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10.33872/acompulsao2019 - Editora Universitária EduFatecie

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Compulsão à Repetição e Repetições de Sísifo: Reflexões a partir da Teoria Psicanalítica / Ana Flávia Cícero Conde. É a utilização do mito de Sísifo, emprestado da mitologia grega, como modelo que possibilitou fazer conexões com o que foi pesquisado, discutido e aprofundado sobre o saber psicanalítico da compulsão à repetição. Nesse ponto, são apresentadas as correlações entre o que foi apresentado ao longo do trabalho, discutindo os aspectos relevantes da compulsão à repetição e suas facetas no mito de Sísifo.

Entendemos esse tipo de repetição como algo excitante, que se torna ainda mais curioso e peculiar quando ocorre de forma compulsiva e descontrolada que caracteriza o que Freud chamou de compulsão à repetição. Portanto, podemos dizer que este livro tem como ponto de partida a promoção de um encontro entre a mitologia grega e a psicanálise, no âmbito teórico, com o objetivo de promover contribuições e esclarecimentos sobre o conceito de compulsão à repetição e, assim, sobre o psiquismo. caprichos humanos. Com base nessas considerações, nosso objetivo principal nesta pesquisa foi examinar o conceito de compulsão à repetição na obra de Freud, correlacionando-o com o mito grego de Sísifo, a fim de trazer esclarecimentos para a complexidade do conceito.

Assim definimos os objetivos específicos da pesquisa: a) examinar a compulsão à repetição na obra de Freud e em comentadores que contribuíram para a discussão do conceito; b) realizar um estudo do mito de Sísifo, tanto ao nível dos relatos míticos sobre o mesmo, como ao nível da literatura científica que a ele se refere.

Surgimento, expansão e consolidação: o percurso

Por isso, cita seu próximo texto, à época concluído mas ainda inédito, Além do Princípio do Prazer (FREUD, 1920/2010e), pois nele o autor falava com mais clareza sobre a compulsão à repetição. É neste contexto que a obrigação de repetição é introduzida no texto, mas agora, como um conceito metapsicológico. Isso levou à conclusão de que a compulsão à repetição pode, em alguns casos, ocorrer sob o controle do princípio do prazer, ou seja, sem contrariá-lo.

Assim, até este ponto da obra de Freud, temos uma conceituação da compulsão à repetição que a relaciona ao recalcado, mas também informa que ela pode aparecer respeitando ou não o princípio do prazer. Portanto, o estudo da compulsão à repetição permitiu compreender que a direção tem uma tendência conservadora. A organicidade da compulsão à repetição pode ser compreendida quando consideramos sua proximidade com os discos, que têm origem somática.

Como pudemos perceber, o texto Além do Princípio do Prazer (FREUD, 1920/2010e) é de grande importância para o estudo do conceito de compulsão à repetição. Assim, neste texto o autor nos conta que de uma identificação pode surgir uma compulsão à repetição. Outro fator importante é que a compulsão à repetição não tem um propósito, como o lúdico pode sugerir.

Publicações pós-freudianas sobre a compulsão

Isso se justifica porque alguns autores a explicam de forma mais uniforme, entendendo que suas manifestações são atribuídas à ação exclusiva da pulsão de morte; Esse primeiro grupo de autores atribui a compulsão à repetição ao ato único da pulsão de morte, mesmo nos casos em que envolve prazer. Sua relação com a pulsão de morte se daria pela destrutividade e pela busca de gratificação direta que ela representa.

Da mesma forma, Santos (2002) concorda que a discussão sobre a compulsão à repetição cooperou com a postulação da pulsão de morte, mas também afirma que colaborou com a teorização da pulsão de vida. Assim, este escritor também olha para a pulsão de vida, mas encontra maior proximidade com a compulsão à repetição na pulsão de morte. Continuando a expor os autores que formularam seu entendimento sobre a compulsão à repetição baseada na pulsão de morte, temos Joseph (1992), que limita sua análise àquelas compulsões à repetição em que o sujeito parece passivo diante de seus resultados.

Essa leitura, assim como a dos demais autores apresentados nesta seção, baseia-se principalmente, como se vê, no que foi afirmado por Freud (1920/2010e) para justificar a estreita ligação que acreditam entre pulsão de morte e compulsão de repetição . Porém, não atentam para tudo o que foi apresentado nesse mesmo texto, como a discussão sobre a pulsão de vida. Pelo que foi apresentado pelos autores discutidos nesta seção, podemos entender que uma ação isolada da ânsia de morte seria possível.

A compulsão à repetição, a partir de sua íntima relação com a pulsão de morte, representaria e provocaria todas essas doenças, independentemente de sua possível proximidade com a pulsão de vida. Paim Filho (2010) e Pereira e Migliavacca (2015) desenvolvem ainda mais essa possibilidade de ter diferentes manifestações da compulsão à repetição ao definir como ela se expressa quando está relacionada à pulsão de vida ou à pulsão de morte. Por outro lado, quando seu objetivo é promover a conexão, ela está mais unida ao impulso da vida.

Este último tipo de compulsão à repetição deixa claro que a pulsão de morte não se manifesta ou claramente, deve ser transmitida com a libido, ou seja, ela se disfarça de libido, para assim ficar presa. . Vimos neste capítulo que um grupo de escritores enfatiza a conexão entre a compulsão à repetição e a pulsão de morte.

O mito de Sísifo

Segundo Graves, também é possível que Sísifo tenha esculpido o monograma SS nos cascos do gado, referindo-se ao seu nome. Porém, para Brandão, a única coisa que aconteceu foi a rocha de Sísifo parar de balançar. Apenas Graves afirma que haveria alguns elementos de semelhança entre a punição de Sísifo e o culto ao deus Sol.

A interpretação mais conhecida do mito de Sísifo é a de Albert Camus, escritor e filósofo francês que, inclusive, foi amplamente citado em várias das obras e pesquisas aqui agrupadas. O primeiro autor considera o mito de Sísifo como uma metáfora da vida moderna que oprime o homem e o obriga a estar sempre disposto a empurrar a pedra novamente e a suportar duras provações, assim como ocorre no mito. A segunda autora sugere refletir sobre o mito de Sísifo e sua implicação na psicoterapia.

Dessa forma, as falas dos autores que analisaram o mito de Sísifo indicam algumas de suas possíveis características. Euclides da Cunha (1909, apud GUILLEN, 2007 e SAMPAIO, 2002), discute o abastecimento e o extrativismo no trabalho dos seringueiros na Amazônia, utilizando como metáfora o mito de Sísifo. Silva (2006) aborda o mito de Sísifo para relacioná-lo ao trabalho repetitivo e alienante que seria produzido por esses programas.

Ceccagno (2012) utiliza o mito de Sísifo para ilustrar o senso de absurdo presente no período das guerras mundiais. Na época das guerras mundiais, essas imagens eram o padrão de constante repetição, ligadas à ideia do sentido do absurdo, como encontrado no mito de Sísifo. O mito de Sísifo é trazido a este artigo, com o objetivo de enfatizar que, para refletir sobre este tema, é preciso não compartilhar o mesmo destino, pois este herói, incapaz de atingir seu objetivo, não chega a lugar algum com sua atividade e é limitado a isso.

Ele conta sobre o conto Ela era sua tarde, de Marina Colasanti, no qual o mito de Sísifo é reconstruído, com outros personagens. O autor generaliza a dinâmica presente no mito de Sísifo, interpretando-o como "uma boa ilustração de como se comporta o sujeito que sofre com a repetição de suas escolhas" (p. 2).

Algumas correlações

Pode-se dar como certo que Sísifo cumprirá seu castigo, pois não tem outra saída e nem chance de mudar a realidade em que se encontra pelos seguintes motivos: a) castigo é castigo ou punição; b) correspondem a uma atividade que não permite paradas, nem mesmo pausas. Mas, ao mesmo tempo, as influências do impulso vital estão presentes, garantindo a possibilidade de um outro fim dessa repetição compulsiva, relacionada à conexão e acúmulo do que está disperso. Embora o resultado do movimento induzido pela compulsão à repetição possa estar relacionado a um destino do que foi resolvido no psiquismo, ele inevitavelmente provoca o descontrole do sujeito sobre si mesmo, permitindo algumas comparações com elementos que envolvem a punição sofrida por Sísifo.

O que pode motivar as semelhanças entre os dois é o tratamento que dão à máquina extinta, que se configura como um de seus efeitos colaterais, o que permite uma divisão do que estava sob os cuidados da máquina da morte. A transposição desse simbolismo na dinâmica que encontramos na compulsão à repetição, que é objeto de sua atividade e que, portanto, pode ser comparada ao papel desempenhado pela pedra no mito de Sísifo, é o conteúdo que está sendo obrigatoriamente repetido. . Analisando o que encontramos nesses dois contextos, tanto no caso de Sísifo quanto na compulsão à repetição, o que percebemos é a não modificação, que se expressa em uma eterna continuidade do mesmo.

O destino traçado pela compulsão à repetição pode, portanto, também parecer inexorável, de modo que não deixa aos sujeitos nenhuma chance de experimentar algo diferente e novo, além de impedir a historicização, pois difere da memória. No que diz respeito à compulsão à repetição, as forças exercidas pela dualidade pulsional apresentam tendências opostas, chegando a repetir para sempre ou a caminhar em direção ao vínculo. É somente com a restauração que se torna possível restaurar a ordem das coisas alteradas pelas transgressões do herói, de modo que funcione como se fosse uma reparação.

Se pensarmos no que representa metaforicamente o outro lado do precipício na dinâmica da compulsão à repetição, chegamos ao que liberta o sujeito do sofrimento e da insatisfação da repetição compulsiva de si mesmo, o que se traduz na medida do que é preciso para pará-lo, ou seja, a conexão psíquica de conteúdo não relacionado. Diante disso, podemos argumentar que a analogia entre o mito de Sísifo e a compulsão à repetição é possível no momento em que ela é repetida compulsivamente sem apresentar alteração e sem atingir o outro lado da montanha, ou seja, quando há é não, se você tiver um estado desligado para conversão de estado. Por estas razões, podem ser criadas formas insuficientes e esfarrapadas para suportar o que a vida impõe, porque apesar de insuficientes, permitem continuar a viver minimamente.

O que se torna ainda mais importante se considerarmos a premissa de que há casos em que a conexão psíquica não ocorre, apesar da reintrodução constante de conteúdos desconexos movidos pela compulsão à repetição, levando-nos a pensar em formas de auxiliar e possibilitar a realização. Assim, abrem-se possibilidades para acabar com a paralisia causada pela compulsão à repetição, que condena o sujeito em si. A descoberta em análise de que está ocorrendo uma repetição compulsiva ajuda até mesmo a fortalecer o ego porque, segundo Freud (1940/1996w), reduzir a ignorância do paciente sobre si mesmo permite que o ego domine o que estava fora de seu alcance. o que permitirá que ele atue em conteúdo desconectado.

Dito isto, estabelecemos algumas analogias entre o conceito e o mito, que se basearam, em suma, na abstração de três momentos convergentes.

Referências

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