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PRINCÍPIO DA IGUALDADE OU ISONOMIA

ou étnica que tenha por objeto ou resultado anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício em um mesmo plano de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outro campo da vida pública.

Por isso, quer na lei, quer na doutrina, o racismo é caracterizado por ser um tratamento desigual baseado na raça, cor etnia.

Dessa forma, o racismo cria uma situação de desigualdade veemente repudiada por nossa constituição ao assegurar o direito à igualdade, sendo que todas as pessoas devem ser tratadas de forma igual, não importando a existência de qualquer um dos fatores raciais descritos acima.

Assim sendo, todo cidadão, sendo ele branco, negro ou mestiço, deverá ser tratado igualitariamente, pois, todos nós possuímos o direito subjetivo da Igualdade.

Desse modo o Princípio Constitucional que atende a este direito é o da Igualdade ou da Isonomia, onde todos, indistintamente, devem ser tratados de forma igualitária, pouco importando a cor de sua pele ou a raça que pertence.

O Princípio da Igualdade é entendido como a eqüidade entre todos os homens em relação a todos os seus direitos e deveres.

Desta forma, destaca Bastos75: “Entende-se por essa equiparação a todos os homens no que diz respeito ao gozo e fruição de direitos, assim como à sujeição a deveres”.

Deve-se observar que o tratamento igual certas vezes, consiste em tratar os desiguais com desigualdade, em algumas ocasiões poderia ocorrer o aumento da desigualdade se fossem tratados uniformemente.

É o que comenta Pinho76:

Igualdade consiste em tratar igualmente os iguais, com os mesmos direitos e obrigações, e desigualmente os desiguais.

Tratar igualmente os desiguais seria aumentar a desigualdade existente. Nem todo tratamento desigual é inconstitucional, somente o tratamento desigual que aumenta a desigualdade naturalmente já existente. Não teria sentido conceder benefícios de forma igual para os que necessitam e para os que não necessitam da assistência do Poder Público.

Tratando do tema Silva77 cita:

(...) ao elaborar a lei, deve reger, com iguais disposições – os mesmos ônus as mesmas vantagens – situações idênticas, e, reciprocamente, distinguir, na repartição de encargos e benefícios, as situações que sejam entre si distintas, de sorte a gravá-las em proporção às suas diversidades.

75 BASTOS, Celso Ribeiro, Ives Gandra da Silva Martins. Comentários à Constituição do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. p. 5.

76 PINHO, Rodrigo César Rebello. Teoria geral da Constituição e direitos fundamentais. p.

90.

77 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: editora Malheiros Editores 2004. p. 214.

Ferreira78 cita em sua obra, a posição doutrinária e jurisprudencial, qual seja:

A doutrina e a jurisprudência pátria abjetara o princípio de que a igualdade jurídica consiste em assegurar as pessoas de situação desiguais os mesmos direitos, prerrogativas e vantagens, com as mesmas obrigações correspondentes.

Cretella Júnior79, em sua obra, cita o político brasileiro João Mangabeira, que assim entende a Igualdade:

A igualdade não é e nem pode ser um obstáculo à proteção que o Estado deve aos fracos. Consiste a igualdade em considerar desigualmente condições desiguais, de modo a abrandar, tanto quanto possível, pelo direito, as diferenças sociais e por ele promover a harmonia social, pelo equilíbrio dos interesses e da sorte das classes.

Sobre o tema Bulos80 acrescenta a existência da igualdade proporcional, que é justamente o que foi dito acima, tratar os desiguais com desigualdade, a este respeito comenta o autor:

Os homens nunca foram iguais e jamais serão no plano terreno. A desigualdade é própria da condição humana.

Por possuírem origem diversa, posição social peculiar, é impossível afirmar-se que o homem é totalmente idêntico ao seu semelhante em direitos, obrigações, faculdades e ônus.

Daí se buscar uma igualdade proporcional, porque não se pode tratar igualmente condições provenientes de fatos desiguais. (...), a igualdade consiste em assegurar aos homens que estão equiparados nos mesmos direitos, benefícios e vantagens, ao lado dos deveres correspondentes. O mesmo ocorre em relação àqueles que

78 FERREIRA, Pinto. Comentários à Constituição brasileira. São Paulo: editora Saraiva. 1989.

p. 62 e 63.

79 CRETELLA JÚNIOR, José. Elementos de direito constitucional. 1998. São Paulo: editora Revista dos Tribunais1998. p. 184.

80 Bulos, Lammêgo Uadi. Constituição Federal anotada. p. 117.

estiverem desequiparados, os quais deverão receber o tratamento que lhes é devido à medida de suas desigualdades.

Os doutrinadores dividem o Princípio da Isonomia em Igualdade perante a lei e na própria lei.

É o que explica Bulos81:

Os estudiosos seccionam o princípio da isonomia em:

igualdade perante a lei e igualdade na lei. O primeiro concerne ao dever de se aplicar o direito no caso concreto, mesmo se tal aplicação partir de ato discriminatório; o segundo exige que as normas jurídicas não contenham distinções, exceto aquelas autorizadas constitucionalmente.

Confirmando essa teoria, destaca Moraes82:

O princípio da igualdade consagrado pela Constituição opera em dois planos distintos. De uma parte, frente ao legislador ou ao próprio executivo, na edição, respectivamente, de leis, atos normativos e medidas provisórias, impedindo que possa criar tratamentos abusivamente diferenciados a pessoas que se encontram em situações idênticas. Em outro plano, na obrigatoriedade ao intérprete, basicamente, a autoridade pública, de aplicar a lei e atos normativos de maneira igualitária, sem estabelecimento de diferenciações em razão de sexo, religião, convicções filosóficas ou políticas, raça, classe social.

A igualdade na lei é destinada aos legisladores, e a igualdade perante a lei é designada aos aplicadores do direito.

Diante disso, Pinho83 explica:

81 BULOS, Lammêgo Uadi. Constituição Federal anotada. p. 116.

82 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais: teoria geral, comentários aos arts. 1° a 5° da Constituição da República Federativa do Brasil, doutrina e jurisprudência.

São Paulo: editora Atlas. 2005.p. 82.

São destinatários do princípio da igualdade tanto o legislador como aplicadores da lei. A igualdade na lei é voltada para o legislador, vedando-se a elaboração de dispositivos que estabeleçam desigualdades entre as pessoas, privilegiando ou perseguindo algumas. A igualdade perante a lei é voltada para os operadores do direito, que não poderão utilizar critérios discriminatórios na aplicação da lei, estabelecendo tratamento desigual para pessoas que se encontrem nas mesmas condições.

Confirmando essa teoria, destaca Moraes84:

O princípio da igualdade consagrado pela Constituição opera em dois planos distintos. De uma parte, frente ao legislador ou ao próprio executivo, na edição, respectivamente, de leis, atos normativos e medidas provisórias, impedindo que possa criar tratamentos abusivamente diferenciados a pessoas que se encontram em situações idênticas. Em outro plano, na obrigatoriedade ao intérprete, basicamente, a autoridade pública, de aplicar a lei e atos normativos de maneira igualitária, sem estabelecimento de diferenciações em razão de sexo, religião, convicções filosóficas ou políticas, raça, classe social.

E ainda Silva85:

A igualdade perante a lei seria uma exigência feita a todos aqueles que aplicam as normas jurídicas gerais aos casos concretos, ao passo que a igualdade na lei seria uma exigência dirigida àqueles que criam normas jurídicas (...).

83 PINHO, Rodrigo César Rebello. Teoria geral da Constituição e direitos fundamentais. p.

91 e 92.

84 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais: teoria geral, comentários aos arts. 1° a 5° da Constituição da República Federativa do Brasil, doutrina e jurisprudência.

p. 82.

85 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. p. 214.

Este princípio constitucional também é separado em Igualdade formal e material, que diz respeito às espécies de igualdades existentes.

Sobre isso afirma Pinho86:

Há duas espécies de igualdade: formal e material. A formal, dentro da concepção clássica do Estado Liberal, é aquela em que todos são iguais perante a lei. Existe também a material, (....) Trata-se da busca da igualdade de fato na vida econômica e social.

Ainda acerca da Igualdade, cabe ressaltar a o sentido de que a todos é garantido o direito de não ser tratado de diferente forma.

Assim ensina Bastos87 “Possui, portanto, o cidadão o direito de não ser diferenciado por outros particulares nas mesmas situações em que a lei também não poderia diferenciar”.

A discriminação fere um dos direitos fundamentais do homem: a igualdade.

É o que observa Cretella Júnior88 “Toda discriminação atenta contra direitos fundamentais do homem, desde que se inscreveu, nas Constituições, o princípio da igualdade: todos são iguais perante a lei”.

Desta forma, ninguém pode diferenciar outros indivíduos através de condutas discriminatórias.

86 PINHO, Rodrigo César Rebello. Teoria geral da Constituição e direitos fundamentais. p.

91.

87 BASTOS, Celso Ribeiro, Ives Gandra da Silva Martins. Comentários à Constituição do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. p. 15.

88 CRETELLA JÚNIOR, José. Comentários à Constituição Brasileira de 1998. p. 479.

Comentando o tema, assim escreve Moraes89: “(...) o particular não poderá pautar-se por condutas discriminatórias, preconceituosas ou racistas, sob pena de responsabilidade civil e penal, nos termos da legislação em vigor”.

E também esclarece Bulos90 em sua obra:

O particular, enfim, não poderá direcionar a sua conduta no sentido de discriminar os seus semelhantes, através de preconceitos, racismos ou maledicências diversas, sob pena de ser responsabilizado civil e penalmente, com base na Constituição e nas leis em vigor.

Chega-se então à proibição constitucional da discriminação. O preconceito racial é abordado também pela constituição, sendo repudiado e severamente positivado.

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