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SECÇÃO SEGUNDA

No documento ORPHANALOGICAS (páginas 56-61)

DA SUCCESSÀO TESTAMENTÁRIA

I NOÇÃO

§ 26 Se diz testamentária a successão, quando nasce da disposição solemne da ultima vontade do defunto. Na disposição dos bens por testamento, toma a denominação de herdeiro aquelle que é nomeado em toda a universalidade da herança, representando o testador, quer a nomeação recaia em uma só, ou èm muitas pessoas*, e se diz legatário ou fi-deicommissario aquelle â quem é deixada uma parte, ou uma cousa determinada da herança (§ 2). As cousas assim deixadas denominão-se legados ou fidei-commissos.

O legatário ou fideicommissario se diz â titulo universal, quando é instituído em uma quota parte da herança, assim como a terça, ou uma espécie de bens, v. g. os moveis da casa; e á titulo particular quando lhe é deixada uma quantia, ou uma só cousa especificadamente, como uma casa, um campo, e ainda quando o legado consta de muitas cousas separadas e distinctas, com tanto que sejão todas consideradas como uma só, formando moralmente um só corpo, assim como um rebanho, uma parelha de cavallos, ou outras semelhantes (155).

(155) Coelho da Rocha §§ 687, 688.

54 INSTIT. ORPH. PARTj^ERAL

Das pessoas que podem sen* nõniêãdãs lierdelros,

§ 27 Em regra, todas as pessoas de qualquer sexo, idade ou condição, podem ser nomeadas herdeiros, ou legatários-, mas por disposição da lei, são incapazes de ser instituídos herdeiros em testamento:

1.°) Os Religiosos, ou Religiosas professas, ainda n'aquellas communidades que possuem bens em commum (156), salvo sendo egressos ou secularisa-dos; mas neste caso são nomeados sem prejuizo da legitima devida aos herdeiros necessários (157). Contudo os Regulares, ainda não secularisados, podem receber legados que consistão em tenças vitalícias para seus alimentos (158)*,

2.°) As Igrejas, Ordens Religiosas, Confrarias, Irmandades, Misericórdias, Mosteiros e quaesquer

(156) Lei de 25 de Jun. de 1766. § 10.; de 9 dê] Setemb.

de 1769. § 10.; de 12 de Maio de 1778.; Decr. de 16 de Setemb. de 1817.

(157) Lei de 19 de Novemb. de 1821 § 2., que mode ficou a Resol. de 26 de Dezemb. de 1809. As Camarás Municipaes não estão comprehendidas em o numero das corporações de mão morta; Circ. N.° 4. de 15 de Janr. de 1844. ■

(158) Decr. de 17 de Julli. de 1778,; Mello Freir. Liv. 3.

tit. 5. § 3.; Alm. Souz. ao cit. § n. 1.; Acç. Sum. § 177.;

Coelho da Rocha § 089.

TIT. I CAP. II SEC. II

outras corporações de mão-morta (159).

^Mãã n'esta prohibiçâo não se comprehende a de receofei gados, não sendo universaes,

com a obrigação de alienar os bens de raiz d'entro de seis mezes contados de sua entrega, e o seu producto convertido em Apólices da divida publica, com excepção dos prédios e terrenos necessários para o serviço das mesmas corporações (160)}

3.°) Os que escrevem nos testamentos herança ou legado para si ou para seus ascendentes ou descendentes (161)*, mas isto não se extende ao que

(159) Ord. Liv. 2. tit. 18; Lei de 4. de Jolh. de 1768.; 12.

de Maio., 9de Setemb. 1769. g 10.; Mello Freir. Liv. 3. tit.

5. § 31.; Alm. Souz. ao cit. g n. 5.; Pr. Souz. Lin. Civ. Not.

865. in fine; Borg. Carn. Dir. Civ. Liv. 1. tit. 36.' g 304.

(160) Ord. Liv. 2. tit. 18 g 1.; íteg. de 2 de Outub. de 1851. art. 49. g 2.; Decr. N°. 1225 de 20 de Agosto, de 1864. art. 2.; Avis. N.° 316. de 22 de Outub. de 1864.. e de N°. 407. de 10de Dezemb. do mesmo anno, o qual fixa a intelligencia do referido Decreto. Também o citado Decreto garantio ás mencionadas corporações o poderem conservar os prédios e terrenos que constituião o seu património ao tempo da promulgação d"elle.

(161) Cod. Liv. 9. tit. 23. fragg. 2, 3.; D. Liv. 3. tit. 8.

fragg. 1, 5.; Brunem, in Pand. ao cit. frag. 1.; Portug. de Donat. Liv. 3. Cap. 30. n. 14, 17. Esta disposição amplia-se ainda ao caso de ser o testamento do marido e mulher, escripto de mão commum; Portug. Liv. 3. Cap. 30. n. 15.

56 INSTIT. ORPH. PART. GERAL

somente sérvio de testemunha no acto da approva-ção, nem ao legatário que escreveo as outras disposições do testamento (162);

4.°) As concubinas dos concubinarios casados (163);

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5.°) Também é incapaz a alma de ser instituida herdeira;

e o testamento que contêm tal disposição é nullo (164).

(162) D. Liv. 34, tit. 8. fr. 1, 5.; Card. Prax. verb.

legatum n. 66.; Coelho da Roch. § 690.; Ord. Liv. 4. tit. 85.

§ 1.

(163) Ord. Liv. 4. tit. 66. pr. Esta Ord. falia somente da transmissão da propriedade, feita pelo homem casado a sua concubina, por doação, venda ou por qualquer outro titulo, dando a mulher ou seus herdeiros acção para demandarem a cousa assim traspassada d" entro de certo tempo, sem pagarem preço algum; Egyd. de Privil. Honest. art. 8. n. 11.;

Portug. de Donat. Liv. 1. Proalud. 2. § 7. n. 24. Mas como a citada Ord. não falia senão de actos inter vivos, parece excluir da censura as disposições da ultima vontade; Egyd.

cit. n. 21.; Barb. Rem. á Ord. Liv. 4. tit. 66. pr. n. 3.; Gam.

Decis. 226. n. 5. Todavia tem prevalecido a opinião contraria que sustenta serem nullas geralmente as doações, legados e heranças deixadas a concubina; Mello Freir. Liv< 2. tit. 10.

§ 6.; Coelho da Roch. § 690. Esta regra, porém, lemitão os practicos em alguns casos poucos, que podem ser vistos em Alm. Souz. Sup. Acç. sum. Diss. 2. § 19, e 20.

(164) Lei de 9 de Setemb. de 1769 § 21., revalidada pelo Alvará de 20 de Maio de 1796; Ass. Io. de 29 de Março de 1770; Ass. 4.° de 5 de Dezemb. de 1770; Ass.

l.° de 20 de Julho de 1780; Ass. 2.° de 21 de Julho de

TIT. I CAP. II SEC. II 57 Quando o instituído é um incapaz, tem-se a instituição por não escripta e devolve-se a herança ao herdeiro ab infestado, sem ónus dos legados ou fidei-commissos, salvo se o testamento traz a clausula codicillar (165).

1797; Alm. Souz. Acç. Sum. § 180. A instituição da alma por herdeira também se vereflca no caso de ser alguma Ordem, Irmandade ou Corporação, instituída herdeira e testamenteira; cit. Ass. de 21 de Março de 1770.

(165) D. Liv. 34. tit. 8. fragg. 3. 4; Pinh. de Testam.

Disp. 5. Sect. 1. § 1. n. 19.

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