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Formação para o SUS

No documento Marla Surdi.pdf - Univali (páginas 52-72)

além de ajudarem na promoção, organização e realização de congressos e simpósios juntamente com o Programa e Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas que envolveram diretamente o curso, tais como: o VIII Simpósio Ibero-Americano de Plantas Medicinais e III Simpósio Ibero-Americano de Investigação em Câncer (2016), e o I Simpósio de Inovação Químico Farmacêuticas e o I Curso de Verão em Investigações Químico-Farmacêuticas (2017). Todas essas atividades fazem parte de metodologias propostas pelo curso para estimular o espírito científico e disseminar o conhecimento (UNIVALI, 2016).

da formação centrada no modelo biologista para uma formação que considere a integralidade da atenção em saúde, comprometida com os princípios e diretrizes do SUS. Com este propósito os programas tiveram como imagem-objetivo mudanças na formação do profissional e para tal ancoram-se nas DCN para os cursos de saúde (BATISTA et al., 2015).

O Pró-Saúde (BRASIL, 2009a) propõe três eixos para o seu desenvolvimento, são eles: a Orientação Teórica, Cenários de Prática e Orientação Pedagógica, onde os egressos do Curso de Farmácia dos Grupos 2 e 3 demonstram ter uma maior percepção dessas atividades, principalmente no Eixo Cenários de Práticas, pois estes programas iniciaram na Universidade a partir do ano de 2005, sendo assim, estes Grupos participaram e perceberam a movimentação referente aos cenários de práticas relacionadas ao SUS desde os primeiros períodos.

Segundo o Pró-SAÚDE no eixo que propõe os Cenários de Práticas, é necessário que ocorra uma interação do aluno com a população e com os profissionais de saúde desde o início do processo de formação. Silva, Miguel e Teixeira (2011) em seu estudo, mostram que esta interação entre os três atores envolvidos, no início do processo de formação incorpora novos conhecimentos, desenvolvimento de novas habilidades e atitudes preconizadas pelas DCN e o Curso de Farmácia, segundo o PPC 2016-2017, proporciona essa vivência e esses conhecimentos desde seus primeiros períodos aos acadêmicos, comprovando uma percepção maior dos mesmos nessa variável conforme os grupos mais recentes, que participaram de práticas em ambulatórios e atividades junto à comunidade.

A participação de estudantes de farmácia nas atividades do programa Pet- Saúde tem contribuído para a formação de um profissional farmacêutico generalista, humanista, crítico e reflexivo. Os resultados destes investimentos interministeriais evidenciam melhorias na qualificação dos estudantes e por consequência das práticas de saúde, visto que os futuros profissionais se sentem mais preparados para atenderem as necessidades da sociedade, com a construção de novos currículos e consolidação da integração ensino-serviço (BATISTA et al., 2018).

Os resultados apontam que a variável ensino, serviço e comunidade apresenta uma diferença significativa crescente entre os grupos. A comparação do Grupo 1 com os demais grupos demostra que esta variável nestes anos de formação predomina o conceito de saúde e doença com uma formação voltada ao modelo biomédico, sem cenários de práticas em consonância com a realidade do município. Novamente os

Programas (Pró-Saúde e Pet-Saúde) trazem os cenários de práticas e qualificam a formação do profissional farmacêutico trabalhando a relação com a teoria da concepção de saúde-doença e a prática aplicada, nos Grupo 2 e 3 este resultado é significativo.

As variáveis relacionadas aos seminários com dados reais da comunidade e visitas técnicas nos campos de atuação profissional, possuem significados diferentes, mas os resultados foram semelhantes nos Grupos 2 e 3. Estas variáveis estão diretamente relacionadas com o conteúdo teórico a ser trabalhado com relação a prática, considerando os Grupos 2 e 3 uma formação generalista, os determinantes sociais e biológicos, diversificação e qualidade dos cenários de práticas e a integração básico-clínico, estes itens podem corresponder as variáveis. Os eixos propostos pelos programas buscam envolver ações no qual o eixo ético/epistemológico vislumbra fomentar mudanças na prática pedagógica relativas à orientação teórica, cenários de prática e na orientação pedagógica, assegurando uma abordagem integral do processo saúde-doença, com ênfase na atenção básica, promovendo transformações nos processos de geração de conhecimentos, ensino e aprendizagem e prestação de serviços à população.

Cada vez mais, vem crescendo o debate sobre a formação dos profissionais de saúde, e a necessidade de um novo paradigma, pensado na perspectiva de uma nova forma de produzir saúde. Diante disso, o resultado da variável multidisciplinaridade aponta que os Grupos 2 e 3 estão na crescente desta variável.

No SUS a intenção é contribuir com a qualidade de vida do indivíduo, família, comunidade, em uma interpretação mais complexa dos fenômenos da saúde e da doença pela multidisciplinaridade do conhecimento, intersetorialidade das práticas e integralidade da atenção à saúde (BRASIL, 2009a) justificando com isso os resultados apresentados, em comparação ao Grupo 1 que deve ter tido menos oportunidade de vivenciar o SUS.

A necessidade da formação profissional articulada entre o SUS e a Instituição de Ensino para fomentar a organização da integração ensino/serviço/comunidade, envolvendo os atores do SUS, comunidade acadêmica, gestores e usuários com foco na interprofissionalidade, interdisciplinaridade, intersetorialidade e trabalho em redes (BRASIL, 2009b), resulta na variável relacionada ao acompanhamento junto a equipe multiprofissional. O resultado para esta variável aponta uma significativa crescente

Um desafio é entender e colocar em prática os termos, interdisciplinar, multiprofissional, multidisciplinar, entre outros. Todos usados para a interação de campos de conhecimento e núcleos profissionais voltados a qualidade do cuidado, entre outras palavras, é aprender sobre o outro, com o outro, e entre si, para uma atuação integrada em equipe, na qual a colaboração e o reconhecimento da interdependência das áreas predominem frente à competição e a fragmentação histórica da formação uniprofissional (PEDUZZI; AGRELI, 2018).

Por fim, destaca-se que a variável Prática Hospitalar aumentou significativamente na percepção dos egressos com relação ao grau de participação durante sua graduação em atividades referentes a formação para o SUS, pois ainda que esta prática acompanhe o curso desde sua implantação, o modelo não é mais o mesmo, onde se tinha (G1) uma visão curativa, hospitalocêntrica, focada na doença e desarticulada do sistema público (BRASIL, 2009a). Após a implantação dos Programas Pró-Pet Saúde os alunos dos Grupos 2 e 3 vivenciaram as atividades da farmácia hospitalar nos cenários de prática com ênfase em uma abordagem de saúde integral e interdisciplinar.

Como limitações deste estudo, encontra-se o baixo número de respostas aos questionários e consequentemente alguns anos ficaram sem representação. Ademais, este estudo trata-se da avaliação da prática de um curso de uma instituição de ensino superior comunitária, o que não reflete a formação de outros cursos de graduação em farmácia, ainda que tenham participado das mesmas influências curriculares baseadas nas DCN e dos editais de reorientação da formação profissional para o SUS.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A profissão farmacêutica encontra-se em constante evolução e com isso busca resgatar em sua essência o cuidado com o outro, que foi se perdendo ao longo dos anos, devido as mudanças políticas e sociais e o crescimento industrial.

Considera-se que a pergunta desta pesquisa quanto a análise da percepção dos egressos do Curso de Farmácia de uma Universidade Comunitária de Santa Catarina sobre sua formação para o SUS foi respondida de forma satisfatória quando alcançados os objetivos.

Com relação ao primeiro objetivo específico, a caracterização do perfil social, econômico e atuação profissional dos egressos do Curso de Farmácia da Univali, obteve-se que são em sua maioria mulheres, com a idade variando entre 29 e 38 anos, residentes no Estado de Santa Catarina, atuantes nas áreas farmacêuticas, que deram continuidade ao aprimoramento profissional e demoraram menos de 6 meses para ingressarem no mercado de trabalho. Salienta-se que conhecer o perfil do egresso reflete para o Curso de Graduação uma importante ferramenta de atualização, planejamento e desenvolvimento de ações que possam preencher lacunas que foram deixadas durante a formação, visando melhorar o desempenho profissional.

O segundo objetivo específico buscou identificar a percepção do egresso com relação a contribuição do curso para sua formação enquanto profissional de saúde, observou-se que as variáveis Cuidado em saúde, Gestão em saúde, Ética profissional, Conhecimento técnico e cientifico tiveram resultados significativos ao longo dos anos demonstrando que, na percepção dos egressos, o Curso de Farmácia proporcionou uma formação consistente e crítico-reflexiva para os farmacêuticos que atuam nas mais diferentes áreas que a profissão dispõe.

Com relação a percepção dos egressos diante de diferentes habilidades e conhecimentos necessários para a prática profissional e a contribuição do Curso de Farmácia para formação dessas habilidades e conhecimentos, os participantes dos três Grupos desta pesquisa demonstraram que os esforços da Universidade estão em consonância com a atualidade e que a inserção dos egressos no mercado de trabalho a partir dos estágios curriculares obrigatórios, do incentivo à monitoria, à pesquisa e à extensão e outras atividades complementares contribuíram de maneira diferenciada

As contribuições das ações decorrentes das DCN aliadas aos Programas de Reorientação da Formação para o SUS no perfil dos egressos, referente ao terceiro objetivo específico foram significativamente mais evidenciadas no Grupo 3, reconhecendo os esforços das ações instituídas entre a universidade e as equipes de saúde do município quanto a formação generalista crítica e reflexiva que a profissão requer.

Muitos desafios ainda estão previstos nesse horizonte da formação Farmacêutica, pois mesmo que haja espaço adequado para o fortalecimento da formação em saúde nas políticas existentes, sempre haverá a necessidade da formação profissional articulada entre o SUS e a Instituição de Ensino Superior para fomentar essa organização entre ensino/serviço/comunidade. Nesse sentido, destaca-se as estratégias que assegurem a sustentabilidade dessas ações e iniciativas que o curso vem desenvolvendo ao longo dos anos, para que consiga enfrentar os desafios relacionados com a formação em saúde.

Por fim, sugere-se que esta pesquisa seja reproduzida em outras universidades, com características semelhantes à deste estudo, a fim de conhecer o perfil do egresso e monitorar os impactos das ações e dos esforços financeiros entre Universidade e Ministérios da Saúde e da Educação e Municípios para a transformação da formação em saúde para o SUS.

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No documento Marla Surdi.pdf - Univali (páginas 52-72)

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