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A EXPERIÊNCIA ÉTICA EM MIGUEL REALE

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Academic year: 2023

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Esta dissertação traz à luz os elementos da filosofia de Miguel Reale que se relacionam com o papel do culturalismo no campo da experiência ética. Esta é uma questão fundamental a estudar, pois a concepção de valores é para Miguel Reale o centro do seu filosofar.

Contexto histórico

Outro aspecto importante foi a revelação da preocupação latente de Miguel Reale com o método filosófico brasileiro. A beleza e outros valores é um livro dedicado à meditação filosófica de Miguel Reale no campo da experiência estética. Sabe-se que Miguel Reale também se dedicou a estudos no campo da política e de questões relacionadas com a teoria do Estado.

Miguel Reale demonstra particular preocupação em compreender questões relacionadas com o conhecimento do que se supõe ser a realidade. Miguel Reale tenta comprovar a importância do ser cognoscente no processo de conhecimento, ou seja, a importância das suas características histórico-culturais que determinam o que ele aprende com o objeto conhecido. A influência da cultura no campo ético é fundamental para a compreensão de todo o estudo que se pretende.

Por isso, é necessária uma apresentação mais detalhada e específica do pensamento de Miguel Reale sobre a teoria dos valores. Em outras palavras, o valor atribuído a algo não provém apenas do próprio agente, mas da sua relação com o mundo. Neste ponto, é importante sublinhar a crítica que Miguel Reale faz a Kant relativamente à sua afirmação sobre a impossibilidade da experiência ética.

Como afirma o autor, quando o valor é colocado no âmbito da cultura, ele está inserido naquilo que é interpretado. Nota-se que Miguel Reale considera o tempo histórico como aquele que tem sentido, ou seja, o tempo influenciado pelo homem.

O autor e sua obra

O que é Ontognoseologia

Então, será necessária a pesquisa do valor como objeto de conhecimento, bem como o estudo do próprio culturalismo. A ontognosesologia cuida das condições primordiais do conhecimento, pois faz parte da teoria do conhecimento como um todo. Quanto à teoria do conhecimento em geral, Reale afirma que ela poderia ser chamada de lógica, o que englobaria a lógica transcendental, que seria a ontogonesologia, e a lógica positiva.

A gnoseologia, segundo o autor, é o estudo das condições de conhecimento associadas ao sujeito cognoscente, o sujeito cognoscente. Já a ontologia é a pesquisa sobre as condições de conhecer algo, ou de ser tão conhecido ou cognoscível, da qual podemos concluir que a ontognoseologia é um campo aberto de pesquisa sobre o fenômeno do conhecimento, que abrange ambas as ordens (conhecer e conhecer). sendo conhecido) (REALE, Miguel, 2002. p. 29). Em outras palavras, a ontognosesologia é ao mesmo tempo uma teoria do conhecimento e uma teoria do ser como objeto de conhecimento (REALE, Miguel, 2002, p. 30).

Como afirmado anteriormente, a ontognosesologia é ao mesmo tempo uma teoria do conhecimento e uma teoria do ser como objeto de conhecimento.

O que é culturalismo

Conclui que o conhecimento é interpretativo, ou seja, tem caráter hermenêutico, pois em tudo o que se conhece existe um fluido, ou seja, algo que pode ser captado pelos sentidos e pelo intelecto. Para o autor, o valor que diz respeito à ética é apenas aquele que contribui para a escolha humana voltada para o bem. Por exemplo, você pode imaginar cinco quadrados, mas não é possível medir o valor atribuído a uma obra de arte.

Exemplo disso é o valor que pode ser atribuído a determinado bem material, por exemplo uma pintura. Para o autor, a formação da consciência avaliativa requer uma série de referências que se acumulam ao longo do tempo para permitir a sua construção. É nesta área que se dá a gênese dos valores com os quais o homem realizará suas ações.

Tudo o que vai ao encontro do nosso espírito torna-se objeto de experiência e, portanto, fenômeno. Pelo que se depreende do trecho acima, o simples ato avaliativo, sem ser resultado de uma escolha, não poderia ser considerado um componente do tempo histórico. Segundo Reale, a cultura, ou a existência de fatos culturais, funciona como meio de identificação, de seleção, entre o que pode ser considerado história e o que seria simplesmente o tempo cronológico.

Para o autor, a formação da consciência avaliativa requer uma série de referências que se acumulam ao longo do tempo e constituem a experiência humana no mundo. Para o autor, a passagem do tempo não pode ser considerada linear em termos de implicações históricas, pois o homem em sua linha evolutiva cria diversas possibilidades, não apenas uma, e o que aconteceu no passado só pode ter valor no presente. , ou mesmo no futuro.

O valor como objeto do conhecimento

Valor e experiência em geral

Dessa forma, a experiência ética torna-se possível, e tal experiência é, como sempre defende Reale, uma experiência de valor que se constrói à medida que o homem percebe e atribui valor ao mundo que o rodeia. No que diz respeito à função gnoseológica dos valores, ao contrário da crença popular, especialmente em certos círculos neopositivistas, toda forma de experiência, seja natural ou ética, pressupõe uma posição axiológica, pela simples razão de que todo fazer, tanto no nível teórico quanto no prático, pressupõe que algo é considerado valioso e, como tal, digno do nosso compromisso cognitivo ou prático. Isso ocorre porque não haveria movimento no sentido de vivenciar uma experiência se não houvesse valor naquilo que se está pensando em fazer.

Essa afirmação tem um nível de intensidade muito importante, pois neste ponto o autor observa que nos conhecemos através dos valores. Se é verdade que toda “explicação” no plano físico-natural pressupõe uma certa “interpretação”, então não é menos certo que a avaliação nesta esfera dos objetos funciona como elemento hermenêutico e heurístico, como externamente, sem se tornar um elemento integrado a razão de ser anunciado, muito menos o define como um ditame ou um senso de conduta. O contrário acontece na tela da “cultura”, onde o ato originário de valor é instrumento de compreensão e é simultaneamente inserido no conteúdo do interpretado.

Por outro lado, é importante notar que houve uma mudança fundamental no conceito de explicação que se aplica na atual filosofia da ciência.

Valor e experiência ética

Todo esse emaranhado de significados funciona também no campo ético, como fundamento, também nas próprias ciências humanas. Para o autor, a experiência ética, que podemos chamar de experiência, deve ser colocada no campo da prática, ou seja, dentro do processo histórico. Essa premissa conduz a discussão para um tema de suma importância, a saber, a experiência ética e seu alcance individual e coletivo.

Em primeiro lugar, temos a confirmação do que defendeu anteriormente, nomeadamente que a ética não pode ser analisada numa área puramente formal, porque quando se fala em valor deve necessariamente elevá-lo à esfera da prática, e portanto valor em si. sem ser traduzido em ação ou inação, nada pode representar. Segundo o autor, a ética se encontra no campo material justamente por causa dos valores, fenômeno que ele chama de “ética material dos valores” (REALE, 1977, p. 191). O facto de Miguel Reale compreender que tal premissa “foi incorporada na consciência cultural do nosso tempo” (REALE, 1977, p. 191) implica que a ética material, ou seja, uma ética que tem em conta os valores da um ponto. do ponto de vista material, é considerado por ele como um componente cultural já estabelecido.

Reale chama esse fenômeno de “ética da situação”, que leva em conta as circunstâncias encontradas, mas não se sobrepõe ao indivíduo, ou seja, a comunidade é um dos fatores fundamentais da experiência ética apoiada em valores, mas estes, o valores, são típicos do assunto.

Pessoa e Intersubjetividade

Também desta vez o autor dá especial atenção e importância à componente “valor”, pois segundo ele o valor é um pré-requisito para a conduta ética e, além disso, é através da análise dos valores que “todas as formas de experiência" pode ser compreendida. cultural” mencionado na citação acima. Dada a existência de valores no contexto das correlações humanas, ou seja, no campo da intersubjetividade ética, a sua materialização só seria possível com a possibilidade de escolhas livres. As escolhas do homem e as ações que as acompanham permitem concretizar a axiologia e levá-la do campo da abstração ao campo da cultura e da história.

O que escolhemos e queremos, escolhemos e queremos concretamente, não abstratamente: sem o momento da ação, o ser humano seria como uma obra de arte em forma de esboço. Embora deva ser considerado parte integrante das relações éticas que se formam na sociedade, este, o valor da pessoa, é para Reale o objetivo último de toda a cadeia cultural. De facto, neste sentido, a revisão do marxismo desenvolve-se também através das obras de escritores que se libertam dos estereótipos desta ideologia, como o exemplo dramático de Adam Schaff, que rejeita posições dogmáticas e naturalistas para se libertarem da peso das totalidades heterônomas e suprimir o valor do indivíduo e da pessoa humana considerada em sua autonomia e vista como o bem maior, o objetivo último da atividade social.

É importante ressaltar que todo esse processo se dá num contexto histórico/cultural, ou seja, são as ações concretas dos homens éticos, vivendo em sociedade, que são capazes de transformar a realidade.

Historicismo axiológico

O tempo histórico caracteriza-se pelo seu conteúdo axiológico e, mais objetivamente, pelo seu significado, ou seja, é traduzido em signos de dominância do sentido. Para o autor, a influência do homem sobre o tempo se dá por meio de ações avaliativas, ou seja, pelo conteúdo axiológico dos fatos considerados históricos. Ou seja, as pessoas se expressaram de uma determinada forma, por causa do seu tempo e das experiências que viveram.

O autor discute a influência do valor (axiologia) já na sua origem, ou seja, já no processo de conhecimento. Ou seja, é um objeto abstrato, mas depende de algo concreto anterior a ele para poder existir. A experiência ética, para ser chamada de experiência, deve ser colocada no campo da prática, ou seja, dentro do processo histórico.

Para o autor, a influência do homem sobre o tempo se dá por meio de ações avaliativas, ou seja, pelo conteúdo axiológico dos fatos considerados históricos.

Referências

Documentos relacionados

À vista disso, a metodologia utilizada para a presente pesquisa foi a empírica, tendo em vista que buscou-se compreender o contexto e o fenômeno, qual seja, investigar a realidade