#
# #
* * *
*
% I pa / PA
Não ativado
C
*
FONTE: A Autora (2022).
LEGENDA: (A) Grafite e biochar;
(B) Grafite ativado e biochar ativado;
(C) Comparativo das correntes de pico anódico;
médias que compartilham um símbolo são significativamente iguais.
Nos voltamogramas das Figuras 29A e 29B, observa-se que todos os materiais possibilitaram a obtenção de um sinal no sentido do processo anódico. As médias das respostas em termos de percentual de corrente de pico anódico (Ipa) foram comparadas utilizando uma análise de variância (ANOVA) de fator único e o teste de Tukey foi aplicado para verificar o agrupamento das respostas, em nível de confiança de 95 %. De modo geral, para os materiais precursores, as respostas de BC300, BC400 e BC500 foram estatisticamente iguais, enquanto observou-se diminuição na intensidade de Ipa para BC600 e BC700, cujas respostas foram iguais entre si. Nas caracterizações, verificou-se que, de modo geral, ao se empregar as menores temperaturas de pirólise, houve menor degradação estrutural, resultando em materiais com maiores quantidades de grupos ácidos totais. Estes incluem grupos oxigenados, que, por sua vez, podem ter favorecido a pré-concentração do analito, o que, posteriormente, refletiu no sinal mais intenso na etapa de determinação voltamétrica.54,96
Quando os materiais ativados foram utilizados, não houve diferença significativa ao se empregar BCA500, BCA600 e BCA700, com relação a resposta de seus precursores, a si mesmos e a BC300. Considerando também os resultados obtidos na caracterização da quantidade de grupos ácidos superficiais, verifica-se que estes materiais ativados apresentam um número maior deste tipo de grupamento, comparado aos precursores. Entretanto, a incorporação destes, via oxidação da estrutura carbonácea, conforme exibido nos resultados de FTIR, possivelmente não ocorreu em quantidade suficiente que propiciasse mais sítios de interação com a espécie de interesse, levando a ausência de diferença entre as respostas.
Por outro lado, os materiais ativados BCA300 e BCA400 apresentaram resposta significativamente diferente daquela de seus precursores e entre si, além dos valores de corrente de pico relativa serem os mais elevados dentre o conjunto investigado. Estes materiais apresentaram características que apontaram para uma maior desorganização estrutural, comparados àqueles produzidos sob maiores temperaturas, ativados ou não. Além disso, na estimativa da quantidade de grupos ácidos superficiais, estes materiais apresentaram os valores mais elevados, sendo este um indicativo de que a inserção de maior quantidade de grupos superficiais nesses materiais, após a ativação com HNO3, possibilitou uma interação mais efetiva com o analito. O material BCA300, mesmo sendo aquele que continha a maior quantidade de grupos ácidos superficiais, forneceu a segunda resposta mais elevada em termos de corrente de pico anódico. Isto pode estar relacionado com a presença de hemicelulose na sua estrutura, conforme verificado nas análises termogravimétricas.
Assim, a menor decomposição térmica do material e a maior desorganização estrutural
podem ter levado a obtenção de um eletrodo modificado com menor condutividade, resultando em um valor de corrente de pico menos elevado, frente a BCA400.
Isto posto, a resposta de corrente de pico anódico de maior magnitude foi obtida ao se empregar o material BCA400 como modificador de eletrodo. De modo a se observar mais detalhadamente o comportamento eletroquímico do eletrodo de pasta de carbono modificado com este material, em comparação ao seu precursor e ao eletrodo de pasta de carbono não modificado (grafite), voltamogramas cíclicos representativos são apresentados na Figura 30.
FIGURA 30 - VOLTAMOGRAMAS CÍCLICOS OBTIDOS PARA O ELETRODO DE PASTA DE CARBONO NÃO MODIFICADO E MODIFICADO COM BC400 E BCA400. AS LINHAS TRACEJADAS REPRESENTAM MEDIDAS FEITAS NA AUSÊNCIA DO ANALITO E AS LINHAS
CHEIAS REPRESENTAM MEDIDAS PARA A DETERMINAÇÃO DE 100 μmol L-1 DE Cu2+; PRÉ- CONCENTRAÇÃO EM SOLUÇÃO DE ACETATO DE AMÔNIO 0,1 mol L-1 (pH = 9,0) POR 5 min E
DETERMINAÇÃO EM SOLUÇÃO DE ACETATO DE SÓDIO 0,1 mol L-1 (pH = 5,0), v = 100 mV s-1
-0,50 -0,25 0,00 0,25 0,50 -40
-20 0 20
0,00 -8
-6 -4 -2 0 2 4
I / PA
E / V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L-1)
I / P A
E / V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L
-1)
Grafite BC400 BCA400
FONTE: A Autora (2021).
Nota-se que, para todos os casos, na ausência do analito (linhas tracejadas), não foram observados sinais referentes a processos redox. Entretanto, após a etapa de pré- concentração de Cu2+ (linhas cheias), picos nos sentidos dos processos anódico (Epa ≈0,06 V) e catódico (Epc ≈ -0,15 V) foram observados. Os valores de corrente de pico foram pequenos para o eletrodo não modificado, indicando que não houve pré-concentração significativa nesse caso. Por outro lado, os sinais apresentados por ambos os EPCM foram superiores quando comparados com o eletrodo de pasta de carbono, sendo as correntes de pico em ambos os sentidos da varredura de maior magnitude para o material ativado BCA400. Reitera-se que esse comportamento pode ser explicado devido à presença da maior quantidade de grupos superficiais, pós ativação química, que interagem de modo mais
efetivo com o analito, promovendo a pré-concentração de maior quantidade de íons e, posteriormente, a resposta referente aos processos redox do cobre: ܥݑ ֖ܥݑଶା ʹ݁ି. 97
Na sequência, verificou-se o perfil voltamétrico para a determinação de Cu2+
utilizando o eletrodo modificado com BCA400, na presença e na ausência de O2 no meio de análise, isto é, em eletrólito não desaerado e desaerado com N2. Voltamogramas cíclicos representativos são apresentados na Figura 31.
FIGURA 31 - VOLTAMOGRAMAS CÍCLICOS E COMPARATIVO DE CORRENTE DE PICO ANÓDICO OBTIDOS PARA O ELETRODO DE PASTA DE CARBONO MODIFICADO COM BCA400,
PARA A DETERMINAÇÃO DE 100 μmol L-1 DE Cu2+ EM ELETRÓLITO SUPORTE NÃO DESAERADO E DESAERADO POR 300 s COM N2; PRÉ-CONCENTRAÇÃO EM SOLUÇÃO DE ACETATO DE AMÔNIO 0,1 mol L-1 (pH = 9,0) POR 5 min E DETERMINAÇÃO EM SOLUÇÃO DE
ACETATO DE SÓDIO 0,1 mol L-1 (pH = 5,0), v = 100 mV s-1
-0,50 -0,25 0,00 0,25 0,50 -45
-30 -15 0 15
I / P A
E / V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L
-1)
Eletrólito não desaerado Eletrólito desaerado
A
Não desaerado Desaerado 0
5 10 15 20 25
I
pa/ P A
B
FONTE: A Autora (2022).
LEGENDA: (A) Voltamogramas cíclicos;
(B) Comparativo de corrente de pico anódico.
Para a medida realizada no eletrólito não desaerado, observou-se um perfil voltamétrico característico de descarga no sentido da varredura catódica. Visto que para a medida realizada no eletrólito desaerado este perfil não foi observado, ele pode ser associado à presença de O2 na solução. Na literatura, propõe-se que o oxigênio pode ser reduzido à água por uma reação que envolve quatro elétrons (10),
ܱଶሺܽݍሻ Ͷܪାሺܽݍሻ Ͷ݁ି ֎ ʹܪଶܱሺ݈ሻሺͳͲሻ
ou à peróxido de hidrogênio (H2O2) por uma reação que envolve dois elétrons (11):
ܱଶሺܽݍሻ ʹܪାሺܽݍሻ ʹ݁ି ֎ ܪଶܱଶሺܽݍሻሺͳͳሻ
Assim, a transferência de elétrons relativa a esses processos pode estar ocasionando o perfil de corrente observado no meio no qual não se realizou a desaeração.164,165
Entretanto, quando se comparou as intensidades de corrente de pico anódico obtidas nas duas situações, não se observou diferença significativa entre as médias (tobservado = 0,71
< tcrítico(0,05;2) = 4,303). Assim, mesmo que os perfis voltamétricos na ausência e na presença de O2 sejam diferentes, não houve diferença quanto ao sinal, em termos de corrente de pico anódico, para a determinação do analito. Sendo assim, na continuidade dos estudos, optou- se por não realizar o procedimento de desaeração do eletrólito suporte.
4.2.2 Avaliação da Modalidade de Técnica Voltamétrica para Determinação de Cu2+
O biochar preparado em 400 ºC e ativado (BCA400) foi o que forneceu a melhor resposta na voltametria cíclica para a determinação de íons Cu2+. Utilizando este material, realizou-se um estudo para definir qual técnica voltamétrica, dentre voltametria de varredura linear (LSV), voltametria de onda quadrada (SWV) e voltametria de pulso diferencial (DPV), seria mais adequada, em termos de potencial e corrente de pico, para o desenvolvimento de um método de determinação do analito. Voltamogramas representativos obtidos para cada uma das técnicas são apresentados na Figura 32.
FIGURA 32 - VOLTAMOGRAMAS E COMPARATIVO DE CORRENTE DE PICO ANÓDICO OBTIDOS A PARTIR DE DIFERENTES TÉCNICAS VOLTAMÉTRICAS PARA A DETERMINAÇÃO DE 100 μmol L-1 DE Cu2+ EM SOLUÇÃO DE ACETATO DE SÓDIO 0,1 mol L-1 (pH = 5,0) APÓS PRÉ-
CONCENTRAÇÃO EM SOLUÇÃO DE ACETATO DE AMÔNIO 0,1 mol L-1 (pH = 9,0) POR 5 min;
PREVIAMENTE A VARREDURA VOLTAMÉTRICA, O ELETRODO FOI SUBMETIDO A UM POTENCIAL DE CONDICIONAMENTO DE -0,3 V POR 60 s. LINHAS TRACEJADAS
REPRESENTAM MEDIDAS FEITAS NA AUSÊNCIA DO ANALITO
-0,2 0,0 0,2 0,4
0 20 40
I / P A
E / V vs. Ag/AgCl (KCl 3,0 mol L-1) LSV
SWV DPV