Um dos objetivos principais do processo como função jurisdicional do Estado é de através do Direito Processual, pacificar os conflitos. Assim, o Estado prestará a tutela jurisdicional sempre que for, pela parte, impulsionado. Neste viés, o Estado precisa descongestionar o canal que liga as partes ao acesso à justiça disponibilizando um melhor exercício de cidadania.216
Sobre a necessidade da entrega tempestiva da prestação jurisdicional, Santos destaca: 217
A Constituição consagra em seu bojo o direito fundamental de acesso à justiça, impondo aos órgãos do Poder Judiciário a obrigação de prestar a tutela jurisdicional em tempo razoável. Por outro lado, o que se vê na realidade é um Judiciário com estrutura precária e apegado a ritos, práticas burocráticas e formalismos excessivos, que consequentemente emperram a entrega tempestiva da prestação jurisdicional. Exige-se, assim, a modernização do aparelhamento judiciário e da administração da justiça a fim de otimizar as rotinas e práticas forenses para uma efetiva entrega da prestação jurisdicional.
Almeida Filho, em sua obra revela nesta passagem, essa concepção da necessidade de descongestionar o canal que leva a sociedade à Justiça parafraseando Cappelletti:218
Analisando a função social do processo, com mecanismos de facilitação de acesso à Justiça, como preconizava Cappelletti, vivenciamos a denominada terceira onda. As soluções práticas para
215 BRASIL. Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal;
altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. Acesso em: 10 jun.
2014.
216 ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a informatização judicial no Brasil. 4. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 56.
217 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
218 ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a informatização judicial no Brasil. 4. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 56.
os problemas de acesso à Justiça219 se apresentam, sob o enfoque do processualista ibérico, através de três ondas [...]
As três ondas que Cappelletti descreve são uma forma de sistematizar uma desburocratização do acesso à Justiça, pois nelas está à assistência judiciária para os pobres, a representação dos interesses públicos e uma nova concepção de acesso à Justiça.220
A Lei 11.419/2006221 de 19 de dezembro de 2006 dispõe sobre a informatização do processo judicial no Brasil. É dividida em 4 (quatro) capítulos: no primeiro deles trata em três artigos (arts. 1º ao 3º) sobre a informatização do processo judicial no Brasil. No segundo capítulo (arts. 4º ao 7º), disciplina a comunicação eletrônica dos atos processuais. No terceiro capítulo (arts. 8º a 13), trata de questões inerentes à tramitação do processo eletrônico. No último e quarto capítulo, estabelece as disposições gerais e finais (arts. 14 a 22).222
A partir da Lei 11.419/2006 houve alterações importantes em alguns dispositivos do Código de Processo Civil223, dentre eles o art. 154:
Art. 154. Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir, reputando- se válidos os que, realizados de outro modo, Ihe preencham a finalidade essencial.
Parágrafo único. Os tribunais, no âmbito da respectiva jurisdição, poderão disciplinar a prática e a comunicação oficial dos atos processuais por meios eletrônicos, atendidos os requisitos de autenticidade, integridade, validade jurídica e interoperabilidade da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP - Brasil. (Incluído pela Lei nº 11.280, de 2006)
219 CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à justiça. Tradução de Ellen Gracie Northfleet.
Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 2002. [Access to justice: The worldwide movement to make rights effective. A general report] apud ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a informatização judicial no Brasil. 4. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 56.
220 CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à justiça. Tradução de Ellen Gracie Northfleet.
Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 2002. [Access to justice: The worldwide movement to make rights effective. A general report.], p. 31.
221 BRASIL. Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a informatização do processo judicial; altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11419.htm>. Acesso em: 10 jun. 2014.
222 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
223 BRASIL. Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5869.htm>. Acesso em: 20 jul. 2014.
§ 2º Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos, transmitidos, armazenados e assinados por meio eletrônico, na forma da lei. (Incluído pela Lei nº 11.419, de 2006).
Santos, alerta que a Lei 11.419/2006 disciplina a assinatura eletrônica através da utilização de um Certificado Digital para garantir a autoria e a origem de um documento eletrônico:224
Para garantir a origem e a autoria de um documento eletrônico, assinado digitalmente pelo emissor, é preciso que este possua um Certificado Digital que, segundo se extrai do sítio do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI225, consiste em ―um documento eletrônico, assinado digitalmente por uma terceira parte confiável, que identifica uma pessoa, seja ela física ou jurídica, associando-a a uma chave pública‖.
O art. 1º, parágrafo 2º, inciso III, alínea a, da Lei 11.419/2006 descreve o que autor revela:226
Art. 1o O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais será admitido nos termos desta Lei.
[...]
§ 2o Para o disposto nesta Lei, considera-se:
[...]
III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do signatário:
a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma de lei específica;
Donizetti, em sua obra, faz menção a ICP-BRASIL227 como credenciadora oficial Brasileira de Autoridade Certificadora, esta tem como função expedir Certificado Digital aos usuários interessados em assinar documentos digitalmente:228
O certificado digital, expedido por Autoridade Certificadora (AC), credenciada pela ICP-Brasil, possibilita a universalização da
224 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
225 BRASIL. ITI. Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. Site ITI. Disponível em:
<http://www.iti.gov.br/>. Acesso em: 30 set. 2014.
226 BRASIL. Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a informatização do processo judicial; altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11419.htm>. Acesso em: 10 jun. 2014.
227 BRASIL. Medida Provisória n. 2.200-2, 24 ago. 2001. Institui a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, transforma o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação em autarquia, e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/Antigas_2001/2200-2.htm>. Acesso em: 2 out. 2014.
228 DONIZETTI, Elpídio. Curso didático de direito processual civil. 13 ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. p. 278-279.
assinatura digital. Tal como carteira de identidade, que a pessoa só precisa ter uma, também a assinatura digital poderá ser única.
O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina preocupado em manter os Certificados Digitais ativos dos servidores que trabalham nos processos eletrônicos de fiscalização e administrativos, preparou um aplicativo e disponibilizou na sua rede interna, para que o servidor seja avisado via correio eletrônico da data de validade do seu Certificado Digital ou, somente para a visualização da referida data, quando o mesmo vier a fazer uma eventual consulta através do seu nome ou CPF.
No tocante a comunicação dos atos processuais, a Lei 11.419/2006 previu duas situações. Acerca dessa regulamentação, Santos expõe o art. 4º da Lei de Processo Eletrônico:229
A Lei de Informatização do Processo Judicial previu duas situações para a comunicação eletrônica dos atos processuais: a) mediante publicação no Diário da Justiça eletrônico (art. 4º); b) por meio eletrônico em portal próprio àqueles que se cadastrarem no Poder Judiciário, segundo as regras instituídas pelos respectivos órgãos.
O art. 4º da Lei 11.419/2006 assim define:230
Art. 4o Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado em sítio da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações em geral.
§ 1o O sítio e o conteúdo das publicações de que trata este artigo deverão ser assinados digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade Certificadora credenciada na forma da lei específica.
§ 2o A publicação eletrônica na forma deste artigo substitui qualquer outro meio e publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos que, por lei, exigem intimação ou vista pessoal.
§ 3o Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico.
§ 4o Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado como data da publicação.
§ 5o A criação do Diário da Justiça eletrônico deverá ser acompanhada de ampla divulgação, e o ato administrativo
229 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
230 BRASIL. Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a informatização do processo judicial; altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11419.htm>. Acesso em: 10 jun. 2014.
correspondente será publicado durante 30 (trinta) dias no diário oficial em uso.
Percebe-se novamente a preocupação do legislador em dar a credibilidade jurídica na publicação eletrônica do Diário Oficial, quando no parágrafo primeiro, do art. 4º, da Lei 11.419/2006, há, obrigatoriamente, a necessidade das informações serem assinadas digitalmente.
O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina disponibiliza no seu Site, a consulta do Diário Oficial Eletrônico na íntegra. O início da publicação eletrônica em detrimento à publicação no Diário Oficial do Estado foi a partir do dia 5 de maio de 2008. A norma que regulamenta a publicação de forma eletrônica do Diário Oficial do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina foi a Resolução N.
TC-18/2007231.
Zilio acredita que a consonância do principio da publicidade e o direito a intimidade e a privacidade dentro do processo eletrônico, trará celeridade, efetividade e a segurança, valores muito esperados pela Sociedade da Informação:232
Com o sopesamento de tais garantias, portanto, haverá um processo mais otimizado, contando com maior celeridade, maior publicidade dos atos e porque não, maior preservação de dados que realmente precisam ser preservados. Finalmente, o processo eletrônico é uma criação tecnológica que veio somar forças para a justiça e para o dizer o direito. Uma vez respeitadas as prerrogativas retro expostas, este mecanismo só tem a trazer ganhos à atividade jurisdicional e a todos que precisam ou um dia precisarão demandar em juízo.
3.5 O PROCESSO ELETRÔNICO DE ATOS DE PESSOAL NO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Santos destaca que o processo eletrônico deverá ter como base proteger os direitos e garantias fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:233
231 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Resolução n. TC-18/2007, 5 dez. 2007. Dispõe sobre a instituição do Diário Oficial Eletrônico do Tribunal de Contas.
Disponível em: <http://www.tce.sc.gov.br/sites/default/files/leis_normas/resolucao_n_18- 2007_consolidada.pdf>. Acesso em: 2 out. 2014.
232 ZILIO, Daniela. O Princípio da publicidade processual e o processo eletrônico. e-GOV, Florianópolis, 3 nov. 2012. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-
princ%C3%ADpio-da-publicidade-processual-e-o-processo-eletr%C3%B4nico>. Acesso em: 2 maio 2014.
233 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
Destaque-se ainda, que o processo eletrônico deverá surgir como instrumento de consolidação do processo civil do Estado Constitucional, pautado nos direitos e garantias fundamentais estabelecidos na Constituição como forma de concretizar a segurança jurídica e a igualdade perante o Direito, impondo que a ordem jurídica seja certa e estável, promovendo o atendimento às necessidades concretas das pessoas que pleiteiam a tutela de seus interesses. Não há Estado Constitucional e nem mesmo Direito quando se verifica tratamento diferenciado nas decisões do Poder Judiciário.
Como descrito, anteriormente, o Processo de Fiscalização de Atos de Pessoal, dentro do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina está definido, de forma consolidada na Portaria N. TC-0189/2014234, e, ganhou um aliado importantíssimo na busca da eficiência da celeridade, efetividade e publicidade e com isso um maior controle dos gastos públicos de pessoal quando da sua virtualização, a partir da Instrução Normativa N. TC-10/2010 revogada, no outro ano, pela Instrução Normativa N. TC-11/2011235 alicerçada pela Resolução N. TC- 60/2011236.
Assim, nascia o Processo Eletrônico de Atos de Pessoal, através da Instrução Normativa N. TC-11/2011237, a qual dispõe sobre a publicidade e remessa, por meio eletrônico, de informações e documentos necessários ao exame da
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
234 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Portaria n. TC-0189/2014, 18 mar. 2014. Reorganiza os tipos de processos para fins de autuação e distribuição aos relatores e organização da pauta das sessões do Tribunal Pleno. Disponível em:
<http://www.tce.sc.gov.br/site/legislacao/arquivos/portaria_n__tc_0189-2014_consolidada.pdf>.
Acesso em: 2 maio 2014.
235 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Instrução Normativa n.
TC-11/2011, 16 nov. 2011. Dispõe sobre a remessa, por meio eletrônico, de informações e
documentos necessários ao exame da legalidade de atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadoria, reforma, transferência para a reserva e pensão, ao Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Disponível em:
<http://www.tce.sc.gov.br/site/legislacao/arquivos/instrucao_normativa_n_11- 2011_consolidada.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2014.
236 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Resolução n. TC-60/2011, 19 dez. 2011. Regulamenta o processo eletrônico no âmbito do Tribunal de Contas de Santa Catarina. Disponível em: <http://www.tce.sc.gov.br/site/legislacao/arquivos/resolucao_n_60- 2011_consolidada.pdf>. Acesso em: 2 maio 2014.
237 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Instrução Normativa n.
TC-11/2011, 16 nov. 2011. Dispõe sobre a remessa, por meio eletrônico, de informações e
documentos necessários ao exame da legalidade de atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadoria, reforma, transferência para a reserva e pensão, ao Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Disponível em:
<http://www.tce.sc.gov.br/site/legislacao/arquivos/instrucao_normativa_n_11- 2011_consolidada.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2014.
legalidade de atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadoria, reforma, transferência para a reserva e pensão, ao Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina.
Para operacionalizar o Processo Eletrônico de Atos de Pessoal no Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, a Diretoria de Informática juntamente com a Diretoria de Atos de Pessoal, desenvolveram um programa de computador, na Internet, para que todos os jurisdicionados da Corte de Contas Catarinense pudessem de forma, célere e eficiente, enviar as informações necessárias para a constituição e posterior instrução dos autos de Atos de Pessoal.238
Com envio digital das informações para a constituição do Processo Eletrônico de Atos de Pessoal, o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina está em conformidade com o conceito de tribunal sustentável, como também com o que apregoa a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no seu art.
37239, quando o respectivo ordenamento jurídico trata da prestação do serviço público de qualidade.
Donizetti descreve o avanço que a justiça Brasileira obteve após o nascimento da Lei 11.419/2006240, a qual dentre os benefícios que trouxe ao ordenamento jurídico Nacional, trouxe também o aumento da conscientização ecológica em nosso País:241
De qualquer forma, não se pode negar o grande avanço representado pela Lei n. 11.419/2006, que dispõe sobre a informatização do processo judicial. O conjunto das alterações levadas a efeito por essa norma significa que em breve não haverá mais autos físicos, que enfim ficar-se-á livre da papelada, cuja guarda, além de ocupar grandes espaços físicos nos fóruns, implica elevados gastos financeiros para a conservação e, o que é mais
238 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Manual do sistema e- Sfinge aposentadoria e pensão, mar. 2011. Disponível em:
<http://www.tce.sc.gov.br/files/ManualE-SfingeAposentadoriaPensao_2013.pdf>.
239 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
240 BRASIL. Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a informatização do processo judicial; altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11419.htm>. Acesso em: 10 jun. 2014.
241 DONIZETTI, Elpídio. Curso didático de direito processual civil. 13 ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. p. 120.
grave, o corte de centenas de milhares de árvores por ano somente para registrar os atos processuais.
Pinheiro traz a tona à importância de uma Sociedade da Informação sem papel, contudo adverte que o processo eletrônico não é sinônimo de processo sem documento, atualmente a sociedade digital está muito melhor documentada:242
Estamos a caminho de uma sociedade sem papel, mas não sem documentos, como já previsto pelo próprio Código de Processo Civil brasileiro, documento é um escrito capaz de ter compreensão humana, independentemente de qual suporte esteja (pode ser papel, tecido, parede, hard disk, outros). A sociedade digital está muito melhor documentada, com mais controles, com mais transparência, só precisamos agora quebrar o paradigma cultural e atualizar nossos usos e costumes para atender a toda esta nova realidade empresarial e governamental.
O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina nesse viés ecológico conseguiu uma economia financeira com a virtualização do processo de Atos de Pessoal. A partir do Sistema de Processos – SIPROC percebesse que no período de 2011 a 2014, da instrução processual até o seu julgamento, a Corte de Contas Catarinense no Processo Eletrônico de Atos de Pessoal utilizou em torno de 186.973 laudas.
Conforme empresa especializada na análise do impacto ambiental no consumo de papel, o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina deixou de consumir o equivalente a 25 árvores. A mesma empresa revela que 186.973 laudas é o equivalente a uma tonelada de papel produzida, e para a industrialização de uma tonelada de papel utiliza-se 100.000 litros de água.243
Dentre os princípios já elencados aqui, o princípio constitucional da duração razoável do processo tem um vínculo forte com a formalização e tramitação de um processo eletrônico. Afinal, inserido a partir da Emenda Constitucional 45/2004244, no art. 5º, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
242 PINHEIRO, Patrícia Peck. Direito digital. 4. ed., São Paulo: Saraiva, 2010, p. 286.
243 NDDigital Technologies. Green Carbon, Bom Retiro. Disponível em:
<http://www.nddgreencarbon.com/si/site/0100>. Acesso em: 2 out. 2014.
244 BRASIL. Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004. Altera dispositivos dos arts.
5º, 36, 52, 92, 93, 95, 98, 99, 102, 103, 104, 105, 107, 109, 111, 112, 114, 115, 125, 126, 127, 128, 129, 134 e 168 da Constituição Federal, e acrescenta os arts. 103-A, 103B, 111-A e 130-A, e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm>. Acesso em: 2 out.
2014.
tem como condão a celeridade processual. Assim, está definido no art. 5º, inciso LXXVIII da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:245
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
O princípio constitucional da duração razoável do processo é destacado por Santos quando o autor revela a importância da implantação do processo eletrônico para a Sociedade da Informação:246
No que tange ao princípio da duração razoável do processo, destaca- se a contribuição dos meios eletrônicos para a eliminação ou redução das etapas mortas ou tempos inúteis do trâmite processual, uma vez que muitas diligências e rotinas inúteis que atravancam a marcha procedimental e que procrastinam a entrega da prestação jurisdicional serão automatizadas, resultando em ganho de tempo para as atividades que realmente implicam no deslinde do processo.
Neste diapasão, Donizetti confirma a importância da celeridade processual, contudo observa desde já, que se deve cuidar para não ir de encontro com os princípios já previamente arraigados no ordenamento jurídico Nacional:247
É importante observar que a almejada celeridade processual não pode ser levada a extremos. O processo, como já demonstramos, pressupõe uma série de atos e procedimentos (contraditório, ampla defesa, produção de provas, recursos), diligências que inevitavelmente impedem a rápida solução do litígio, mas que, mesmo assim, hão de ser observadas. A celeridade não tem valor absoluto, e deve ser estudada e aplicada sempre em conjunto com os demais preceitos que regem o processo.
O Governo do Estado de Santa Catarina preocupado com o tema celeridade processual alterou a Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado de
245 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
246 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
247 DONIZETTI, Elpídio. Curso didático de direito processual civil. 13 ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. p. 89