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2.8 LIMITES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

2.8.1 EDUCAÇÃO

O controle da destinação de recursos para educação compreende:

a) Aplicação do percentual mínimo de 25% da receita de impostos incluídas as transferências de impostos em manutenção e desenvolvimento do ensino;

b) Aplicação do percentual mínimo de 60% dos recursos oriundos do FUNDEB na remuneração dos profissionais do magistério;

c) Aplicação do percentual mínimo de 95% dos recursos oriundos do FUNDEB em despesas com manutenção e desenvolvimento da educação básica;

d) Utilização de no máximo 5% dos recursos do FUNDEB, no exercício seguinte ao do recebimento e mediante abertura de crédito adicional.

Em relação ao item “a)”, a Constituição Federal, em seu artigo 212, obriga os Municípios a aplicarem no mínimo 25% da receita de impostos, inclusive as decorrentes de transferências, em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino - MDE, obrigação popularmente conhecida como gasto mínimo com educação.

Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.

§ 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.

§ 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no "caput" deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. (...)

§ 5º - O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida, na forma da lei, pelas empresas, que dela poderão deduzir a aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes.

Ainda de acordo com o artigo 8 da Lei nº 9.394/96, a educação brasileira compõe-se de duas categorias: educação superior e educação básica, esta última segregada em educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. O artigo 211 da CF define as áreas de atuação prioritária de cada esfera de governo, cabendo aos municípios atuar prioritariamente na educação infantil e no ensino fundamental.

Para a análise do cumprimento deste dispositivo, calcula-se o total da receita de impostos, inclusive de transferências, e sobre ele aplica-se 25% (vinte e cinco por cento) e assim obtém-se o limite mínimo de despesas com MDE. Após, somam-se as despesas com MDE, deduzindo-se, entre outras, aquelas realizadas com ganho do FUNDEB e seus rendimentos, e das despesas que efetivamente não são consideradas como de MDE. Se o valor aplicado for superior ao limite mínimo está cumprida a obrigação.

Importante destacar que as despesas inscritas em restos a pagar no final do exercício somente serão computadas para aferição do atendimento dos percentuais mínimos se houver suficiente disponibilidade de caixa e, portanto, não houver déficit orçamentário e financeiro, caso em que, se não canceladas no exercício seguinte, serão consideradas como despesa do próprio exercício.

Por sua vez, o cumprimento das exigências descritas nos itens “b”, “c” e “d”

referem-se aos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB.

O FUNDEB foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006, regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007 (posteriormente alterado pelo Decreto nº 6.278/2007) em substituição ao FUNDEF, que vigorou de 1998 a 2006. Trata-se de um Fundo de natureza contábil e de âmbito estadual, ou seja, um fundo para cada um dos 26 Estados e mais o Distrito Federal, composto por recursos provenientes dos impostos e transferências dos Estados, Distrito Federal e Municípios vinculados à Educação por força do disposto na art. 212 da Constituição Federal e por recursos suplementares da União se o valor mínimo aluno/ano não for atingido. Logo, não existem transferências de recursos entre cada um dos 27 Fundos existentes.(QUEIROZ, 2010, P. 55)

O FUNDEB substituiu o FUNDEF, ampliando a aplicação dos recursos para toda a educação básica e não mais só para o ensino fundamental.

O FUNDEB é mais amplo que o fundo que lhe antecedeu (FUNDEF) na medida em que abrange não apenas o ensino fundamental, como também a educação infantil, o ensino médio e a educação de jovens e adultos (EJA).

Para sua constituição, percentuais fixos de algumas transferências recebidas por Estados, DF e Municípios são retidos e incorporados ao fundo, que distribui esses recursos de acordo com a proporção de matrículas nas redes estaduais e municipais de ensino público. (QUEIROZ, 2010, p. 53)

Os recursos do FUNDEB são originários da contribuição da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, conforme valores constantes da tabela abaixo.

Tabela 13: Escala de implantação financeira do FUNDEB – Fonte: QUEIROZ, 2010, p. 55

Os recursos arrecadados pelo FUNDEB são transferidos aos Estados, Distrito Federal e Municípios com base no número de alunos matriculados na sua área de atuação educacional prioritária e devem ser aplicados por estes em MDE observadas as despesas permitidas (art. 70 da Lei nº 9.394/96) e não permitidas (art. 71 da Lei nº 9.394/96).

A obrigação do item “b” refere-se a aplicação mínima de 60% (sessenta por cento) dos recursos do FUNDEB em remuneração dos profissionais do magistério, de acordo com o artigo 22, da Lei 11.494:

UF´s Origem dos Recursos Contribuição à Formação do Fundo

2007 2008 2009 2010 a 2010

16,66% 18,33% 20,00% 20,00%

6,66% 13,33% 20,00% 20,00%

União Complementação Federal Estados,

DF e Municípios

FPE, FPM, ICMS LC 87/96 e IPIexp ITCMD, IPVA, ITRm e outros

eventualmente instituídos

R$ 2 Bilhões

R$ 3 Bilhões

R$ 4,5 Bilhões

10% da Contribuição Total dos Estados, DF

e Municípios

Art. 22. Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública. Parágrafo único. Para os fins do disposto no caput deste artigo, considera-se:

I - remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação, em decorrência do efetivo exercício em cargo, emprego ou função, integrantes da estrutura, quadro ou tabela de servidores do Estado, Distrito Federal ou Município, conforme o caso, inclusive os encargos sociais incidentes;

II - profissionais do magistério da educação: docentes, profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar, planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional e coordenação pedagógica;

III - efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual, temporária ou estatutária, com o ente governamental que o remunera, não sendo descaracterizado por eventuais afastamentos temporários previstos em lei, com ônus para o empregador, que não impliquem rompimento da relação jurídica existente.

O atendimento aos itens “c” e “d” podem ser excludentes. Ora, não há razão para não utilização dos recursos do FUNDEB no exercício em que ingressam em razão de que equivalem a um valor mínimo por aluno. Contudo, o artigo 21 da Lei 11.494 previu a possibilidade de realizar a despesa até 5% dos recursos de um exercício no prazo de até o término do primeiro trimestre do exercício seguinte.

Assim, o gestor deve executar a despesa de pelo menos 95% das receitas do FUNDEB no próprio exercício para cumprir a obrigação e, se inferior a 100%, executar a diferença até o término do 1º trimestre do exercício seguinte para adimplir a obrigação descrita no item “d” acima.

Importante observar que, dos exercícios compreendidos no PPA 2006-2009, apenas o ano de 2006 não segue as mesmas regras acima, eis que à época vigia o FUNDEF. As obrigações eram, além da aplicação de 25% das receitas de impostos, inclusive transferências em MDE: a) Aplicar, no mínimo, 60% dos 25% em manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental, e; b) Aplicar, no mínimo, 60% dos recursos do FUNDEF, em remuneração de pessoal do magistério.

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 55-58)

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