• Nenhum resultado encontrado

P RECATÓRIOS C OMPLEMENTARES E S UPLEMENTARES

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 82-88)

3.4 TIPOS DE PRECATÓRIOS

3.4.4 P RECATÓRIOS C OMPLEMENTARES E S UPLEMENTARES

O precatório complementar é aquele decorrente de Ofício Requisitório expedido pelo juiz da execução quando o pagamento do precatório é feito parcialmente, ou seja, ocorre quando a dívida fazendária não foi totalmente satisfeita perante o credor titular do precatório.

Segundo Orlando Vaz81,

Fatalmente ocorre uma defasagem entre o montante lançado no precatório e aquele que o credor, na realidade, teria direito de receber na ocasião do pagamento. Uma vez que não se reconhecia ao Presidente do Tribunal poder para alterar o valor do precatório fixado por ato do juiz da execução, a solução encontrada pela jurisprudência foi a dos precatórios complementares. Após o pagamento incompleto, caberia ao exequente requerer, em primeiro grau de jurisdição, a apuração dos juros e correção monetária não compreendidos no resgate da primitiva requisição de pagamento.

O artigo 100 da Constituição Federal, em seu § 8º veda a expedição de precatório complementar ou suplementar de valor que já tenha sido pago, dispondo o que segue:

§ 8º São vedados a expedição de precatório complementar ou suplementar de valor pago, bem como fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução, a fim de que seu pagamento não se faça, em parte, na forma estabelecida no §3º deste artigo.

A orientação atual da jurisprudência é de que admitem-se sucessivos precatórios complementares enquanto houver defasagem de juros e correção monetária entre o requisitório e o efetivo adimplemento da obrigação pelo Poder Público, porque “a expedição do precatório não produz o efeito de

81 Vaz, Orlando. Precatório: problemas e soluções. 1. ed. Belo Horizonte: Del Rey; Centro Jurídico Brasileiro. 2005. p 62 e 63.

pagamento”, os juros moratórios continuarão incidindo, “enquanto não solvida a obrigação”82.

Segundo entendimento de Humberto Theodoro Junior83, O fato de o retardamento no cumprimento do precatório gerar, para o credor, o direito a um complemento não conduz à necessidade de instauração de uma nova execução contra a Fazenda Pública. Enquanto não ocorrer a total satisfação do crédito exequendo o processo executivo não se encerrará. Em se tratando de simples apuração de complemento (saldo) do débito aforado, não fica obrigado o credor a promover nova cotação executiva, nem tampouco permite à devedora manejar novos embargos à execução. Tudo se processará como simples incidente da execução pendente, de pensar em apelação nem em remessa ex officio.

A complementação ou suplementação do precatório deve-se realizar antes do pagamento de qualquer valor referente a este débito, para que não venha ficar em aberto indefinidamente após a liquidação do precatório.

82 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito Processual Civil – Processo de Execução de Processo Cautelar. 38º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 304

83 p. 305

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O intuito deste trabalho foi o de demonstrar como se constitui a Execução contra a Fazenda Pública e a sistemática dos precatórios requisitórios, frente os vários privilégios e prerrogativas de ordem processual que a legislação atual concede ao Estado quando em juízo.

No decorrer das várias alterações propostas na lei, o legislador e o judiciário buscaram encontrar o equilíbrio entre o princípio da isonomia entre as partes, o qual norteia nosso sistema jurídico e o princípio da supremacia dos interesses coletivos sobre os interesses individuais, de forma a não comprometer o ente estatal e as finanças públicas.

A Fazenda Pública, quando em juízo, por certo reveste-se de interesse coletivo. Entretanto, esses privilégios e prerrogativas processuais traduz-se em um desnível acentuado entre as partes litigantes, comprometendo a efetiva execução pelo credor ou a razoável duração do processo.

Desta forma é necessário buscar o justo equilíbrio entre estas prerrogativas e identificar se elas estão, de fato, contribuindo para a manutenção do Estado Democrático de Direito.

Respeitados os ditames constitucionais, como a impossibilidade de expropriação forçada contra o Estado, tendo em vista a impenhorabilidade do bem público, é possível concluir que o regime de pagamento de dívida judicial por meio da sistemática dos precatórios visa a proteger o funcionamento do Estado e a coletividade, concedendo ao ente fazendário maneira menos gravosa de adimplir sua dívida para que seja afastado

qualquer risco de quebra das contas públicas, ao patrimônio público ou à qualidade da prestação do serviço público.

Por outro lado deve-se contudo buscar a manutenção da ordem pública de tal modo, que na hipótese do ente Estadual deixar de cumprir a determinação judicial tempestivamente com os recursos previstos, poderá haver a efetiva satisfação do credor com sequestro diretamente nas contas públicas até o valor não liberado (BacenJud), podendo o Chefe do Poder Executivo responder na forma da legislação de responsabilidade fiscal e improbidade administrativa.

Desta forma, espera-se, de reestabelecer o instituto da execução contra a Fazenda Pública e o sistema de precatórios por suas bases e princípios estampados na Constituição Federal, dentre os quais, com destaque, o princípio da dignidade da pessoa humana com o adimplemento das dívidas públicas e a razoável duração do processo.

REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS

ASSIS, Araken de. Manual de execução, 13ª ed. São Paulo, RT 2010.

BRASIL. Congresso Nacional Constituinte. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988.

BRASIL, Senado Federal. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF, 2015.

CATHARINO, José Martins. Do Precatório. 1ª ed. São Paulo: Ltr, 2000.

CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de Direito Processual Civil. Volume II, Campinas: Bookseller, 2000.

CUNHA, Leonardo José Carneiro da. A Fazenda Pública em juízo. 8 ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2010.

CUNHA, Manoel da. Precatórios: do escândalo nacional ao calote nos credores. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2000.

DANTAS, Francisco Wildo Lacerda. Execução contra a Fazenda PúblicaRegime do Precatório. 1ª ed. Brasília: Brasília Jurídica, 1999.

DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil.

Volume III, 2ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2002.

FEDERIGHI, Wanderley José. A execução contra a fazenda pública. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 1996.

GRECO FILHO, Vicente. Da Execução Contra a Fazenda Pública. São Paulo.

Saraiva. 198

MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de Processo Civil – Processo de Execução / Luiz Guilherme Marinoni e Sergio Cruz Arenhart. Volume 3 - 2ª ed. São Paulo:

Editora Revista dos Tribunais, 2011.

MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 17 ed., São Paulo:

Malheiros, 1992.

MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de Direito Processual Civil. Volume 2 – 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2013.

MORAES, José Roberto de. Fazenda Pública em juízo: prerrogativas ou privilégios? Revista Autônoma de Processo (ABDR), n. 2, jan./mar. 2007,

OLIVEIRA, Antônio Flávio de. Precatórios: aspectos administrativos, constitucionais, financeiros e processuais. 1. ed. 2. Tiragem. Belo Horizonte:

Fórum. 2007.

PASOLD, Cesar Luiz. Metologia da Pesquisa Jurídica: Teoria e Prática. 11 ed.

rev. atual. Florianópolis:Conceito Editorial/ Millennium, 2008.

REALE, Miguel. Lições preliminares de direito, 6. ed., São Paulo: Saraiva.

SANTOS, Ernane Fidélis dos. Manual de Direito Processual Civil – Execução e Processo Cautelar. Volume 2 - 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. Volume 1 - 28ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

SECRETARIA DE ESTADO E FAZENDA DE SANTA CATARINA. Disponível em:

<http://www.sef.sc.gov.br/servicos-orientacoes/dicd/requisições-de-pagamentos- precatórios-e-rpvs> Acessado em: 03/06/2015.

SILVA, Américo Luís Martins da Silva. Precatório-requisitório e requisição de pequeno valor (RPV). 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Processo de Execução e Cumprimento de Sentença, Processo Cautelar e Tutela de Urgência. Volume 2 - 48ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013.

VAZ, Orlando. Precatório: problemas e soluções. 1. ed. Belo Horizonte: Del Rey; Centro Jurídico Brasileiro. 2005 .

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 82-88)

Documentos relacionados