O Instituto Sophia Mind (2010), empresa voltada para a pesquisa e inteligência de mercado do grupo de comunicação feminina Bolsa de Mulher, acredita que este é o século do avanço feminino, pois em todos os campos as mulheres tem quebrado paradigmas e o aumento contínuo do poder nas mãos das mulheres é visível em todos os setores, desde o econômico, político, social, cultural e até mesmo comportamental.
Em complemento a esta posição e com o intuito de destacar o perfil da mulher investidora, utilizou-se neste trabalho, uma pesquisa realizada por meio do Instituto Sophia Mind (2010) para levantar alguns hábitos de investimentos do universo feminino.
A metodologia utilizada foi por meio de entrevistas com usuárias brasileiras via questionário on-line. Foi considerado para esta pesquisa, uma amostra de 1.437 mulheres com renda própria e investimento, na faixa etária de 25 a 50 anos, no período de janeiro de 2010.
Inicialmente a pesquisa relata que as mulheres estão cada vez mais bem informadas sobre investimentos de alto risco, algumas delas possuem particularidades que as tornam respeitadas por especialistas, pois são mais cautelosas, procuram fundamentos e conteúdos mais aprofundados das empresas em que irão investir, assim, este lado racional e detalhista predominantes nas mulheres, às tornam mais assertivas do que os homens.
Nesta perspectiva, foram identificados as seguintes características deste público feminino:
600 mulheres possuem renda própria e investimentos;
28% delas separam um montante fixo todos os meses;
28% separam os recursos para poupar antes de começar a gastar. Isso representa uma melhora no planejamento feminino;
67% planejam aumentar o volume de investimentos nos próximos 12 meses.
Nota-se no gráfico 3, no que se refere à parcela de renda investida ou poupada ao longo de um ano que 52% das mulheres investem parte de sua renda. Os investimentos concentram-se até 10% da renda anual das entrevistadas.
Gráfico 3 - Parcela de renda investida Fonte: (SOPHIA MIND, 2010).
No que tange a tipos de investimentos o gráfico 4 abaixo revela que, os fundos de renda fixa lideram as formas de investimento entre as mulheres e 11% investem diretamente em ações. Vale ressaltar que este grupo de mulheres possui também investimentos em poupanças.
Gráfico 4 – Tipos de investimentos (com caderneta de poupança) Fonte: (SOPHIA MIND, 2010).
Já este grupo de mulheres, representadas no gráfico 5 não investe seus recursos em poupança, nota-se que, 27% investem em fundos de investimento com renda fixa. Seguido pelos títulos de renda fixa (19%) e CDB (10%). Os fundos de renda variável são mais usados do que a compra direta de ações.
Gráfico 5 – Tipos de investimentos (sem caderneta de poupança) Fonte: (SOPHIA MIND, 2010).
No gráfico 6 a pesquisa mostra que quando elas fazem seus investimentos a principal motivação é a compra ou reforma um imóvel (35%).
Fazer uma viagem ou aposentadoria ficam como segundo e terceiro objetivo.
Gráfico 6 – Motivos para realizar investimentos Fonte: (SOPHIA MIND, 2010).
Revela-se no gráfico 7 a seguir que, quando perguntadas: Qual é a sua sensação quando pensa em finanças pessoais? Nota-se que as mulheres, ainda, sentem-se muito inseguras sobre seus conhecimentos nesta área, mais
da metade das entrevistadas assume que sente necessidade de aprender mais sobre “finanças pessoais”. Entretanto, pouco mais de um quinto das mulheres, ou seja, 22% mostraram tranquilidade por acreditar que aplica bem seu dinheiro, dessa forma, vale ressaltar que a atmosfera de um clube de investimentos para mulheres, é favorável e adequado àquelas que desejam aprender, de maneira menos complexa e mais atrativa.
Gráfico 7 - Percepção em relação a finanças pessoais Fonte: (SOPHIA MIND, 2010).
Na mesma linha quando se fala em educação, cabe evidenciar que:
A principal razão que leva as pessoas a enfrentar dificuldades financeiras é que passam anos na escola sem aprender nada sobre educação financeira. O resultado são pessoas que precisam trabalhar pelo dinheiro, mas, nunca aprenderam a fazer o dinheiro trabalhar para elas (KIYOSAKI, 2000, p.1).
O Instituto Sophia Mind (2010) observou e concluiu nessa pesquisa que:
Apesar de os investimentos concentrarem-se entre 1% e 10% da renda anual, as mulheres estão investindo cada vez mais. Comparando com pesquisa realizada em janeiro de 2010, verifica-se aumento de 13% no número de mulheres que investem ou poupam parte da renda (passando de 46% para 52%);
A compra ou reforma de um imóvel é o principal motivo para o investimento das mulheres;
28% das mulheres separam um montante fixo todos os meses e outras 28% separam os recursos para poupar antes de começar a gastar. Isso representa uma melhoria no planejamento feminino;
A estimativa de 67% delas é aumentar o volume de investimentos nos próximos 12 meses;
As próprias mulheres são as responsáveis pelas decisões do que fazer com seu dinheiro;
A praticidade e comodidade fazem que elas invistam no banco onde possuem a conta corrente;
Poupança é a principal modalidade de investimento (76%), sendo que 44% delas aplicam mais de dois terços de seus investimentos;
75% sentem dificuldade em entender as diversas opções de investimento, principalmente pela dificuldade em entender os informativos dos bancos e falta de tempo para buscar informações;
Comparando homens e mulheres, elas acreditam que eles buscam maior retorno e elas menor risco, o que fica evidenciado no gráfico 8 abaixo, com um perfil conservador de 54% contra 4% do perfil arrojado, das mulheres pesquisas.
Gráfico 8 – Perfil de investimento do público feminino Fonte: (SOPHIA MIND, 2010).
Além da quantidade de mulheres investidoras ter crescido, a forma com que elas investem também mudou. Separar um montante fixo ou a cada mês separar um valor antes de começar a gastar são as melhores formas para garantir que as despesas do dia a dia não irá ultrapassar o planejado, planejamento este que é fundamental para as mulheres grandes responsáveis pelo orçamento familiar.
Apesar dessas importantes conclusões, ainda observa-se grande dificuldade das mulheres em entender as opções disponíveis pelos bancos e
corretoras. A falta de comunicação específica para elas e a falta de tempo em buscar informações são os dois maiores problemas observados.
Em complemento a esta posição, convém enfatizar que, já existe desde 2002, um projeto de popularização do mercado de capitais “Bovespa vai até você” que consiste em esclarecer as pessoas sobre a importância do investimento em ações como alternativa de poupança e de financiamento das empresas brasileiras milhares de pessoas foram atingidas e atendidas diretamente, e de acordo com dados de 2012 da BM&FBOVESPA, mais de 2.800 clubes de investimento já foram formados.
Nessa revolução em andamento, observou-se que o papel da mulher foi fundamental, uma vez que boa parte desses novos clubes foi formada por iniciativa do público feminino. Por tudo isso, a Bolsa criou, em 2003, o “Mulheres em Ação”, programa permanente de aproximação entre o mercado de ações e o público feminino, que busca fornecer, entre outros instrumentos, mais informações sobre o mercado de ações. (BM&FBOVESPA, 2012, grifo nosso).
O “Mulheres em Ação” esclarece dúvidas e oferece explicações sobre como investir, produzindo informação consistente, gerando credibilidade e acesso, em sintonia com a demanda desse público. Além de realizar diversos eventos voltados para o segmento feminino, o programa também compreende um site dedicado às mulheres (www.bovespa.com.br/mulheres), com conteúdo específico, matérias diversificadas, novidades e artigos semanais redigidos por uma consultoria especializada; e um fórum para discussão de temas variados, facilitando o acesso do público feminino ao mercado, transmitindo seus conceitos e oferecendo um espaço específico aos temas de seu interesse.
A BM&FBOVESPA (2012) salienta ainda que em 2005, o Conselho
“Mulheres em Ação” estabeleceu como prioridade promover a educação financeira desse público. Ao longo do ano, foram desenvolvidos diversos projetos que visam levar às mulheres mais conhecimentos não só sobre o mercado de capitais, mas também sobre os conceitos de finanças, poupança e economia, entre eles, foi criado um “Guia de Planejamento Financeiro”, com uma linguagem leve, divertida e didática, o guia aborda os princípios de planejamento financeiro e administração de recursos, informações sobre, mercado de capitais e o papel das Sociedades Corretoras, uso do crédito, controle de finanças, hábitos de poupança, e formas de investimento.
A dinâmica familiar dos antepassados colocava o homem no papel de provedor da família, de ganha-pão e tomador das decisões financeiras. As mulheres eram condicionadas a pensar que não deveriam ser incomodadas em matéria de dinheiro. Dinheiro na religião católica era considerado uma coisa feia, representante da ganância, um dos sete pecados capitais. Como resultado, muitas mulheres, ainda, se sentem inseguras sobre suas habilidades financeiras ou relutam em se envolver nessas questões, por achar que lhes falta experiência ou que não sabem o suficiente, podendo parecer burras ou ignorantes. (BLANCO, 2004, p. 20-21).
Atualmente, evidencia Blanco (2004), a maioria das mulheres trabalha ou exerce alguma atividade remunerada, elas apresentam participação mais ativa nas decisões financeiras, especialmente contribuindo mais para a renda familiar, e felizmente o futuro parece mais promissor. A mulher moderna trabalha e sabe da importância do dinheiro, pois se comparado ao passado, pode-se dizer que muitas investem ativamente.
O futuro é um tema que desperta a atenção de todos. Falar em futuro é falar em planos e transformações. Neste momento em que as transformações estão em todas as esferas da vida – política, econômica, cultural, familiar – as mulheres têm assumido o papel de protagonistas. Ao mesmo tempo responsável e cheia de sentimentos, com desejos de realização profissional e familiar, a mulher brasileira está conduzindo as mudanças da nossa sociedade.
(BM&FBOVESPA, 2012).
Afinal, hoje, enfatiza Cerbasi (2004), a mulher não só conquistou uma posição social e profissional equiparada a do homem como também passou a discutir e dividir o controle das finanças, do planejamento familiar e agora também no que se refere a investimentos. É o amadurecimento da emancipação feminina. Corroborando com todas as afirmações, ressalte-se ainda que “O século XIX ficou conhecido como o século europeu, o XX como o americano. O século XXI, será lembrado como o Século das mulheres” (TSVI BISK, 2008).
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A oportunidade de investimentos no mercado de capitais é conveniente para todos os públicos, pessoas físicas, jurídicas, homens e mulheres que vislumbram a ideia de ingressar neste mercado, assim como, para os profissionais de outras áreas que desejam apenas atualizar seus conhecimentos, pois se trata de um setor que está em constante desenvolvimento e que pode beneficiar a todos os envolvidos.
Embora o universo que tange bolsa de valores, investimentos e finanças, ainda seja dominado pelos homens, cabe evidenciar, por meio desta pesquisa, que a mulher vem ganhando espaço. O interesse delas pelo mercado de capitais é destacado pela BM&FBovespa (2012), como uma trajetória de crescimento. Observe-se que, conforme ilustrado no trabalho, em uma década, o número de investidoras passou de aproximadamente 15.000 para 146.000 entre os anos de 2002 e 2011, respectivamente.
Pode-se afirmar que neste trabalho todos os objetivos foram alcançados. A princípio foi demonstrado como funciona o mercado de capitais e a complexidade do Sistema Financeiro, seu funcionamento e atuação.
Posteriormente, verificou-se algumas das principais maneiras de investimentos em renda variável e renda fixa, entre eles, ressalta-se os “clubes de investimentos”, constatado na pesquisa como uma ótima forma de acesso aos iniciantes no mercado de capitais.
Corroborando com o pressuposto desta monografia e após o levantamento da participação das mulheres no mercado de capitais, assim como a segmentação de clubes de investimentos femininos, fica evidente que as mulheres estão se especializando nesta área e adquirindo novas formas de conhecimento em temas específicos e predominantemente masculino como investimentos e finanças.
Convém enfatizar a importância das instituições que fomentam e incentivam a prospecção de todos os públicos no mercado de capitais. Por estar em consonância com o objetivo deste trabalho, destaque especial deve ser dado aos programas voltados especificamente ao público feminino, como o programa “mulheres em ação” da BM&FBovespa, que contribui fortemente para a atuação das mulheres no mercado de capitais, assim como os clubes de
investimentos “Mulherinvest” e “Beardstown Ladies”, que incentivam e, sobretudo inspiram as futuras investidoras.
Destaca-se que o tema proposto pela acadêmica compreende um segmento novo ao que se refere clube de investimentos em mercado de capitais, dessa maneira, o conteúdo para embasamento da monografia foi de certa maneira limitado. Entretanto, a literatura disponível, assim como os conhecimentos que alicerçaram este trabalho, serão válidos para que, futuramente, a acadêmica possa aplicar este estudo na constituição de um
“Clube de Investimentos para Mulheres”.
Sugere-se ainda, que outros trabalhos possam ser elaborados em referência ou relacionados a este tema, para que se possa fomentar e disseminar o conhecimento acadêmico em benefício de toda a sociedade.
Corroborando com todas as afirmações, ainda é possível tecer uma última consideração de maneira holística. A construção deste trabalho só foi possível por meio de todo o aprendizado adquirido ao longo de quatro anos, esse embasamento é o resultado norteador do curso de administração que é
“formar profissionais com domínio da ciência da administração, comprometidos com pressupostos éticos que promovam de forma crítica, reflexiva e responsável, o desenvolvimento sustentável das organizações e da sociedade em geral”.
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ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS
Nome do estagiário Vanessa Regina Gelak
Orientador de conteúdo Prof. Ivanir Schroeder
Responsável pelo Estágio Prof. Eduardo Krieger da Silva
ANEXOS
(ANEXO A)
MODELO DE ESTATUTO SOCIAL DE CLUBE DE INVESTIMENTO
I - Denominação e Objetivo
Artigo 1º - O Clube de Investimento ... constituído por número limitado de membros que têm por objetivo a aplicação de recursos financeiros próprios para a constituição, em comum, de carteira diversificada de ações.
II - Dos Membros, das Quotas e sua Integralização.
Artigo 2º - O número de membros não poderá exceder 150 (cento e cinquenta) nem ser inferior a 03 (três).
Parágrafo Único – Nenhum quotista do Clube poderá deter quantidade superior a 40% das quotas emitidas.
Artigo 3º - Os recursos entregues pelos membros, para investimentos, serão representados por quotas escriturais de igual valor.
Parágrafo Único – Da conta de depósito das quotas constará, no mínimo, o nome do quotista e o número de quotas possuídas.
Artigo 4º - O valor inicial de uma quota é fixado em R$...
Artigo 5º - É facultada a admissão de novos membros após a data de constituição do Clube, mediante assinatura do Termo de Adesão ao presente Estatuto Social, observado o limite estabelecido no art. 2º.
Artigo 6º - Os novos membros do Clube poderão subscrever suas quotas pelo valor patrimonial integralizando-as, em dinheiro, no dia da assinatura do Termo de Adesão.
Artigo 7º - O valor patrimonial das quotas do Clube de Investimento será obtido da divisão de seu patrimônio pelo número de quotas existentes.
Artigo 8º - É assegurado a qualquer membro o direito de aumentar o número de suas quotas, por novos investimentos, até o limite máximo de 40% (quarenta por cento) das quotas existentes.
Parágrafo Único – A transferência de quotas entre membros operar-se-á pelo lançamento no registro que as represente.
Artigo 9º - A cada quota corresponderá um voto nas deliberações da assembleia geral.
Artigo 10 - Os membros participantes poderão pedir o resgate total (retirando-se do Clube) ou de parte das quotas que possuírem, a qualquer tempo, desde que comunique essa intenção, por escrito, ao Administrador do Clube.
§ 1º - O pagamento do resgate será feito no prazo de 04 (quatro) dias úteis, a partir da datado recebimento da comunicação, pelo Administrador do Clube, salvo motivo de força maior, que justifique a dilatação do prazo, até o máximo de 30 (trinta dias).
§ 2º - As quotas serão liquidadas ou resgatadas pelo valor patrimonial apurado no dia posterior ao recebimento do pedido de retirada, deduzidas as despesas de praxe, inclusive as relativas a impostos.
§ 3º - O pagamento do resgate se fará em cheque, dinheiro ou documento de crédito em favor do membro resgatante.
Artigo 11 - Em caso de morte ou incapacitação do membro, o Clube colocará as quotas à disposição de quem legalmente o representar.
III – Das Aplicações
Artigo 12 O clube de investimento ... fará suas aplicações nos seguintes ativos:
I - No mínimo 51% de seus recursos em ações e/ou em bônus de subscrição e/ou debêntures conversíveis em ações de emissão de companhias abertas, adquiridas em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão organizado;
a) alternativamente, o clube poderá fazer suas aplicações em:
-quotas de fundos de investimento que tenham sua carteira constituída exclusivamente com ações representativas de índices de mercado calculados pela bolsa de valores;
-quotas de fundos de investimento em ações, desde que as carteiras dos referidos fundos atendam ao percentual de aplicação definido caput deste artigo.
II - No máximo 49% de seus recursos em quotas: (1) de fundos de renda fixa, (2) Fundos de Investimento de Direitos Creditórios, (3) Fundos Imobiliários, (4) títulos de renda fixa, (5) ou