Ao final, será apresentado projeto de estatuto da adoção elaborado pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família, que visa tratar o instituto da adoção separadamente, garantindo assim os princípios do melhor interesse e da proteção integral, além de oferecer solução para aprimorar o instituto da adoção e mudar a realidade das crianças que crescem institucionalizadas e "invisíveis". O atual trabalho de encerramento tratará naturalmente da institucionalização de crianças e adolescentes em meio à lentidão do processo de adoção. O tema foi escolhido em decorrência do interesse em investigar as peculiaridades que envolvem o procedimento de adoção tardia, tendo como vetor o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente.
Visto que o objetivo principal do estudo será retratar os entraves para adoção no atual sistema brasileiro, bem como suas consequências, que é a institucionalização de crianças que crescem em abrigos. Nota-se que o instituto da adoção existe há séculos, tendo em sua origem o propósito de evitar a vergonha de um chefe de família morrer sem deixar descendentes.
Evolução Histórica da Adoção no Brasil
Posteriormente, seguindo os princípios estabelecidos com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil em 1988, exclui-se definitivamente qualquer distinção entre adoção e filiação, o que resguarda o princípio da proteção integral e do melhor interesse da criança e do adolescente. O artigo (art.º) 227º, nº 6 da CR/88 acrescenta que “Os filhos, nascidos da relação conjugal, ou por adoção, têm os mesmos direitos e qualificações, vedadas quaisquer designações discriminatórias relacionadas com a filiação”. (BRASIL, 1988). Com a entrada em vigor do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.
A partir da década de 1990, um novo paradigma passou a nortear a adoção: a busca de uma família para aqueles que não tiveram a possibilidade de permanecer na família biológica, regendo-se, assim, o melhor interesse da criança e do adolescente como orientação legal . Em 2009, a Lei n. Entrou em vigor a Lei 12.010, que atribuiu ao Estatuto da Criança e do Adolescente para regulamentar a adoção de menores de 18 anos, deixando para o Código Civil apenas a adoção simples, ou seja, para maiores de 18 anos. . Vale ressaltar que a Lei n. 12.010/09 priorizou a manutenção da criança no domicílio, na família biológica.
Esta seção apresenta alguns dos princípios constitucionais que orientam a família e implementam os direitos da criança e do adolescente. Daí o reconhecimento de inúmeros princípios constitucionais implícitos, sem hierarquia entre princípios constitucionais explícitos ou implícitos.” (DIAS, 2016, p. 71, grifo nosso). No âmbito do direito de família, identificam-se princípios norteadores das relações familiares, a saber: princípio da dignidade da pessoa humana (inciso 82, III, do art. 1º, CF/1988), da solidariedade familiar (inciso I, do art. 3º, CF/ 1988) da equiparação de filhos e a proibição de referências discriminatórias à paternidade (art. 227, § 6º, CF), o melhor interesse da criança e do adolescente e a proteção integral (art.
Assim, para a elaboração do presente trabalho, os princípios que abordaremos estão diretamente relacionados ao instituto da adoção, ou seja, o princípio da dignidade da pessoa humana; proteção completa; o princípio do maior benefício da criança e do adolescente e o princípio da afetividade.
Princípio da dignidade da pessoa humana (Art. 1º, III, CR/88)
Tais princípios foram criados para garantir a proteção dos direitos fundamentais das famílias e foram implementados no ECA. e 230, princípios de extrema importância nas relações familiares, que constam ainda que implícita ou explicitamente no KP e no ECA. O princípio da dignidade humana está implícita e explicitamente introduzido em todo ordenamento jurídico, é a essência de todas as relações sociais.
Vale dizer que o princípio da dignidade da pessoa humana é o sol de todos os princípios, como os demais irradiam. A preocupação com a promoção dos direitos humanos e da justiça social levou o eleitor a consagrar a dignidade da pessoa humana como valor central da ordem constitucional. Assim, o Estado deve não apenas cumprir o dever de abster-se de atos contrários à dignidade da pessoa humana, mas também promovê-los de forma que assegure uma vida digna para todos.
Desta forma, o direito de família elevou a dignidade da pessoa humana a um patamar em que a família, mas também o Estado, deve servir de instrumento de promoção da dignidade humana. Para o autor, a família já tem um papel funcional para servir de instrumento de promoção da dignidade da pessoa humana. O autor Silvio de Salvo Venosa enfatiza o papel fundamental desempenhado pelo princípio da dignidade da pessoa humana na instituição da família, independentemente de sua constituição, seja biológica ou afetiva.
Não há, portanto, dúvidas sobre a importância da aplicação do princípio da dignidade da pessoa humana no instituto da adoção.
Princípio da afetividade
O princípio do melhor interesse da criança e do adolescente é considerado fundamental no direito de família moderno e tem como fundamento o art. O “melhor interesse” é reflexo do caráter abrangente da Doutrina Jurídica da Proteção Integral, que orienta a Lei da Criança e do Adolescente e está estritamente ligada à doutrina dos direitos humanos em geral. Entendemos o instituto da adoção como um casamento de princípio do melhor interesse, pois buscamos uma família para uma criança institucionalizada, que se sujeita a esse princípio para melhor atender às necessidades de crianças e adolescentes.
Este trabalho irá assim demonstrar a necessidade de concretização do princípio do melhor interesse, face a um caso concreto, onde o operador da lei deverá aplicá-lo no interesse da criança e do jovem de acordo com os preceitos constitucionais e infraconstitucionais. lances. . O instituto da adoção busca concretizar o princípio do melhor interesse da criança e do jovem, colocando-os em família substituta, na qual devem constituir vínculos de apego e afeto. O objetivo da nova lei da adoção foi dar prioridade ao acolhimento e ao acompanhamento da criança e do jovem no seu convívio familiar, junto da sua família biológica, desde que corresponda ao superior interesse da criança, e apenas conceder a adoção ou a respetiva colocação. em família substituta como uma solução excepcional.
Este é, inclusive, o espírito do artigo 19º da Carta da Criança e do Adolescente quando estipula que “toda criança ou jovem tem o direito de ser criado e educado no seio da sua família e, excecionalmente, em família de acolhimento”. Esse procedimento é imprescindível, pois assim que esgotadas todas as possibilidades de colocação da criança, a adoção poderá ser concedida. A ação de adoção é apreciada no Juizado da Infância e da Juventude da comarca onde o adotado está localizado, sendo tratada com absoluta prioridade.
Desta forma, entende-se que o processo de adoção, depois de transitado em julgado e sem recurso, cria todos os efeitos jurídicos do parentesco, cega qualquer forma de discriminação. Recentemente, foi aprovada a Lei nº, que traz mudanças quanto ao procedimento de adoção no ECA, CC e CLT. O doutrinador menciona os entraves que o sistema coloca à entrega de crianças para adoção, desrespeitando o princípio constitucional do melhor interesse da criança.
A morosidade do procedimento e os equívocos quanto à interpretação
Apesar dos remendos feitos no ECA, quanto ao instituto da adoção, continua a excessiva burocratização, a começar pelo registro de habilitação dos requerentes à adoção, que é seguido cronologicamente, além de haver um grande temor de que as pessoas furem a corda da adoção. Com isso, as crianças são impedidas de ter acesso à comunidade por medo de que alguém se apaixone e decida adotá-las fora de linha. Nesses casos, deve prevalecer o melhor interesse da criança e do adolescente, respeitando-se o direito de viver em comunidade.
Já que durante a preparação promovida pelo fórum em cada região, a pessoa habilitada deve visitar uma instituição onde as crianças ficam abrigadas apenas uma vez e por algumas horas. Urge cumprir o mandato constitucional que garante aos cidadãos de amanhã com absoluta prioridade o direito à convivência familiar, que não é sinónimo de família biológica. Em teoria, o processo de adoção deveria correr com prioridade absoluta, mas na prática a realidade é outra.
Falta preparo técnico das equipes para atuar nos processos de adoção e dar o impulso necessário, tanto aos tribunais quanto aos servidores envolvidos, ou aqueles que atuam diretamente com os menores acolhidos. O resultado disso é o grande “depósito” de crianças que se acumulou em todo o Brasil em casas de acolhida (DIAS, 2017). Tanto que não se vê um esforço conjunto em favor das crianças e adolescentes encarcerados nos abrigos brasileiros.
Considerando e conforme apresentado ao longo do trabalho, nota-se que o processo de adoção torna-se tedioso, extenso e interminável, tanto para as crianças e adolescentes que se encontram “presidiários” quanto para os que desejam adotar, que em muitos casos carecem de motivo de interesse e dar . na adoção, bem como o envelhecimento de crianças e adolescentes.
As crianças invisíveis e o Estatuto da Adoção (IBDFAM)
O procedimento para a dissolução do poder familiar, quando o Ministério Público Estadual ajuizar ação de extinção, se não for requerida de ofício, já está determinado pelo juiz. Ou seja: se o Ministério Público tomar medidas para afastar os pais do poder familiar, devemos respeitar a norma constitucional que visa o melhor interesse da criança, que não deve ser internada. Com tantos equívocos e entraves, é realmente necessário que o instituto da adoção tenha um procedimento próprio, bem como um estatuto próprio, pois não é a favor de fazer mais correções no ECA.
O instituto da adoção é uma forma de garantir a dignidade humana da criança e do adolescente e garantir seus direitos, integração em uma família e um novo lar, nesse sentido o objetivo do presente trabalho foi uma análise crítica dos entraves ao atual sistema de adoção. . Atualmente, a instituição da adoção é vista como medida excepcional, havendo um entendimento preconceituoso e equivocado de que o melhor para a criança é ser reintegrada à família biológica. Durante o trabalho, percebe-se que a realidade do processo de adoção no Brasil é cruel para crianças e adolescentes, pois prevalece a burocracia e a lentidão, o que dificulta a colocação em família substituta, visto que cada vez há mais crianças e crianças protegidas. Jovens.
A busca pela família extensa também traz um grande atraso no processo de desvalorização do poder familiar, que inicialmente se arrasta por muito tempo, pois são necessárias perícias, estudos complementares, sociais, psicossociais e oitiva de testemunhas, que consequentemente. torna a adoção demorada porque enquanto não ocorre o empobrecimento e a criança não está disponível para adoção. Além da interpretação unilateral da norma, a agência de adoção enfrenta um sistema de cadastro ineficaz, em que há uma fila que é respeitada cegamente e os candidatos inscritos buscam um perfil desejado que, na maioria das vezes, não condiz com os filhos à disposição. Tendo em vista o princípio do melhor interesse e o direito à convivência familiar, o correto seria procurar a família que melhor atendesse ao perfil da criança e do adolescente disponível para adoção, pois não há urgência e segundo dados do CNA e CNCA, o número de interessados em adoção é muito maior do que o número de crianças disponíveis para adoção.
Diante de tudo o que foi exposto na pesquisa, fica claro que a adoção é um meio de introduzir a criança e o adolescente em uma família substituta permanente e esta.