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TRATAMENTO DO HIPOTIREOIDISMO GESTACIONAL

Como o hipotireoidismo é a falta de hormônio tireoidiano, seu tratamento é feito com a reposição desse hormônio, na forma de comprimidos tomados por via oral. “Parece-nos justificável o uso do hormônio tireoidiano em casos suspeitos, mas não comprovados, de hipotireoidismo, que apresentam, além de alterações menstruais, história de abortamentos repetidos”, afirma Rezende (2005).

Assim, como o hipotireoidismo materno exige total substituição da tireóide sob forma de hormônio exógeno, diversos autores concordam que o melhor tratamento para tal distúrbio é a reposição dos hormônios tireoidianos com Levotiroxina-T4 (L- T4).

Maciel (2008), por exemplo, diz que uma boa evolução da gravidez nas mulheres com hipotireoidismo dependerá dos esforços para identificá-la e tratá-la adequadamente. “Elas deverão alcançar o eutireoidismo o mais rápido possível e, idealmente, deverão estar em eutireoidismo antes da concepção”, diz a autora.

A mesma acredita que a mulher deve iniciar a reposição hormonal mesmo antes de engravidar com L-T4 na dose de 150mg/ dia, devendo ser mensuradas as concentrações de TSH e T4 1 mês após o início do tratamento. Ela relatou os resultados de um estudo que revelou ter sido fundamental o tratamento adequado para a evolução das gestações, pois quando foram tratadas inadequadamente, ocorreram 60% de abortos nas pacientes com hipotireoidismo declarado e 71% nas que apresentavam hipotireoidismo subclínico. Além disso, nas gestantes com tratamento adequado, a freqüência de parto a termo foi de 100% nas que apresentavam hipotireoidismo declarado, sem ocorrer aborto. Isso nos faz concluir q evolução das gestações não depende da presença ou ausência do distúrbio, nem do seu tipo, mas se houve tratamento adequado.

Freitas (2006) justifica tal tratamento: “A normalização dos testes de função tireoidiana com reposição de L-T4 diminui significativamente a incidência de hipertensão gestacional, que também se associa a uma alta incidência de baixo peso neonatal e de parto pré-termo”, afirma o autor.

Alberti (2007) fez referências a autores que também acreditam nesse tipo de tratamento: “o risco de abortamento é duas vezes maior em presença de hipotireoidismo não tratado e a terapia de reposição hormonal traz um bom resultado no que se refere à perda gestacional”, relata o autor.

Como vimos, a dose administrada deve ser ajustada de acordo com os níveis de TSH, mantendo-os nos níveis mais normais possíveis. Para Costa (2004), as mulheres que já apresentavam hipotireoidismo antes da gestação devem receber um acompanhamento mais cuidadoso, com o monitoramento de TSH e T4 livre a partir do 1º trimestre e revisados a cada 6 a 8 semanas, até o final da gestação, retornando à dose habitual após o parto. “A avaliação correta do hipotireoidismo antes e durante a gestação é fundamental para evitar as conseqüências para as mães e desenvolvimento dos fetos”.

Campos (2009) ainda relata como objetivo do tratamento com L-T4, deve ser a elevação dos níveis de T4 para a faixa normal o mais rápido possível, evitando os efeitos do hipotireoidismo ao cérebro em desenvolvimento, no intervalo entre o nascimento e a restauração do eutireoidismo. “... atualmente uma dose inicial de 10 a 15mg/ kg/ dia é recomendada, dose esta que deverá aumentar o nível de T4 sérico para valores acima de 10mg/ dL em uma semana”, reforça a autora.

Freitas (2006) também concorda com essa afirmação, quando refere que o tratamento deve ser feito com L-T4 de acordo os níveis de TSH e T4. Em ralação às mulheres que faziam reposição antes da gestação, ele indica aumento de 25% a 50%, também de acordo com os resultados dos exames. “Diversos estudos têm mostrado haver necessidade de reposição de L-T4 na gestação”.

Para Rezende (2005), o tratamento deve ser iniciado com dosagens baixas, com doses de 100 a 200 mg por dia, com periódico monitoramento dos níveis de TSH e T4 livre, T3 e T4 durante a gestação.

Nas crianças o tratamento é parecido com o dos adultos. A dosagem de L-T4 é de acordo o peso da criança, numa dose média de 100 mg ao dia, em jejum, aumentando-se progressivamente. “Se o tratamento for iniciado com a dose plena pode ocasionar mudança brusca no comportamento, gerando dificuldades escolares e mais raramente cefaléia grave, simulando quadro de pseudomotor cerebral”, afirma Carneiro (2003).

Pessoas com hipotireoidismo devem seguir o tratamento correto, com o uso da L-T4 na dose mais adequada para cada situação. Assim, manterão os níveis de TSH dentro dos valores normais e terão uma vida saudável e completamente normal. No entanto, se o hipotireoidismo não for tratado corretamente, ele pode se

tornar um problema sério de saúde, comprometer a capacidade de a pessoa realizar suas tarefas e até mesmo representar um risco de vida em casos extremos.

Para fechar o sub-capítulo tratamento, é importante salientar a importância do teste do pezinho para o diagnóstico precoce do hipotirepodismo congênito em recém-nascidos e seu conseqüente tratamento. Esse teste é feito entre o primeiro e o quinto dia pós-parto, a partir de gotas de sangue colhidas do pezinho do bebê em papel filtro, por meio das quais, dezenas de doenças podem ser diagnosticadas. Se for fornecido hormônio tireoidiano logo após o nascimento ou até seis meses após o parto, nenhum déficit se estabelecerá, nenhuma tristeza ou frustração fará parte da vida ou dos relacionamentos dessa criança. “Nenhum outro diagnóstico pode modificar tanto o futuro de uma criança quanto o de hipotireoidismo congênito. Dado o diagnóstico e iniciado o tratamento em até seis semanas após o nascimento, a vida da criança trilhará o caminho da normalidade”, encerra Freitas (2006).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste trabalho foi o de identificar as conseqüências do hipotireoidismo para as mulheres e seus filhos e a partir daí incentivar mais pesquisas científicas na área podendo ajudar mulheres portadoras desse distúrbio que estejam gestantes ou pretendam engravidar.

Constatamos no decorrer da pesquisa que existem sim influências dos distúrbios da tireóide na gestação. Os diversos autores deixaram evidente a importância de se investigar e detectar, através dos exames laboratoriais, quem apresenta ou não a doença, para que a partir daí possa ser iniciado o tratamento de reposição dos hormônios da tireóide e diminuir o número de abortamentos e de crianças que nascem portadoras de deficiências, filhos de mães hipotireóideas.

Descobrimos o quanto os hormônios tireoidianos são imprescindíveis para que o sistema nervoso chegue ao estágio de equilíbrio ideal entre as suas células e forneça as condições ideais ao desenvolvimento da inteligência. A falta de tais hormônios vai impedir que esse equilíbrio seja alcançado, e com isso o estabelecimento da capacidade intelectual, articulação e interpretação de idéias estarão muito comprometidos. Assim, quanto mais hormônio tireoidiano faltar, mais alterado será esse quadro.

Isso significa que se a mãe não se cuidar, o filho pode nascer sem a tireóide ou com defeitos na glândula, diminuindo a produção dos hormônios. Por esse motivo é que ressaltamos a importância da realização do teste do pezinho, pois, através desse exame, os médicos identificam o problema no recém-nascido e podem iniciar

imediatamente um tratamento, que deve durar até o terceiro ano de vida. Caso contrário, o pequeno corre o risco de sofrer seqüelas irreversíveis, como deformações físicas, atraso no crescimento e até danos cerebrais no futuro.

A conclusão do estudo é a de que uma simples avaliação laboratorial dos níveis de TSH e T4 e a reposição com L-T4 conseguem normalizar os níveis hormonais da tireóide e diminuir tantos efeitos graves da doença. O que mais chama a atenção é a falta de informação geral sobre o tema. Seja por parte dos profissionais de saúde, como principalmente da população, pouco ainda se sabe como a doença afeta a mulheres e seus filhos.

A intenção é informar, principalmente, às mulheres que sonham com a maternidade, mas que possuem no histórico obstétrico repetidos abortos, ficarem alerta da possibilidade de serem portadoras de hipotireoidismo. Se as mesmas procurarem um profissional de saúde e, se for diagnosticado e tratado corretamente, não será mais uma barreira para a realização de seus sonhos.

Enfim, diante de tantos riscos, espera-se que esse trabalho possa contribuir para a divulgação e sensibilização de profissionais e pesquisadores para maior aprofundamento no estudo, pesquisa e divulgação do tema. E ainda, que possa despertar nas pessoas sentimentos de alerta e atenção sobre um assunto muito comum, mas ignorados por muitos: a tireóide. Esta, uma vez comprometida em seu funcionamento, desencadeia doenças graves, mas que podem ser evitadas e tratadas.

REFERÊNCIAS

ALBERTI, Luiz Ronaldo. Abortamento em mulheres com hiper e hipotireoidismo tratado. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2007, v. 52.

ALMEIDA, Carla Amaral de. Hipertireoidismo por doença de Graves durante a gestação. Revista Brasileira Ginecologia e Obstetrícia, vol. 27, 2005.

BRUNNER; SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

CAMPOS, Shirley de. Endocrinologia/ Glândulas. Disponível em:

http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/547. Acesso em 28.maio.2009.

CARNEIRO, Antônio Carlos de Vasconcelos. Doenças da tireóide. 1 ed. São Paulo:

Atheneu. 2003.

COSTA, Sheila Mamede da. Hipotireoidismo na gestação. Recife: Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 2004, v. 4.

FREITAS, Fernando. Rotinas em Obstetrícia. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

MACIEL, Lea Maria Zanini; MAGALHÃES, Patrícia K. R. Tireóide e gravidez. São Paulo: Arq Bras Endocrinologia e Metabolismo, 2008, v. 52.

NASCIMENTO, Antônio Carlos do. Tireóide para todos. 1 ed. São Paulo: Idéia e Ação, 2006.

PEREIRAS, Castor. Gravidez e Tireóide. Portugal: Acta Médica Portuguesa, 2003, 16: 329-311.

REZENDE, Jorge. de. Obstetrícia. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

ZIEGEL, Erna E.; CRANLEY, Mecca S. Enfermagem Obstétrica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986.

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