Aborda com mais ênfase o papel do sistema imunológico na mucosa do órgão genital feminino, barreira anatômica e imunológica de grande importância para a defesa do organismo contra diversas doenças sexualmente transmissíveis. A mucosa vaginal, parte do sistema imunológico da mucosa, é de grande importância para a proteção contra bactérias sexualmente transmissíveis.
ENDOMÉTRIO
Entretanto, seu número aparentemente diminui devido ao grande aumento de células uNK durante a fase secretora e início da gravidez (LOBO et al., 2004). No endométrio de mulheres não grávidas, na fase secretora tardia e na fase decídua, durante o primeiro trimestre da gravidez, predomina uma população peculiar de linfócitos, denominados linfócitos granulares grandes (LGL).
FERTILIZAÇÃO
A fusão de gametas exigiria um reconhecimento mútuo e antígenos de superfície específicos da espécie, bem como uma etapa inicial de adesão. O contato entre as células germinativas induz a reação acrossômica, através da qual o revestimento da cabeça do espermatozoide se dissolve, ativando sistemas enzimáticos que permitem a penetração do espermatozoide na massa celular (cumulus oophorus) e na espessa camada mucopolissacarídica acelular (zona pelúcida) que cercá-lo. o ovo (STITES, TERR, PARSLOW, 2000).
IMPLANTAÇÃO
O fator ativador de plaquetas derivado do embrião (EDPAF) também é sintetizado pelo embrião no período periimplantacional. O EDPAF, produzido pelo embrião, estimula a produção do fator de gravidez precoce (EPF) pelo ovário, que pode ser observado de 6 a 48 horas após a fertilização, que começa a ser produzido pelo trofoblasto após a implantação do embrião.
PLACENTA
Desenvolve-se a partir do citotrofoblasto (a maioria das células primordiais) por agregação e depois fusão em um sincício (BOYD, HAMILTON, 1960; PIJNENBORG et al., 1980; SASAGAWA et al., 1987; SESSION, HORWITZ, 1981). O trofoblasto expressa um antígeno MHC polimórfico, HLA-G (OBER et al., 1996) e outros antígenos classe I; estes determinam e coordenam muitas funções imunológicas, incluindo a supressão imunológica e a produção de citocinas e fatores de crescimento.
DECÍDUA
Eles possuem uma morfologia diferente dos LGLs (HAYNES et al., 1995; KING et al., 1996; KING, JOKHI, BURROWS, 1996). A gravidez falha repetidamente nessas mulheres e a terapia imunológica melhora significativamente o resultado reprodutivo (BEER, KWAK, RUIZ, 1996; KWAK et al., 1996). Recentemente, foi relatada a expressão de receptores ativadores/inibidores de células NK (KIR/KAR) e receptores CD94 em células NK da decídua. KING et al., 1997) Especula-se que a expressão dos antígenos HLA-I, HLA-G e HLA-C por essas células trofoblásticas pode permitir que as células NK da decídua materna reconheçam e respondam às células trofoblásticas fetais através dos receptores KIR (Killing Receptor Inibitório) ou KAR (Receptor Ativador de Morte).
Células transfectadas com HLA-G e HLA-A2 usando LCL 721.221 células HLA-nulas são resistentes a efetores NK isolados de decídua ou sangue periférico (CHUMBLEY et al., 1994). As linhagens de linfócitos granulares CD3-CD8-deciduais produzem quantidades muito mais significativas de TNF-a, GM-CSF e IFN-g, em contraste com as células CD3-CD8+ que produzem pouca ou nenhuma dessas interleucinas (JOHNSON et al., 1993). A análise de DNA de gestações abortadas revela uma proporção significativa de compatibilidade HLA DQ A1 quando comparada com gestações que evoluíram para o termo (OBER et al., 1993).
Essas alterações nas subpopulações de linfócitos podem indicar supressão imunológica durante a gravidez e aumento no período pós-parto (IWATANI et al., 1988). DUDLEY et al., 1990) Embora GM-CSF ou CSF-1 tenham atividade quimioativada, eles não são essenciais para o processo pelo qual os macrófagos são atraídos para o local de implantação. Existem indicações específicas de que uma família de cotocinas está envolvida na indução do trabalho de parto prematuro associado a infecções (HUNT, 1989; ROMERO et al., 1989).
IMUNIDADE NA GESTAÇÃO NORMAL
Durante esse processo, o citotrofoblasto substitui seu fenótipo epitelial original pelo fenótipo endotelial, que recobre a camada endovascular das artérias espirais maternas (ZHOU et al., 1997). Além disso, o trofoblasto fetal expressa baixa afinidade por receptores para citocinas Th-1 relacionadas, como TNF-α, INF-g e GM-CSF (JOHNSON et al., 1993). Evidências recentes em modelos murinos implicaram a deficiência de Crry, uma convertase C3 inibitória e produtos C3 no mecanismo do aborto (XU et al., 2000).
Além disso, os danos e a perda fetal da gravidez na síndrome experimental do anticorpo antifosfolípide têm sido atribuídos aos efeitos do complemento, principalmente do C5a (GIRARD et al., 2003). No entanto, a presença de complexos imunes e dos produtos da cascata do complemento foi identificada no tecido trofoblástico durante a gravidez normal (MCCORMICK, et al., 1971; TEDESCO et al., 1993). Evidências clínicas de alterações na resposta imune durante a gravidez são observadas em pacientes com artrite reumatóide e lúpus eritematoso, que recorrem respectivamente durante a gravidez (OSTENSEN et al., 1983; VARNER, 1991).
O número de células NK periféricas em gestantes é reduzido em comparação com mulheres não gestantes (WATANABE et al., 1997; KUHNERT et al., 1998; NIEUWENHOVEN et al., 2002). Nas gestantes, sabe-se também que além da diminuição do número de células NK, diminui a sua produção de IFN-γ (NIEUWENHOVEN et al., 2002). Estas alterações no número e atividade das células NK durante a gravidez também são consistentes com a transição de uma resposta imune celular para uma resposta imune humoral durante a gravidez (BEER et al., 1996).
ABORTO RECORRENTE
Nesse aspecto estão envolvidos os fenômenos autoimunes, situação em que há produção, pelo sistema imunológico materno, de autoanticorpos que irão alterar o leito placentário e com isso determinar a perda da gravidez (CLIFORD et al., 1994) e os fenômenos aloimunológicos, nos quais distúrbios no reconhecimento de antígenos fetais-paternos e/ou no desencadeamento de uma resposta imune modulada e protetora têm sido implicados (CHRISTIANSEN, 1996). Apesar de vários trabalhos realizados na tentativa de elucidar o papel desses antígenos no aborto de repetição (OBER et al., 1985; STEACK et al., 1995), sabemos que os antígenos HLA-A, -B e -DR não são expressos na superfície do trofoblasto (HILL, 1990). Portanto, a tipagem dos antígenos HLA clássicos revelará indiretamente alterações no padrão de distribuição desses outros antígenos.
As citocinas são substâncias envolvidas na resposta imunológica e associadas a abortos recorrentes. Há indícios de que a interleucina 2 (IL-2) causa falhas de implantação em camundongos e pode ativar diretamente células assassinas induzidas por linfocinas, que podem lisar células trofoblásticas (CHAOUAT et al., 1990; DRAKE, HEAD, 1989). Além disso, foi demonstrado que o interferon γ e o fator de necrose tumoral α inibem o crescimento e a diferenciação trofoblástica, enquanto IL4 e IL10 parecem promover o desenvolvimento embrionário e a placentação (LIN et al., 1993; HUNT, CHEN, MILLER, 1996).
Consistente com essas observações, um padrão de citocinas Th1 foi observado em pacientes com histórico de aborto espontâneo recorrente sem qualquer etiologia definida, e um perfil de citocinas Th2 foi demonstrado em mulheres com histórico de gravidez bem-sucedida (MARZI et al., 1996; VASSILIADIS et al. sugerem que uma resposta imune celular anormal do tipo Th1 dirigida contra antígenos reprodutivos seria responsável pela falha reprodutiva em casos de abortos repetidos, mas esta hipótese também precisa ser confirmada. A presença de anticorpos citotóxicos tem sido considerada por alguns autores (MOWBRAY et al. al., 1985) como crucial para que uma gravidez subsequente tenha um desenvolvimento favorável. Aoki et al., (1995) sugeriram que a avaliação da atividade NK poderia ser um fator preditivo para aborto espontâneo, uma vez que os pacientes com aborto espontâneo de repetição, com níveis elevados desta atividade apresentavam risco de aborto espontâneo 3,5 vezes maior do que aquelas com atividade normal.
ENDOMETRIOSE
1 - a de doença autoimune, pois há ativação policlonal de células B (aumento de imunoglobulinas e autoanticorpos), juntamente com outras características de autoimunidade, como incidência feminina, ocorrência familiar, dano inflamatório tecidual e envolvimento de múltiplos órgãos; 2 - o processo patológico se iniciaria com uma deficiência no mecanismo celular e, em segundo lugar, ocorreria uma alteração humoral, pois no líquido peritoneal desses pacientes há aumento no número de macrófagos (HALME, BECKER, HASKILL, 1987) . Recentemente, tem sido estudada a participação da citotoxicidade celular na patogênese da endometriose (SOUZA, VOLTARELLI, FERRIANI, 1997).
Assim, a lise celular mediada por células T com actividade NK foi aumentada em células endometriais cultivadas modulando a expressão de antigénios HLA de classe I. O fato do antígeno HLA-B7 inibir a citotoxicidade de NK sugere que o crescimento de células endometriais ectopicamente estava sob controle genético (SEMINO et. al., 1995).
INFERTILIDADE E IMUNIDADE
Existem vários fatores autoimunes relacionados à infertilidade, entre os quais podemos citar os autoanticorpos antifosfolípides, como os anticorpos anticardiopilina e anticoagulante lúpico, os anticorpos antiespermatozoides e também alguns fatores mais raros, como os anticorpos antiovarianos e os anticorpos antizona pelúcida. Os anticorpos anti-espermatozóides têm sido estudados desde o início do século XX, quando foi demonstrado que a inoculação intraperitoneal de espermatozóides em cobaias fêmeas induzia a formação de anticorpos. Vários mecanismos imunopatogênicos têm sido propostos em relação à presença de anticorpos na superfície dos espermatozóides.
Os anticorpos antifosfolípides estão presentes em até 5% da população normal, sendo mais comuns em caucasianos. (SILVA, UTIYAMA, 2004). Existem vários tipos de anticorpos antifosfolípides, mas os mais associados aos casos de infertilidade são os anticorpos anticardiolipina e o anticoagulante lúpico. Os anticorpos antizona pelúcida também podem ser encontrados no sangue de mulheres férteis e até de homens.
Segundo Antunes, Matos (1992), o teste Immunobeads é utilizado para determinar a(s) região(ões) do espermatozoide onde as moléculas de anticorpos estão fixadas. Este teste pode dar resultados falsos negativos porque nem todos os anticorpos podem causar aglutinação. Devido à etiologia não totalmente elucidada, a terapia para anticorpos antiespermatozoides inclui: redução dos níveis de anticorpos por condoterapia em.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
4 REFERÊNCIAS
Leukocyte distribution in the uterus during the preimplantation period of pregnancy and phagocyte recruitment to sites of blastocyst attachment in mice. HO H.N.; CHAO K.H.; CHEN C.K., et al.: Activation status of T and NK cells in the endometrium throughout the menstrual cycle and normal and abnormal early pregnancy. LOBO S.C.; HUANG S.T.J.; GERMEYER A., et al.: The immune environment of human endometrium during the implantation window.
Cytokine production in natural killer cells and lymphocytes in pregnant women compared with women in the follicular phase of the ovarian cycle. OBER C, STECK T, VAN DER VEN K, et al.: MHC class II compatibility in aborted fetuses and term infants of couples with recurrent miscarriage. PIJNENBORG R.; DIXON G.; ROBERTSON W.B., et al.: Trophoblast invasion of human decidua from 8 to 18 weeks of gestation.
POLLARD J.W.; JAG J.S.; WITKOR-JEDRZEJCZAK W., et al.: A pregnancy defect in the osteopetrotic (op/op) mouse demonstrates the requirement for CSF-1 in female fertility. Cachectintumor necrosis factor in the amniotic fluid of women with intraamniotic infection and preterm labor. SASAGAWA M.; YAMAZAKI T.; ENDO K, et al.: Immunohistochemical localization of HLA antigens and placental proteins (alpha-hCG, beta-hCG, CTP, hPL and SP1) in villous and extravillous trophoblasts in normal human pregnancy: a characteristic pathway of differentiation of abnormal trophoblasts. .
Anaphylatoxins C3a and C5a are vasodilators in the canine coronary vasculature in vitro and in vivo Agents Actions, 1991. The role of major histocompatibility complex class I and natural killer T cell expression in the genetic control of endometriosis.