GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA E A INTERFACE COM A
ABSTRACT
The precociousness of sexual initiation remains a major factor for the risk of a teenage pregnancy. This study aimed to review a literature on social vulnerabilities faced by pregnant adolescents in Brazil. It is an integrative review of the Latin American and Caribbean Literature on Health Sciences (LILACS), Virtual Health Library (VHL) and Scientific Electronic Library Online (SciELO). A survey carried out from December to June 2020. Using as Health Sciences Descriptors (DeCS): Pregnancy, Adolescence, Social Vulnerability, street adolescents. In Portuguese and research carried out in Brazil, with publication from 2010 to 2020. 82 were found and after the application of inclusion and exclusion of study periods, thematic, language, type of study, complete reading of articles, summary, a final sample reported with a total of 08 articles. The literature finds that pregnancy experienced by adolescents in a situation of social vulnerability can cause a problem and can lead to factors related to homelessness, distance from family support, school dropout that causes a high rate of illiteracy, abandonment of parenthood, difficulties to find work due to lack of qualifications due to low education. In view of what has been shown about problems, you can consider the need to expand prohibited public policies; health of adolescents living in a situation of social vulnerability, using the inclusion of this public and recovering health care.
Keywords: Pregnancy, Adolescence, Social vulnerability and Adolescents on the streets.
1. INTRODUÇÃO
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a fase da adolescência como uma etapa do ciclo vital que abrange a faixa etária entre 10 aos 19 anos, no entanto, para o Estatuto da Criança e Adolescência (ECA), é considerado dos 12 aos 18 anos. Esse período caracteriza-se por uma fase de transição entre a infância e a idade adulta, marcada por transformações físicas, psicossociais e na forma de relacionamento social do indivíduo (SILVA, 2012).
Umas das problemáticas enfrentadas por muitas jovens nessa fase é a ocorrência da gravidez. Nesse período constitui um fenômeno de repercussão mundial, cujo significado diverge nas diferentes culturas e contextos, representando um desafio para as políticas públicas, haja vista que a gravidez nos extremos da vida reprodutiva pode acarretar implicações psicossociais, econômicas e obstétricas que comprometem a saúde materna e do neonato (SANTOS, 2014).
A precocidade da iniciação sexual continua sendo um fator preponderante para o risco de uma gravidez na adolescência. São diversos as características que influenciam para a ocorrência dessa gestação desde fatores físicos, culturais e psicológicos como:
menarca precoce, baixa escolaridade, baixa renda familiar, consumo de bebidas alcoólicas,
influências dos pares, interesse em novas descobertas, levam a ocorrência da gravidez (SOUSA, 2018).
Durante a adolescência, a ocorrência da gestação indesejada está associada ao uso irregular do preservativo. A gravidez na adolescência ocasiona repercussões físicas, psicológicas e sociais, sendo necessária a oferta de serviços que disponha de uma equipe multiprofissional qualificada para realizar o adequado manejo do pré-natal, capaz de trabalhar a singularidade de cada gestante, a partir de uma escuta qualificada, atenta, e que devolutivas sejam ofertadas por aparte dos profissionais em especial quando essa gestante for primípara. O fato da gestante ser adolescente e manter relações sexuais sem prevenção está associado ao aumento do número de casos de infecções sexualmente transmissíveis, o que demanda ainda mais empenho da equipe de saúde, a fim de que os riscos de transmissão vertical, com o intuito de minimizar os riscos para o neonato, tornando -se fundamental que cada profissional considerara as fragilidades das adolescentes, que vivenciam a instabilidade emocional própria dessa faixa etária (MOROSKOSKI et al., 2018).
Outras implicações que favorece para o desfecho das vulnerabilidades sociais vivenciados pelos adolescentes se refere a evasão escolar, a educação formal é considerada um fator protetor em razão da inclusão social. Haja vista que a permanência dos jovens na escola reduz o risco da maternidade precoce, o que leva a associar a gestação adolescente à evasão escolar (OLIVEIRA, 2018).
De acordo com os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, cerca de 1/3 das jovens brasileiras de 15 a 17 anos que abandonaram a escola já era mãe, e, dentre aquelas que estudavam, apenas 2% tinham filho. Essa é uma realidade não só no Brasil, mas na América Latina, visto que, em 2016, as mulheres latinas representaram 2/3 das jovens de 15 a 17 anos que não estudavam nem trabalhavam, com a gravidez na adolescência sendo apontada como uns dos principais fatores de risco para o abandono escolar (IBGE, 2014).
Na maioria dos países em desenvolvimento, há uma deficiência no setor público, referente aos serviços clínicos adequados para as adolescentes grávidas, incluindo o Brasil.
Soma-se ainda, a esses questionamentos a existência de importantes barreiras que impedem o acesso das adolescentes aos serviços de saúde materna como, por exemplo, os preconceitos sociais e culturais. A incapacidade dos profissionais de abordar essas barreiras e necessidades, e adequá-las a sua rotina cotidiana de trabalho, gera lacunas que ameaçam a qualidade ofertada pelos serviços de saúde, essas jovens por não se sentirem
bem acolhidas na grande maioria abandonam as consultas de pré-natal o que compromete ainda mais para o aumento das taxas de morbimortalidade materna já inaceitavelmente elevada(JEZO, 2017).
Diante da problemática apresentada, a adolescência configura-se ainda como um sério problema e que esforços devem ser feitos para compreender ainda mais esse fenômeno, seja por ampliação e implementação das políticas públicas existentes, seja por meio de pesquisas cientificas afim de investigar mais a fundo e buscar respostas, com isso, esse estudo objetivou revisar a literatura acerca das vulnerabilidades sociais enfrentadas pelas adolescentes gestantes no Brasil.
2. MATERIAIS E MÉTODO
O estudo trata de uma Revisão Integrativa da Literatura, por meio da sumarização dos resultados obtidos das pesquisas que englobam à temática, constituindo-se de maneira sistemática, ampla e ordenada. Provê de informações mais abrangentes conforme a problemática, estabelecendo assim um corpo de conhecimento (ERCOLE; MELO;
ALCOFORADO, 2014).
Este estudo percorre por seis etapas distintas: identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa; estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos/amostragem ou busca na literatura; definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/ categorização dos estudos; avaliação dos estudos incluídos;
interpretação dos resultados; e apresentação da revisão/síntese do conhecimento (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
Na primeira etapa: identificou-se a questão norteadora do tema: Quais as vulnerabilidades sociais enfrentadas pelas adolescentes gestantes de acordo com a literatura? Na segunda etapa estabeleceram-se as Palavras-chave de acordo com os seguintes termos: Gravidez, Adolescência, Vulnerabilidade Social, adolescentes em situação de rua. No quadro 1 temos os descritores e a quantidade de artigos encontrados em cada base de dados.