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Diplomas Negociais Coletivos

Os diplomas negociais coletivos são compostos por dois grupos de diplomas institucionalizados, quais sejam: convenção e acordo coletivo. (DELGADO, 2003, p. 135)

[...] a particularidade de tais diplomas encontra-se na circunstância de que são negócios jurídicos celebrados por sujeitos privados (cujo caráter social, coletivo, e não meramente individual), tendo tais negócios jurídicos o condão de produzir regras jurídicas ( e não meras cláusulas obrigacionais, como próprio dos demais negócios jurídicos privados). A diferença específica de tais diplomas perante outros correlatos, está, portanto, na combinação singular que concretizam: o fato de serem contratos, pactos de vontades privadas, embora coletivas, dotados do poder de criação de normas jurídicas. (DELGADO, 2003, p. 161)

Conclui-se, portanto, que os diplomas negociais coletivos, são “[..] pactos de origem societária, envolvendo seres coletivos, a que a ordem jurídica atribui aptidão para gerar regras jurídicas. São pactos geradores de normas.” (DELGADO, 2003, p. 161)

2.3.1 Convenção e Acordo Coletivo: conceituação

A Convenção Coletiva de Trabalho tem sua definição no art. 611 da CLT, que dispõe:

Art. 611. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais do trabalho.

Denota-se, que a Convenção Coletiva do Trabalho é resultado das negociações realizadas pelas entidades sindicais, envolvendo tanto as representações obreiras quanto as patronais, que visam normatizar situações presentes e futuras.

Amador Paes de Almeida conceitua:

A convenção coletiva é negócio jurídico de caráter normativo, estabelecendo condições de trabalho a serem aplicadas aos contratos individuais já existentes, ou que venham a ser celebrados, no âmbito da mesma categoria profissional. Tem, portanto, caráter amplo, abrangendo vasto setor econômico e profissional [...]. (ALMEIDA, 2003, p. 298)

Desta forma, compreende-se que a convenção coletiva são negócios jurídicos privados, uma vez que demonstram acordos de vontade entre sujeitos coletivos sindicais (obreiro e patronal).

Também na Consolidação das Leis Trabalhistas, encontra-se a definição de Acordo Coletivo do Trabalho (art. 611, § 1º da CLT):

Art. 611.

(...)

§ 1º. É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das empresas acordantes às respectivas relações de trabalho.

O referido artigo aduz como prerrogativa a participação dos Sindicatos na celebração dos Acordos Coletivos, sendo que este, tanto quanto a Convenção Coletiva de trabalho possuem caráter normativo.

Os acordos coletivos constroem-se por empresa ou empresas, em âmbito mais limitado do que o das convenções, com efeitos somente aplicáveis à(s) empresa(s) e trabalhadores envolvidos. Do ponto de vista formal, traduzem acordo de vontades (contrato latu sensu) – à semelhança das convenções – embora com especificidade no tocante aos sujeitos pactuantes e âmbito de abrangência. Do ponto de vista substantivo (seu conteúdo), também consubstanciam diplomas reveladores de regras jurídicas

típicas, qualificadas por serem gerais (em seu âmbito mais delimitado, é verdade), abstratas e impessoais, sendo também dirigidas á regulação ad futurum de relações trabalhistas. (DELGADO, 2003, p. 137)

Neste sentido, o Acordo Coletivo de Trabalho é pactuado entre um sindicato profissional (obreiro) e uma ou mais empresas, não havendo a interferência de um sindicato patronal.

2.3.2 Acordo e Convenção Coletiva: distinções

O Acordo e a Convenção Coletiva do Trabalho são diferenciadas pelos sujeitos pactuantes e pela abrangência de suas regras jurídicas.

A CCT tem em seus pólos subjetivos, necessariamente, entidades sindicais, representativas de empregados e empregadores, respectivamente. É pacto subscrito por sindicatos representativos de certa categoria profissional e sindicatos representativos da correspondente categoria econômica. (DELGADO, 2003, p. 138)

Já no Acordo Coletivo de Trabalho, a empresa possui a faculdade de fazer-se representar, no qual podem subscrever sozinhas tal diploma negocial, porém, a presença do sindicato obreiro é obrigatória. (DELGADO, 2003, p. 138)

Em face da distinção concernente aos sujeitos pactuantes, surge outra diferença:

abrangência dos diplomas coletivos negociados.

Afirma-se que a Convenção Coletiva abrange as empresas e os respectivos empregados englobados nas mesmas categorias econômicas e profissionais. Já o Acordo Coletivo incide somente sobre “[...] os empregados vinculados à empresa ou o conjunto de empresas que tenham subscrito os referidos diplomas. Não obriga empresa convenentes, nem atinge os empregados destas, ainda que se trate da mesma categoria econômica e profissional.” (DELGADO, 2003, p.

138)

2.3.3 Acordos e Convenções Coletivas: características.

De acordo com o posicionamento juslaboralista pátrio, os diplomas negociais coletivos possuem as seguintes características:

A) Legitimação: a legitimação disponibilizada as entidades sindicais dá-se sob dois enfoques, o dos empregados e dos empregadores. Estes, sob hipótese de Acordo Coletivo, através

das patronais, têm sua legitimação própria e direta. Aqueles, em conformidade com a Carta Magna de 88, têm como sujeitos legitimados para celebrarem a negociação coletiva as entidades sindicais obreiras. (DELGADO, 2003, p. 142)

Insta esclarecer que na hipótese de categorias inorganizadas de sindicatos, as federações, bem como as confederações assumem a legitimidade para pactuarem tanto o Acordo como a Convenção Coletiva

B) Conteúdo: o conteúdo dos diplomas negociais coletivos englobam dispositivos normativos e dispositivos obrigacionais.(DELGADO, 2004, p. 143)

Os dispositivos normativos geram direitos e obrigações que integram os contratos individuais de trabalhos das classes representadas. Já os dispositivos obrigacionais, são cláusulas contratuais que geram direitos e deveres para as partes convenentes (sindicato dos empregados e empresa, quando pactua-se acordo coletivo e, sindicato patronal e sindicato obreiro, quando pactua-se convenção coletiva). (DELGADO, 2004, p. 143)

C) Forma: Tanto a Convenção como o Acordo Coletivo de Trabalho são instrumentos formais, lançados por escrito e submetidos a divulgação pública. Possuem procedimentos próprios para sua concepção e concretização, onde se faz necessária a observância de determinados ritos e exigências para sua efetivação determinados pela CLT. Dentre tais ritos e exigências, pode-se citar: a convocação ampla, pauta publicalizada, quórum razoável para instalação e deliberação assemblear, lançamento a termo escrito das regras e cláusulas estipuladas, entre outras. Pode-se afirmar que o cumprimento de tais requisitos são condições de validade da negociação coletiva. (DELGADO, 2004, p. 144/145)

O registro das entidades sindicais são dirigidas ao Ministério do Trabalho e do Emprego, seguem o disposto na Portaria n.º 343 de 2000, atentando-se para as alterações trazidas pela Portaria n.º 376 também do MTE.5

D) Vigência: Segundo a CLT, os diplomas autônomos trabalhistas terão a vigência iniciada três dias após o seu depósito em órgão competente. (DELGADO, 2004, p. 145)

E) Duração: o §3º do art. 614 da CLT, fixa não ser permitido estipular convenção e acordo coletivo com duração superior a dois anos. Porém, na prática juslaborativa, as partes coletivas tendem a restringir a duração dos diplomas coletivos a apenas um ano. (DELGADO, 2004, p. 146)

5 As Portarias mencionadas estão em anexo.

F) Prorrogação, Revisão, Denúncia, Revogação e Extensão: segundo o art. 615 da CLT, as regras para prorrogação, revisão, denúncia revogação e extensão, serão as mesmas já estipuladas para a celebração dos diplomas negociais coletivo, observando-se as mesmas formalidades e prazos. (DELGADO, 2004, p. 146)

3 PROJETO DE LEI N.º 5483/01

Antes de adentrarmos ao estudo do Projeto de Lei n.º 5.483/01 propriamente dito, cabe fazer-se algumas considerações referentes à Flexibilização Trabalhista.