3.1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS
3.1.2 L IMITES E C ONTROLE DE JORNADA
Nascimento ratifica [2001, p. 259] que: “A CLT (1943) incorporou o Decreto-lei n. 2.308 e os regimes especiais”.
O mesmo autor continua: “A Constituição de 1988 manteve a duração diária de 8 horas e reduziu a semanal de 48 para 44 horas”.
Observamos o fulcro de estudo na Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 58:
“Art. 58 - A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite”.
O artigo 58 da CLT está em harmonia com o preceito
constitucional (CRFB/88 – artigo 7º, inciso XIII), esse “outro limite” significa
ser lícito às partes estabelecerem jornada de menor duração, pois as
normas que regulam a duração do trabalho são imperativas e têm
natureza publicística, conforme Saad [2002, p. 209]
trabalho, atentando-se para as derrogações resultantes do disposto na Constituição Federal.
O artigo 58 da CLT (mencionada acima) também faz menção ao limite da jornada de trabalho. Porém apresentou novidades através do artigo 58-A da CLT:
Art. 58-A - Considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração não exceda a vinte e cinco horas semanais.
§ 1º - O salário a ser pago aos empregados sob o regime de tempo parcial será proporcional à sua jornada, em relação aos empregados que cumprem, nas mesmas funções, tempo integral.
§ 2º - Para os atuais empregados, a adoção do regime de tempo parcial será feita mediante opção manifestada perante a empresa, na forma prevista em instrumento decorrente de negociação coletiva.
Carrion [2004, p. 103] assim explica esta inovação:
O art. 58-A e seus §§ em nada modificam a anterior; a interpretação dessa norma esta jungida à intenção do legislador, que é exclusivamente medida paliativa e substitutiva do desemprego; os efeitos dessa norma, exclusivamente para os contratos já vigentes impõem regime de horário máximo de 25 horas semanais e opção manifestada perante a empresa, na forma prevista em instrumento decorrente de negociação coletiva.
O mesmo autor: “Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras (art. 5, § 4º, red. MP 2.164- 41/01)”.
Para Gravatá; Morgado [2005, p. 33]:
Os empregados contratados sob esse regime estão proibidos de prestar horas extras (art.59, § 4º da, CLT), para que se evitem fraudes e para que haja um aumento no número de empregos, que é o objetivo da norma.
Martins [2001, p. 440 - 441] instrui que:
O inciso XIII do art. 7º da Constituição permite que a jornada seja apenas compensada ou reduzida, mediante acordo ou convenção coletiva, não possibilitando aumento da jornada, ao contrario da Norma Ápice anterior que fazia a ressalva de trabalho superior a oito horas em casos especiais previstos em lei. A lei também poderá reduzir a jornada de trabalho do empregado, pois o máximo é previsto na Constituição como oito horas, mas não o mínimo
.
E conclui: “A Constituição não fixa a jornada de trabalho em 7h20min, mas em oito horas diárias. Logo, não são extras as horas que excederem 7h20 minutos diárias”.
Em determinadas atividades, a jornada legal pode ser inferior a oito horas, a exemplo, da jornada de trabalho dos bancários, que é de 6 horas diárias, e dos operadores de telefonia e dos empregados em minas de subsolo, que é também, de 6 horas diárias e 36 semanais. Os advogados têm jornada de 4 horas contínuas e de 20 horas semanais, salvo acordo ou convenção coletiva de trabalho ou em caso de dedicação exclusiva.
O controle do horário e da jornada de trabalho, dos empregados é fundamental para que se constate a existência de horas extras a pagar. Por essa razão, deve o empregador adotar algum tipo de controle, bem como fixar o quadro de horário em lugar bem visível. Como determina o artigo 74 da CLT:
Art. 74 - O horário do trabalho constará de quadro, organizado conforme modelo expedido pelo Ministro do
Trabalho e afixado em lugar bem visível. Esse quadro será discriminativo no caso de não ser o horário único para todos os empregados de uma mesma seção ou turma.
§ 1º - O horário de trabalho será anotado em registro de empregados com a indicação de acordos ou contratos coletivos porventura celebrados.
§ 2º - Para os estabelecimentos de mais de dez trabalhadores será obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho, devendo haver pré-assinalação do período de repouso.
§ 3º - Se o trabalho for executado fora do estabelecimento, o horário dos empregados constará, explicitamente, de ficha ou papeleta em seu poder, sem prejuízo do que dispõe o § 1º deste artigo.
Para Martins [2001, p. 442]:
O horário de trabalho dos empregados constará de quadro, organizado, conforme modelo expedido pelo Ministério do Trabalho, e afixado em lugar bem visível. Esse quadro será discriminado no caso de não ser o horário único para todos os empregados de uma seção ou turma. Será o horário anotado em registro de empregados com a indicação de acordos e contratos coletivos porventura celebrados. Para os estabelecimentos de mais de 10 trabalhadores, será obrigatória a anotação da hora de entrada e saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, devendo haver pré-assinlação do período de repouso. Se o trabalho for executado fora do estabelecimento, como do motorista, o horário de trabalho dos empregados constará explicitamente, de ficha ou papeleta em seu poder.
Carrion [2004, p. 127 - 128] assim expõe sobre o quadro
de horário de trabalho:
Permanece o modelo de quadro de horário (Port. 576/41, ratificada pela Port. 3.626/91), mas é dispensado seu uso quando houver registro individual controlado de entrada e saída e pré-assinalação de repouso e alimentação.
E comenta ainda sobre o registro de entrada e saída:
“Deve ser anotado pelo próprio empregado e, sendo mecânico, conterá sua assinatura, para autenticá-lo”.
Os Egrégios Tribunais assim tem feito seus entendimentos:
É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não apresentação injustificada dos controles de freqüência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário (TST – Súmula 338, revisada pela Res.
TST 121/03)
Não há como atribuir força probante aos cartões de ponto mecânico apresentados pelo empregador, que não contêm assinatura do empregado e não foram admitidos pelo mesmo como verdadeiros (TST, RR 17.348/90.0, Cnéa Moreira, Ac. 1ª T. 2.994/91)
Süssekind et al [2000, p. 818] ratifica que:
O registro da permanência dos empregados emlivro ponto, fichas ou sistemas eletrônicos tem por finalidade, no interesse dos contratantes, a comprovação do tempo que aqueles ficaram a disposição do empregador: início e fim da jornada e do correspondente intervalo. Aliás estabelecimentos com mais de dez empregados é obrigatória a adoção de controle de observância do horário de trabalho, seja através de livros, de registro mecânicos ou eletrônicos.se o empregador não mantiver tais livros ou registros, estará infringindo norma legal de
ordem pública, que o sujeitará a penalidade de natureza administrativa, aplicável pelo Ministério do Trabalho.
Visando a simplificação e a adequação do sistema de controle de jornada de trabalho, foi expedida pelo Ministério do Trabalho, a portaria nº 1.120, de 09 de novembro de 1995, dispondo:
Art. 1 - Os empregadores poderão adotar sistemas alternativos de controle da jornada de trabalho, desde que autorizados por convenção ou acordo coletivo de trabalho.
§ 1º O uso da faculdade prevista neste artigo implica a presunção de cumprimento integral pelo empregado da jornada de trabalho contratual ou convencionada vigente no estabelecimento.
§ 2º O empregado será comunicado antes de efetuado o pagamento da remuneração referente ao período em que está sendo aferida a freqüência de qualquer ocorrência que ocasione alteração de sua remuneração em virtude da adoção de sistema alternativo.