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ALUNO-PROBLEMA

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Academic year: 2023

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Em seguida, 7 professores de uma escola pública, localizada na cidade de Barueri-SP, preencheram questionários para identificar 5 alunos rotulados como alunos problemáticos. Através de questionários, eventos escolares e entrevistas com os alunos, obtivemos informações importantes sobre o pensamento do aluno problema em relação à escola, com base nos conceitos de moral e ética defendidos por La Taille e 2006).

Caracterização

Os alunos devem seguir um curso de ação sugerido por uma “classe superior”, composta por funcionários da escola. Quando um aluno é rotulado como indisciplinado, espera-se que a própria escola imponha uma punição, para que o aluno cumpra as regras estabelecidas pela instituição de ensino.

O aluno-problema na história

A análise realizada por Freitas (2011) é de extrema importância, pois a partir dela podemos verificar como eram “tratadas” as crianças consideradas problemáticas e quais eram os reais objetivos do trabalho de Leonídio Ribeiro e do Laboratório de Biologia Infantil. Ramos e sua equipe realizaram um estudo de caso envolvendo crianças que não conseguiam se adaptar às normas escolares e, portanto, eram rotuladas como “crianças anormais” na época. Este estudo deu origem ao livro A Criança Problema, que foi um novo marco nos estudos sobre crianças problemáticas de classes populares ingressantes nas escolas públicas, embora o livro não tratasse apenas de crianças pobres (Freitas, 2011).

Assim como o trabalho liderado por Ramos na década de 1930, os estudos em centros de pesquisa educacional começaram com a aprovação de Anísio Teixeira. O trabalho de Ferreira (2001) sobre o Centro Regional de Pesquisas Educacionais de São Paulo mostra que os objetivos da pesquisa incluíam o tema educação/sociedade. Entre 1930 e 1957, a rede de escolas primárias expandiu-se muito, pelo que no início da década de 1960 os problemas de inclusão de “todas as crianças” no ambiente escolar foram intensamente discutidos.

A imprensa das grandes cidades circulou na imprensa daqueles que condenavam o “fracasso da expansão”, que não levava em conta as dificuldades de adaptação das crianças pobres em relação à dinâmica da escola (Freitas, 2011, p.72). .

A escola do aluno-problema

Podemos aceitar a afirmação de Aquino (1998) como uma resposta parcial a algumas questões levantadas neste trabalho sobre a responsabilidade da escola em relação ao comportamento do aluno problema. É preciso compreender o problema para que possamos superá-lo, e assim apresentar qualidade na forma de prática docente. Para entender o problema, acreditamos que a melhor forma é realizar entrevistas com o aluno rotulado como aluno problema.

Com base em estudos como os de Ramos (1949) e do CBPE, decidimos realizar uma pesquisa qualitativa, pautada por entrevistas com o próprio aluno rotulado como problemático, com o objetivo de descobrir mais rapidamente as causas de tal rótulo e compreender e encontra. descobrir qual é o problema de pensamento do aluno em relação à sua vida escolar. Como parte do projeto, foram realizadas entrevistas com 7 professores da escola, para que pudéssemos selecionar aproximadamente 5 alunos que foram rotulados como alunos problemáticos. Todas as entrevistas com os alunos foram gravadas em áudio e suas transcrições estão disponíveis no Apêndice A.

Após a aprovação do projeto, iniciamos as entrevistas somente após cada indivíduo ter aceitado o trabalho e assinado o termo de consentimento livre e esclarecido disponível no Anexo C deste trabalho.

Metodologia de análise de dados

Quando convidamos o aluno para participar da pesquisa, deixamos claro desde o início que o nome do aluno seria alterado para um pseudônimo. Analisamos as entrevistas com estudantes com base nas obras de La Taille, principalmente nas obras: Moral e ética: dimensões intelectuais e afetivas (2002);

Moral e ética segundo La Taille

Neste sentido, precisávamos de saber se os estudantes compreendem as razões pelas quais tais restrições são necessárias. Para tanto, foi necessário retornar aos conceitos de moral e ética defendidos pelo autor, para fundamentar o pensamento do aluno sobre a escola.

Caracterização da escola

Discutiram como o aluno problema influenciava negativamente nas aulas, como era prejudicial à aula e também ao próprio trabalho docente. Percebemos que nenhum professor discutiu a questão do aluno problema caracterizado por dificuldades de aprendizagem, ou mesmo por faltas excessivas. Todos os professores discutiram como se fosse lógico que o aluno problemático fosse o “indisciplinado”, o “respeitoso”.

As respostas à primeira questão destacam o pensamento sobre o que é um aluno problema na visão de ensino da escola. Na questão: Como caracterizar um aluno rotulado como aluno problema?, obtivemos respostas muito semelhantes, quase sempre no que diz respeito à indisciplina ou falta de respeito dos alunos para com os professores. Na pergunta “quais motivos você acha que fazem um aluno se tornar um aluno problemático?” Os professores também seguiram a mesma linha de pensamento, nomeadamente que a estrutura e a influência do ambiente familiar em relação à escola e o uso de drogas são os principais motivos da indisciplina dos alunos.

Após análise dos dados obtidos por meio dos questionários respondidos pelos professores, selecionamos os alunos cujos nomes se repetem nesses questionários a fim de analisar os fenômenos da escola e, desta forma, selecionar os alunos que serão convidados a receber parte na pesquisa.

Aluno A

A seguir apresentamos as partes que consideramos mais importantes, dos incidentes e entrevistas realizadas com 5 alunos problemáticos da escola estadual onde realizamos a pesquisa. que a gente mude de turma, já que ele “se mete em confusão” só por causa de um colega. Como o aluno A não melhorou, a coordenadora o transferiu para outra turma, mas os problemas de indisciplina continuaram aparecendo. Durante algumas observações informais na escola, percebemos que muitas vezes o aluno ficava do lado de fora da sala de aula e via o aluno A gritando com o inspetor quando este o pedia para entrar na sala de aula.

Com essas duas respostas, que podem ser consideradas contraditórias, notamos que o aluno tem consciência de que seu futuro pode ser afetado pelo seu sucesso acadêmico, mas logo em seguida demonstra que não está se esforçando o suficiente. Quando o aluno A responde à segunda pergunta com a frase “Eu faço bagunça, vejo meninas e faço algumas atividades”, descobrimos que a reflexão moral e ética por parte do aluno não ajuda. Nos incidentes escolares, há relatos de professores alegando que os alunos não aceitam quando os funcionários tentam orientá-los sobre a indisciplina.

Percebemos que o aluno A não sabe como agir em relação aos seus deveres de aluno e aos deveres básicos para uma boa convivência na escola.

Aluno B

O aluno fica avisado até o momento e o responsável será intimado a comparecer no livro de ocorrências da escola). Os alunos são: Aluno B, (..) Estão cientes que seus pais serão chamados na repetição. Livro de incidentes escolares). Abaixo seguem trechos de nossa conversa que consideramos importantes em relação ao pensamento do aluno sobre sua vida escolar.

O aluno nos informou sobre o motivo pelo qual não realiza atividades em sala de aula, o que, assim como o aluno A, contradiz sua opinião sobre a “importância da escola” em sua vida. Essa relação entre moralidade e ética é fundamental em relação às atitudes do aluno em relação à escola. O fato de um aluno não gostar de determinado professor, ou de suas atitudes, não justifica o descumprimento de seus deveres.

Podemos concluir que a resposta do aluno de que a escola é importante para a sua vida profissional e pessoal torna-se menos relevante à medida que não leva em conta que tem que se esforçar para aprender e desenvolver os conhecimentos necessários para que a escola seja realmente importante, independentemente da “preferência do professor e suas atitudes”.

Aluno C

A mãe do aluno C, 1D, veio à escola resolver um problema de indisciplina do filho durante a aula da professora de língua portuguesa. Notamos que, assim como os alunos entrevistados anteriormente, o aluno C também apresenta respostas contraditórias, porém, diferentemente dos outros dois alunos, o próprio aluno C admite que sua atitude não é adequada em relação aos seus pensamentos sobre a importância da escola. A importância da escola para mim é que se eu for bem na escola e assim por diante, terei um futuro melhor e é importante que eu me dedique aos estudos para ter um futuro melhor.

Depois voltamos a conversar sobre o porquê do Aluno C não se comportar de uma forma que realmente torne a escola importante em sua vida, ou seja, ele valoriza o que a escola tem a lhe oferecer. Nas primeiras perguntas você disse que a escola é importante, agora você disse que nem sempre faz a lição de casa. Se ele realmente soubesse agir, agiria da forma mais adequada para alcançar um bom desempenho acadêmico, como ele mesmo dizia, onde a escola era valorizada.

Isso mostra que apenas apresentar as regras não é suficiente para que o aluno respeite as regras da escola e, consequentemente, tenha um bom desempenho escolar.

Aluno D

Durante a entrevista, recebemos informações que consideramos essenciais para entender o motivo do comportamento do aluno dentro da escola. Encontramos um ponto que nos faz pensar sobre o motivo da indisciplina dos alunos na escola. Podemos perceber que o aluno não leva em consideração o fato de que a escola afetará diretamente a vida fora do ambiente escolar.

Em relação aos conceitos de moralidade e ética, que La Taille (2006) considera, questiona-se: “como devo agir?” no que diz respeito à reflexão moral, entra em contradição se confrontarmos o pensamento do aluno de que a escola não é importante. Percebe-se que neste caso há um desrespeito às regras da escola, o que pode ser imediatamente explicado pela falta de princípios do aluno D quanto à importância que a escola tem para sua vida. Em nenhum momento o aluno reflete que se mudar seu comportamento, se começar a se esforçar, poderá aprender o que de melhor a escola tem a oferecer.

A única justificativa do aluno é o tempo que sua mãe gasta vindo à escola para lidar com seus problemas de indisciplina, o que reforça seu ponto de vista sobre a importância da escola em sua vida.

Aluno E

O que sublinha a opinião do aluno sobre a importância da escola é a resposta que ele dá quando questionado sobre o seu comportamento:. A mãe do Aluno E, 1ºF, veio à escola se reunir com os professores para conhecer o comportamento do filho. Aí ele disse que da próxima vez que eu começasse a xingar os outros, seria expulso da escola.

Abaixo estão alguns dos incidentes envolvendo o aluno B registrados por membros da direção da escola em 2013. A mãe do aluno E, 1º F, veio à escola se reunir com os professores para saber do comportamento do filho.

Referências

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