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A escola como espaço praticado

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Academic year: 2023

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Trata-se, portanto, de um ir e vir incessante, como nos diz Larrosa, nas múltiplas redes de significados que corporifico (Najmanovich, 2001) e nas redes de relações encontradas nos usos dos espaços escolares pelos seus praticantes. O estudo dos usos dos espaços escolares não é diferente, pois tais usos refletem uma organização social, portanto cultural, e é uma possibilidade de dar voz às táticas (Certeau, 1994) de seus praticantes, que as múltiplas possibilidades de organização de espaços mostram. e as relações nele estabelecidas. O espaço escolar revela um cotidiano bastante complexo em suas tramas, pois inclui diversos espaços-tempos2 além das escolas, como as trajetórias, movimentos realizados pelos praticantes dos espaços em diferentes momentos.

Pensar a forma como os espaços escolares são utilizados e as relações que emergem reveladas nesses espaços, dada a complexidade com que as redes tecidas se entrelaçam, só é possível se invertermos o que aprendemos: em vez de dividir, de analisar, isso será I multiplicar – teorias, conceitos, factos, fontes, métodos, etc. O espaço e o tempo, aqui considerados como as categorias básicas da ciência moderna, são de facto alterados à medida que as sociedades se redimensionam. Focar o estudo da escola no cotidiano pode ajudar a pensá-la como um espaço onde as manifestações surgem de forma autóctone e são avaliadas positivamente como manifestações de subordinados.

Percebendo que as soluções para os problemas educacionais que enfrentamos não estão apenas nas principais resoluções políticas, mas também na micropolítica, nas alternativas cotidianas, nas táticas dos praticantes (Certeau, 1994) do espaço escolar, fiz minha preocupação. compreender os usos que fazemos dos espaços escolares das minhas instalações de estudo. Todos lerão as imagens da mesma forma para que haja um entendimento compartilhado de que as hipóteses foram confirmadas.

Herdy está localizada em uma localização "privilegiada" do bairro, próximo a uma de suas principais ruas, mas seus alunos vêm de toda Duque de Caxias, principalmente da Vila Operária, comunidade pobre localizada próxima à escola. Por pertencer a um “zoom geográfico”, depois do município e do bairro, a localização do estabelecimento escolar: fica numa esquina e ao redor da escola, a. Voltemos à entrada do pátio interno; Para fechar o círculo, em frente, vemos, da esquerda para a direita (ou da cozinha para o escritório): a entrada para um pequeno corredor que esconde outras dependências da escola - que neste passeio virtual já lá chegámos; Portas em ferro para as casas de banho e escadas, bem fechadas com portão que permite o acesso às salas de aula do 2º e 3º piso.

Na parede oposta fica o auditório e a biblioteca e fechando o corredor, uma sala onde fica a rádio escolar. Dentro da Secretaria fica a porta da diretora, sempre fechada para que o clima funcione melhor, toda pintada, móveis novos e o único computador da escola. A ideia da Feira é reunir trabalhos de todas as turmas da escola nos/dos três turnos para estimular a circulação de alunos ao longo do dia e também realizar trabalhos que incluam mais de uma disciplina, um esforço transdisciplinar na compreensão que os alunos percebam o conteúdo das diferentes disciplinas sem a familiar fragmentação nas salas de aula e com os professores trabalhando em grupo.

Depois os alunos, neste espaço-tempo da Feira, descobrem as aquisições que fazem todos os dias nos/dos espaços físicos da escola, escondidas nos tempos letivos que ganham destaque neste espaço-tempo autorizado. Os alunos estão mostrando que a estética da escola não está de acordo com seus desejos e necessidades como pessoas e que pode estar? Os alunos trabalham com os professores em busca de um ideal: que os projetos dêem certo.

Neste espaço da Feira, nos dois dias designados para ela, observa-se que os espaços físicos da escola são apropriados e transformados em “outros espaços” por salas de aula, auditórios, corredores, quadras esportivas. Talvez devêssemos aprender a apresentar-nos na sala de aula com um rosto humano, isto é, vivo e expressivo, sem autoridade endurecida. Talvez devêssemos aprender a pronunciar em sala de aula uma palavra humana, ou seja, incerta e gaguejante, que realmente não se solidifica.

Espaços escolares praticados 2: o Ciep Curvelina Dias Curvello

Talvez precisemos redescobrir o segredo de uma relação pedagógica humana, ou seja, uma relação vulnerável e atenta, que não envolva apropriação. É o encontro de dois espaços-tempos distintos: o da cidade grande, que tem sido muito violento ultimamente, cujos movimentos são dificultados, onde os habitantes têm que viver rapidamente e assim acelerar a criação de táticas de sobrevivência, e o da cidade pequena , que ainda desconhece essa velocidade e acha graça, cujas táticas estão relacionadas a outras formas de sobrevivência que não as encontradas em Duque de Caxias19 ou no Rio de Janeiro. Gostaria de lembrar a quem conhece o Cieps, ou a quem não conhece, que o piso é muito escorregadio, tornando a rampa um “prato cheio” para quedas.

O relógio na escola é portanto um símbolo cultural e um mecanismo de controlo social da duração (Escola que regula e marca os horários de entrada e saída de todos, início e fim das aulas, momentos de descanso (que não existem)” no turno da noite ) e as horas durante as quais você pode comer (ou seja, também para controlar a fome), geralmente por meio de um “sinal” sonoro. Mesmo no espaço adequado ao tempo determinado pelo relógio, surgem em ocasiões táticas, que não se repetem da mesma forma e não são previsíveis. O fato de a arquitetura escolar (definida por G. Mesmin) mesmo como poder ser considerada "uma forma silenciosa de ensino", como nos conta Escolano, está presente na arquitetura do Cieps, com suas meias paredes, por exemplo, que criam novas formas de controle, de ensino tácito: quem passa lá fora e quem ocupa salas, acompanha o que acontece em um deles; não existem barreiras que impeçam ou mitiguem a circulação dos sons, o que não significa que assim seja, 262 revela tácticas no uso que os seus praticantes fazem da sua arquitectura.

Em campo percebo alguns movimentos: alunos na aula de educação física, portanto com a presença do professor; e, quando a pista está aberta, os alunos que não frequentam as aulas de EF (portanto, “mataram aula” ou saíram mais cedo) que, com outros não alunos, jogam futebol e as crianças do entorno do Ciep que brincam no quarteirão e andam de bicicleta . O mesmo se pode dizer da história e da geografia, que não podem ser separadas porque têm o direito exclusivo de reflectir respectivamente sobre o tempo e o espaço, mas podem resolver um problema por si próprias e com os seus próprios meios, à semelhança do que também se aplica ao Outro. Isto não significa que produzimos ciência: o conhecimento escolar constitui o seu próprio exemplo de conhecimento.

Criar a Oficina de Moda para o currículo escolar também cria outra finalidade, que não é apenas ensinar conhecimento científico. Durante o desfile foi possível ver alunos de diversas idades, que não são considerados “dentro dos padrões de beleza da sociedade”, desfilando e exibindo suas roupas, felizes por estarem ali, aplaudidos por professores, pessoas da comunidade do entorno do Ciep, equipe gestora , funcionários, pessoas da Coordenação, demais alunos e alguns de seus familiares. Assim, como parte da investigação cotidiana do cotidiano, um acontecimento aparentemente insignificante muda o rumo da reportagem, já que não posso mostrar do que estou falando, os leitores apenas deixam a imaginação correr solta.

Para mudar a vida: o adeus necessário

Ao misturar cores, como nos conta Oliveira (2003), ou seja, enredando saberes e práticas de alunos, professores e sociedade, alguns professores do Ciep 262 recriam suas práticas e se apropriam do espaço escolar para realizá-las, trazendo outros espaços-tempos . e enredar tudo isso na rede de saberes que compõe o cotidiano escolar. Tudo que trabalho na escola, ou seja, todo conteúdo, leitura, produção de texto, imagens, confecção de mapas, vejo como uma esperança de atingir objetivos, com resultados nem sempre visíveis. Apaixonado pela profissão (não acreditando que seja um “dom divino”, mas sim uma escolha), por tudo o que ela representa hoje no Brasil, esta pesquisa me deu mais alegria do que escrever sobre ela, o que também aconteceu quando frequentei a Faculdade de Geografia, cujos relatórios eram muito menos agradáveis ​​que o trabalho de campo. Embora este espaço de escrita não seja suficiente para tudo o que foi encontrado, sentido, falado, lembrado, sinto-me reconfortado em lê-lo em Larrosa.

Porque a palavra que você toma não é tomada porque você a conhece, mas porque você a quer, porque você a deseja, porque você a ama. Trabalhar os espaços-tempos da escola significou também reconhecer marcas e seguir em frente, bem como reconhecer as táticas a partir das pistas que o uso desses espaços-tempos revelou. Mas estas aplicações, como disse o poeta, já foram “cantadas em verso e em prosa” por vários autores.

Nos casos em que foram construídos edifícios no âmbito deste programa, a utilização tradicional dos espaços construídos continuou ou, como resultado de repetidas reclamações sobre a falta de funcionalidade do design, os espaços de comunicação ou de abertura foram encerrados. A escola no Brasil é, na minha opinião, um espaço de lutas, nem sempre de negociações, entre professores, alunos, equipes gestoras e também governos, secretarias, coordenadores. Essas certezas foram estabelecidas no trabalho de pesquisa educacional, como uma forma de a priori que abrange, no subsolo, todas as etapas do seu desenvolvimento.

Na busca por mim mesmo enquanto faço a pesquisa acabo repensando todos os dias minha prática de ser professora, em todas as minhas turmas e nas turmas de outros professores, nas bolsas que faço para espaços escolares e nas bolsas que outros fazem, nas histórias de vida dos meus alunos e de outros professores, numa mistura do que considero interessante, bom, agradável, positivo e também insignificante, ruim, desagradável e negativo, mas acima de tudo aumentam o respeito que tenho por essas ações, na melhor das hipóteses compreendê-los.

Cotidiano escolar e currículos reais: sobre a complexidade das redes de conhecimento produzidas e articuladas nas salas de aula IN II Seminário Internacional Redes de conhecimento e tecnologia: Imagem e cidadania – UERJ. Ensaios sobre uma metodologia de transição: ou sobre as diferentes formas de sentir e inventar o quotidiano escolar IN OLIVEIRA, Inês B. Sobre o espaço escolar e a escola como lugar: proposições e questões In FRAGO, Antonio Viñao e ESCOLANO, Agustín.

Referências

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São destacados trabalhos relacionados à utilização do Método dos Elementos Finitos na análise plástica de placas e cascas, bem como a utilização do Método dos Elementos