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1. INTRODUÇÃO

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Academic year: 2023

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Desde a década de 1970, documentos da Organização Mundial da Saúde, como a Declaração de Alma Ata e a proposta estratégica de Saúde para Todos, enfatizam a necessidade de proteger e promover a saúde e a segurança no trabalho, prevenindo e controlando os fatores de risco presentes no ambiente de trabalho. (HAIA; LOPES, 2001). É importante ressaltar que o processo de reestruturação produtiva alterou significativamente o perfil do trabalho e dos trabalhadores, os determinantes da saúde/doença e, consequentemente, o quadro de morbidade/mortalidade em relação ao trabalho, à organização, às práticas de saúde e segurança no trabalho. . Segundo Haag (2001), os riscos ocupacionais são fatores ambientais nocivos e condições físicas, organizacionais, administrativas ou técnicas existentes no local de trabalho que levam à ocorrência de acidentes e/ou doenças ocupacionais.

Embora exista legislação que garanta a proteção da saúde dos trabalhadores com um ambiente de trabalho seguro, o ambiente de trabalho hospitalar é um ambiente insalubre (PIRES, 2000).

Riscos Físicos

Risco Ergonômico

Atualmente, sabe-se que os riscos ergonômicos estão relacionados à sobrecarga nas estruturas musculoesqueléticas devido ao esforço físico intenso, ao levantamento e transporte manual de peso, à exigência de posturas inadequadas, à repetição, entre outros. Segundo Gallasch e Alexandre (2003), são inúmeros os fatores que interferem na realização dos procedimentos de movimentação e transporte de pacientes, que incluem o espaço físico reduzido, o número insuficiente de profissionais, a presença de equipamentos inadequados, como leitos sem travas as rodas, macas e cadeiras de rodas sem manutenção, falta de materiais assistenciais, entre outros.

Riscos Mecânicos ou de Acidentes

Segundo Costa (1981, citado por BENATTI & NISHIDE, 2000), as lesões relacionadas ao trabalho estão sempre associadas às más condições de trabalho, à falta de equipamentos para a execução do trabalho e ao aumento da intensidade do trabalho. Como a má organização de máquinas, equipamentos e ferramentas mal conservados e sem manutenção, instalações elétricas em mau estado, fatores psicológicos entre os funcionários, falta de informação e treinamento, entre outros fatores que imperceptíveis aos olhos do trabalhador podem levar a acidentes graves (SANTOS 2010) . Com base no sugerido por Santos (2010), algumas situações predispõem os trabalhadores a acidentes, como por exemplo pisos inseguros, falta de sinalização, organização da superfície de trabalho, rampas e escadas, locais mal iluminados, sem iluminação ou mesmo com muita iluminação. muita luz pode causar acidentes.

Portanto, as lâmpadas queimadas devem ser substituídas imediatamente e os locais escuros devem ser iluminados o mais rápido possível. No que diz respeito às superfícies de trabalho, Santos (2010) as define como qualquer base que sirva de apoio e apoio na execução do trabalho. Pode ser temporário, por exemplo carrinho de primeiros socorros, carrinho de limpeza, etc., permanente ou permanente, utilizado por tempo indeterminado.

Riscos Psicológicos

Segundo Oliveira (2001), o desgaste psicológico decorrente da pressão do trabalho concentrador é a pressão proveniente de mudanças nas condições de risco do paciente e do confronto com o sofrimento. Entre estes está Pitta (1999), que destaca que os hospitais têm sido espaços de concentração de trabalhadores de diversas áreas, desde médicos, enfermeiros, enfermeiros, operadores de máquinas, entre tantos outros, que interagem com os usuários dos serviços. , em um ambiente impregnado de dor e sofrimento. Segundo Silva, Santos e Nascimento (2008), os vínculos criados com os pacientes e seus familiares atrapalham o relacionamento estabelecido, o tempo de internação, o desenvolvimento do quadro e a eventual identificação com a carga emocional que os profissionais recebem, que muitas vezes devido à vida história e características pessoais são incapazes de assimilar e responder bem à situação e podem desenvolver problemas emocionais e/ou psicológicos.

Segundo Silva, Santos e Nascimento (2008), o fato de muitas vezes não terem oportunidade de expressar seus sentimentos de perda e desconforto, ou de compartilhar sua insatisfação ou fatos sobre sua vida privada, também é um fator estressante que pode gerar somatização e desequilíbrio emocional ou mesmo desenvolvimento de sistemas de defesa baseados na negação ou indiferença ao bem-estar do paciente, o que nada mais é do que uma tentativa de adaptação à situação. Faleiro & Vendruscolo, (2006), observaram que, em relação às causas que ocasionaram o acidente, o estresse ocorre primeiro com 50%, seguido da jornada excessiva de trabalho com 25%.

A ENFERMAGEM E O SEU TRABALHO

Lopes, Meyer e Waldow, (2001), afirmam que a equipa assistencial deve mudar a sua atitude face ao trabalho, no sentido de consciencializar os OR nos locais onde desenvolvem atividades, sobretudo nas instituições de saúde, por mais paradoxal que seja. pode parecer que há um descaso com a saúde dos enfermeiros no mesmo contexto em que promovem o bem-estar físico e psicológico do paciente. Sabe-se que esse descaso é constante, mas é evidente que o próprio trabalhador não se protege e não se preocupa com a própria saúde, possivelmente porque existem algumas situações que o desanimam, como baixos salários, insatisfação com o trabalho, trabalho pela falta de satisfação pessoal, condições de trabalho inadequadas, o que pode aumentar sua exposição a riscos, possibilitando acidentes de trabalho (AT) e/ou doenças ocupacionais. Portanto, é necessário que o enfermeiro seja incentivado a exercer suas atividades em condições adequadas de trabalho e a participar de um processo de educação continuada (SILVA, 1998).

RISCOS OCUPACIONAIS RELACIONADOS AO TRABALHO DE ENFERMAGEM

  • Número Insuficiente de Funcionários
  • Sobrecarga ou Jornada de Trabalho Fatigante
  • O Rodízio por Turnos e/ou Plantões Noturnos
  • Desgaste Físico e Emocional
  • Riscos Biológicos, Infeccioso e Parasitário
  • Condições Físicas Impróprias
  • Material Inadequado ou de Baixa Qualidade
  • Escalas De Serviço e falta de Capacitação Profissional
  • Exposição à Substância Tóxica
  • Indisposição ou mau uso dos EPIs
  • Subnotificação dos Acidentes

Segundo Shimizu apud Ribeiro e Shimizu (2007), um dos principais fatores a considerar é o número insuficiente de funcionários, uma vez que o quadro de pessoal de enfermagem muitas vezes é inferior ao que deveria ser, seja por insuficiência de emprego, atestados médicos, licenças ou outros. é evidente que este fato acarreta grandes prejuízos funcionais e de qualidade aos serviços prestados. Assim preocupados em desempenhar funções propositais, sem tempo ou oportunidade para avaliar e talvez discutir soluções com os superiores, acabam assumindo responsabilidades que muitas vezes estão além de sua capacidade física, mental e emocional, segundo Silva (1996), Melo (1989). apud Ribeiro e Shimizu (2007). Haag e Lopes (2001) destacam que o empregador muitas vezes está distante dos problemas que afetam os empregados.

Portanto, é fácil perceber que a maioria da equipe de enfermagem é composta por mulheres, dadas as diferenças fisiológicas e emocionais, bem como a necessidade de conciliar o trabalho doméstico com as atividades profissionais (o que é característico de jornadas duplas e até triplas). o motivo do esgotamento físico, mental e emocional relacionado ao desempenho de suas funções, segundo Ribeiro e Rocha (2001) e Leite, Silva e Merighi (2007). Além disso, os vínculos que são construídos com os pacientes e seus familiares, o relacionamento estabelecido, o tempo de internação, a evolução do quadro e a possível identificação dificultam a carga emocional vivenciada pelos profissionais, que pela sua história de vida e características pessoais, muitas vezes não conseguem assimilar e responder bem à situação e podem desenvolver problemas emocionais e/ou psicológicos (ELIAS; NAVARRO, 2006). O facto de muitas vezes não terem oportunidade de expressar os seus sentimentos de perda e desconforto, ou de partilhar a sua insatisfação ou factos sobre a sua vida privada, é também um factor stressante que pode causar somatização e desequilíbrio emocional ou mesmo o desenvolvimento de sistemas de defesa. . por negação ou indiferença ao bem-estar do paciente, o que segundo Pitta (1991) e Beck, Denardin e Gonzáles (2005) nada mais é do que uma tentativa de adaptação à situação.

O uso adequado de materiais e equipamentos e o desenvolvimento de técnicas padronizadas reduzem a chance de algo dar errado, colocando em risco a integridade e a preservação da saúde do enfermeiro e de terceiros, segundo Almeida, Leite e Pagliuca (2005). Além do ambiente, geralmente pouco ventilado, da falta de equipamentos de proteção individual ou da não utilização dos mesmos, há também o facto de os enfermeiros não terem a formação necessária para realizar a limpeza, desinfeção e esterilização ou de terem má aplicação. Precauções padrão. , conforme afirmam Ribeiro e Shimizu (2007). Mesmo utilizando equipamentos de proteção individual, os enfermeiros relatam tontura, falta de ar, coceira, urticária, reações alérgicas e irritação da mucosa nasal ao manusear ou inalar determinadas substâncias rotineiramente utilizadas em hospitais, segundo Ribeiro e Shimizu (2007).

Observa-se em algumas unidades de saúde que a ausência de EPI, ou a sua inadequação, muitas vezes obriga o trabalhador a improvisar ou improvisar. Outra realidade muitas vezes ocorre quando há EPIs suficientes, mas o profissional não os utiliza, seja por falta de hábito, por achar que dificulta a execução das tarefas, simplesmente por descuido, ou por falta de conhecimento. e consciência da importância de utilizá-lo (SIMÕES, 2003).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da compreensão de que os trabalhadores vivem, adoecem e morrem em decorrência dos desgastes decorrentes de sua inserção nas formas de produção e da compreensão de como ocorre esse processo saúde/doença e seus determinantes complexos e subjetivos, torna-se necessário intervir uma transdisciplinar por meio de novas abordagens e metodologias considerando o trabalhador como sujeito ativo e participante desse processo. O desafio da enfermagem consiste em reorientar sua prática profissional na perspectiva da transformação do processo de trabalho, para diminuir o impacto da divisão social e de sua organização que interfere no esgotamento físico e psicológico do trabalhador, exigindo respeito ao seu direito à vida. e funcionou. em condições económicas e sociais dignas. Nesse sentido, os profissionais de saúde devem priorizar essa discussão em todos os âmbitos: nas instituições de ensino, buscando incluí-la nos currículos dos diferentes níveis de formação dos trabalhadores de enfermagem, nos serviços de saúde e participando de movimentos sociais para construção de políticas públicas.

Contudo, este estudo permitiu compreender e refletir sobre a realidade dos riscos ocupacionais a que estão expostos os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, o que contribuiu para a ampliação desta discussão e refletiu em ações realmente voltadas à busca de condições de trabalho para esta categoria, visando melhor qualidade de vida aos seus profissionais.

EU.; A relação entre trabalho, saúde e condições de vida: negatividade e positividade no trabalho do profissional enfermeiro de um hospital universitário. Riscos de contaminação por acidentes de trabalho com materiais perfurocortantes entre trabalhadores de enfermagem. Estudo sobre acidentes de trabalho envolvendo trabalhadores de enfermagem em um hospital universitário.

Condições de trabalho como desencadeantes do uso de substâncias psicoativas por enfermeiros. Os enfermeiros apontam as condições de trabalho inadequadas como responsáveis ​​pela deterioração da qualidade dos cuidados de enfermagem. Produção científica sobre acidentes de trabalho com objetos perfurocortantes entre trabalhadores de enfermagem.

Acidentes e doenças ocupacionais: investigação do conhecimento dos trabalhadores hospitalares sobre os riscos à saúde no trabalho. Acidentes de trabalho e riscos ocupacionais no cotidiano dos trabalhadores hospitalares: um desafio para a saúde do trabalhador. Acidentes de trabalho e situações de risco para equipes assistenciais: um estudo em cinco hospitais da cidade de São Paulo.

Referências

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