613. Constata-se elevação significativa entre o percentual registrado em 2000 e 2010. Quando comparado aos índices do Brasil (0,683/2000 e 0,699/2010) e da Bahia (0,512/2000 e 0,660/2010), nota-se que
18 O IDHM refere-se a um indicador construído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pela Fundação João Pinheiro, tendo por base o IDHM (PEREIRA, 2003). O IDHM mede o nível de desenvolvimento humano do município, popularizando o conceito de desenvolvimento humano centrado nas pessoas. Utiliza como critério indicadores educacionais, de longevidade e renda. Para a avaliação da dimensão educação, o cálculo considera a taxa de alfabetização de pessoas acima de 15 anos de idade, que tem peso dois, e a taxa bruta de frequência à escola, peso um. Para a avaliação da dimensão longevidade, considera o mesmo indicador do IDH de países: a esperança de vida ao nascer. A longevidade sintetiza as condições de saúde e salubridade do local, uma vez que quanto mais mortes houver nas faixas etárias mais precoces, menor será a expectativa de vida. Para a avaliação da dimensão renda, o critério usado é a renda municipal per capita, ou seja, a renda média de cada residente no município. Para se chegar a esse valor, soma-se a renda de todos os residentes e divide-se o resultado pelo número de pessoas que moram no município (inclusive crianças ou pessoas com renda igual a zero). Para mais informações, consultar:
http://atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil_m/coaraci_ba.
os índices municipais refletem a mesma tendência de crescimento em relação ao país e ao estado no período, embora as médias municipais estejam abaixo das médias nacionais e estaduais (PNUD, 2018).
Quanto às dimensões analisadas para compor o seu IDHM, Coaraci apresenta os seguintes percentuais: Educação (0,227/2000 – 0,491/2010); Longevidade (0,689/2000 – 0,762/2010); e Renda (0,520/2000 – 0,615/2010) (PNUD; FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO; IPEA, 2018). Esses percentuais determinaram a sua inclusão no grupo das municipalidades brasileiras com IDH médio (IDHM entre 0,600 e 0,699) e determinaram sua colocação na 3.847ª posição em relação aos 5.565 municípios brasileiros, entre os quais estão São Caetano do Sul (0,862) e Melgaço (0,418) com o maior e menor IDHM, respectivamente. Conclui-se que, entre as dimensões analisadas, a educação ainda se apresenta como o grande desafio.
Quanto às manifestações culturais presentes no município de Coaraci, destacam-se: a religiosidade representada por diferentes segmentos religiosos, como terreiros de candomblé, igrejas católicas, centro espírita, igrejas evangélicas e loja maçônica; festejos juninos e diferentes iniciativas vinculadas às diferentes religiões; e projetos musicais, como o “Som na Praça”
(COARACI, 2015b).
Nas atividades econômicas, o município apresenta um comércio local com lojas de gêneros alimentícios, de medicamentos, além da agricultura, cujo principal produto comercializado ainda é o cacau. No cenário municipal, a prefeitura é a principal fonte empregadora.
3.2 Criação e Institucionalização do Sistema Municipal de Ensino de Coaraci/BA, os