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Origem da abordagem das capacidades dinâmicas

No documento universidade do vale do itajai (páginas 45-49)

2.3 CAPACIDADES DINÂMICAS

2.3.1 Origem da abordagem das capacidades dinâmicas

Figura 04 – Características de análise para o construto de Governança Dinâmica

Fonte: Elaborada pela autora

Considera-se nesta pesquisa que a governança dinâmica pode influenciar no processo de desenvolvimento de capacidades dinâmicas, seja por meio da criação de novas rotinas ou pela adaptação daquelas já existentes. Entende-se que as categorias da governança dinâmica acima demostradas podem apontar o caminho a percorrer para o desenvolvimento de capacidades.

capacidade dinâmica para aprender ou desenvolver novas capacidades. Por outro lado, outros a enxergam mais como originária da economia evolucionária (DOSI, NELSON E WINTER, 2000; WINTER, 2003) tendo inclusive autores que indicam a existência de conflito entre esta abordagem e a RBV (DOVING, GOODERHAM, 2008; MAXFIELD, 2008; MORGAN, VORHIES E MASON, 2009).

Griffith e Harvey (2001) afirmam que as capacidades dinâmicas globais são usadas para integrar RBV e MBV (Visão Baseada no Mercado). Tais autores trazem que o objetivo da MBV é contribuir com a RBV e as capacidades dinâmicas, testando empiricamente a previsão de que as empresas terão um melhor desempenho(CARPENTER et al, 2001). Já Galunic e Eisenhardt (2001) observam que as capacidades dinâmicas reconfiguram a divisão de recursos e que como isto pode ser um fator fundamental na produção de novos bens de produção em um mercado dinâmico.

Miller (2003) aponta que as escolas da RBV e capacidade dinâmica ressaltam a importância de aumentar os recursos e as capacidades estabelecidas. Capacidades desenvolvidas podem ser becos sem saída, especialmente se elas estão vinculadas a uma única oportunidade, ou estão se tornando sujeitas a imitação por rivais sérios. Capacidades nascentes podem ser improdutivas, mas se desenvolvidas ou aproveitadas podem deter um enorme potencial para a vantagem competitiva, porque elas serão desconhecidas para as outras empresas.

A mesma visão relacionada ao aumento da base de recursos é compartilhada por Helfat e Peteraf (2003) que analisam mudanças nas capacidades e recursos organizacionais complementares, com o desenvolvimento de capacidades únicas por meio do conceito de capacidades dinâmicas. Tais mudanças permitirão que as empresas possam atender às necessidades dos clientes, responder aos concorrentes e melhorar o desempenho da organização, conforme apresentado na Figura 05.

Entende-se que capacidades dinâmicas são mais do que uma simples adição da RBV, uma vez que manipula os recursos e capacidades organizacionais. Uma corrente semelhante é apresentada por Uhlenbruck (2004), que afirma que na evolução das capacidades dinâmicas, o desenvolvimento e o crescimento das empresas são diretamente afetados por empresas multinacionais e os recursos de destino.

Figura 05 – Vinculo das capacidades dinâmicas com o desempenho da organização

Fonte: Zott (2003)

Zollo, Winter (2002) são autores que afirmam existir um consenso no campo da estratégia sobre a natureza das capacidades dinâmicas: capacidades dinâmicas são incorporadas em processos organizacionais destinados a efetuar a mudança. A necessidade de especificar a dinâmica do processo de desenvolvimento de recursos subjacente e diferenciação resultou no construto da capacidade dinâmica. (DOVING, GOODERHAM, 2008).

Este caráter evolutivo das capacidades dinâmicas é corroborado por Maxfield (2008) que classifica as visões da economia neoclássica de recursos, compartilhados pela abordagem das Cinco Forças de Porter e pela RBV são estáticas em comparação com a visão mais dinâmica de recurso. Já Morgan, Vorhies e Mason (2009) destacam que teóricos têm feito uma série de desenvolvimentos, rotulando-os coletivamente como ‘capacidades dinâmicas’, dirigindo-se as limitações da teoria baseada em recursos tradicional.

Já Tashman e Marano (2010) ponderam que a RBV e as capacidades dinâmicas das firmas são teorias organizacionais que explicam o desempenho dos negócios como resultado proveniente da qualidade, singularidade e demanda por recursos estratégicos. Assim, ambos, os fatores estratégicos e perspectivas de capacidade dinâmica, poderiam ser considerados em um quadro teórico da RBV, com implicações para a adoção de práticas e formação ambientais (SARKIS, GONZALEZ-TORRE, ADENSO-DIAZ, 2010).

Outros autores sustentam a integração entre a teoria baseada em recursos, onde a empresa é um conjunto de recursos heterogêneos com as capacidades dinâmicas. A vantagem competitiva surge da capacidade da empresa para explorar, combinar e recombinar recursos considerados valiosos, raros e difíceis de imitar (JIANG; TAO; SANTORO, 2010).

Lee et al (2010) definem, em outras palavras, a capacidade dinâmica como a capacidade de uma organização para criar, de forma proposital, estender e modificar sua base de recursos.

Neste mesmo sentido, Martin (2011) as define como a capacidade da organização para executar uma tarefa, função ou atividade de maneira minimamente aceitável.

Muitos são os autores que conceituam capacidades dinâmicas, conforme descrito no Quadro 05. Este Quadro demonstra que o conceito se renova com o passar dos anos e com o avanço dos estudos na área. Desde a publicação de Teece; Pisano e Shuen (1997, 2009) e Teece (2007, 2012), percebe-se o avanço no desenvolvimento do conceito de capacidades dinâmicas.

Quadro 05 – Conceitos de capacidades dinâmicas identificadas na literatura

Autores Definição

Teece, Pisano e Shuen (1997, 2010)

Habilidade da empresa para integrar, construir e reconfigurar competências internas e externas em detrimento de rápidas mudanças no ambiente.

Helfat (1997) Subconjunto de competências/capacidades que permitem a empresa criar novos produtos, processos e dar respostas ao mercado em mudança.

Eisenhardt e Martin (2000) Processos da empresa que utilizam recursos – especificamente os processos para integrar, reconfigurar, obter e liberar recursos – afim de ajustar-se ou criar mudanças no mercado. As capacidades dinâmicas são as rotinas organizacionais e as estratégias por onde as empresas criam novas configurações de recursos em decorrência de mudanças no mercado.

Zollo e Winter (2002) Padrão aprendido e estável de uma atividade coletiva através do qual a empresa sistematicamente gera e modifica rotinas operacionais com o objetivo de melhorar sua eficiência organizacional.

Winter (2003) Aquelas que colaboram para ampliar ou criar capacidades ordinárias ou substantivas.

Zahra, Sapienza, e Davidsson (2006)

Habilidade para reconfigurar os recursos e rotinas da empresa, de forma que seja considerada, desejada e adequada pelos principais tomadores de decisão na organização.

Teece (2007) Habilidade das empresas criar, desenvolver e proteger os ativos intangíveis que suportam melhores desempenho a longo prazo.

McKelvie e Davidsson (2009) Habilidade de uma empresa para integrar e mudara base de recursos frente a mudanças no ambiente. Portanto, podem ser entendidas como os processos por onde os recursos são adquiridos, integrados, transformados ou reconfigurados para gerar novas atividades baseadas na criação de valor para a empresa.

Barreto (2010) São o potencial que a empresa possui para sistematicamente resolver problemas, formada pela propensão a identificar oportunidades e ameaças, tomas decisões orientadas ao mercado e mudar sua base de recursos.

Salazar e Peláez (2011) Habilidade dinâmica de uma empresa para mudar ou reconfigurar capacidades substantivas. A qualidade dinâmica denota a habilidade para alterar o modo em que a empresa desenvolve novas capacidades e não a uma resposta às características que mudam o entorno.

Teece (2012) São comportamentos que determinam a habilidade de uma empresa para integrar, construir e reconfigurar competências/recursos internos e externos para enfrentar mercados dinâmicos. Elas determinam a velocidade que os recursos da empresa serão alinhados ou realinhados.

Fonte: Elaborado pela autora

Como norte para o desenvolvimento desta tese, será adotado o conceito de capacidades dinâmicas atribuído por Teece (2012), que as compreende como os comportamentos que determinam a habilidade reconfigurar recursos internos e externos. As capacidades dinâmicas podem ser uteis para mobilização de recursos, para aproveitar uma oportunidade e para renovar- se continuamente (TEECE, 2012).

Optou-se por este conceito pela característica da pesquisa, por narrar as habilidades e comportamentos para o desenvolvimento das capacidades dinâmicas numa organização complexa como as universidades. É possível que os achados da pesquisa levem ao entendimento de que a origem das capacidades, numa organização complexa, esteja relacionada a competência e a habilidade das pessoas que compõem a organização.

Teece (2012) acredita que as capacidades dinâmicas determinam a velocidade e o quanto os recursos da empresa podem estar alinhados ou serem realinhados, como um processo de aprendizagem. A partir das competências desenvolvidas será possível fazer com que a organização seja capaz de reconfigurar-se ou renovar-se.

2.3.2 Capacidades dinâmicas compreendidas como um conjunto de habilidades e

No documento universidade do vale do itajai (páginas 45-49)