4.6 Cenário de Sustentabilidade
4.6.2 Fatores Condicionantes do Desenvolvimento
Logística de Transporte e Capacidade do Sistema Viário: Infra-Estrutura Rodoferroviária e Marítima
Veículo Leve sobre Trilhos: Duque de Caxias - Itaboraí
Para o transporte dos passageiros residentes nas cidades localizadas no oeste da zona de influência direta do projeto, isto é, Magé, Duque de Caxias e Guapimirim, uma das zonas de assentamento potencial dos trabalhadores do COMPERJ, a opção proposta é a revitalização da ferrovia urbana atualmente existente entre as cidades de Duque de Caxias e Itaboraí, com a implementação de um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ficando a cidade de Guapimirim conectada em percursos independentes tanto a Itaboraí quanto a Duque de Caxias. O sistema proposto é o apresentado na Figura 4.51.
Para instalar este sistema poderá ser necessária, se um estudo de demanda assim o indicar, a duplicação e eletrificação da via permanente, assim como a recuperação das diferentes estações já existentes no trecho.
A mudança do sistema atual de trens para o sistema VLT tem como vantagens, segundo a CBTU:
aumento do conforto, com menores níveis de ruídos e vibração, ambiente climatizado, partidas e frenagens eficientes;
implantação de um sistema de transporte não poluente;
diminuição dos tempos de deslocamentos; e
aumento significativo da capacidade de transporte.
O VLT deverá integrar-se com o sistema de trens urbanos operados pela Supervia (Figura 4.52) numa estação intermodal a ser implementada em Duque de Caxias, facilitando a conexão dos passageiros com origem o destino na cidade do Rio de Janeiro e em outros municípios da Baixada Fluminense.
Figura 4.51 — VLT Duque de Caxias – Itaboraí Fonte: LIMA/COPPE/UFRJ, a partir do Google Maps
Figura 4.52 — Rede de Trens Fonte: Portal do Transporte (2009)
A não implementação do VLT e a falta de investimento na ferrovia urbana existente prejudicarão o acesso ao COMPERJ dos funcionários localizados no oeste da zona de influência direta do projeto.
Eventualmente, esta infra-estrutura ferroviária poderá ser aproveitada para transportar determinados produtos especiais elaborados no COMPERJ. Para isto, serão precisos investimentos que assegurem a conexão entre o complexo e a linha-tronco principal mediante a implantação de um ramal. Contudo, um estudo complementar sobre a viabilidade da integração operacional entre o sistema de VLT e os trens de carga deverá ser recomendado.
Ligação entre Itaboraí e Municípios do Entorno
As cidades de Tanguá e Rio Bonito estão localizadas no Leste da zona de influência direta do COMPERJ. O transporte de passageiros entre Itaboraí e esses municípios poderá ser viabilizado mediante o melhoramento do serviço das linhas de ônibus existentes e o uso da rodovia BR-101 Norte (Figura 4.53).
A ligação entre as cidades de Cachoeiras de Macacú e Itaboraí poderá ser feita por meio de linhas de ônibus utilizando a Rodovia Tangúa (RJ-116) e o transporte dos passageiros entre Itaboraí e a cidade de Maricá, situada no Sul da zona de influência direta. Também, poderá ser realizado por ônibus pela Estrada de Ubatiba (RJ-114), desde que se adeqüe o serviço das linhas de ônibus existentes à demanda estimada.
Figura 4.53 — Linhas de Ônibus Intermunicipais Fonte: LIMA/COPPE/UFRJ, a partir do Google Maps
Terminal Intermodal de Itaboraí
A implantação dos projetos até aqui mencionados fará com que a maioria dos funcionários do COMPERJ chegue a Itaboraí usando os serviços do Metrô, do VLT e dos ônibus. Assim, deverá ser prevista uma ligação rodoviária entre Itaboraí e o COMPERJ, com acesso secundário, fazendo-se ainda necessária a criação de um Terminal Multimodal onde se integrem os três modais de transporte.
A ligação entre o Terminal Multimodal e o COMPERJ poderá ser feita através do estabelecimento de um serviço de ônibus permanente, reforçado nos horários de entrada e saída dos trabalhadores.
Como é um serviço destinado especialmente aos funcionários do Complexo, sua disponibilização deverá ser de responsabilidade do próprio COMPERJ, podendo ser, caso estudos mais detalhados assim o sugiram, um serviço de transporte terceirizado.
Faz-se necessário, também, a revitalização e o melhoramento da rede viária urbana de Itaboraí (Figura 4.54) e, em especial, das principais vias que darão acesso à região de localização do Terminal Multimodal proposto. É importante a adequação das condições e da capacidade dessas vias para absorver, com eficiência e segurança, o aumento esperado dos fluxos de veículos. Em específico, deverão ser realizados estudos e, eventualmente, trabalhos de melhoramento nas seguintes vias da rede urbana de Itaboraí:
Avenida 22 de Maio;
Avenida Teles;
Avenida Carlos Lacerda;
Avenida Vereador Hermínio Moreira;
Rodovia Tanguá (RJ-116);
Avenida Antonio Gomes Maricá; e
Avenida Raimundo de Farias.
Outras Opções de Transporte
Para a construção do Complexo (envio de equipamentos de grande porte) prevê-se o uso dos rios Guaxindiba e Caceribú que, mais tarde, poderiam ser utilizados para o deslocamento de passageiros em um sistema de barcas. Entretanto, a extensão da Linha 3 do Metrô e a revitalização do trem suburbano não indicam necessário este novo canal de escoamento. Soma-se a isso o fato de tais rios estarem localizados em um dos últimos remanescentes do mangue que contorna a BG, tornando esta opção pouco satisfatória em termos ecológicos.
Finalmente, e visando a sustentabilidade ambiental, principalmente de Itaboraí, onde haverá a maior convergência dos funcionários do COMPERJ, pode ser pensada a instalação de uma ciclovia entre o Terminal Multimodal e o COMPERJ. Esta medida deverá ser acompanhada da instalação de bicicletário e dependerá da distância da ligação Terminal Intermodal – COMPERJ.
Figura 4.54 — Mapa da Região Central Urbana de Itaboraí Fonte: LIMA/COPPE/UFRJ, a partir do Google Maps
Esquema Geral de Transporte Proposto
Na Figura 4.55, em diferentes cores, as propostas de transporte que podem auxiliar o COMPERJ.
Observe-se que os funcionários poderão ser atendidos pelo VLT e pela Linha 3 do Metrô, complementado com o Arco Metropolitano e que o produto final será distribuído pelo Arco Metropolitano para as indústrias secundárias localizadas no seu entorno. Desde o Centro de Itaboraí até o COMPERJ é necessário criar um serviço próprio de ônibus que, com a revitalização da rede rodoviária urbana e a criação de um terminal intermodal de passageiros, complementa o serviço de transporte. Para que o transporte de carga e de passageiros para e desde o COMPERJ aconteça de maneira eficiente, as ações propostas devem seguir a seguinte hierarquia:
1. Construção do Arco Metropolitano ― o EIA desenvolvido pela PETROBRAS, em 2007, para o licenciamento da implantação do COMPERJ indica claramente que este projeto é pré-condição para a viabilização do Complexo já que permite o escoamento da carga e de passageiros na direção oeste do empreendimento;
2. Implementação da Linha 3 do Metrô e do VLT ― estes modos de transporte permitirão o transporte em massa de passageiros para o sul e para o oeste do Complexo, com reduzidos impactos ambientais;
3. Construção de um Terminal Intermodal De Passageiros com um serviço próprio de ônibus para e desde o COMPERJ e melhoria do sistema viário de Itaboraí.
Figura 4.55 — Esquema Geral de Transporte Proposto Fonte: LIMA/COPPE/UFRJ, a partir do Google Maps
Recursos Hídricos e Disponibilidade de Água
Da análise das alternativas de abastecimento do COMPERJ considera-se que seria recomendada a conjugação das Alternativa 4 ― barragem-reservatório no vale do rio Guapi-Açú ―, com a Alternativa 5 ― a partir do reservatório de Juturnaíba, abastecimento do COMPERJ, incluindo reforço da região circunvizinha ―, que tem os custos menores em relação ao conjunto de alternativas e permite um reforço significativo para o abastecimento público de água para os municípios da região.
Assim, as demandas poderiam ser atendidas com uma combinação dessas alternativas (Guapi-Açu e Juturnaíba), além de outras medidas já preconizadas pelo PDRH, tais como:
racionalização do uso da água, permitindo reduzir o crescimento da demanda com combate ao desperdício e perdas, além do reuso da água;
aumento da disponibilidade hídrica com a construção de barragens de regularização, utilização de água subterrânea ou importação de água de bacias externas à região.
Embora a PETROBRAS na solução de seus problemas busque reforçar o abastecimento de água das populações locais, as alternativas postuladas para suprir as demandas do COMPERJ não irão resolver o problema já existente do déficit de abastecimento de água na região leste da BG, mas deve haver um esforço para reduzi-lo, além do necessário para mitigar o impacto do COMPERJ.
Por outro lado, representam importantes instrumentos de gestão territorial e ambiental, e devem ser revitalizados, os Comitês da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara e da Bacia do Rio Guandu.