ATO II 5. METODOLOGIA
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.3. Gênero
Em relação aos estudantes da área de artes, 81% dos respondentes pertencem ao gênero feminino, conforme ilustrado na figura 6.4:
Figura 6.4: Gênero dos jovens artistas.
Na CAL, a procura pelos cursos de teatro para adolescentes é historicamente feminina. Em nossa pesquisa, 75% dos estudantes da CAL são meninas, assim como no Colégio Salesiano, onde dentre os estudantes que elegeram o teatro como atividade extracurricular, elas representam 85% do total. Embora os dicionários nos assegurem que no idioma português os substantivos ciência e arte sejam femininos, sabemos que na prática o significado destes dois campos do conhecimento é muito mais complexo. Sabemos também que os estereótipos em torno de ambos vêm sendo paulatinamente desconstruídos. Entretanto, ainda
Masculino 19%
Feminino 81%
hoje, as artes são frequentemente associadas à expressão de sentimentos, sensibilidade, delicadeza e outras características que costumam ser atribuídas ao mundo feminino, ao passo que às ciências são, não raro, associadas noções de objetividade ou exatidão, qualidades supostamente ligadas ao universo masculino. Há, ainda hoje, “a necessidade de fazermos um esforço, em nós mesmos – por exemplo, em nossas falas – para conseguirmos mais essa desadjetivação da Ciência: masculina” (CHASSOT, 2011, p. 63).
“Apesar de haver evidência da racionalidade na arte em várias épocas, sempre existiram e existem até hoje muitos que não aceitam a arte como uma forma de atividade racional” (ZAMBONI, 2006 p. 9). O teatro, por exemplo, ainda é visto como uma atividade mais voltada para o gênero feminino, especialmente no Brasil, onde, diferentemente de outros países, há tradição de grandes atrizes. Em uma das perguntas do questionário foi pedido aos estudantes que mencionassem três artistas. Considerando os três grupos participantes da pesquisa, a terceira artista mais citada, e a primeira se tomarmos como referência o grupo de jovens artistas, é mulher e atriz: Fernanda Montenegro.
Dentre os cientistas, o mais lembrado é um homem: Albert Einstein, liderando uma lista de tantos outros homens. Consideramos que o fato dos estudantes terem incluído mais mulheres como artistas e homens com cientistas, contribui para explicar a grande maioria feminina dentre os participantes de atividades artísticas. A cultura latino-americana, historicamente tão arraigada a valores machistas também contribui para afastar os homens do mundo artístico, caracterizado como sensível e intuitivo.
Ao analisarmos os dados referentes aos alunos da área de ciências, verificamos que embora a maioria dos respondentes seja composta por meninas, a diferença entre os estudantes, quanto ao gênero, quando comparada aos alunos da área de artes, é significativamente menor, conforme podemos observar na figura 6.5:
Figura 6.5: Gênero dos participantes da área de ciências
É importante levar em conta que em relação à maioria dos estudantes que compõem o grupo por nós chamado de jovens cientistas, os alunos da EPSJV, estes cumprem, diferentemente dos jovens artistas aqui analisados, uma etapa obrigatória na trajetória de vida deles, ou seja, a escola. Já o estágio no PROVOC está fortemente ligado a ações desenvolvidas no âmbito da educação formal, mas não é compulsório e se constitui como uma livre escolha dos integrantes, como melhor detalhado na metodologia.
Entretanto, a atividade em artes não é obrigatória em nível algum, sendo totalmente de livre e espontânea escolha dos participantes, mesmo no Colégio Salesiano, uma vez que as ações teatrais lá desenvolvidas integram a grade de atividades extracurriculares. Em relação aos estudantes das escolas públicas, a diferença de gêneros entre o número de estudantes é a menor conforme atestamos na figura 6.6.
Figura 6.6: Gênero dos participantes de escolas públicas
Apesar da maioria dos respondentes pertencerem ao gênero feminino, pouquíssimas cientistas foram mencionadas nos questionários, a exceção de Marie Curie, bastante citada pelos alunos franceses. Quando convidados a desenhar um cientista, as mulheres também raramente figuraram, constando em, apenas, 10% dos desenhos. Se considerarmos a porcentagem dos grupos em separado, identificamos que entre os jovens artistas não houve sequer um
Masculino 43%
Feminino 57%
Masculino 47%
Feminino 53%
desenho que representasse a imagem do cientista como uma figura feminina, e que entre os jovens cientistas e de escolas públicas, os percentuais foram, respectivamente, 16% e 17%.
Diante da proposta de desenhar um artista, as mulheres foram representadas em 26 % dos desenhos, considerando o conjunto dos três grupos de alunos. Aos analisarmos os grupos em separado, podemos perceber que, a exceção do grupo de jovens de escolas públicas, houve um acréscimo significativo (quando comparadas às representações gráficas do cientista) da representação da mulher nas imagens elaboradas. Contudo, as mulheres ainda aparecem em minoria. É o que podemos verificar nas figuras 6.7, 6.8 e 6.9:
Figura 6.7: Desenhos elaborados pelos jovens cientistas.
Figura 6.8: Desenhos elaborados pelos jovens artistas.
Figura 6.9: Desenhos elaborados pelos jovens de escolas públicas.
36%
64%
Artistas como mulheres - 36%
Artistas como homens - 64%
26%
74%
Artistas como mulheres - 26%
Artistas como homens - 74%
19%
81%
Artistas como mulheres - 19%
Artistas como homens - 81%
Os dados vão ao encontro dos estudos desenvolvidos por Attico Chassot (2011), no qual o autor sublinha o quanto é evidente a predominância da atuação masculina não apenas no campo das ciências como também em outras inserções sociais. Chassot destaca ainda a dificuldade em discutir as razões que explicam a construção desta configuração social, e reafirma a importância da cultura nas definições dos papéis atribuídos a homens e mulheres em nossa sociedade. Ele observou:
Não só a Ciência, mas (quase) toda a produção intelectual é predominantemente masculina. Quando se busca caracterizar a Ciência, há algo que aparece muito naturalmente e que quase não necessita de muitos esforços para ser evidenciado: o quanto a Ciência é masculina. Talvez o que seja mais complexo é explicar o porquê dessa situação. Aliás, a predominância masculina parece não ser diferente quando se fala nas Artes. Quais as mulheres proeminentes que aparecem na constelação de grandes compositores, pintores ou escultores? Mesmo na filosofia não encontramos nomes de muitas mulheres, se comparados com os homens. [...] Poderíamos acrescentar o quanto são predominantemente masculinos os parlamentos e os líderes políticos, tanto no mundo ocidental quanto oriental. Também foram/ são quase exclusivamente homens os líderes religiosos na significativa maioria das religiões. Assim, preliminarmente, parece que se pode concluir que não é apenas a Ciência que é predominantemente masculina, mas a civilização, há alguns milênios. [...] A propósito, quais os nomes de mulheres que poderíamos colocar como similares aos dos sanguinolentos Hitler, Mussolini, Stalin, Pol Pot, Franco, Milosevic, Ceausesou, Idi Amin, Bush, [...] apenas para citar alguns daqueles de quem somos mais próximos temporariamente? Não parece ocorrer nenhum. O quanto isso é cultural podemos ver quando meninos recebem armas para brincar e meninas recebem bonecas. (CHASSOT, 2011, p.39-40).
Desde crianças, meninos e meninas experimentam tipos de socialização diferentes e que serão determinantes para a formação global de cada um deles.
Enquanto os primeiros são incentivados a participar de jogos de ação, construção mecânica e brincadeiras que favorecem a compreensão de agrupamento e noções de matemática, como por exemplo, os jogos em equipe; as meninas são estimuladas a brincar com bonecas, jogos de palavras e a valorizar as relações interpessoais.
Em certo sentido pode-se dizer que meninas são orientadas para adotar uma postura mais passiva. Enquanto meninos jogam, elas assistem. Somem-se a isto as qualidades que são imputadas desde cedo às mulheres, tais como ternura, emotividade, impulsividade, subjetividade, ao passo que aos homens são atribuídas a racionalidade, objetividade e o poder de síntese – características essenciais para a carreira científica, diga-se de passagem.
A repetição continuada destes estereótipos, ouvidos e vivenciados desde a mais tenra idade, contribuem significativamente para desencorajar as mulheres a se aventurarem pelo mundo das ciências, ou, ao menos, pelo mundo das ciências ditas exatas. Além disso, cria-se uma noção equivocada de que haja ou deva haver espaços de atuação profissional, que sejam masculinos ou femininos a priori. Chassot comenta:
Sobre a quase ausência de mulheres na história da Ciência, não deixa de ser significativo que, ainda nas primeiras décadas do século XX, a Ciência estava culturalmente definida [...] como uma carreira imprópria para a mulher, da mesma maneira que ainda na segunda metade do século XX, se diziam quais eram as profissões de homens e quais as de mulheres. A propósito, por que, ainda quando vivemos a aurora do terceiro milênio, cursos como os de Pedagogia são quase exclusivamente frequentados por mulheres? Ou cursos como o de Geologia são predominantemente cursados por homens? Não continuamos ainda demarcando quais são os espaços públicos ou quais as profissões dos homens e quais as das mulheres? Houve, ainda no século XIX, aquelas que publicaram, por exemplo, seus trabalhos matemáticos com pseudônimos masculinos não apenas para merecerem créditos na Academia, mas para que eles obtivessem um lócus para virem à luz. (CHASSOT, 2011, p.44).
Uma vez na condição de mulher, é impossível não perceber na vida cotidiana os obstáculos que dificultam nosso acesso às posições de poder e prestígio sociais.
Não é preciso estar imersa nas elucubrações acadêmicas para que tal percepção se dê. Ainda que, a depender da inserção sócio-cultural de cada uma de nós (e outras variáveis), o grau de consciência desta percepção seja diferente, são milênios de uma história de desvalorização e repressão que ecoam até hoje.
Desde a Grécia Antiga, onde éramos vistas como mero receptáculo do sêmen masculino, passando pela tradição judaico-cristã, na qual se defende que a mulher foi criada a partir da costela de um homem, ocupamos posição subalterna.
Embora nossa condição já tenha se transformado enormemente, o peso destas ideias ancestrais recai de forma indiscriminada sobre os ombros de todas nós, sejamos professoras, mães de família, prostitutas, operárias ou doutoras, repercutindo, em alguma medida, em nossos desejos, iniciativas e escolhas.
Marta González e Eulália Sedeño escolheram dedicar-se à identificação e interpretação de mecanismos de exclusão, explícitos ou implícitos, que objetivam perpetuar a invisibilidade feminina na sociedade e dificultam o acesso de mulheres às posições de reconhecimento e valorização sociais. No artigo
“Ciência, tecnologia e gênero” (2002) traçam um interessante panorama histórico sobre o ingresso das mulheres nas universidades e instituições científicas que pode funcionar como ponto de partida para algumas reflexões:
O acesso às instituições científicas esteve vetado para mulheres até datas incrivelmente próximas. Na Grécia só eram aceitas em algumas escolas filosóficas [...]. Durante a Idade Média apenas os conventos proporcionavam refúgio para as mulheres que desejavam dedicar-se ao estudo. O nascimento das universidades européias, entre os séculos XII e XV, reduziu as oportunidades para as mulheres, pois, devido a seu caráter clerical, vetavam seu ingresso. [...] Nas universidades suíças não eram aceitas até a década de 1860, nas francesas até 1880, nas alemãs até 1900 e nas inglesas até 1870. [...] As academias científicas tardaram ainda mais em admitir mulheres. Duas delas (Marjory Stephenson e Kathleen Londsdale) as primeiras a serem admitidas na Royal Society , em 1945, apesar desta já possuir quase trezentos anos de existência. Em 1979, Yvonne Choquet-Bruhat foi a primeira mulher a entrar para a Académie des Sciences francesa, fundada em 1666. (GONZALEZ GARCIA; PEREZ SEDEÑO, 2002).
O cenário acima descrito revela uma sociedade política e ideologicamente masculina. Assim sendo, a distância entre o mundo feminino e as atividades científicas não pode ser atribuída, a um suposto desinteresse ou incapacidade por parte das mulheres, e sim a um conjunto de normas institucionais estabelecidas, excludente e hostil em relação à mulher, que é aplicado em consonância com valores sociais das épocas em questão.
Nesta configuração, mesmo mulheres que já haviam afirmado sua competência e conquistado reconhecimento de parte do mundo científico, foram alijadas dos estabelecimentos educacionais, como, por exemplo, Marie Curie. Laureada com dois Prêmios Nobel da Ciência: o de física, em conjunto com Pierre Curie e Henri
Becquerel, em 1903, e o de química, em 1911, pela descoberta do Polônio e do Rádio, a cientista foi vetada na Academia Francesa. Sobre este aspecto, Chassot comenta:
Marie Curie, em 1911, perdeu por um voto o acesso à Academia de Ciências da França por ser mulher, por ter uma possível ascendência judia e por ser estrangeira, ainda oriunda de um país periférico. Talvez tenha sido a primeira das três qualidades a mais discriminadora. Mais uma mulher que se alçava com destaque em uma seara masculina precisava ser detida. (CHASSOT, 2011, p.
58).
Atualmente não há formas de exclusão explícitas nas universidades ou centros de pesquisa. Contudo há maneiras implícitas de discriminação que contribuem de forma sutil, porém eficiente, para o afastamento das mulheres das carreiras científicas. Felizmente este quadro vem se modificando, e passo a passo, conquistamos liberdade de pensamento, expressão e ação, mas trata-se de um processo lento, complexo e gradual. Chassot comenta:
“É oportuno considerar mais de perto a situação da participação feminina na Ciência. Mesmo rara, ela é muito importante. Aqui a ação verbal está no presente e não cabe mesmo em um passado próximo, dizer foi importante. Numa narrativa mais rigorosa caberia dizer: começa a ser importante.” (CHASSOT, 2011, p. 49).
Os dados levantados por meio do questionário, e sua respectiva análise, nos levaram a crer que ao compor a peça teatral, seria importante criar uma protagonista do gênero feminino que fosse inteligente, arguta e proativa e que pudesse funcionar como fonte de inspiração e ponto de partida sobre a reflexão acerca da posição da mulher no mundo das ciências.
Beth não é uma cientista, ao menos não oficialmente, mas poderia sê-lo. Ela não é tampouco uma feminista panfletária, pois isto seria desestimulante por demais.
A personagem é alguém capaz de solucionar os problemas a sua volta de forma ágil e sensível, formulando perguntas adequadas que encaminham soluções para os problemas em questão, como podemos observar em um trecho da peça, reproduzido abaixo:
ANTÔNIO – Mas, Galileu, se alterarmos o seu presente, aqui e agora, talvez seu futuro seja outro. Alterar a ordem dos acontecimentos pode ser perigoso. Se a gente mudar tudo, talvez você não venha a se tornar Galileu Galilei, o mensageiro das estrelas.
BETH – Talvez nem chegue a ser reconhecido em nosso tempo.
Faz sentido, Galileu. Podemos mudar o futuro da humanidade se começarmos a alterar os fatos de seu presente, que pra nós, é o nosso passado.
GALILEU – É verdade... Não pensei nisso... É possível...
ANTÔNIO – Apesar de não querer ficar aqui pra sempre, Beth, acho que a gente não tem o direito de arriscar o futuro dele.
BETH (Após pequena pausa) – Pois eu acho que devemos arriscar sim. E o nosso futuro? Além disso, não tem outra saída.
Pensem: se o que a gente faz neste tempo aqui, pode mesmo afetar o futuro, tudo que fizemos aqui até agora já vai ter consequências lá em nosso século.
GALILEU – É verdade. O simples fato de termos nos encontrado:
eu, Shakespeare e vocês dois, pode ter sido suficiente para alterar os fatos mais adiante.
BETH – Perceberam? Então, só vejo uma saída.
ANTÔNIO – Qual?
BETH (para Antônio) – Precisamos apagar tudo que aconteceu até agora.
GALILEU – Mas como?
ANTÔNIO – Beth, como a gente vai conseguir isso?
BETH – Vocês não percebem? Precisamos mais do que nunca encontrar a rainha e pegar a pena mágica. Se com ela é possível escrever todas as histórias do mundo, a gente pode reescrever a minha história e a sua, Antônio.
ANTÔNIO – Entendi. Com a pena mágica a gente escreve uma nova história e apaga nossa passagem pelo século XVI. Assim, tudo seguirá o seu curso normal.
BETH – É isso.
GALILEU – Genial! (LOPES, 2011, p. 40)
A inclusão da personagem Rainha Elizabeth contribui, também, para reforçar a ideia da mulher com ser pensante capaz de ocupar um lugar de responsabilidade, comando e destaque na sociedade. A rainha de nosso texto ficcional, a exemplo dos registros sobre a verdadeira Rainha Elizabeth I, é forte, resoluta e age com habilidade em um mundo dominado por homens, como podemos identificar em trecho da peça:
BETH – Obrigada, minha rainha. Um dia quero ser forte como você.
ELIZABETH – Você já é forte. Beth, quando tudo parece conspirar contra você, a única alternativa é acreditar em si mesma. Procurei agir assim nos momentos mais difíceis da minha vida. Então, fui elevada de prisioneira deste palácio à rainha de toda esta terra. E você, com toda essa sede de saber e esses olhos tão brilhantes de curiosidade não precisa ser prisioneira de sua origem humilde.
Ter os pés no chão é importante, mas eles não podem ser tão pesados ao ponto de impossibilitar que suas asas levantem voo.
BETH – Eu sei...
ELIZABETH – Com toda a imaginação que existe dentro de você, você também, assim como eu, será dona de si mesma. E lembre- se: toda história pode ser reescrita. Não se prenda às histórias que criamos sobre nós mesmos. Todo ser humano pode ser reinventado. Agora, beije o anel real e sele nossa despedida.
(LOPES, 2011, p. 49).
Além disso, o próprio título da peça: “Toda menina é uma rainha” busca valorizar, a condição feminina. Longe se ser um libelo contra um mundo que ainda hoje cultua valores fortemente machistas, embora venha, felizmente, se transformando nesse sentido, a peça pretende sublinhar a competência feminina em áreas nas quais, como a pesquisa junto aos jovens indicou, não é plenamente identificada.
Beth não é apresentada na trama como cientista, mas a personagem é composta por características as quais foram relacionadas, pelos estudantes, aos profissionais das ciências: é curiosa e questionadora. Ao mesmo tempo ela vai além e se mostra sensível, amorosa, rabugenta e insegura, ou seja, uma pessoa comum, cheia de matizes, com a qual os próprios adolescentes poderiam se identificar. Nesse sentido visamos criar estímulos para discutir a ideia de que “a Ciência é um construto humano – logo falível e não detentora de dogmas, mas de verdades transitórias – e, assim, resposta às realizações dos homens e das mulheres.” (CHASSOT, 2011, p. 27).