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Para o melhor entendimento do tema hora abordado, não poderíamos deixar de tratar, de forma adequada, os principais instrumentos do contrato de seguro, apresentados a seguir:

2.5.1 Proposta de Seguro

A proposta de seguro é o instrumento que da inicio a efetiva contratação do seguro e sendo o seguro um negócio jurídico, de maneira geral é regulado pelo Código Civil brasileiro nos arts. 422, 427 e seguintes.199 Nos contratos de seguro em razão de suas peculiaridades, este contrato é cercado de cuidados especiais, para tanto possui a proposta de seguro regulação especial no art. 759, que dispõe que “[...] emissão da apólice devera ser precedida de proposta escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco”:200

198 SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). SEGUROS DE PESSOAS. Disponível em http://www.susep.gov.br/menuatendimento/seguro_pessoas _606.asp. Acesso: em 25 set. 2008.

199 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 23.

200 NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007.

Existe assim, um tratamento especifico para com a proposta de seguro decorrente de sua significativa importância, pois é através deste instrumento que o segurado remeterá todas as informações pertinentes ao negocio a que se deseja contratar junto a sociedade seguradora, permitindo desta forma, uma melhor analise por parte da seguradora na aceitação do risco ali proposto. Esta proposta visa então, propiciar as informações iniciais de consideração essencial e com efeitos que atuarão ao longo de toda a duração do contrato.201

A função da proposta de seguro é aquela que de forma clara e completa, exterioriza a manifestação de vontade do segurado na contratação do seguro ali proposto e fornece os elementos necessários e essenciais para sua analise, aceitação, taxação ante a outras finalidades. A proposta de seguro é parte integrante do contrato e guiará sua interpretação poderá inclusive se sobrepor ao contrato de seguro.202

Em regra, a proposta de seguro é apresentada na forma escrita, idealizada e confeccionada pelas seguradoras cabendo ao segurado, apenas o preenchimento desta, através dos questionamentos propostos ali predispostos.203

Vale lembrar, que a seguradora possui um prazo legal, que é de 15 (quinze) dias, segundo determinação da Circular n. 47, de 19.08.1980, que estabeleceu este como prazo Maximo para manifestação da seguradora sobre a aceitação ou recusa do risco ora proposto. Vale lembrar que se a seguradora não apresentar qualquer manifestação em contrario, a mesma acatou tacitamente o conteúdo da proposta.204

201 TZIRULNIK, Ernesto; CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra; PIMENTEL, Ayrton. O Contrato de seguro : de acordo com o novo código civil brasileiro. 2. ed. rev. , atual. e ampl. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2003.158-159.

202 TZIRULNIK, Ernesto; CAVALCANTI, Flávio Queiroz Bezerra; PIMENTEL, Ayrton. O Contrato de seguro : de acordo com o novo código civil brasileiro. 2. ed. rev. , atual. e ampl. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2003. p.46.

203 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 34

204 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 34.

2.5.2 Apólice de Seguro

Ultrapassada a analise da proposta, o próximo passo é a emissão da Apólice de Seguro, sem que esta também será emitida pela sociedade seguradora, com as características individuais de cada seguradora, mas sempre cumprindo a determinação legal e exposição das informações tidas como essenciais, nesta ótica Jones Figueiredo Alves, “dispondo sobre as condições, em que se formou o contrato, consignando riscos assumidos, o período de validade da cobertura e o seu respectivo limite, bem como, o valor a ser pago pelo segurado, que se denomina “prêmio, e, ainda, conforme a espécie, nominando o segurado e o beneficiário do seguro. A exposição circunstanciada colima em definir a responsabilidade da seguradora e os interesses protegidos pelo contrato.205

Em contribuição ao exposto acima, transcreveremos a redação legal do art. 760 do CC, que trata da apólice de seguro:

Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, e mencionarão os riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário.

Parágrafo único. No seguro de pessoas, a apólice ou o bilhete não podem ser ao portador.206

De acordo com o texto legal, existem algumas formas de apólice de seguro, porém na pratica, o mercado segurador brasileiro, adota a todos os contratos a sua forma nominativa, desta forma podemos afirmar que a apólice é um meio clássico de prova do contrato de seguro, porem não único.207 Prova dessa afirmação é o texto do art. 758 do CC:

Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por

205 ALVES, Jones Figueiredo. In: FIUZA, Ricardo. (org). Novo Código Civil comentado. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 696.

206 NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007.

207 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 36.

documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio. 208

Importante demonstrar a visão doutrinária, que muito antes da edição do novo código, já fazia referencias de que não só a apólice é meio de prova do contrato de seguro, existem outras formas desta comprovação conforme descreve Serpa Lopes:

A apólice é, por conseguinte, o ato comprobatório do contrato de seguro, o processo normal de sua prova. Diz-se processo normal, por isso que, apesar de necessária à formação do contrato de seguros, se porventura não puder ser ministrada, por perda ou extravio ou ainda por qualquer circunstância, sua falta pode ser suprida por outros elementos probatórios como o exame dos livros do segurador.209

2.5.3 Bilhete de Seguro

Os textos legais dos artigos 758 e 760, de nosso Código Civil, trazem, além das particularidades da apólice, as informações referentes ao bilhete, conforme seguem abaixo descritos respectivamente:

Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio.

Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, e mencionarão os riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário.

Parágrafo único. No seguro de pessoas, a apólice ou o bilhete não podem ser ao portador.210

De acordo com a descrição literal dos artigos de nosso Código Civil, observa-se que todo o regramento, utilizado para apólice de seguro é também utilizado no bilhete de seguro, de acordo com a devida previsão legal. Diante

208 NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007.

209 LOPES, Serpa. apud ALVIN, Pedro. O contrato de seguro. 3. ed. Rio de Janeiro:

Forense, 2001.p. 145-146.

210 NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007.

disso, previsível é, que o bilhete de seguro tenha suas características próprias, que, obviamente, o distinguem da apólice.211

O bilhete de seguro, por ter sua validade equivalente a apólice e dispensar certas formalidades como o preenchimento de proposta, a esta imposta, tem sua utilização um tanto quanto limitada, só podendo assim ser utilizado por aqueles ramos de seguro, que dispensam maiores formalidades como por exemplo, o incêndio residencial, acidentes pessoais e o seguro DPVAT, que será tratado em nosso próximo capítulo.212

Para demonstrar que o bilhete dispensa o preenchimento da proposta, descrevemos abaixo o artigo 10 do Decreto-Lei n. 73 de 21 de novembro de 1966, onde este prescreve que os seguros realizados por meio de bilhete são tratados por simples emissão, mediante solicitação verbal do interessado.

Art 10. É autorizada a contratação de seguros por simples emissão de bilhete de seguro, mediante solicitação verbal do interessado.

§ 1º O CNSP regulamentará os casos previstos neste artigo, padronizando as cláusulas e os impressos necessários.

§ 2º Não se aplicam a tais seguros as disposições do artigo 1.433 do Código Civil.

Em virtude da facilidade aqui demonstrada para contratação do bilhete do seguro, é notável a despreocupação do ente segurador para com a analise do risco, vemos então que a preocupação da seguradora é apenas de aumentar as suas vendas e assim garantir o maior lucro, pois a analise do risco será realizada no momento da ocorrência do sinistro, o que facilita e muito a vida dos fraudadores de seguro.213

Por derradeiro, é de fato interessante enfatizar que a vigência do bilhete do seguro se inicia a partir das 18h (dezoito horas), do dia em que este for efetivamente pago na rede bancária.

211 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 37.

212 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 37.

213 SENE, Leone Trida. Seguro de Pessoas: Negativas de Pagamento das Seguradoras. Curitiba: Juruá, 2008. p. 37.