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DAS RELAÇÕES DE PODER-SABER

CAPÍTULO 5 DAS CONCLUSÕES

5.4 DAS RELAÇÕES DE PODER-SABER

Mas nada disso ocorre fora das relações de poder. Para Foucault o poder é onipresente. Há uma onipresença do poder, mas isto ocorre não porque esteja localizado em um único ponto, “ mas porque se produz a cada instante, em todos os pontos, ou melhor, em toda relação entre um ponto e outro” . (FOUCAULT, 2005, p. 89)

Desta maneira, o “ poder está em toda parte; não porque englobe tudo e sim porque provêm de todos os lugares” (FOUCAULT, 2005, p. 89). O que existe são dispositivos (mecanismos) de poder atuando sobre o indivíduo e a sociedade, adquirindo caráter “ normalizador” . Desta forma, através da teoria posta e de ações práticas, um dispositivo se impõe na sociedade,

“ normalizando” a vida do indivíduo e conseqüentemente de todo o corpo social, construindo o cidadão necessário a ela. Neste sentido, Foucault entende que a escola, o quartel, o hospital e a prisão são microespaços de poder, onde o dispositivo se faz presente. Portanto, a sexualidade é um

dispositivo histórico muito concreto de poder. Em sua percepção, ela aparece nas sociedades ocidentais como “ um ponto de passagem particularmente denso das relações de poder; entre homens e mulheres, entre jovens e velhos, entre pais e filhos, entre educadores e alunos, entre padres e leigos, entre administração e população.” (FOUCAULT, 2005, p. 74)

O dispositivo de sexualidade se inscreve nas mais variadas relações de poder existentes na sociedade, do pai para o filho, do homem para a mulher, do professor para o aluno, do médico para o paciente, do governo para a população etc. Desta maneira, a sexualidade mostra ser um dos elementos mais eficazes de controle sobre o sujeito e a sociedade, atuando há mais de três séculos: “ Nas relações de poder, a sexualidade não é o elemento mais rígido, mas um dos dotados da maior instrumentalidade; utilizável no maior número de manobras, e podendo servir de ponto de apoio, de articulação às mais variadas estratégias.” (FOUCAULT, 1990, p. 98)

Assim, Fanny exercia poder sobre os menino-homens porque ela detinha saberes oriundos de sua formação refinada e cultivada na fortaleza de Ibirama; exercia poder também sobre os homens adultos porque os ameaçava moralmente de delatá-los quando não cumpriam seus compromissos financeiros com a casa. Mas também perdia poderes quando a sociedade a desprezava, ou a respeitava em tom jocoso.

Havia na cidade de Brusque, como ainda há, escolas públicas e particulares. Nos dois colégios particulares, um de confissão católica e outro de confissão luterana, estudava a elite da cidade. No colégio católico, então denominado Santo Antônio, eram as freiras da Divina Providência que administravam. Era um colégio com internato para as alunas e externato para aqueles que residiam com suas famílias. Mas fosse nos colégios particulares ou nos públicos, a base da educação era a disciplina.

As crianças deveriam permanecer internadas, só saindo nas férias e quando terminassem a educação. O colégio era um lugar destinado e adaptado à educação higiênica do aluno – a educação física, a educação moral, a educação intelectual e a educação sexual da criança eram especialmente foco de atenção no ambiente colegial. A educação física, por exemplo, aconselhada por médicos e pedagogos, representava o enquadramento disciplinar do corpo.

Corpo disciplinado e contido, sociedade disciplinada e contida. Os pais

83 também eram orientados para não se contrapor ao sistema de educação recebidos pelos filhos.

Os estudos de Foucault nos apontam que os colégios surgem no século XVIII, na Europa, como uma instituição disciplinar e normalizadora do corpo e do sexo. O autor pondera: “ Devemos ainda nos admirar que a prisão se pareça com as fábricas, com as escolas, com os quartéis, com os hospitais, e todos se pareçam com as prisões.” (FOUCAULT, 1990, p. 99)

No depoimento das professoras, especialmente da primeira, vê-se esse enfoque disciplinador da escola, onde ela salienta: “ Para ser professor tinha que ter postura, ter disciplina consigo mesmo, senão como podia ensinar pros alunos? Era a professora que conduzia os alunos para a sala de aula, em ordem, com disciplina...”

Na década de 1960, na cidade de Brusque, uma dessas questões que não passavam de fatos do cotidiano era justamente a da sexualidade. Nas escolas, vê-se claramente nos depoimentos das professoras que a sexualidade não era tratado na escola. Era um tabu. Todos sabiam e entendiam as necessidades de se inteirar os rapazes do assunto, mas todos também demonstravam claramente que esse assunto não era para ser discutido. Era um discurso de silêncio. E nesse silêncio, efetivamente, a Fanny desempenhava o seu papel e, por conseguinte, exercia uma grande parcela de poder na sociedade local. “ ...o silêncio e o segredo dão guarida ao poder, fixam suas interdições,; mas também, afrouxam seus laços e dão margem a tolerâncias mais ou menos obscuras.” (FOUCAULT, 2005, p. 96)

Era um poder exercido dentro de um micro espaço, ou seja, dentro de sua propriedade, sobre “ suas moças” e sobre aqueles que freqüentavam o local e recorriam a seus serviços, mas era a prática de um poder. Certamente que muitos membros da sociedade brusquense se insurgiam contra essa prática desempenhada pela Fanny, por entenderem que representava um mal; o fato de que apenas os rapazes eram levados a ser “ iniciados” sexualmente demonstra uma dicotomia ditada pelo gênero e pela conduta social de então: homens podem tudo, mulheres não podem nada. Os gêneros se constituem, segundo Lopes (1994, p. 41), nas e pelas relações de poder; assim, a normalização da conduta dos meninos e meninas e as táticas que garantem o governo e o auto- governo dos sujeitos ficaram depositadas nos gestos destes homens e

mulheres da cidade, que em suas relações alternadas de poder, foram nomeando suas diferenças e desigualdades.

Os ventos de mudanças oriundos de várias partes do mundo trazendo grandes transformações sociais não demorariam a soprar também sobre Brusque. Vê-se que essas transformações não abalaram o poder que a Fanny exercia sobre a comunidade. Na década de 1970 e 1980 sua figura ainda desfilava pela cidade e era apontada uma pessoa incomum, diferente. Como também todos reconheciam nela a prostituta da cidade, demonstrando as teses de Foucault sobre a circularidade do poder. Ao mesmo tempo que ela detinha poder sobre os meninos, a sociedade brusquense também impunha a ela suas normas; da mesma forma que as mulheres-professoras nutriam por ela respeito e admiração, também desprezavam a sua profissão, demonstrando as diferentes intensidades das relações de forças em que se constitui o poder- saber.

Questões de gênero como as que aqui foram analisadas deram densidade para a reconstrução do conhecimento histórico da cidade de Brusque nos seus aspectos educacionais e formativos, reafirmando a categoria gênero como útil para a análise histórica (SCOTT, s/d).

Destacamos nesta pesquisa a individualidade de uma mulher como personagem histórica, evidenciando redes de poder e redes sociais nas quais essa individualidade esteve imbricada.

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APÊNDICES

APÊNDICE A – Memorial: História e Memória do Pesquisador ... 89 APÊNDICE B – Roteiro de entrevista com Dalbérgia Deucher ... 90 APÊNDICE C – Roteiro de entrevista com as professoras ... 91 APÊNDICE D – Roteiro de entrevista com os alunos ... 92

89 APÊNDICE A – Memorial: História e Memória do Pesquisador

Memorial: História e Memória do Pesquisador

Minha cidade, minha vida

Personagens da cidade em minha memória Minha escola, minha infância” .

(Autor desconhecido)

Figura 1 – Cidade de Brusque em 1960. Rua Central, então chamada Conselheiro Rui Barbosa, hoje Avenida Cônsul Carlos Renaux

Nasci aqui nesta cidade de Brusque no ano de seu centenário, 1960.

Aqui vivi até os 18 anos quando então me transferi para Blumenau onde estudei, trabalhei e me iniciei nos segredos da educação. Em 1997, a convite do Colégio São Luis, voltei para cá para ser professor de história no que era o segundo grau. Foi ali no São Luis que um dia conversando com a Carmen,

sabendo do mestrado em educação na UNIVALI. Foi ela, e a ela eu agradeço, que me levou à UNIVALI, me apresentou às pessoas e me explicou adequadamente como funcionava tudo ali naquele novo universo, inclusive o estacionamento. Engraçado isso. Hoje, relembrando tudo esse processo parece muito simples, mas naquela situação era bem complicado. Emagreci 11 quilos no afã de estudar para as provas de alunos regulares, para elaborar um projeto de pesquisa lendo e pesquisando em autores que jamais ouvira falar. Aluno especial, provas e entrevistas, aluno regular, projeto, aulas, trabalhos, pesquisas, seminários, mais aulas, mais trabalhos, muitos trabalhos, mais pesquisas.

Idas e vindas de Brusque a Itajaí, Itajaí a Brusque. O carro hoje, sabe o caminho sozinho. Nas terças-feiras era o melhor dia. Num sistema de rodízio eu, Mariane Zen e Rogéria Diegoli revezávamos nossos automóveis para as idas e vindas. Na “ ida” , os assuntos eram sempre sérios, acadêmicos, Foucault era passageiro no carro, como nós. Na “ frida” era a uma festa, falávamos de tudo inclusive, no caso de acidente como seria o funeral, com a Banda Marcial do São Luis tocando não a Marcha Fúnebre, mas Tico-Tico no Fubá. A ida e a volta é a forma como se exprime em todos os lugares; em Brusque, temos o hábito de falar a ida e a frida (volta), num trocadilho de palavras, já que Ida e Frida são nomes alemães bem comuns na região.

Ao chegar em casa, antes de me dirigir para a universidade, onde lecionaria até as 22 horas, minha mãe sempre estava me esperando com o chá, e alguma surpresa gastronômica, e minha irmã Ili, sempre abrindo e fechando o portão.

Aqui nesta minha cidade aprendi a viver em sociedade. Aprendi a ver e sentir as diferenças, as relações e interligações de poder e verdade. Os discursos; discursos dominantes, discursos dominadores, ainda que de forma velada me foram apresentados.

Discursos muitas vezes sussurrados, comentados entre as vizinhas em voz baixa, por serem “ inadequados para os ouvidos de criança pequena” . Lembro que uma amiga de minha mãe estava internada no hospital de Azambuja e fomos visitá-la. Na mesinha de cabeceira, a indefectível maçã vermelha embrulhada em papel de seda roxo. Maça era algo tão raro que todo

doente ganhava um “ apffle” . A conversa toda em sussurros. Em momento algum mencionou-se o tipo de doença. Mais tarde em casa, naquela noite comentou-se em voz quase inaudível que era uma “ doença ruim.”

No mesmo enfoque eram tratadas as outras “ doenças ruins” , principalmente as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) conhecidas como “ pereba” . Ai do sujeito que caísse na boca do povo por estar com alguma “ pereba” . Ficava estigmatizado e dificilmente encontraria uma namorada entre as moças de “ boa família” . Sem contar que o tratamento era algo próximo da lepra: isolamento total. O sabonete, a toalha, o assento ainda quente do corpo infectado, o toque da mão, tudo era forma de transmitir o mal, por isso a “ distância” era fundamental para se preservar.

Pornografia era algo inexistente: camisinha, drogas, filmes ou revistas pornô, contraceptivos, nada disso se falava ou mostrava. Prostituição era algo tão impensável que também não se comentava.

Claro que não se esperava que um homem não tivesse relações sexuais antes do casamento, ou que casasse virgem: Homem é homem, levanta as calças e vai embora, não fica falado. Mas mulher? Aaaaaahhhh! Daí a coisa é diferente. Mulher tem que ter honra a zelar pelo seu nome e da sua família, se caia na boca do povo, não tinha jeito. Então as putas, naquela época né, tinham que existir para beneficiar as moças ‘direitas’, agora não é por causa disso também, que se ia aceitar elas na vivência das pessoas de bem. Gente assim, desse tipo, tem que existir, mas deve trabalhar de noite e sumir, dormir, sei lá, de dia. Cada um deve saber o seu lugar. É tão bonito quando as pessoas sabem o seu lugar né? É bem como diz o ditado: Cada macaco no seu galho. E veja lá, não vai botar meu nome aí junto com os nomes das ‘faladas’ que senão me marido me mata.

Esta declaração é proveniente de uma professora aposentada, que me fala sorrindo e arfante. Sua colocação é peremptória. Lecionou muitos anos no antigo primário e hoje sua vida se divide entre a casa, os netos e a igreja.

Lembro que uma noite minha mãe levou minhas irmãs a um baile num clube de classe média no centro da cidade, o Payssandú.

Figura 2 – Aquiles (autor desta pesquisa), a irmã Iara, a mãe Lidya e a irmã Ili. De pé o irmão Péricles. Baile no Clube Esportivo Payssandú em Brusque/SC – 1968

Claro que minhas irmãs, não poderiam ir ao baile sozinhas, moças

“ direitas” não faziam isso. Então lá fomos nós. Mãe, o irmão mais velho que estava no exército, as duas irmãs e eu com sete anos, morrendo de sono, numa apatia medonha. Só não foi o cachorro. Tudo ia seguindo de forma muito monótona até que, de repente, uma manifestação de desagrado varre o local. A grande pista de dança ficou praticamente vazia. Lá no centro apenas algumas moças dançando – escândalo – iê-iê-iê e pior, de vestidos longos ou – pavor dos pavores – de mini-saia, muito maquiadas e – supremo escândalo – de

“ frente única” .

Axiomático na micro-história da comunidade brusquense dentro da macro-história da revolução sexual dos anos 60, do festival de Woodstock, do rock dos Beatles, da Guerra do Vietnã, da mini saia de Mary Quandt. E o resultado dessa invasão de estranhos, de diferentes, de sujeitos periculosos pelo fato de simplesmente ousarem ser o que eram?

Louro (2003) refletindo sobre o “ normal” , o “ diferente” e o

“ excêntrico” , discorre sobre este enfoque com muita propriedade:

Este ambiente de transformações aceleradas e plurais, que hoje vivemos, parece ter se intensificado desde a década de 1960, possibilitado por um conjunto de condições e levado a efeito por uma série de grupos sociais tradicionalmente submetidos e silenciados. As vozes desses sujeitos faziam-se ouvir a partir de posições desvalorizadas e ignoradas; elas ecoavam a partir das margens da cultura e, com destemor, perturbavam o centro. Uma outra política passava a acontecer, uma política que se fazia no plural, já que era – e é – protagonizada por vários grupos que se reconhecem e se organizam, coletivamente, em torno de identidades culturais de gênero, de raça, de sexualidade, de etnia. O centro, materializado pela cultura e pela existência do homem branco ocidental, heterossexual e de classe média, passa a ser desafiado e contestado. Portanto, muito mais do que um sujeito, o que passa a ser questionado é toda uma noção de cultura, ciência, arte, ética, estética, educação que, associada a esta identidade, vem usufruindo, ao longo dos tempos, de um modo praticamente inabalável, a posição privilegiada em torno da qual tudo mais gravita.

Ainda sobre a noite do baile, recordo-me bem que aquelas moças naquela noite ficaram praticamente sozinhas na grande pista de dança. O salão parecia uma colméia de abelhas que foi cutucada. Onde já se viu? Esse tipo de gente aqui, no meio de gente decente? Moças de família tendo que se misturar com esse tipo de moça perdida? Dançando iê-iê-iê? Foi um Deus nos acuda até que a direção do clube solicitou que as escandalosas se retirassem.

Interessante que, nem mesmo os moços – prováveis clientes das jovens que ali estavam, meu irmão entre eles – que murmuravam os nomes de todas, não se aproximaram, não dançaram próximo, ou demonstraram conhecê-las. Foram simplesmente ignoradas e expulsas do ambiente. Mas falar de prostituição em voz alta? Nunca. Isso era tabu. Paras todos ali elas eram “ moças faladas” .

Assim, nas palavras do pesquisador Artur César Isaia (2004): “ Essas mulheres tidas como ‘decaídas’ emergem da lateralidade projetada pelas elites, para afirmarem-se como protagonistas de um drama urbano inacabado” .

Houve neste caso da “ invasão” do baile, uma insurgência contra o status quo. Os invisíveis, num ato de verdadeira sublevação, quiseram tornar- se visíveis, expor-se, mostrar-se.

Há aqui, no terreno da cultura, um claro enfrentamento entre cultura dominante e subalterna. Porém, passados anos vejo que ocorre um movimento

ontem era “ indecoroso” , hoje é absolutamente aceitável.

Porém, no enfoque histórico, vale a pena fazer uma retrospectiva de dois mil anos e ver que, o advento do cristianismo como religião oficial do Império Romano após o Édito de Milão em 313 e sua conseqüente aliança com o poder imperial criou novos conceitos ético-morais entre outras inúmeras conseqüências. Primeiramente, veio à tona o aspecto pecado em tudo, ou quase tudo dentro da vida das antigas religiões que a nova rotulou de paganismo.

Os mais renomados historiadores da antiguidade mencionam, e inclusive a própria bíblia, falam dos templos de Ishtar (ou Astarté ou Astaroth) e de inúmeras outras divindades, onde a prostituição era uma atividade sagrada. As jovens e mulheres freqüentemente se disponibilizavam nos templos e essa atividade era encarada como uma forma de honrar a divindade, agradecer por dons recebidos e ou pedir outros.

Os emolumentos percebidos do exercício da atividade de prostituição (sagrada) eram destinados ao templo como forma de doação, de agradecimento, de homenagem à divindade. Sim! Da mesma forma que hoje se faz e se cumprem as promessas para os santos, nas antigas religiões tinha-se o mesmo costume, com “ pequenas” diferenças no aspecto cultural e de procedimento.

O Édito de Milão do Imperador Constantino e mais tarde o do Imperador Teodósio, tiveram o condão, não só de interromper as perseguições aos cristãos, oficializar a nova religião e relegar à ilegalidade as antigas.

Criaram também um problema para a igreja nascente. Sem martírios, sem perseguições, sem sangue na arena, sem mortes espetaculares, o que oferecer para o deus? O que usar como “ marketing” na divulgação, na motivação e na promoção da nova religião? Já que o céu só é alcançado através de entraves quase inexpugnáveis, os “ santos padres” , em suas minuciosas perquerições optaram pela castidade, pela virgindade, pela “ pureza” .

Assim, num rompante, o sexo passou a ser pecado, o desejo sexual passou a ser pecado, as variações sexuais passaram a ser pecado, Maria Madalena foi criada a exemplificar a grande prostituta. O pecado povoou o mundo; a castidade e a pureza passaram a ser o máximo a ser atingido pelo

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