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Anelise Donaduzzi.pdf - Univali

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Academic year: 2023

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Dentre as representações que circulam na sociedade e principalmente nos grupos envolvidos na educação formal, destaca-se a representação do “bom aluno”, ou seja, do aluno ideal. Qual a relação entre a representação de “bom aluno” e a expectativa de sucesso acadêmico dos alunos, entre professores em início de Educação. Compreender a relação entre a representação de “bom aluno” e a expectativa de sucesso acadêmico dos alunos, entre professores do início do Ensino Fundamental, em Blumenau (SC).

1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O FRACASSO ESCOLAR

  • EXPLICANDO O FRACASSO ESCOLAR: diferentes olhares
  • O FRACASSO ESCOLAR NA ATUALIDADE: algumas reflexões

Segundo revisão de pesquisas realizadas até a década de 1970 sobre o tema fracasso escolar pelo pesquisador Patto (1996, p. 112). Na verdade, as causas intraescolares do fracasso escolar e as críticas ao sistema educativo foram de importância secundária neste desenho. Para Charlot (2000, p. 17), “a confirmação de que as origens sociais são a causa do fracasso escolar e que os alunos em situação de fracasso sofrem de desvantagens socioculturais”.

A TEORIA DA REPRESENTAÇÃO SOCIAL

  • O SURGIMENTO DE UMA TEORIA
  • A TEORIA HOJE
  • REPRESENTAÇÃO SOCIAL E EDUCAÇÃO

Na definição de Moscovici e seus associados, fica claro que as representações sociais são simbólicas e construídas. As representações sociais de uma comunidade podem ser alteradas, mas tais mudanças só ocorrem em determinadas situações. Surge aqui uma questão: as representações sociais de um determinado grupo (neste caso os professores) podem ser alteradas.

AS EXPECTATIVAS DOS PROFESSORES

Para este estudo específico, as expectativas dos professores estarão relacionadas com a situação de ensino e aprendizagem e com outros aspectos envolvidos nesta situação (avaliação, proposta metodológica utilizada, entre outros). Além de ser um estudo experimental, a hipótese confirmada foi a existência de relação entre expectativas positivas dos professores e melhor aprendizagem dos alunos. O contrário, ou seja, a relação entre as expectativas negativas dos professores e a má aprendizagem dos alunos, não foi verificado.

No entanto, no que diz respeito às expectativas dos professores e às representações dos seus alunos, estes estudos parecem levantar algumas questões. Assim, mesmo que nenhum consenso tenha sido alcançado, alguns estudos aqui discutidos (RANGEL, JUSSIM) concluíram que existe uma ligação entre a representação dos professores e o desempenho dos alunos. De acordo com Rosenthal e Jacobson (1993, p.283), a hipótese mais plausível para explicar como as expectativas dos professores funcionam, em última análise, como determinantes do aumento do desempenho cognitivo parece ser esta.

Neste modelo, a relação entre as expectativas dos professores e o desempenho dos alunos consiste em vários “elos” que podem quebrar ou alterar esta relação. Isto explicaria por que as expectativas dos professores nem sempre alteram o desempenho dos alunos para satisfazer essas expectativas. Pode-se, portanto, pensar que as expectativas dos professores são constituídas por representações sobre determinados objetos, neste caso os alunos, dos quais se espera que se comportem de determinadas maneiras.

Portanto, pode-se dizer que as expectativas dos professores não são individuais e não variam de pessoa para pessoa, pois são caracterizadas por questões de natureza social.

2 A CONSTRUÇÃO DA PESQUISA

AS ETAPAS DA CONSTRUÇÃO

Em que critérios as professoras se baseiam para categorizar seus alunos?

É possível identificar elementos comuns nos argumentos utilizados

É possível identificar diferentes racionalidades nas representações das professoras?

Essas representações estão relacionadas com as expectativas das professoras em relação ao desempenho escolar dos alunos?

  • OS SUJEITOS
    • PERFIL PROFISSIONAL DAS PROFESSORAS
    • CARACTERIZAÇÃO DOS ALUNOS ATENDIDOS PELAS PROFESSORAS ENTREVISTADAS
  • PRIMEIRA ETAPA: os critérios que orientam a categorização dos alunos
    • PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS
    • ANÁLISE DOS DADOS
  • SEGUNDA ETAPA: a organização de um sistema representacional
    • PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS
    • ANÁLISE DOS DADOS
  • TERCEIRA ETAPA: o convívio de diferentes racionalidades
    • REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO BOM ALUNO: os diferentes significados
    • REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO “MAU ALUNO”: os diferentes significados
    • OS DIFERENTES SIGNIFICADOS DA APRENDIZAGEM ESCOLAR NA REPRESENTAÇÃO DO ALUNO IDEAL
    • OS DIFERENTES SIGNIFICADOS DO APOIO FAMILIAR NA REPRESENTAÇÃO DO ALUNO IDEAL
  • QUARTA ETAPA: as expectativas
    • PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS
    • ANÁLISE DOS DADOS

Como você pode perceber, a representação de um ‘bom aluno’ está intimamente ligada às características cognitivas, havendo quase consenso entre os professores em relação a essas características. Não creio que seja assim, porque desde cedo temos que criar certas regras para eles.” (Prof. 9). Bons alunos têm maior capacidade de aprendizagem, gravam com mais facilidade e além de gravarem com facilidade, também fazem isso rápido.” (Prof. 8).

Acho que o mundo lá fora, a experiência cotidiana, é o que dá esse apoio à criança." (Prof. 3). Um bom aluno fica quieto, porque entendemos que crianças que ficam um pouco mais caladas nas aulas, que param de te ouvir, conseguem ter um desempenho melhor." (Prof. 9). Para ser um bom aluno é preciso ter calma, tranquilidade, o que oferece mais condições para aprender bem.” (Prof.

Mas se ele continuar assim, acho que vai ser difícil ele correr na primeira aula” (Prof. 9). Eles não completam as atividades com muita frequência, demoram muito, muito mais tempo.” (Prof. 3). Os que identifiquei aqui como bons para aprender são aqueles que já sabem ler.” (Prof. 5).

Mas eles são ajudados por outros amigos que são mais rápidos e eu também ajudo.” (Prof. 8). Ela [a mãe] tem que fazer o trabalho doméstico e nem cuida dos filhos”. (Prof. 5) Portanto, para os professores, os problemas apresentados na escola sempre têm origem em questões familiares. Apenas cinco dos dez professores entrevistados nos momentos anteriores participaram desta fase (prof. 2, prof. 5, prof. 8, prof. 9 e prof. 10), pois dos demais professores, três (prof. 3, prof. .6 e prof.7) participaram desta fase, estavam de férias, dois deles.

Figura 1 - Configuração da distância Euclidiana dos atributos relacionados a bom e a  mau aluno
Figura 1 - Configuração da distância Euclidiana dos atributos relacionados a bom e a mau aluno

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para o grupo de professores estudados, o rótulo “mau aluno” por um lado aproximou-se das dificuldades de aprendizagem (que aparentemente podem não estar relacionadas a problemas cognitivos), que estão relacionadas à imaturidade, falta de apoio familiar e problemas com parentes. Por outro lado, “mau aluno” também está muito próximo de traços comportamentais negativos como agitação, agressividade e desordem. Assim, assume-se que um “bom aluno” é caracterizado pelo seu talento para aprender o que é exigido pela escola e possivelmente por uma família que o apoia, enquanto um “mau aluno” é caracterizado pela falta de aprendizagem associada à falta de apoio familiar. e mau comportamento.

A configuração do construto “bom aluno” e “mau aluno”, acompanhada da análise das falas dos professores, permite verificar o quanto as explicações e justificativas para as causas das dificuldades de aprendizagem e aprendizagem são permeadas pelos discursos e teorias que explicava o fracasso escolar há mais de um século, reafirmando as mesmas racionalidades. Percebe-se, pela configuração produzida, que a representação social do “bom aluno” é mais compacta e fechada do que a do “mau aluno”, talvez porque seja mais fácil para os professores conceituar e definir os atributos do “mau aluno”, talvez por ser mais fácil para os professores conceituar e definir os atributos do “mau aluno”. aluno “bom”, pois é seu aluno idealizado. Portanto, a representação do “bom aluno” parece ser uma representação bastante consolidada, uma cristalização do aluno ideal que existe independentemente do contexto social e da organização escolar.

Com efeito, a “fluidez” da representação de “mau aluno” em contraste com a solidez da representação de “bom aluno” revela uma certa timidez na rotulagem das crianças, o que pode revelar a influência das discussões acadêmicas sobre inclusão na formação de crianças. representações. Portanto, a inteligência, vista como um dom inato, determina ser um bom aluno, numa visão que permanece inata, mas é negada ou rejeitada, pelo menos no discurso quando se fala de maus alunos: “como devo chamá-los de estúpidos. É com base na representação de um “bom aluno” que os professores constroem as suas expectativas sobre o futuro académico e profissional dos seus alunos, é imperativo compreender a dinâmica destas representações e a sua relação com as práticas escolares, de modo a vislumbrar um caminho que conduza à sua mudança, revelando a necessidade de pesquisas futuras envolvendo essa relação.

Por fim, voltamos ao título desta pesquisa resumindo e condensando em uma única frase a representação social dos professores sobre o “bom aluno”: “Eu explico uma vez, eles fazem.”, representa em última análise o que todos esperam. seus professores, os alunos, ou seja, o aluno ideal, personificado no aluno que chega à escola com condições cognitivas, emocionais e familiares para atender às suas expectativas.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O uso de dados grafofonéticos na aquisição da leitura e sua relação com: conhecimento das letras, consciência fonológica e conceitos de escrita. Relato verbal e julgamento do professor sobre o desempenho dos alunos: relação com os comportamentos observados em sala de aula. Categorização, formação de conceitos e processos de construção de mundo: procedimento de classificação múltipla para o estudo de sistemas conceituais e sua forma de análise através de métodos multidimensionais.

Profecias auto-realizáveis ​​na sala de aula: expectativas dos professores como determinantes não intencionais da capacidade intelectual dos alunos.

ESTUDO PILOTO

METODOLOGIA

De acordo com esse procedimento, os professores receberam pequenos cartões na primeira entrevista e foram solicitados a escrever neles os nomes de seus alunos (um por cartão). Em seguida, foi solicitado que organizassem livremente os cartões em grupos, de modo que todos os elementos de um grupo tivessem características em comum que não eram compartilhadas por elementos de outros grupos. Quando teve certeza de sua categorização, foi solicitado que explicasse os critérios adotados, justificando a inclusão de cada elemento em cada grupo.

As entrevistas foram gravadas e transcritas; Foi então realizada uma análise de conteúdo para determinar os critérios utilizados pelos professores nesta primeira entrevista. Os critérios utilizados pelos oito professores foram elencados pelas pesquisadoras e escritos em pequenos cartões (uma palavra ou expressão por cartão). Foram adicionados mais dois cartões: um com a frase “bom aluno” e outro com a frase “mau aluno”.

Todos os cartões foram apresentados a cada professor em uma segunda entrevista, na qual cada sujeito foi novamente solicitado a organizar os cartões livremente, seguindo o mesmo procedimento utilizado na primeira entrevista. Após o procedimento de classificação múltipla, foi solicitado aos professores que colocassem ao lado dos cartões “bom aluno” e “mau aluno” as palavras que melhor definem cada uma dessas categorias. Nesta altura, o número de elementos pertencentes a cada grupo era determinado pelo próprio professor, não sendo necessária a inclusão de todos os cartões.

Em seguida, foi solicitado ao professor que escolhesse, em ordem de prioridade, dentre todos os atributos do grupo, apenas cinco que melhor definissem o conceito de “bom aluno” e “mau aluno”.

ANÁLISE DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Esta categoria reunia qualidades que para este grupo de professores não poderiam fazer parte do conceito de “bom aluno”. No centro desta segunda categoria estava o atributo lentidão de aprendizagem, em oposição ao atributo mais próximo da categoria “bom aluno”, velocidade de aprendizagem. Ressalta-se aqui que o atributo “mau aluno” esteve presente entre as características para classificação, mas metade dos professores pesquisados ​​não conseguiu enquadrar esse atributo em nenhuma categoria.

Isso fez com que a categoria “mau aluno” não existisse como um conceito estruturado baseado em alguns atributos, demonstrando que, para esse grupo de professores, existe um conceito de “bom aluno” que se refere ao “aluno ideal” e aos atributos. que se afastam deste conceito, mas não se estruturam em torno de um conceito oposto. Por exemplo, a partir da análise da categoria “bom aluno”, podemos perceber que o forte atributo autoestima não é tão central nesta categoria. A falta de uma representação estruturada do “mau aluno” pode ser um ponto positivo, pois as crianças que se desviam da representação do aluno ideal não se tornam automaticamente o seu oposto.

É interessante notar que os resultados do segundo procedimento realizado na segunda entrevista - dirigiram associação de características com os conceitos “bom aluno” e “mau”. Na categoria “bom aluno”, as cinco palavras mais citadas pelos professores foram: autonomia, curiosidade, segurança, apoio familiar e cooperação. No procedimento orientado, cada característica foi explicitamente associada a um dos conceitos – bom ou mau aluno – de forma deliberada e bastante consciente.

Neste sentido, é interessante verificar que no Procedimento de Classificação Múltipla os atributos mais fortemente relacionados com o conceito de bom aluno são maioritariamente atributos cognitivos, enquanto no procedimento dirigido este tipo de atributos. não é o mais citado.

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Figura 1 - Configuração da distância Euclidiana dos atributos relacionados a bom e a  mau aluno
Tabela 1. Resultado das correlação de Spearman e da  correlação parcial entre os escores nos  atributos mais relevantes de aluno ideal e a classificação dos alunos no quesito “bom aluno”
Tabela 3. Relação entre a classificação dos alunos efetuada pelas professoras e a classificação  prevista pela análise discriminante, nos grupos definidos em relação às expectativas de sucesso  futuro na escola
Tabela 2. Resultado da correlação de Spearman entre os escores nos atributos mais relevantes de  aluno ideal e a classificação dos alunos no quesito “sucesso futuro na escola” (N=104)
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Referências

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