• Nenhum resultado encontrado

A Proposta de Emenda Constitucional

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "A Proposta de Emenda Constitucional"

Copied!
63
0
0

Texto

Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 99/2011: Análise no contexto da discussão da laicidade estatal no direito brasileiro. M838p Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 99/2011 : análise no contexto da discussão da laicidade estatal no direito brasileiro / Bruno Souto Moreira.

Uma breve História da relação Estado-Religião

Assim, o processo de separação entre Estado e religião foi fundamental para o surgimento e desenvolvimento do Estado Moderno. Na América Latina, a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), da qual o Brasil é Estado aderente, também trata da liberdade de consciência e crença, à luz do princípio da laicidade.

A trajetória da laicidade no Brasil

Embora os ideais iluministas estivessem em voga nesse período, e apresentassem a liberdade de crença como um dos valores fundamentais dessa ideologia, o Império brasileiro assumiu uma postura claramente confessional e adotou a religião católica como religião oficial. Assim, a liberdade de escolha da fé foi finalmente institucionalizada, mas sua manifestação externa, por meio de cerimônias, rituais e objetos relacionados à fé, permaneceu limitada. A liberdade religiosa tem como característica fundamental a liberdade de escolha do indivíduo em relação à sua religião.

5º Os cemitérios serão de natureza laica e serão administrados pela autarquia municipal, ficando todos os cultos religiosos livres para a prática dos respectivos ritos em relação aos seus fiéis, desde que não violem a moral pública e as leis. A secularização promovida pela nascente república fez com que aqueles que não professavam a religião católica passassem a ser reconhecidos como cidadãos. Primeiro, o registro de nascimento passou a ser feito pelo Estado, e quem não professava a fé católica não era mais privado de ter a cidadania brasileira assegurada.

A Constituição Federal de 1988

De referir ainda que esta liberdade permite mesmo a quem não tem filiação religiosa exercer os seus direitos, devendo o Estado respeitar esta escolha. Sarmento (2008, p. 192) enfatiza que a adesão ao princípio da laicidade, em uma sociedade pluralista como a brasileira, é um meio capaz de assegurar tratamento igualitário e digno a pessoas de diferentes religiões, que acreditam de qualquer maneira. . Dessa forma, o Estado deve abster-se de favorecer qualquer posição religiosa, pois tal atitude representaria o descontentamento daqueles que não compartilham da mesma religião.

Ressalta-se, ainda, que aplicar o princípio da laicidade no ordenamento jurídico brasileiro não é o mesmo que agir de forma hostil à religião. A laicidade não significa a adoção pelo Estado de uma perspectiva ateísta ou refratária à expressão individual da religião. Hoje, o laicismo garante não apenas que as religiões possam ser declaradas de forma autônoma, sem os ditames do governante em exercício, mas também criou condições para que grupos historicamente distantes do poder tenham a oportunidade de se expressar e lutar pelo reconhecimento de seus direitos...

A Proposta de Emenda Constitucional 99/2011

Primeiramente, será feita uma descrição da Proposta de Emenda Constitucional 99/2011 e, em seguida, um comentário sobre a verificação de constitucionalidade. Com esse paradigma, considerando que os agentes do Estado, no exercício de suas funções públicas, muitas vezes decidem legislar ou normatizar sobre questões que direta ou indiretamente interferem no sistema de liberdade religiosa ou de culto consagrado na Constituição, é necessário garantir todos associações religiosas de caráter nacional o direito subjetivo de instaurar ações de controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos, em proteção racional e tolerante dos direitos primários que são conferidos a todos os cidadãos de forma inequívoca e coletiva aos membros de um segmento de certos religiosos respeitando o caráter nacional de sua estrutura (grifo nosso). Ao tramitar a PEC 99/2011 na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), relator do parecer, considerou suficientes os fundamentos do KZP acima, votando pela admissibilidade da ele, enfatizando a contribuição que as associações religiosas podem dar ao ordenamento jurídico.

Acrescentou ainda que (BRASIL, 2012) “existem temas e questões que só os líderes religiosos podem focar, dada a sua sensibilidade para certas questões que basicamente informam a prática da advocacia entre nós”. Hoje, a PEC aguarda apenas a aprovação do plenário e, se aprovada, as associações religiosas poderão exercer controle sobre o processo legislativo no Brasil, como será demonstrado a seguir.

O Controle de Constitucionalidade

Em caso de violação desse marco, o controle de constitucionalidade atua para restabelecer a ordem, analisando a compatibilidade entre uma norma e a Constituição. Por ora, a legitimidade para o exercício do controle constitucional na via concentrada pertencia apenas ao Procurador-Geral da República desde a Constituição de 1946. 2004) I - o Presidente da República;.

A participação do amicus curiae no escrutínio concentrado de constitucionalidade deve ser a mais ampla possível porque, juntamente com as audiências públicas, foi um instrumento de democratização e maior legitimação da atuação do Supremo Tribunal Federal”. A diferença reside no fato de se tratar da declaração de constitucionalidade da lei ou ato normativo. Dessa forma, a capacidade de exercer o controle de constitucionalidade, conforme previsto, confere relevante poder aos seus legítimos partidários.

A Frente Parlamentar Evangélica e o fundamentalismo religioso numa sociedade

Naquela época, após anos de governo extraordinário, a participação da sociedade civil na elaboração do novo documento constitucional envolveu um grande número de atores sociais. Montero, Sales e Teixeira (2017, p. 433) acrescentam que esse discurso pretendia direcionar a figura dos “evangélicos” para que a religião fosse construída ao lado de uma postura civil. O argumento tradicional que utilizam, de que foram eleitos democraticamente e representantes de valores majoritários na sociedade, não confere legitimidade para mudar a constituição de acordo com sua visão de mundo, pois seria apenas uma busca de homogeneização. empresas de acordo com

O problema reside na segunda, pois a tentativa de impor ao resto da sociedade que não partilha dos mesmos princípios e valores revela uma violação dos direitos dos outros e uma violação da laicidade do Estado. Costa (2008, p. 113) também aponta que esse processo não está isento de críticas, principalmente aquelas que apontam para uma decadência moral da sociedade. Portanto, o fenômeno da secularização e o cenário de perda de valores e decadência moral na sociedade é o pano de fundo que nutre o discurso na bancada evangélica.

O Liberalismo Igualitário e a Teoria da Justiça de John Rawls

O objetivo é a construção de uma estrutura básica na qual os princípios de justiça social devem ser aplicados. Portanto, o objetivo do consenso sobreposto é a busca da unidade social nas sociedades complexas e plurais em que vivemos, com base no conceito político de justiça. Dado o pluralismo razoável da cultura democrática, o objetivo do liberalismo político é descobrir em que condições é possível ter um fundamento de justificação pública razoável em relação a questões políticas fundamentais (..) Desde.

Assim, no contexto de uma sociedade complexa e pluralista (o supracitado pluralismo razoável), em que diferentes atores têm interesses distintos – as chamadas doutrinas compreensivas – a razão pública é o meio pelo qual os cidadãos podem chegar a um entendimento comum, uma ferramenta característica de uma democracia constitucional. No estado democrático em que vivemos, a resolução dos litígios deve sobretudo preservar a liberdade e a igualdade dos demais e não visar a supressão de direitos e a discriminação. Sem dúvida, trata-se de uma hipótese, mas diante do atual cenário em que o STF já atua em decorrência das circunstâncias, há sim a possibilidade de colocar em risco a laicidade do Estado e cassar os direitos das minorias.

O Aborto

Ali, a Bancada Evangélica se destaca com iniciativas que tentam dificultar ao máximo a discussão e a solução dos problemas relacionados à prática do aborto. O PL 6.055/2013 visa extinguir o atendimento às pessoas vítimas de violência sexual, sua justificativa expressa o temor de que esse atendimento leve à futura legalização do aborto no Brasil, o que seria um absurdo, visto que no último parágrafo do art. A justificativa para esse projeto afirma que "a vontade majoritária do povo brasileiro é contra o aborto. Confira como ocorreu a incoerência dos argumentos ao continuar analisando o próprio julgamento da ADPF 54, que permitiu a prática do aborto em casos de anencefalia, onde a ação da Igreja Católica se baseava no discurso científico.

Isso prova que toda a sociedade deve se submeter à visão religiosa de um determinado nicho. Com efeito, a possibilidade de suprimir as já limitadas situações em que o aborto é permitido revelaria um retrocesso legal, uma tentativa de encobrir o problema como se milagrosamente fizesse desaparecer o problema do aborto e acabar com os problemas, ignorando o fato de que as mulheres continuar procurou maneiras de realizar um aborto, mesmo em condições incertas. Dado que os representantes políticos vêm ou são apoiados por essas associações religiosas, não há dúvida de que há poucas chances de um aborto ser realizado.

O Casamento Homoafetivo

O problema está no fato de os parlamentares da Bancada Evangélica utilizarem argumentos religiosos com forte conotação fundamentalista, tornando-a incapaz de prosperar na esfera pública. Após a decisão do STF que permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a Bancada Evangélica respondeu com o PL, também conhecido como Estatuto da Família, que propõe definir que a família seja composta por um homem e uma mulher. Uma das justificativas para a oposição dos parlamentares religiosos ao reconhecimento do casamento homoafetivo é que ele é, em princípio, incapaz de cumprir a função reprodutiva, que é um dos fundamentos do casamento do ponto de vista religioso.

Além disso, há outro aspecto do casamento que também dificulta o reconhecimento das relações entre pessoas do mesmo sexo: o dogma de que o sexo no casamento é puramente para fins reprodutivos, não para o prazer. Chega a ser absurdo que, se não houver mais razão para a reprodução, a vida sexual do casal deva acabar. Isso porque a relação homossexual, por não ter a capacidade de procriar, fica escancarada a busca pelo prazer, o que parece totalmente inaceitável.

Ensino Religioso nas Escolas Públicas

Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil (16 de julho de 1934) Disponível em . Constituição da República Federativa do Brasil (5 de outubro de 1988) Disponível em . Parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania apresentado em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=8F57929FB92DE15F 47C93F3165CAFD15.proposicoesWebExterno1?codteormitation.

Disponível em: . Interamericana especializada em direitos humanos. lt;https://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/c.convencao_americana.htm> Extraído de:. Disponível em: .

Referências

Documentos relacionados