2. ELEMENTOS DA PROVA
3.4 DA PROVA DOCUMENTAL
3.4.4 Da produção da Prova documental
Para Amorim (2004, p.306):
O art. 368 do CPC salienta que, estando o Documento particular escrito e assinado, presume-se verdadeiro em relação ao signatário. Porém, para sua integral validade em juízo, deve ser colhida a manifestação da parte contrária, que, se concordar, convalidará sua autenticidade, e, se não, poderá valer-se do incidente de falsidade (CPC, arts. 372 e 390).
Assim, denota-se, que se a declaração somente estiver dando ciência referente a algum fato, somente a declaração é que resta comprovada, mas não o conteúdo descrito nesta, cabendo a quem interessa o Ônus da Prova.
Para facilitar a compreensão, cita-se um exemplo:
É o caso de uma ação de usucapião em que o Documento particular subscrito por terceiro que declara estar o autor na posse de imóvel usucapiendo há mais de vinte anos. O Documento prova a declaração efetuada por terceiro, mas não Prova a veracidade da declaração, isto é, que realmente o autor exerce a posse duradoura.
Segundo o art. 385 do CPC, a cópia de um Documento particular tem o mesmo valor probante de um original, competindo ao escrivão conferir e certificar.
O parágrafo 1° do artigo citado no parágrafo anterior dispõe que a fotografia deve vir acompanhada do negativo, e no 2° esclarece que se for fotografia de jornal, deve conter também o original e negativo.
Importante frisar o que descreve o art. 389 do CPC, que a parte que alegar falsidade de Documento, a esta compete o Ônus da Prova como também quem contestar assinatura em documento, deve provar quem produziu o Documento.
Os Documentos substanciais são os que a lei expressamente exige para a proposição da lide. Como exemplo numa ação de execução, o título executivo, a procuração; na ação monitória, a Prova escrita; certidão de casamento na separação judicial; no caso de pessoa jurídica, o comprovante de que é empresa ou microempresa. Etc. Entende-se por fundamentais os Documentos indispensáveis que o autor mencionou na inicial, como o fundamento do pedido. (SANTOS, 1999 apud, DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2007, p.136).
Em sentido contrário Lopes (2002, p.118) classifica os documentos juntados aos autos em substanciais ou fundamentais e secundários, a seguir descritos: “Documentos substanciais ou fundamentais são aqueles em que se escoram o pedido29 e a causa de pedir30. Secundários os que se presta a demonstrar outras alegações das partes que elucidam pontos ou completam afirmações”.
Exemplo é no caso de uma ação reivindicatória, é essencial que acompanhe a inicial, o título de domínio do imóvel. Em outro momento o autor poderá juntar plantas, exame topográfico, com o intuito de sanar dúvidas quanto à localização do imóvel. (LOPES, 2002, p.
118).
Marinoni; Arenhart (2005, p.356) com relação aos Documentos juntados posteriormente citam: “Eventualmente, para comprovação de fato novo, pode-se apresentar Documentos ulteriormente (art. 397 do CPC).”
Denota-se, assim, pela leitura do citado artigo que a lei permite às partes, em qualquer tempo, juntar Documentos aos autos, se ocorrer fato novo, em data posterior àqueles que já constam no processo, ou para contestar os que já foram exibidos.
Pelo art. 398 do CPC, uma vez juntados Documentos novos, deverá ser dado oportunidade a parte contrária para ciência e manifestação querendo, no prazo de cinco dias.
Com relação ao que se está sendo enfocado neste subtítulo, a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, confirma:
29 É o pedido que demonstra o objeto litigioso. É o elemento central da petição inicial, pois expressa o provimento jurisdicional que o autor espera obter. Vale dizer, o pedido é a solução que o autor pretende seja dada à situação reclamada. (WAMBIER; ALMEIDA,TALAMINI, 2007, p.287).
30 Fatos e fundamentos jurídicos do pedido. A causa de pedir, tanto próxima quanto remota, é elemento essencial da petição inicial. Todo direito alegado está ligado necessariamente a um fato gerador. Para que o autor formule sua pretensão em juízo será necessário demonstrar a existência dos fatos geradores do seu alegado direito. Tais fatos constitutivos do direito do autor devem ser narrados pormenorizadamente da inicial (causa de pedir fática ou remota). Mas não basta o autor, entretanto limitar-se a narrar os fatos, sendo obrigatório que eles tenham gerado em sua órbita jurídica um direito de natureza subjetiva, embasador do pedido condenatório, declaratório, ou constitutivo formulado ao Estado-Juiz (causa de pedir jurídica ou próxima). (BARROSO, 2000, p.119-120)
BRASIL – STJ - PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO - CÉDULA DE CRÉDITO COMERCIAL - ORÇAMENTO - JUNTADA COM AS RAZÕES DE APELAÇÃO. I - A TEOR DO DISPOSTO NO ART. 283, DO CPC, OS DOCUMENTOS NÃO CONSIDERADOS "INDISPENSAVEIS" A PROPOSITURA DA AÇÃO NÃO PRECISAM VIR, NECESSARIAMENTE, COM A INICIAL, PODENDO SER OFERECIDOS EM OUTRAS OPORTUNIDADES OU ATE MESMO POR OCASIÃO DA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO;
DESDE QUE, SOBRE ELES, SE MANIFESTE A OUTRA PARTE (ART.
398). O SIMPLES FATO DA PETIÇÃO INICIAL NÃO SE FAZER ACOMPANHADA DESSAS PEÇAS NÃO IMPLICA DE PRONTO SEU INDEFERIMENTO. NESTE CASO, CUMPRE AO JUIZ, VERIFICANDO TAL VÍCIO OU IRREGULARIDADE, DETERMINAR O SUPRIMENTO ATRAVÉS DA DILIGENCIA CONTEMPLADA NO ART. 284, DO MESMO DIPLOMA LEGAL, EM PROVEITO DA FUNÇÃO INSTRUMENTAL DO PROCESSO, AFASTANDO-SE, ASSIM, A PRÁTICA DE EXACERBADO FORMALISMO.
II - PRECEDENTES DO STJ. III - RECURSO CONHECIDO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Acórdão POR UNANIMIDADE, CONHECER DO RECURSO ESPECIAL E LHE NEGAR PROVIMENTO. REsp 46386 / SP RECURSO ESPECIAL 1994/0009321-7 Relator(a) Ministro WALDEMAR ZVEITER (1085) Órgão Julgador T3 - TERCEIRA TURMA Data do Julgamento 14/06/1994 Data da Publicação/Fonte DJ 22.08.1994 p. 21263).
Assim, constata-se que o Superior Tribunal de Justiça, vem afirmando seus posicionamentos no sentido de que Documento não considerado “indispensável” possa ser juntado em momento posterior, inclusive quando da interposição de recurso, desde que a parte contrária seja intimada.
Nesse diapasão, leciona Greco Filho (1999, p.214):
A jurisprudência, porém, tem sido liberal quanto à possibilidade de, a qualquer tempo, serem juntados Documentos novos, entendendo-se como novo não só o Documento que antes não existia, mas também o Documento obtido posteriormente ou todo aquele que não foi juntado anteriormente.
E por fim o art. 399 do CPC disciplina que o Juiz, em qualquer tempo, até em grau de recurso, poderá requisitar às repartições públicas, certidões, procedimentos administrativos em que forem interessados a União, Estado, Município, ou entidades da administração indireta.
Pela lei n° 11,419 de19/12/2006, foi acrescido os parágrafos 1° e 2°. Do art. 399 do CPC. No parágrafo primeiro deverá o Juiz mandar extrair certidões, ou outro Documento, de ofício ou indicado pela parte, no prazo máximo de 30 dias, e devolvê-los à repartição de
origem. O parágrafo 2° descreve que as repartições públicas podem fornecer todos os Documentos por meio de meio eletrônico, com o devido certificado de que é um Documento fiel ao que se encontra nos bancos de dados da repartição pública.