A percepção de que o Brasil é um país assolado pela corrupção generalizada leva ao sentimento desesperador de que não se pode esperar resultados positivos do Poder Público. Para analisar os problemas brevemente descritos, o trabalho está dividido em quatro capítulos: (i) inicialmente procuramos delinear o escopo da pesquisa e realizar uma análise histórica das normas a partir das quais se dá o chamado controle de honestidade; (ii) em seguida é analisada a falta de coordenação do sistema, fazendo uma análise descritiva da ocorrência dos diferentes padrões; (iii) o terceiro capítulo é dedicado à análise de problemas específicos que ilustram as questões levantadas nos dois capítulos anteriores; (iv) por fim, o último capítulo tem caráter propositivo, que busca elementos de análise econômica e também jurídica para apresentar medidas que possam racionalizar o sistema de controle de justiça.
Escopo da pesquisa
Não se pretende fazer investigações muito abrangentes sobre a diferença entre direito penal e direito de sanções administrativas. Assim, o direito administrativo sancionador se soma ao direito penal na expectativa de que haja redução da impunidade.
Antecedentes à Constituição de 1988
O projeto tem caráter altamente moralizante e decorre inclusive de dispositivo constitucional ainda não regulamentado (artigo 141, parágrafo 31). 15, §3. e 154), além do confisco e confisco de bens obtidos ilicitamente no exercício de cargo, função ou emprego na administração pública direta ou indireta (art. 153, §11).
É verdade que é possível traçar uma história do conceito de moralidade administrativa na doutrina jurídica, até mesmo no direito positivo brasileiro, antes da Constituição Federal de 1988. MELLO, Cláudio Ari. 37, § 4º da Constituição Federal de 1988: “Atos de improbidade administrativa resultarão em suspensão de direitos políticos, perda de serviço público, falta de bens e assim por diante.
Lei de Improbidade Administrativa e controle dos agentes públicos
1.446-C e, após retorno da Câmara dos Deputados, consolidação no Projeto de Lei 1.446-E, aprovado pelo Presidente da República, que estabelece os três tipos de improbabilidade: enriquecimento ilícito (art. 9º), perda para o erário público ( art. 10) e um ataque aos princípios da administração pública (art. 11). 8.429/1992 são a possibilidade expressa de improbidade por negligência (art. 5º) e a possibilidade de aplicação da lei em questão a pessoas que incitam, contribuem ou se beneficiam de ato impróprio (art. 3º).
Lei Anticorrupção e a responsabilização das pessoas jurídicas
A tipificação da corrupção no direito penal brasileiro visa sancionar pessoas físicas, e não servir de base para sanção de pessoas jurídicas. Outro destaque dado pela exposição de motivos do projeto de lei é o fato de já existirem no Brasil medidas para sancionar pessoas jurídicas por atos de corrupção.
Conclusão parcial: um sistema fragmentado
Mais grave, porém, foi o amontoado de normas que se seguiram: a Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União, a Lei de Licitações e a Lei contra a Corrupção tentaram regular questões relacionadas à honestidade, sem alterar ou mesmo discutir adequadamente a Lei da Improbabilidade. , apesar de serem normas criadas no mesmo momento histórico. 93 “Isso nos faz pensar no alcance do dispositivo legal, pois se o Tribunal de Contas da União concluir que um servidor público não agiu de má-fé, nem com dolo, a coexistência desta decisão com eventual sanção administrativa e até mesmo ação judicial são inexplicáveis..
Esferas de responsabilização
A ideia é permitir uma resposta punitiva do Estado, inclusive nos casos que não estão previstos no Código Penal e que. 105 Este é o princípio da culpa no direito penal: “Significa que para que determinado resultado possa ser atribuído ao agente, a sua conduta deve ter sido intencional ou culposa. Embora o direito de punir do Estado possa manifestar-se tanto no âmbito da responsabilidade penal como da responsabilidade administrativa, as sanções de natureza penal, que permitem penas privativas de liberdade, só são possíveis no domínio do direito penal e só podem ser aplicadas por o judiciário, pois seu uso é vedado pelo administrador.
Outra diferença importante entre as esferas penal e administrativa é que, via de regra, o direito penal não se aplica às pessoas jurídicas.
Instâncias de responsabilização
111 Ver posicionamento de José Roberto Pimenta Oliveira: “As pessoas jurídicas respondem conforme o regime sancionatório da Lei de Irregularidade Administrativa (Lei baseada no art. Embora o Ministério Público conheça as formas de provocar a administração a iniciar tal processo, a lei é categórico ao atribuir essa competência à “autoridade máxima de qualquer órgão ou sujeito” (artigo 8º). Porém, não há previsão de improbidade administrativa – o que continua valendo mesmo após as alterações na lei de improbidade.
É verdade que o debate aqui exposto soa estranho quando se constata que a legislação estabeleceu um rol de “condutas anticoncorrenciais” (art. 36, §3º).
Racionalidades sancionatórias diversas
8.429/1992 são extremamente abrangentes, como “obter qualquer espécie de benefício financeiro desnecessário em decorrência do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade” (artigo 9º), “qualquer ação ou omissão, dolosa ou negligente, que provoque a perda de bens, o desvio, o peculato, o desperdício ou a destruição de bens ou bens” (artigo 10.º), “qualquer acção ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade para com as instituições” (artigo 11.º). as pessoas jurídicas estão sujeitas prioritariamente ao regime da Lei Anticorrupção e, caso contrário, sua conduta poderá ser investigada nos termos da Lei da Desigualdade Administrativa. Deve-se dizer ainda que basta que a responsabilidade seja considerada parte de um ou mais dos comportamentos descritos no artigo 5º da referida lei, como o pagamento injusto (artigo 5º, I), que mesmo que não tenha resultado em vantagem injusta, gera conflito de interesses do agente público, conforme determina a Resolução 8/2003 da Comissão de Ética Pública do Vice-Chefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República.
5. na lei anticorrupção, estabelecendo uma sinergia entre os diplomas que não existia na aplicação da lei antiga.
Conclusão parcial: um sistema autoexcludente
Este capítulo visa aprofundar as questões abordadas nos dois capítulos anteriores, ou seja, como o moralismo que historicamente permeou a criação de múltiplas normas e a falta de coordenação derivada desse processo histórico, na prática causam disfunções que resultam em insegurança jurídica. Como será explorado, todas as três disfunções resultam, em maior ou menor grau, do moralismo e da variedade de fontes normativas. O capítulo tem dois objetivos: primeiro, apresentar exemplos concretos dos problemas relatados nos dois capítulos anteriores, servindo como fechamento das premissas necessárias para a proposta que se seguirá no próximo capítulo; mas em segundo lugar, desenvolver discussões sobre os problemas nele relatados, ainda que de forma limitada dada a pequena dimensão do tema no contexto do trabalho, devido à falta de literatura sobre tais problemas.
Cautelaridade no controle da probidade
Assim, estabeleceu-se o entendimento de que a decretação da medida preventiva de inacessibilidade de bens em atos de inverdade administrativa independe da demonstração da decadência de bens pelo acusado (periculum in mora). 148 “O cerne da questão reside na possibilidade legal, ou não, de o juiz federal de revisão impor medida preventiva quanto à indisponibilidade de bens em detrimento de pessoa. Conforme apresentado, são vários os problemas relacionados à declaração da indisponibilidade de bens em improbabilidades administrativas.
Outro problema observado na adoção de uma interpretação expansiva orientada pelo moralismo é a possibilidade de decretação da indisponibilidade de bens privados pelos escritórios de auditoria.
Soluções consensuais que não solucionam
169 Vejamos o exemplo do que aconteceu no contexto da Operação Lava Jato, em que houve uma série de acordos de leniência assinados pelo Ministério Público Federal: “18. 3º que “a avaliação pelo Tribunal das etapas que constituem a celebração de um acordo de leniência [...] será condição necessária para a eficácia dos atos subsequentes”. Essa relação entre acordos de leniência celebrados entre pessoa física e pessoa jurídica lesada no âmbito da lei anticorrupção e a (im)possibilidade de aplicação de sanções pelo Tribunal de Contas da União foi objeto da Autorização nº.
CANDIDATOS QUE ASSINARAM CONTRATO DE EMPRÉSTIMO COM A CONTROLADORA-GERAL DA UNIÃO (CGU), COM A PROCURADORA-GERAL DA UNIÃO (AGU) OU COM O Ministério Público Federal (MPF).
Proibição de contratar com o Poder Público
Quanto ao segundo ponto, vale a pena considerar quais interesses são efetivamente atendidos quando é imposta uma sanção proibindo contratos com poderes públicos. A disposição normativa sobre a proibição de celebração de contratos com poderes públicos encontra-se, conforme mencionado, nas leis de contratação pública: Art. Contudo, é necessário considerar se a proibição da extinção dos poderes públicos de fato preserva o interesse público e se está em consonância com os valores constitucionais.
Especificamente no que diz respeito às empresas, cabe destacar que a Lei Anticorrupção, que visa punir pessoas jurídicas, não previa a sanção de proibição de celebração de contratos com poder público – apesar de isso estar previsto no art.
Conclusão parcial
A manutenção deste tipo de sanção parece não só inviável, mas também indesejável, dados os seus efeitos nefastos para todos os envolvidos, e não apenas para aqueles diretamente ligados às irregularidades. Assim, foram criadas as premissas para a análise propositiva que segue no último capítulo da pesquisa, onde buscamos, com uma abordagem interdisciplinar, propor melhorias ao sistema, com base em evidências científicas e valores constitucionais, partindo, portanto, da moralismo que lidera inovações normativas nesta matéria. A pessoa subornada deve necessariamente atuar como agente de outro indivíduo ou organização, uma vez que o objetivo do suborno é induzi-lo a colocar os seus próprios interesses à frente dos objetivos da organização para a qual trabalha.
O quarto e último capítulo deste estudo é de natureza propositiva e ao final oferece sugestões de mudanças que tenham potencial para resolver os principais problemas aqui identificados.
Premissas para um controle efetivo
210 “Começamos com a definição de corrupção da TI como: “Abuso de um poder confiável para ganho privado”. 216 “A proposta mais comum para controlar a corrupção envolve o uso de incentivos formais, simplesmente pagando um salário fixo muito elevado aos burocratas, com a possibilidade de cometerem atos corruptos. Os bens que podem ser usufruídos por todos os membros do grupo em situações em que quanto maior o grupo melhor são chamados de “bens coletivos abrangentes”.222.
229 “The process of accountability includes three essential stages: (1) supervision/monitoring to identify potential corruption, (2) investigation of suspected corruption, and (3) punishment in cases where there is sufficient evidence that corruption has occurred.
Fundamentos jurídicos da pretensão punitiva
240 “Em nossa opinião, todo o sistema de direito administrativo se baseia nos princípios acima mencionados da supremacia do interesse público sobre o privado e da inacessibilidade do interesse público pela administração. São estes os elementos deste valor binomial que, em nossa opinião, se reflectem respectivamente no que chamamos de “supremacia do bem comum”. 243 “Note-se que não se nega de forma alguma o conceito de interesse público, mas apenas a existência de um princípio de supremacia do interesse público.
O verdadeiro problema teórico não é a aparência, mas o conteúdo daquilo que deve prevalecer.” BINENBOJM, Gustavo, Da Supremacia do Interesse Público ao Dever de Proporcionalidade: Um Novo Paradigma para o Direito Administrativo.
Reinterpretando o sistema de controle da probidade
297 “Por fim, vale ressaltar que a Reforma da Lei da Desigualdade foi resultado de uma série de abusos na sua gestão. Quanto ao impacto da Lei de Inelegibilidade para as pessoas físicas, vale destacar duas alterações na nova legislação. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/354112/retroatividade-da-nova-lei-de-improbidade-administrativa.
É imprescindível que os escritórios de auditoria atuem no sentido de reconhecer atos de improbabilidade administrativa nas omissões contábeis. O MINISTÉRIO PÚBLICO E ENTIDADES JURÍDICAS COM INTERESSE EM PROPOR UMA AÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA; É imprescindível que os escritórios de auditoria atuem no sentido de reconhecer atos de improbabilidade administrativa nas omissões contábeis.