A usinagem remove material à medida que a ferramenta de corte penetra na peça. Esse atrito entre a ferramenta e a peça resulta na geração de calor e no aumento da temperatura. Devido a estes fatos, pode-se dizer que a temperatura de corte pode ser considerada uma das grandezas mais influentes no processo de usinagem. Isto justifica estudos que avaliem as influências no desempenho das ferramentas de corte (MACHADO et al., 2009).
Objetivos
Objetivo geral
Portanto, Ć© possĆvel relacionar os parĆ¢metros de corte aos efeitos tĆ©rmicos sofridos pela ferramenta de corte, o que favorece o estudo da vida Ćŗtil da ferramenta e das condiƧƵes mais adversas que a ferramenta pode suportar. PorĆ©m, medir a temperatura de corte nĆ£o Ć© um procedimento fĆ”cil, dadas as condiƧƵes dinĆ¢micas do processo.
Objetivos especĆficos
O processo de usinagem
Usinagem por torneamento
O princĆpio adotado em qualquer mĆ”quina-ferramenta para obter o resultado desejado na superfĆcie da peƧa consiste em determinar um movimento relativo adequado entre a peƧa e a ferramenta (MACHADO et al., 2009).
Formação do cavaco
Deformação e fratura, por ser um processo contĆnuo, no inĆcio do processo o material da peƧa, que Ć© prensada, deforma-se elasticamente. EntĆ£o, esse regime plĆ”stico Ć© aumentado gradativamente atĆ© que se forme um estado de tensĆ£o no material da peƧa que causa a fratura. Como o processo de formação de cavacos Ć© dinĆ¢mico, a Ć”rea onde o material quebra Ć© chamada de ZONA PRIMĆRIA DE CISALHAMENTO. Para um tratamento matemĆ”tico mais fĆ”cil da formação de cavacos, sĆ£o utilizados modelos nos quais esta Ć”rea Ć© considerada apenas como um plano de cisalhamento em que a quebra Ć© concentrado.
A Figura 2 ilustra o processo de formação dos cavacos e a zona de cisalhamento primÔria, sua direção estÔ relacionada ao ângulo de cisalhamento ɸ (MACHADO et al., 2009). Quando as lamelas deslizam, a ferramenta continua penetrando na peça, causando uma fratura parcial ou completa na região da fissura que se origina no plano de cisalhamento. Isso pode variar de acordo com a elasticidade do material. Estas condições de usinagem determinarão quanto material fraturado recentemente permanecerÔ preso ao cavaco formado.
No processo de saĆda do cavaco, o movimento relativo da peƧa contra a ferramenta inicia o deslizamento da parte do material que estĆ” deformada e trincada (lamela do cavaco) na superfĆcie de saĆda da ferramenta. Ć medida que esse processo ocorre, uma nova seção de material adjacente Ć seção anterior deforma-se e rasga-se, a qual tambĆ©m deslizarĆ” pela superfĆcie de saĆda da ferramenta, repetindo novamente o fenĆ“meno.
Temperatura no processo de usinagem
Calor gerado na zona de cisalhamento primƔrio
A maior parte do calor gerado na zona de cisalhamento primĆ”ria Ć© dissipada atravĆ©s do cavaco e apenas uma pequena parcela Ć© transferida para a peƧa por condução tĆ©rmica, elevando a temperatura e causando problemas na precisĆ£o dimensional da peƧa. O calor do cavaco diminui Ć medida que a velocidade de corte aumenta, fazendo com que a temperatura suba porque menos calor flui de volta para o material de trabalho. A temperatura do cavaco tem pouca influĆŖncia na temperatura da ferramenta, isso se deve ao pouco tempo que o cavaco aquecido fica em contato com a superfĆcie de saĆda da ferramenta (vĆ”rios milissegundos) para transferir o calor.
As temperaturas dos cavacos podem atingir 650°C ao usinar aƧo endurecido e algumas ligas de nĆquel sob certas condiƧƵes de corte, mas a faixa normal de temperatura dos cavacos ao usinar aƧo e outros materiais comuns Ć© de 200°C a 350°C. C.
Calor gerado na zona de cisalhamento secundaria
Calor gerado na zona de cisalhamento terciaria, ou zona de interface entre a
Métodos de medição de temperatura na usinagem
- Medição direta por termopares inseridos na ferramenta
- Temperatura de corte atravƩs de vernizes tƩrmicos
- Medição por radiação de calor com sensores infravermelhos
- Medição por propriedade metalogrÔficas
- Medição utilizando pós quĆmicos
- Medição utilizando método do filme PVD
- MƩtodo termopar ferramenta-peƧa
Utilizando o processo de eletroerosão são feitos furos de pequeno diâmetro (0,30 ou 0,40 mm), onde serão colocados os termopares. O método de medição de temperatura com sensores infravermelhos ou pirÓmetros é frequentemente utilizado para obter a temperatura no processo de processamento. Este método de medição utilizando sensores infravermelhos é mais adequado para obter a temperatura da ferramenta durante o processo de fresamento devido à vantagem de não ter contato com a ferramenta rotativa.
Que se alteram durante o processo de usinagem com altas temperaturas, o que permite a determinação de isotermas nas ferramentas, que podem ser analisadas através da seção transversal da aresta de corte principal da ferramenta (MACHADO et al., 2009). Em seu estudo sobre a influência do material utilizado no porta-ferramenta, Kaminise (2012) utilizou o método do termopar de ferramenta e explicou com mais detalhes o processo de calibração do sistema e sua importância para a condução do experimento. Foi realizado um estudo que forma um circuito com fios abrangendo todos os materiais presentes no processo de usinagem.
Este autor realizou o processo de calibração do termopar diretamente no aparelho utilizado no processo de usinagem com chama de maçarico oxiacetileno e obteve resultados satisfatórios. Neste experimento, o autor utilizou testes a seco e a frio no processo de processamento e captura de dados.
Conceitos utilizados na elaboração do método termopar ferramenta-peça
Compensação fĆsica no sistema termopar ferramenta-peƧa
Kaminise (2012) propĆ“s um sistema alternativo para o experimento de termopar ferramenta-peƧa de forma que produza um sinal eletromagnĆ©tico. Esta proposta deverĆ” minimizar a influĆŖncia das junƧƵes secundĆ”rias formadas nos diferentes elementos de medição, simplificando o circuito elĆ©trico do sistema e tambĆ©m agregando Ć calibração um mĆ©todo mais próximo da realidade, com função mais próxima do comportamento do processo de usinagem. Īšø= šøšš(š1)+ šøšš(š3)+ šøšš(š4)ā šøšš(š5)āšøšš(š6)ā šøš š(š2) (8) Considerando que as termojunƧƵes mais distantes da regiĆ£o de corte sĆ£o a temperatura nessas termojunƧƵes nĆ£o sofrem interferĆŖncia tĆ©rmica, pode-se analisar que š3=š4=š5=š6, assim a equação pode ser reescrita.
VoltĆmetro), a temperatura š2 estarĆ” na junção entre a ferramenta e a compensação fĆsica (Figura 9 com compensação), utilizando um termopar e a constante de calibração K.
Circuito termopar ferramenta peça para calibração
De acordo com a lei de Kirchhoff, uma equação pode ser atribuĆda para toda a tensĆ£o do sistema, uma vez que os termopares apresentados produzem uma fem. Finalmente, com a temperatura š2 na junção entre o elemento de compensação e a ferramenta, Ć© gerada uma tensĆ£o, chamada šøšš. Como jĆ” mostrado, os termopares distantes da Ć”rea de corte nĆ£o sofrem alteração de temperatura e permanecem em temperatura ambiente.
Um ponto importante a ressaltar Ć© que nas juntas por contato com mercĆŗrio nĆ£o Ć© possĆvel medir a temperatura, mas o recipiente de mercĆŗrio fica localizado em um ponto afastado da Ć”rea de corte. Segundo Kaminise (2012), esse mĆ©todo de calibração do sistema reproduz fielmente o experimento no momento da operação. Portanto, as expressƵes obtidas neste procedimento, assim como a constante K, provĆŖm de fontes confiĆ”veis āāe precisas.
Conforme apresentado na Seção 2.3.7, vÔrios autores utilizaram o sistema de peças-ferramenta através do efeito Seebeck obedecendo à lei de Kirchoff. Neste trabalho foram desenvolvidos os dispositivos necessÔrios para realizar calibração e medição de temperatura, os quais são apresentados a seguir.
Materiais
- Corpo de prova
- Flange de polipropileno
- Elemento intermediƔrio
- Elemento de compensação fĆsica
- Contra-ponta modificada
- Ferramenta de corte e porta ferramentas
- Montagem do sistema de aquecimento
- Instrumentos e sensores utilizados para aquisição dos dados
A peƧa de cobre foi recoberta com camadas de papel alumĆnio, com o objetivo de reduzir a troca de calor entre o elemento intermediĆ”rio e a temperatura ambiente. Na outra extremidade do elemento de compensação, a conexĆ£o foi feita compactando os cavacos de aƧo em um fio de cobre. Portanto, foi necessĆ”rio desenvolver um dispositivo com reservatório de mercĆŗrio (Hg) em contato com um contraponto de cobre e um parafuso de cobre para garantir a continuidade do circuito.
O arremate de latão é conectado a dois rolamentos de esferas selados do tipo 6004; para evitar vazamento de mercúrio, dois anéis de vedação são inseridos. O eixo de latão é isolado da fixação do contraponto do torno, por meio de uma peça de polipropileno fixada na extremidade do eixo. O reservatório de mercúrio é fechado com um parafuso de latão que também estÔ conectado ao mercúrio, que fecha o mercúrio.
O sistema de ferramental foi aquecido para realizar a calibração utilizando a chama de uma tocha de oxiacetileno. O bico da tocha foi apontado para o elemento intermetĆ”lico contido no ācopoā de cobre conforme mostrado na Figura 18. Um termopar foi colocado em um orifĆcio na parte inferior. extremidade do elemento de compensação com pasta tĆ©rmica.
Metodologia aplicada na calibração do sistema e ensaios
- Método de calibração do sistema termopar ferramenta-peça
- Bancada experimental
- Obtenção e anÔlise da curva de calibração
- Definição dos parâmetros e testes de usinagem
Neste trabalho foram utilizados dois termopares tipo K para medir a temperatura na interface ferramenta-peça e na junta de compensação durante o processo de calibração. O termopar tipo K (composto por fios Chromel e Alumel) é adequado para medir temperaturas de -200 °C a 1260 °C, levando em consideração as temperaturas utilizadas na calibração do sistema. A calibração do sistema termopar peça-ferramenta é um procedimento extremamente importante para a realização de medições de temperatura. O principal objetivo da calibração é determinar a relação entre as mudanças de temperatura na interface peça-ferramenta e na junta de compensação com a tensão elétrica obtida no circuito. .
A temperatura no processo de calibração iniciou em temperatura ambiente, em torno de 20°C, e atingiu 800°C como a temperatura mais alta no elemento intermediÔrio. Registramos os dados de medição no processo de calibração do sistema para obter uma curva de calibração. Os parâmetros de corte utilizados foram determinados após a realização de alguns testes preliminares e observou-se que a fixação da pastilha no porta-ferramenta foi fragilizada pela inserção de um elemento compensador em chapa de aço ABNT 4140 entre a pastilha e o elemento de corte. clipe de montagem do porta-ferramentas.
Os valores de tensĆ£o obtidos em cada ensaio foram registrados para posteriormente obter as temperaturas na interface ferramenta-peƧa. Após calibração do sistema peƧa-ferramenta e testes de usinagem a seco, foi possĆvel correlacionar as tensƵes obtidas nos testes com os dados de tensĆ£o e temperatura obtidos na calibração.
AnÔlise da curva de calibração
Ensaios de medição da temperatura na usinagem
O valor mĆnimo obtido durante a usinagem foi de 719°C, quando usinado na menor velocidade de corte e avanƧo. Os valores de temperatura aumentaram proporcionalmente com o aumento da velocidade de corte e avanƧo. A temperatura mĆ”xima de teste foi de 840°C, o que ocorreu quando foram utilizadas maiores velocidades de corte (vc=163 m/min) e avanƧo f=0,15mm/rot.
Esses resultados confirmam a influĆŖncia da velocidade de corte e do avanƧo na temperatura de usinagem, conforme apresentado por Trent e Wright (2000) e Machado et al. Este mĆ©todo possibilitou obter a temperatura em uma Ć”rea da ferramenta de difĆcil acesso com outros mĆ©todos de medição de temperatura. Os resultados da medição de temperatura durante o processo de torneamento sĆ£o considerados satisfatórios e mostram aumento de temperatura com aumento da velocidade de corte e avanƧo, consistente com o apresentado na literatura.
Melhora a rigidez do sistema de fixação e da ferramenta para permitir usinagens com parâmetros de corte mais elevados. Medição da temperatura de corte no torneamento de aço ferramenta AISI D6 temperado e revenido auxiliado por ln2.