Após o segundo capítulo, o próprio direito ao esquecimento, como um dos direitos vinculados ao direito à personalidade. Portanto, o direito ao esquecimento está diretamente relacionado aos direitos da personalidade e deve ser respeitado.
DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: DA LIBERDADE DE
Liberdade de expressão e de imprensa
A liberdade de expressão consiste no direito à livre comunicação mental, no direito de dar a conhecer aos outros os seus pensamentos (na fórmula do artigo 11 da Declaração Francesa dos Direitos Humanos de 1989: a livre comunicação de pensamentos e opiniões). A Constituição da República de 1988 estabelece em seu rol de garantias a liberdade de expressão conforme disposto no inciso 5º, IV da Lei Maior. Como acrescenta José Afonso da Silva, relativamente ao seu entendimento do que é a liberdade de expressão.
1º Nenhuma lei poderá conter dispositivo que possa constituir obstáculo à plena liberdade de informação jornalística em qualquer meio de comunicação, observado o disposto no art. Portanto, não é possível compreender a liberdade de imprensa como algo que prejudica a sociedade, mas sim como uma instituição informativa para ela. Com a proliferação e amplitude das redes sociais, a liberdade de expressão cresce exponencialmente, dando a todos uma nova abertura para esta expressão.
Como parte integrante do direito à liberdade de expressão, neste contexto existe a liberdade de informação, pois uma é complementar à outra, pois se o indivíduo pode expressar as suas ideias, tem direito à informação sobre o que os outros expressam. em torno deles.certos assuntos.
Liberdade de informação
Portanto, é importante sistematizar o direito à informação, por um lado, e a liberdade de expressão, por outro. Liberdade de imprensa x direito à privacidade: reflexões sobre a violação dos direitos pessoais In: Revi. Além disso, a relação entre a preservação dos direitos pessoais e o direito à liberdade de expressão e informação é desafiadora.
Um dos maiores desafios do mundo contemporâneo é a resolução do conflito entre o direito à personalidade (entendido como honra pessoal, intimidade, imagem, vida privada) e a liberdade de expressão e informação. O marco civil não cobre integralmente o direito ao esquecimento, mas a liberdade de expressão e informação não pode ser totalmente ampla, há limites para este conceito, especialmente quando a dignidade da pessoa humana é protegida. Obviamente, o direito ao esquecimento não se sobrepõe ao direito à liberdade de informação e de expressão de pensamento quando o interesse público está presente.
Embora não haja supremacia nos princípios constitucionais, os direitos da personalidade devem ser entendidos como um eixo de condicionamento no julgamento de casos concretos em que a liberdade de informação e expressão conflita com o direito ao esquecimento.
O DIREITO AO ESQUECIMENTO COMO UM DOS DIREITO DA
Conceito de Direito de personalidade
Esta ligação entre o direito à personalidade e a dignidade humana vem desde o início, pois são valores individuais e desde então devem ser respeitados e preservados, mesmo que tenham tido abordagens diferentes. Pode-se dizer que a integridade da pessoa humana sempre foi objeto de preocupação na Justiça, mas nem sempre sob o mesmo ponto de vista. Confirmando este entendimento, Pablo Dominguez Martinez afirma que a história da dignidade humana remonta a muito tempo.
A história da dignidade humana remonta à Roma Antiga, passando pela Idade Média e até ao surgimento do Estado liberal. No passado, a dignidade humana era um conceito intimamente relacionado com o estatuto pessoal de certos indivíduos ou com a reputação de certas instituições. Embora deva ser levado em conta o uso da hermenêutica, deve sempre prevalecer o núcleo essencial da proteção dos direitos pessoais, o que remonta à posição dos princípios jurídicos fundamentais diretamente relacionados com a dignidade humana.
Existem muitos precedentes que incluem os direitos fundamentais derivados da dignidade da pessoa humana como um valor essencial.
Características do Direito a personalidade
Nesse sentido, os direitos da personalidade, considerados essenciais para todos, são permanentes, uma vez que nascem com o indivíduo e o acompanham durante toda a sua vida e mesmo após a morte, uma vez que esses direitos prevalecem. Pelas suas características, os direitos da personalidade são gerais, extrapatrimoniais, absolutos, alienáveis ou indisponíveis, irrevogáveis, indescritíveis, intransferíveis ou perpétuos, intangíveis, necessários, essenciais e importantes. A partir de uma simples leitura do referido dispositivo, são descritas as características de não renúncia e proibição de transmissão de direitos de personalidade, ressalvadas as hipóteses expressamente previstas na lei, de modo que sejam contrárias a essas características.
Assim, quando se afirma que os direitos da personalidade são inatos, eles baseiam-se na vida humana desde o nascimento. Os direitos da personalidade estão tão afastados da disposição individual quanto da própria personalidade, uma vez que se enfatiza que a sua intransmissibilidade é resultado da própria instabilidade da pessoa e da irradiação dos seus próprios efeitos, nem dos poderes que em todos os direitos da personalidade contidos são não, ou o seu exercício, suscetível de ser transferido ou concedido de outra forma. Se os direitos da personalidade não estiverem disponíveis, são igualmente absolutos e não há como relativizá-los, pois são considerados um dever comum de todos, pertencem a todos.
Para Ricardo Lôbo, não cabe às pessoas simplesmente abdicarem dos seus direitos de personalidade como bem entenderem, uma vez que a dignidade da pessoa humana é dirigida a todos os cidadãos e não de forma isolada.
Reconhecimento e positivação dos direitos de personalidade
Dada a natureza extrapatrimonial dos direitos da personalidade e o facto de serem inatos e essenciais à realização da pessoa, estes apresentam condições que os tornam únicos e abrangem critérios que os tornam essenciais, na medida em que sem os quais a dignidade humana não pode ser alcançada . percebe. No âmbito do direito privado, foi apenas a partir dos séculos XIX e XX que se concretizou a proteção dos direitos da personalidade, com o objetivo de proteger a pessoa não contra a interferência governamental, mas em relação à interferência de todos os outros indivíduos. No Brasil a partir de 1988, com a promulgação da Constituição da República e que destacou a positivação dos direitos da personalidade, o Código Civil de 2002 trouxe um capítulo para que pudessem ser consagrados e respeitados no ordenamento jurídico brasileiro.
Tratar os Direitos da Personalidade em capítulos próprios, como é o caso do nosso atual Código Civil, parece saudável. Por regularem questões de natureza privada, como os direitos subjetivos e a personalidade, e por estarem sancionados no texto constitucional, pode-se aceitar que os direitos da personalidade sejam o ponto de encontro privilegiado entre o direito privado, as liberdades públicas e o direito constitucional. Após esse belo entendimento, a proteção do ser humano não se trata apenas da proteção dos danos que lhe são causados, mas da proteção dos seres da lei como um todo, esta é a razão dos direitos da personalidade, ou seja, da positividade e da valorização em nosso sistema jurídico. jurídico.
À luz disto, fica claro que a confirmação dos direitos da personalidade representa uma grande conquista social.
O EMBATE ENTRE O DIREITO DE INFORMAÇÃO E DE
A Liberdade de expressão e informação e o marco civil da internet- Lei
Com a entrada em vigor da Lei n. 12.965 Em 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet), a legislação nacional passou a tipificar práticas que até então eram consideradas fora do controle estatal, relacionadas a direitos e garantias para o uso da Internet no Brasil Um tema importante reforçado pelo Marco Civil, definida na Constituição Federal, é a liberdade de expressão, cujo objetivo é garantir segurança jurídica aos provedores e usuários de internet56. Disponível em https://juniornegri.jusbrasil.com.br/artigos/186126589/liberdade-de-expressao-marco-civil-da-internet-lei-12965-14. Existem diversas bases de utilização da Internet no Brasil, e a Seção V é dedicada especificamente ao propósito social da rede.
A finalidade social da rede pode ser entendida como a democratização do uso da Internet na sociedade. A função social da Internet proporciona e humaniza o conhecimento entre as pessoas independente de sua classe social, o que significa que agora todos têm acesso, pois o preço utilizado é acessível a pessoas de baixa renda, e assim os pais podem contribuir para a formação acadêmica de seus filhos com menos sacrifício a tudo o que garante o direito ao conhecimento, que é a maior riqueza na formação de um povo. Assim, se prestarmos atenção ao que contém a função social da Internet, vemos que a rede ganha cada vez mais usuários.
O Marco Civil da Internet é um grande avanço na legislação brasileira, pois define e consolida os direitos e obrigações para o uso da Internet no Brasil e protege os princípios fundamentais que protegem tanto a livre expressão do pensamento quanto a vida privada, imagem e honra de Usuários.
Direito ao esquecimento nas redes sociais
O conflito entre a liberdade de informação e expressão e os direitos inerentes à personalidade, no contexto da Internet, leva o juiz a resolvê-lo com base numa nova realidade social, com a invocação de novos direitos, muitos deles decorrentes de princípios constitucionais. proteção. respeitada a dignidade da pessoa humana. As questões centradas no direito ao esquecimento e na Internet giram em torno da facilidade de circulação da informação e do tempo que ela permanece na rede, podendo durar longos períodos de tempo. Se a função social da Internet é levar a informação que procuram ao maior número de pessoas, a preservação dos direitos da personalidade é cada vez mais importante neste cenário do direito ao esquecimento.
O problema é que o legislador tem tentado implementar elementos que tentam implementar a liberdade de expressão na Internet, sem ser alvo de censura ou mesmo violar a privacidade das pessoas. Como resultado, a legislação responsabiliza o fornecedor por qualquer outro bloqueio de conteúdo que não as formas especificadas na norma legislativa, como um insulto à liberdade de expressão e um exercício de censura da sua parte. No entanto, existem certamente limites a este privilégio, uma vez que a liberdade de expressão não é absoluta, pelo que o conflito entre os valores constitucionais deve ser avaliado caso a caso para decidir qual prevalecerá num determinado caso específico. .64.
A jurisprudência, diante disso, tem reconhecido o direito ao esquecimento como forma de preservação do direito à personalidade, o que faz sobressair a proteção da pessoa humana quando há aparente conflito entre princípios considerados intransponíveis.
Casos concretos- análise
Neste caso particular, tornando necessária a consideração dos valores, a aceitação do direito ao esquecimento, neste caso, com a consequente compensação, constitui um corte desproporcional à liberdade de imprensa, face à perturbação criada pela memória .67 . Num outro caso, conhecido como “massacre da Candelária”, o reconhecimento do direito ao esquecimento aconteceu como forma de proteger um homem que foi considerado inocente no caso em questão. O Supremo Tribunal de Justiça reconheceu que o réu, condenado ou não pela prática de infração penal, tem o direito ao esquecimento e que não é sua responsabilidade carregar o estigma do crime e esse direito é garantido.
Ao considerar a liberdade de informação e os direitos pessoais, considerou a aplicação do direito ao esquecimento, alegando que neste caso o nome e a imagem do autor deveriam ser poupados, independentemente da veracidade da informação, por causa da ação do tempo e a violação da dignidade da pessoa humana.71. Diante do exposto, é imprescindível o reconhecimento do direito ao esquecimento em todo o nosso ordenamento jurídico, cabendo ao magistrado conduzir a análise do caso de forma totalmente livre de vínculos com regimes processuais, que preservem a dignidade da pessoa humana. garantia. na sua totalidade. O direito ao esquecimento é reconhecido como um direito da personalidade que decorre da dignidade da pessoa humana.
O direito ao esquecimento não é expressamente reconhecido pela Constituição Federal e pela legislação infraconstitucional, mas tem aparecido frequentemente em decisões proferidas pelos tribunais brasileiros, especialmente pelo Superior Tribunal de Justiça.