O objetivo desta monografia é analisar o fenômeno do dumping social e a aplicação da compensação complementar prevista no artigo 404, parágrafo único do Código Civil. O objetivo desta monografia é estudar o fenômeno do Dumping Social e a aplicação da compensação complementar prevista no artigo 404, parágrafo único do Código Civil.
MODALIDADES DO DUMPING
Quando a legislação antidumping é adotada e posteriormente regulamentada no ordenamento jurídico brasileiro, vale ressaltar que o país oferece a mesma ideia de dumping que outros países. Silva (2005, apud Fernandez, 2015, p. 85) diz que o dumping social “é baseado em questões relacionadas ao custo da mão de obra”, portanto é possível vincular esse tipo de dumping à legislação trabalhista e às consequências no âmbito jurídico para avaliar o sistema brasileiro.
CARACTERÍSTICAS DO DUMPING SOCIAL
- Concorrência Desleal
- Agressões Reincidentes
- Ofensa aos Direitos Trabalhistas
- Danos Sociais
Assim, pode-se concluir que para que exista dumping social são necessários comportamentos repetidos, que violem os direitos dos trabalhadores, para desestabilizar a estrutura social. Portanto, a existência de mais de um comportamento é essencial para que ocorra o dumping social e para que a presença de danos sociais seja evidente. Devem, portanto, existir violações dos direitos laborais, mas é preciso saber como separar as condições económicas da prática do dumping social.
Souto Maior, Mendes Moreira e Souto Severo (2014, p. 25), defendem que o dumping social contradiz a ideia constitucional sobre os direitos dos trabalhadores, fazendo com que se manifestem danos sociais, em detrimento da melhoria das condições sociais de trabalho. Estas práticas que provocam o dumping social exploram negativamente os trabalhadores, bem como o trabalhador que ignora as condições mínimas de emprego e a saúde ocupacional. A prática do dumping social também pode afetar a sociedade ao aumentar a taxa de desemprego, e a concorrência desleal faz com que diversas empresas, que cumprem as leis trabalhistas, fechem as portas.
Outras empresas têm apenas duas opções: cessar as operações ou aderir ao grupo de dumping social.
DUMPING SOCIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Desta forma, por ações que violam os direitos sociais dos trabalhadores, as empresas não cumprem a sua função social, e as consequências das suas ações não beneficiam a sociedade. Nesta perspectiva, práticas repetidas que reduzem ou mesmo suprimem os direitos laborais criam o fenómeno do dumping social. Os direitos sociais dos trabalhadores elencados no artigo 7º da Constituição Federal de 1988 foram protegidos pelo ordenamento jurídico e evoluíram ao longo dos anos.
Constantemente ignorando os direitos sociais dos trabalhadores, deve-se enfatizar que os danos resultantes das práticas vão além do trabalhador em questão. Observa-se que não só a classe trabalhadora é afetada por tais normas, mas também outras empresas que normalmente respeitam os direitos sociais e exigem uma concorrência leal. Esta sanção visa não só penalizar a empresa que comete a ação ilegal, mas também reparar os danos causados pelas práticas, bem como prevenir novos comportamentos que possam violar os direitos sociais.
Desta forma, ao combinar estes elementos surge a responsabilidade civil, cujo objetivo será o estabelecimento do status quo e a restauração de direitos.
APLICAÇÃO DA INDENIZAÇÃO SUPLEMENTAR DO ARTIGO 404, PARÁGRAFO
As normas do direito civil são, portanto, fontes interativas de lacunas no direito do trabalho. Para uso subsidiário, não deve haver incompatibilidade com a legislação trabalhista e nem renúncia às normas trabalhistas. Ressalte-se que não pode haver incompatibilidade entre as normas do direito civil e do direito trabalhista.
Desta forma, é plenamente aceitável a aplicação do parágrafo único do artigo 404.º do Código Civil, nos termos da Declaração n.º, as razões da ordem positiva para a imposição de indemnização adicional ao agressor persistente”. Por fim, combinando a ideia de que a legislação civil pode ser aplicada ao direito do trabalho e de que ao Estado é conferido o poder de punir práticas que resultem em danos, conclui-se que nos casos de dumping social, o dumping social pode ser imposto através de punição estatal para o danos causados aos direitos coletivos dos trabalhadores. Conclui-se, portanto, que é plenamente aceitável a aplicação da indenização complementar prevista no artigo 404, parágrafo único do Código Civil, contra o Direito do Trabalho e como forma de punição ao cometimento de dumping social, embora a legislação não preveja isto. como esta sanção será aplicada.
Contudo, é possível analisar a possibilidade da atuação do Ministério Público do Trabalho e Emprego, no sentido de repor os danos sociais sofridos.
ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO E EMPREGO NOS CASOS
Inquérito Civil Público
Civil Público, que nada mais é do que um procedimento administrativo, inquisitivo e exclusivo do Ministério Público, que visa produzir provas suficientes de lesão aos direitos sociais nas relações trabalhistas (COSTA SILVA; NETTO MANDALOZZO, 2010, p. 959). Havendo notícia de lesão ou denúncia, segundo Costa Silva e Netto Mandalozzo (2010, p. 959), o Ministério Público do Trabalho analisará se de fato há indícios de infração e a autoria, para que possa iniciar a investigação por meio de despacho e determinando o objetivo da investigação. Não havendo danos, ou seja, se não houver provas que comprovem a violação da legislação trabalhista, o inquérito poderá ser ajuizado imediatamente após aprovação pelo Conselho Superior do Ministério do Trabalho (MIRANDA, 2002 apud COSTA SILVA; NETTO MANDALOZZO, 2010 , pág. 960).
No entanto, se existirem motivos suficientes para intentar a acção, estes deverão constar do relatório final. Sobre esse tema, ainda há debate sobre a manutenção do contraditório e da ampla defesa nos Inquéritos Civis Públicos. Outra corrente, por outro lado, não vê necessidade de assegurar tal princípio, com base em argumentos como o fato de ter caráter investigativo e não ser processo administrativo, a Investigação Civil pode ser totalmente dispensada no inciso o andamento da ação civil e o afastamento do contraditório e ampla defesa garantem celeridade e economia processual (PEREIRA, 2013, p.150).
Independentemente da abordagem a ser adotada, o MPTE utilizará o Inquérito Civil para que as provas da ocorrência de dumping social sejam colhidas da melhor forma possível e possam servir de base para a instauração de uma Ação Civil Pública.
Ação Civil Pública
A Lei 7.347/85 regulamenta as características da ação civil pública, e estabelece o MP como um dos habilitados a propô-la nos casos a que se refere o artigo 1º da referida lei, inclusive nos casos em que haja interesses difusos ou coletivos. 1º O disposto nesta lei sujeita-se, sem prejuízo da ação pública, às ações de indenização por danos morais e danos materiais causados:(..). A Constituição da República de 1988 incluiu entre as funções institucionais do Ministério Público a promoção de ações civis públicas para proteção de interesses difusos e coletivos (art. 129, III) e a lei complementar 75, de 20.05.93, concedida ao Ao Ministério das Obras Públicas compete promover as ações que lhe são atribuídas na Constituição e na legislação do trabalho e promover a ação civil pública no domínio do direito do trabalho para defender os interesses coletivos quando não forem respeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos (art. 83, I e III).
Nos casos de dumping social, caberá, portanto, ao MPTE, porque este prejudica a sociedade, propor uma ação civil pública, com o objetivo de condenar a empresa que comete a infração ao pagamento de indenização adicional. 3. Todas as demais decisões proferidas pelo juiz no julgamento, de ofício ou a pedido da parte, constituem despachos. Bezerra Leite também ensina que o julgamento do juiz deve ser baseado na equidade e que “julgar com equidade torna-se não apenas uma necessidade para corrigir as desigualdades sociais, mas sobretudo um dever do juiz”.
Retirar a capacidade do juiz de agir contra o dumping social e não dar aos trabalhadores os seus direitos constitucionais.
COMPONENTES DA SENTENÇA
APLICAÇÃO EX OFFICIO DA INDENIZAÇÃO SUPLEMENTAR E O JULGAMENTO
Fernandez (2015, p. 162) diz que “a atitude judicial à luz das hipóteses de cometimento de dano social deve ter como objetivo ir além dos aspectos individuais do litígio em apreciação, e a promoção de uma proteção adequada do dano no contexto em que se insere a pretensão individual”, ou seja, a atuação do juiz não pode limitar-se aos pedidos, mas deve resolver outras crises decorrentes daquele caso específico. É portanto necessário impor uma sanção ao agente económico responsável pela prática de dumping social com o objectivo de o punir por comportamentos dotados de elevado grau de desaprovação social e também de punir tanto os autores dos danos como de dissuadir outros empregadores. a intenção de violar direitos trabalhistas para obter vantagens competitivas indevidas. Neste contexto, tendo em conta a reiterada atuação da empresa demandada, caracterizada pela supressão massiva dos direitos trabalhistas, o Juiz não pode permanecer moroso diante deste quadro processual insultuoso e danoso que provoca o uso predatório do Poder Judiciário.
No entanto, alguns tribunais têm opinião contrária, pois entendem que a aplicação da compensação por dumping social deve ser consequência de uma ação coletiva, e não de litígios individuais. O dumping social resulta do incumprimento repetido das regras sociais, o que causa danos à sociedade. Embora a possibilidade de aceitação do dano coletivo em decorrência do dumping social seja hoje reconhecida pela doutrina e pela jurisprudência, é inegável que o direito de propriedade pertence à coletividade, ou seja, não pode ser postulado ou atribuído em ações individuais.
Apesar da opinião de alguns tribunais, deve-se analisar que o magistrado não é responsável apenas pela aplicação da lei ao caso específico, mas sim por julgar com justiça, ou seja, analisar todos os detalhes dos casos e pronunciar um veredicto de punição justa que satisfaz os direitos lesados.
DESTINAÇÃO DA VERBA RECEBIDA COMO INENIZAÇÃO SUPLEMENTAR
Portanto, não basta reconhecer o dumping social, mas saber a melhor forma de compensar os danos. 4º da Jornada de Direito Processual e Material do Trabalho, que dispõe que, diante dessa prática, o Poder Judiciário deverá aplicar a indenização adicional prevista no artigo 404, parágrafo único do Código Civil. Surge assim a questão de saber se o juiz do trabalho em casos que demonstrem a prática de dumping social poderá utilizar a indenização adicional como forma de sanção ao empregador e também como forma de reparar os danos que a sociedade sofreu.
Estudiosos e advogados defendem que cabe ao juiz, nos casos em que haja indícios da prática de dumping social, informar o Ministério Público do Trabalho e Emprego, que através dos seus meios de atuação, nomeadamente a Investigação Civil Pública e o Serviço Público A Ação Civil investiga as práticas de empresas e empregadores, para determinar se existe ou não existência de dumping social. Dessa forma, se o processo que tramita na Justiça do Trabalho fornece base suficiente para a investigação de dumping social, não é necessária a abertura de inquérito civil ou mesmo de ação civil pública para garantir celeridade e eficiência processual. Um destino possível é o Fundo de Defesa de Direitos Difusos, que visa reparar danos ao meio ambiente, aos consumidores, aos bens e aos direitos.
Desta forma, o FDD actuaria activamente para reparar os danos causados pelo dumping social. Conclui-se, portanto, que caso exista dumping social, o juiz deve analisar a possibilidade de aplicação de indenização adicional com o objetivo de penalizar a empresa/empregador e também os danos sofridos pela sociedade e a razão das práticas para restaurar Danos sociais causados pela prática do dumping social: como esse novo paradigma é enfrentado pela justiça trabalhista brasileira.