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alessandra de cássia dos santos dutra - BDM

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Academic year: 2023

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Na bacia sedimentar amazônica, na região de Monte Alegre, oeste do estado do Pará, soleiras e diques de diabásio intrudem rochas da megasequência paleozóica da bacia, com destaque para a parte centro-sul da área, onde essas rochas formam o destaque estrutura de cúpula de Monte Alegre. Associadas às rochas básicas da mesma idade que ocorrem em outros continentes ao redor do referido mar, as rochas da região de estudo constituem a Província Magmática Atlântica Central (CAMP). Na bacia amazônica localizada na região de Monte Alegre, oeste do estado do Pará, ocorrem soleiras e diques de doleritos que intrusam as rochas da megasequência paleozóica, com destaque para a região centro-sul, onde essas rochas formam a proeminente cúpula- estrutura de tipo Monte Lykkelig.

These rocks, known as Penatecaua Dolerite, are evidence of an expressive basic magmatism that occurred in the Lower Jurassic associated with the disruption of Pangea and the opening of the Central Atlantic Ocean. Associated with basic rocks of similar age found in other continents in the vicinity of that ocean, the rocks of the study area are within the Central Atlantic Magmatic Province (CAMP). The objectives of this work were the detailed characterization of the petrographic and geochemistry of these rocks.

While the FeOt/MgO ratio as an index of differentiation with respect to TiO2, most of the studied rocks can be correlated with the group of high-Ti tholeiites of the KAMP, which necessitates an even greater number of chemical analyses, for a more precise correlation. Basalts cálcio-alcalinos; B=MORB, CAB, IAT: Morbs, basalts cálcio-alcalinos and toleítos de arco de ilha; D=WPB: Basalts.

APRESENTAÇÃO

LOCALIZAÇÃO E ACESSO

O acesso em uma etapa é feito principalmente por via fluvial, com duração de 72 horas, saindo de Belém até Manaus, via Monte Alegre. A campanha de campo foi realizada em uma área com coordenadas W) e S) que se estende desde a área da estrutura Domica de Monte Alegre, distante cerca de 15 km da cidade de Monte Alegre, em direção ao norte do município, passando por localidades como Açu das Mulatas, Açu Santa Helena, Cumaru e também no sopé da Serra do Itauajari. Os afloramentos na área de estudo são acessíveis principalmente por via rodoviária, pelas rodovias PA-254, 255 e 423 e também por estradas adjacentes.

01 - Mapa de localização da área de estudo destacando as principais localidades do oeste do Pará.

Fig. 01 - Mapa de localização da área de estudo, com destaque para as principais  localidades do oeste do estado do Pará
Fig. 01 - Mapa de localização da área de estudo, com destaque para as principais localidades do oeste do estado do Pará

OBJETIVO

ATIVIDADES E METODOLOGIA DE TRABALHO

A unidade basal do grupo, a Formação Autás Mirim, originalmente descrita por Caputo (op. cit.), é constituída por arenitos e folhelhos intercalados de ambiente nerítico, com rico conteúdo de fósseis de quitinozoários do período Neo-Ordoviciano (GRAHN, 2005). A Formação Pitinga (CAPUTO; RODRIGUES; VASCONCELOS, 1972) ocorre nas margens norte e sul da Bacia Amazônica e consiste em folhelhos marinhos e diamictitos silúricos (GRAHN, op. cit.). Por fim, a unidade superior do grupo, a Formação Jatapú (CAPUTO; RODRIGUES; VASCONCELOS, 1971), é constituída por arenitos e siltitos marinhos Pálicos e Devonianos (GRAHN, op. cit.).

Finalmente, o Membro Urariá consiste em xistos e lamitos cinza escuro a claro de um ambiente marinho regressivo da era Neofameniana (MELO; LOBOZIAK, op.cit.). No topo do grupo, a Formação Oriximiná (CAPUTO, op. cit.) é constituída por arenitos micáceos, localmente intercalados com siltitos, além de folhelhos e diamictitos. A Formação Itaituba (CAPUTO, op. cit.) consiste em folhelhos, carbonatos compactos e fossilíferos e anidritas nodulares de um ambiente lagunar/marinho raso de idade Neo-Bashkir-Moscou (LEMOS, 1990; PLAYFORD; DINO, 2000).

A Formação Solimões, por sua vez, é composta por pelitos provenientes de ambientes fluviais e lacustres de baixa energia, datados do Mioceno-Plioceno (EIRAS et al., op.cit.). A abertura daquele oceano foi precedida pela geração de riftes, como o Marajó e o Tacutu, separados da bacia amazônica pelo arco Gurupá (CUNHA, op.cit.).

Fig.  02  -  Carta  Estratigráfica  da  Bacia  do  Amazonas.  ACA  –  Formação  Acari;  PRO  –  F
Fig. 02 - Carta Estratigráfica da Bacia do Amazonas. ACA – Formação Acari; PRO – F

GEOLOGIA DA REGIÃO DE MONTE ALEGRE

As rochas foram assim classificadas como diabásios, de acordo com a metodologia de Streckeisen (1976), que se correlaciona com as rochas máficas intrusivas denominadas Diabásio Penatecaua descritas por Issler et al., (1974) na região de Monte Alegre. 07 – Diques de diabásio com esfoliação esférica, bastante alterados em contato com as rochas carbonáticas da Formação Itaituba.

Fig.  05-B  –  Detalhe  do  contato  intrusivo  de  soleira  de  diabásio  com  arenitos da Formação Curiri
Fig. 05-B – Detalhe do contato intrusivo de soleira de diabásio com arenitos da Formação Curiri

ASPECTOS PETROGRÁFICOS

Seu ângulo de extinção é de aprox. 30°, sua birrefringência média (δ) varia entre, enquanto seu ângulo de 2V é de aprox. 40° e seu sinal óptico positivo. Os minerais opacos, por outro lado, ocorrem como cristais granulares desiguais, subédricos a anédricos e podem atingir até 3 mm. Os cristais de magnetita comumente apresentam lamelas de exsolução de ilmenita (Fig. 15) e às vezes são intercrescidos (Fig. 16).

O arranjo textural dominante é ofítico, variando a subfítico, e, como acontece com o diabásio, características de intercrescimentos granofíricos ocorrem localmente (Fig. 17). Os cristais de plagioclásio são do tipo labradorita (também confirmado pelas minhas análises), raramente andesina (An52-54), ocorrem como cristais irregulares, subédricos, com cerca de 2 a 4 mm no eixo principal. Semelhante aos litotipos anteriores, o clinopiroxênio é do tipo pigeonítico, ocorrendo como cristais irregulares, subédricos a anédricos, medindo cerca de 2 a 3 mm no eixo maior, sem pleocroísmo e moderadamente fraturados.

Seu ângulo de extinção é de aprox. 30°, sua birrefringência média (δ) varia entre seu ângulo 2V é de aprox. 40° e seu sinal óptico positivo. Os minerais opacos ocorrem como cristais equigranulares, subédricos a anédricos e podem atingir até 2 mm, frequentemente associados a piroxênios e olivinas. A olivina (usando mev) foi caracterizada como faialita e ocorre como cristais anédricos equigranulares com cerca de 1 mm em seu eixo maior, sem pleocroísmo e moderadamente a altamente fraturados.

O tecido textural dominante consiste em duas populações de tamanhos minerais diferentes, onde ocorrem fenocristais de minerais plagioclásio maiores (Fig. 19) imersos em uma matriz composta por grãos finos, que define o arranjo pórfiro. Às vezes, o espaço entre os micrólitos do plagioclásio é preenchido com material desvitrificado e de cor escura que define a textura intersetal (Fig. 21). O clinopiroxênio é do tipo pigeonita e ocorre como cristais anédricos irregulares, com cerca de 0,5 mm no eixo maior, sem pleocroísmo, moderadamente fraturados e com geminação simples.

Minerais opacos ocorrem como cristais inequigranulares e anédricos, frequentemente associados a piroxênios na rocha. A olivina, por outro lado, é do tipo faialita, ocorre como cristais anédricos inequigranulares com cerca de 0,5-1 mm em seu eixo maior, sem pleocroísmo e moderadamente a fortemente fraturados. Já os basaltos olivínicos, litotipo menos comum, são de granulação fina, hipocristalinos e porfiríticos, com cerca de 10% de fenocristais e 90% de matriz.

Fig. 13 – Fotomicrografia mostrando o arranjo textural porfirítico em diabásio, com destaque para fenocristais de plagioclásios com mais de 4mm em seu eixo imersos em matriz de trama subofítica a ofítica
Fig. 13 – Fotomicrografia mostrando o arranjo textural porfirítico em diabásio, com destaque para fenocristais de plagioclásios com mais de 4mm em seu eixo imersos em matriz de trama subofítica a ofítica

ASPECTOS GEOQUÍMICOS

A partir dos diagramas de Harker (fig. 27), podem-se observar linhas que mostram uma diminuição no teor de Fe2O3, TiO2 e MgO em relação às rochas do estudo, enquanto em relação aos óxidos de Al, Ca e Na, as linhas mostram um conteúdo crescente. 27 – Diagramas de Harker para as rochas em estudo destacando o comportamento dos elementos majoritários em relação ao teor de sílica. Utilizando a relação FeOtotal/MgO (fig. 28) como índice de diferenciação em relação ao TiO2, SiO2 e Al2O3 (ALBARÈDE, 1992), observam-se diferentes assinaturas geoquímicas.

Em relação ao Ti, individualizam-se dois grupos com alto e baixo teor de Ti em relação ao CFB, diferenças que podem estar associadas a diferenças no teor de óxidos de Fe-Ti, podem ser individualizados dois grupos definidos como baixo e alto teor de Ti em relação ao CFB - basaltos de inundação continentais. Por outro lado, a assinatura geoquímica relacionada ao Al é semelhante na maioria das rochas estudadas, com apenas um aumento inicial nos teores, semelhante ao observado nos diagramas de Harker. A análise da variação dos principais elementos revelou teores decrescentes de Fe2O3, TiO2 e MgO indicando a depleção destes elementos em relação à sílica.

Quanto à variação dos óxidos de Al, Ca e Na, observa-se um enriquecimento destes elementos em relação à sílica. Ainda numa avaliação da variação dos principais elementos, utilizando a razão como índice de diferenciação em relação aos fluxos basálticos continentais. FeOtotal/MgO em relação aos óxidos de TiO2, Al2O3 e SiO2, as amostras analisadas são individualizadas em grupos com alto teor de Ti e empobrecidos em Si e baixo teor de Ti e enriquecidos com Si, o que pode ser genericamente correlacionado aos grupos de basalto e andesíticos basálticos .

Na análise variacional de elementos de terras raras e litófilos com alto potencial iônico, são observadas assinaturas geoquímicas típicas de diversos ambientes continentais, como o enriquecimento em elementos de terras raras leves em relação a elementos de terras raras pesados, anomalias negativas discretas de Eu e anomalias positivas de Ba e Ti, além de acentuada anomalia negativa de Sr, sendo observadas raras anomalias de Nb-Ta. Por fim, para fazer uma correlação entre as rochas intrusivas básicas de Monte Alegre, com as demais rochas básicas mesozóicas que formam o CAMP nos continentes ao redor da parte central do Oceano Atlântico, são notáveis ​​as semelhanças petrográficas e geoquímicas entre estas, com predominância de rochas com alto teor de Ti em relação às rochas com baixo teor de Ti, porém é necessário um número maior de análises, que serão realizadas futuramente, para uma correlação geoquímica mais precisa. Idade dos toleiitos continentais do Jurássico da Guiana Francesa, Suriname e Guiné: implicações para a abertura inicial do Atlântico Central.

Geochemistry and Sr, Nd, Pb isotopic composition of the Mid-Atlantic Magmatic Province (CAMP) in Guyana and Guinea. Silurian and Lower Devonian chitinozoan taxonomy and biostratigraphy of the Trombetas Group, Amazon Basin, northern Brazil. Lithospheric sources of tholeiites of North Florida, USA and implications for the origin of the Suwannee terrane.

Geochemistry of the Mesozoic Amapá and Jari Dyke Swarms, N-Brazil: Plume-related magmatism during the opening of the Central Atlantic. 40Ar/39Ar dating and geochemistry of tholeiitic magmatism related to early opening of the Central Atlantic Rift.

Tabela 3: Mineralogia CIPW do Diabásio Penatecaua. Qtz – Quartzo; Or – Ortoclásio; Ab – Anortita; Di – Diopsídio; Hy – Hiperstênio; Mt – Magnetita; Il – Ilmenita; Ap – Apatita.
Tabela 3: Mineralogia CIPW do Diabásio Penatecaua. Qtz – Quartzo; Or – Ortoclásio; Ab – Anortita; Di – Diopsídio; Hy – Hiperstênio; Mt – Magnetita; Il – Ilmenita; Ap – Apatita.

ANEXOS

ANEXO A

ANEXO B MAPA DE

AMOSTRAGEM

ANEXO C

BANCO DE DADOS DE AMOSTRAGEM

Imagem

Fig. 01 - Mapa de localização da área de estudo, com destaque para as principais  localidades do oeste do estado do Pará
Fig.  02  -  Carta  Estratigráfica  da  Bacia  do  Amazonas.  ACA  –  Formação  Acari;  PRO  –  F
Fig. 03 – Distribuição geográfica da CAMP (modificado de Knight et al., 2004), destacando   a   localização   dos   estudos   geocronológicos   já   produzidos   na província
Fig.  04  –  Mapa  geral  da  área  de  ocorrência  do  magmatismo  juro-triássico  na  Zona  Central  do  Atlântico,  com  destaques  para  a  área  de  ocorrência  dos  diques  Penatecaua segundo Choudhuri; Oliveira e Sial (1991), bem como para as princi
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Referências

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