o aplicativo móvel não seria um substituto de uma aula prática, mas, na falta ou impossibilidade dela, essa ferramenta atrairia a atenção dos alunos e os envolveria de forma semelhante, além de disponibilizar versões cada vez mais atuais (PACHECO; PINTO; PETROSKI, 2017).
Para Oliver et al. (2014) e Gargia et al. (2014) m-learning é um processo de ensino-aprendizagem que envolve alunos e professores que se encontram territorialmente ou fisicamente separados. Já Pereira e Ferreira (2016) afirmam que a utilização do m-learning na educação vem ganhando força nos últimos anos, provocando mudanças no ensino. Traxler (2010) revela que m-learning apresenta um potencial de ultrapassar as restrições espaciais e temporais, superando a necessidade de unir atividades específicas para determinados lugares e tempos.
Os autores Velho, Barwaldt e Rosa (2016) discutem as possibilidades de crescimento do m-learning usando a perspectiva de que a tecnologia móvel, em especial os smartphones, são vastamente comercializados. Diante disso, as escolas começam a adotar políticas para os alunos utilizarem dispositivos móveis de modo a expandir as oportunidades educacionais (WEST; VOSLOO, 2013; JOHNSON et al., 2016).
Sobre o uso de smartphone em sala de aula, Moraes, Santos e Oliveira (2014) falam que o fator desafiador é inserir essa ferramenta no contexto educacional, porém, de forma colaborativa. Dessa maneira, os alunos adquirem e compartilham conhecimento entre seus colegas e são acompanhados pelos professores que são mediadores nesse processo de construção da aprendizagem.
Diante das possibilidades criadas pelo uso de smartphones na educação, a aplicabilidade desse dispositivo como instrumento didático, chegou até o ensino superior. A pesquisa de Lino Junior, Rolim e Carvalho (2015) mostra que os smartphones surgem como uma ferramenta múltipla e adaptável às necessidades da comunicação, podendo ser entendida como complemento didático nesse nível de ensino.
Para Gresczysczyn, Camargo Filho e Monteiro (2016) o uso de smartphones no ensino superior tem crescido graças ao interesse dos alunos pela inovação. Além disso, esses dispositivos móveis e multifuncionais já fazem parte do universo digital desses alunos. Isso torna a aprendizagem, a partir desses dispositivos, algo prazeroso e espontâneo.
O uso dos smartphones em sala de aula é amparado pelo decreto no Parágrafo único do Art. 1º do Congresso Nacional:
Serão admitidos, em salas de aula de estabelecimentos de educação básica e superior, aparelhos eletrônicos portáteis, desde que
inseridos no desenvolvimento de atividades didático-pedagógicas e devidamente autorizados pelos docentes ou corpo gestor (BRASIL, 2007).
A partir da legalização do uso desses dispositivos em sala de aula e de sua popularização entre o público jovem, os smartphones estão se tornando cada vez mais presentes nas práticas pedagógicas. Segundo Rucatti e Abreu (2015), inicialmente, eles são inseridos com o intuito de acompanhar e conquistar esse público de alunos. Contudo, esses dispositivos estão se tornando cada vez mais essenciais no processo ensino-aprendizagem, principalmente, quando se deseja levar essa aprendizagem para além da sala de aula (MOREIRA et al., 2018).
De acordo com Velho, Barwaldt e Rosa (2016) o aumento do uso de smartphones, tanto na área comercial quanto na educação, fez com que esse dispositivo fosse destaque em pesquisas acadêmicas. Entretanto, no contexto escolar, novos desafios de usabilidade, operacionalidade, capacidade técnica e pedagógica surgem todos os dias. Ao vislumbrar este desafio, do uso da “aprendizagem móvel”
no ensino tecnológico, Pina et al. (2016) identificaram aspectos positivos sobre o emprego de m-learning no ensino superior, que trouxe como resposta a aprendizagem diferenciada.
Em geral, o público do ensino superior se divide entre trabalho e estudo. Dessa forma, o emprego do m-learning possibilita aos alunos acessarem os conteúdos acadêmicos de qualquer lugar. Essa facilidade otimiza o tempo do universitário (MOREIRA et al., 2016). Com isso, os smartphones apresentam-se como o dispositivo móvel que mais se adequa à realidade desses alunos, pois, diferente dos tablets e notebooks, esses dispositivos estão presentes o tempo todo com eles (POULOVA;
SIMONOVA, 2014).
Em contrapartida, autores como Duarte (2008) ressaltam que o desafio é descobrir como usar as tecnologias móveis no cotidiano escolar. Para isso o autor salienta alguns pontos como limitações tecnológicas e limitações pedagógicas. Sobre as limitações tecnológicas, o autor aponta a tela pequena, a baixa resolução, o processamento lento, a baixa capacidade de armazenamento e a incompatibilidade entre plataformas. Já como exemplos de limitações pedagógicas, o autor cita o espaço restrito de visualização, a falta da atenção, o comprometimento da memória visual, a
baixa resolução, a fragmentação de conteúdo, o pouco conhecimento dos professores na área e uso das tecnologias como suporte e não como ferramenta.
Ainda sobre os aspectos negativos, Machado (2012) fala que os games, vídeos, fotos, acesso à internet e o toque do celular com variedade de músicas e estilos podem comprometer o andamento pedagógico previsto pelo professor. No entanto, o autor defende o uso do smartphone em sala de aula, mas com algumas restrições e enfatiza que esse dispositivo, quando usado de forma correta e controlada, pode ser um excelente aliado para pesquisa dentro e fora do ambiente escolar.
Para contornar os pontos negativos e vencer os obstáculos sobre a inserção do smartphone no ambiente de ensino, faz-se necessário o preparo adequado do docente e do espaço escolar. Além disso, a conscientização do aluno sobre como e quando usar o dispositivo é fundamental. A partir daí as aulas poderão ser criadas de forma a trabalhar conceitos que se inter-relacionam, integrando diferentes tecnologias, teorias e simulação de aulas práticas. Essa mudança só se torna possível quando o professor domina a tecnologia no contexto escolar.
Diante do exposto, se reconhece o valor e o potencial do smartphone como uma tecnologia capaz de provocar inovação no processo ensino-aprendizagem (MOREIRA et al., 2018). A partir dele, surgem novas metodologias e práticas pedagógicas que auxiliam na utilização de seus recursos e suas facilidades (GRESCZYSCZYNA et al., 2016).
1.4 Aplicativos Móveis em Sala de Aula como Ferramenta de Ensino