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ANTÔNIO CONSELHEIRO E AS PRÉDICAS DO BELO MONTE

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Academic year: 2023

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O objetivo desta dissertação é destacar a fala de Antônio Vicente Mendes Maciel ou Antônio Conselheiro por meio de uma leitura crítica de seus sermões contidos em Antônio Conselheiro e Canudos (1997), editado e publicado por José Carlos de Ataliba Nogueira. Antônio Conselheiro foi líder de um grande grupo de terras nordestinas no maior movimento social da história do Brasil: a comunidade de Belo Monte ou Canudos. Para discutir essa questão, concentra-se este texto de dissertação intitulado Antônio Conselheiro e as Prédicas do Belo Monte: Palavra e Fé no Sertão.

HISTÓRIA CULTURAL: UMA PERSPECTIVA NÃO HEGEMÔNICA

Nesse sentido, destacamos aqui a importante influência que Padre Ibiapina25 teve na carreira de Antônio Conselheiro. Antônio Conselheiro foi sem dúvida um dos personagens mais vilipendiados da história do Brasil. Contudo, não seria esse o tom que regeria a grande maioria das publicações que este jornal assumiria sobre Antônio Conselheiro e seus seguidores.

O SERTÃO SOB O IMPACTO DA REPÚBLICA

Assim, o massacre foi considerado necessário pelos detentores do poder, para a saída de Antônio Conselheiro e seus seguidores. Assim, sob o comando do major Febrônio de Brito, em 25 de novembro de 1896, a segunda expedição militar contra Antônio Conselheiro e o acampamento de Belo Monte partiu de Salvador com destino a Queimadas, sob o comando do capitão Virgílio Pereira de Almeida. Essas informações revelam o nível de envolvimento do compatriota com os ideais e a liderança de Antônio Conselheiro.

Era uma previsão do que estava para acontecer com Antônio Conselheiro e os canudenses, pois a partir daquele momento se tornara iminente a destruição total do acampamento de Belo Monte. O imensurável peso de responsabilidade que se acumulou sobre os ombros de Antônio Conselheiro, se não ajudou a criar, certamente agravou o mal que fez o líder do acampamento de Belo Monte desmaiar de náuseas. Belo Monte foi fruto da conscientização de um povo que historicamente sempre foi oprimido e, a partir da fala de Antônio Conselheiro, decidiu se libertar.

Porém, a aniquilação total do acampamento de Belo Monte não foi completa para quem a executou - foi preciso descobrir a localização de Antônio Conselheiro e erguer sua cabeça como troféu da República. Neste momento mando um dos meus, pedindo ao mesmo general que me conte o que aconteceu com Antônio Conselheiro. Monte Santo – A notícia da captura de Canudo e da confirmação da morte de Antônio Conselheiro foi recebida com aplausos gerais pelo governo e.

Os crimes contra Canudos não se limitaram à destruição de seus habitantes, de seu acampamento e à mancha do cadáver de Antônio Conselheiro. Em 2017, esses manuscritos foram publicados pelo professor e pesquisador Pedro Lima Vasconcelos sob o título Antônio Conselheiro por Ele mesmo. Os sermões de Antônio Conselheiro foram gravados; e quando os lemos fica claro quão inofensivos eram, pois refletiam a obscuridade intelectual do infeliz.

ANTÔNIO CONSELHEIRO: PALAVRA E FÉ NO SERTÃO

Primeira parte: meditações sobre as dores de Maria

Tempestades que se levantam no coração de Maria por ocasião do mistério da Anunciação

Os sentimentos de Maria pela pobreza em que se encontrava, no momento do nascimento do seu Divino filho.

Sentimentos de Maria por causa da pobreza em que se achava, por ocasião do nascimento de seu Divino filho

Humilhação de Maria no Mistério da apresentação

Dor de Maria na profecia de Simeão

Dor de Maria por ocasião de sua fugida para Egito

Dor de Maria pela morte dos inocentes

Desolação de Maria durante o seu desterro do Egito

Maria não se recusa a cumprir a ordem divina, mas por se tratar de um caminho difícil, está muito preocupada com o bem-estar do filho e do marido. Antônio Conselheiro enfatiza aqui a importância do cumprimento da vontade divina, observando o cuidado consigo mesmo e com os semelhantes, especialmente aqueles para quem, por dever estabelecido, temos a responsabilidade de zelar pelo seu bem-estar e segurança.

Dor de Maria na perda de seu Filho no Templo

Sentimento de Maria na morte dos seus pais

Dor de Maria durante a vida particular de Jesus de Nazaré

Sentimento de Maria quando seu Filho se retirou para o deserto

Dor de Maria por causa das injúrias proferidas contra o seu filho

Dor de Maria por ocasião da permissão que Jesus lhe pediu para suportar a morte

Assim, devedores de Nossa Senhora, procuremos confortá-la, desarmar a justiça eterna e inserir o valor desta grande Virgem, para que possamos nos beneficiar da difícil carreira do Filho e dos suspiros chorosos da Mãe (MACIEL, 1897, pág. 89).

Dor de Maria na prisão do seu filho

Dor de Maria na flagelação de seu filho

Dor de Maria quando seu filho foi apresentado por Pilatos

Neste sentido, o peregrino exorta os seus ouvintes a consolarem Maria e a reformarem as suas vidas pecadoras: “[..] procuremos consolá-la, reformamos as nossas vidas; Mãe da Misericórdia ( MACIEL, 1897, p. 94). Mãe e filho têm o coração dilacerado ao se verem na cena implacável onde só conseguem se comunicar através da comovente linguagem do coração. Antônio Conselheiro convida seu público a refletir sobre sua prática, que culminou nos grandes sofrimentos de Maria e Jesus.

Dor de Maria na agonia de Jesus

Dor de Maria quando os soldados repartiram entre si os vestidos de seu Filho

Antônio Conselheiro compara as dores de Maria durante a Paixão de Cristo com as do personagem bíblico Jacó, que, ao ser informado de que seu filho havia sido morto por animais selvagens, só conseguiu olhar para sua túnica, enquanto Maria não só olhou para a túnica, mas também olhou na vítima. - seu filho Jesus, portanto sua dor é maior que a de Jacó. Consideremos, portanto, estas verdades; e se nos encontrarmos destituídos de graça, peçamos a Maria que dela nos cubra, sabendo que o que ali serviu de amargura se tornará aqui objeto de especial consolação (MACIEL, 1897, p. 99).

Compaixão de Maria na sede de seu Filho pregado na Cruz

Dor de Maria na agonia de Jesus 72

Dor de Maria quando seu Filho lhe falou da Cruz

Martírio de Maria na morte de seu Filho

Dor de Maria quando o lado de seu Filho foi aberto com uma lança

Dor de Maria no descimento da Cruz e funeral do cadáver de seu Filho

Dor da Senhora em sua Soledade

Maria, Rainha dos Mártires

Segunda parte: os dez mandamentos da lei de Deus

Treinem, portanto, vivamente nesta verdade e resistam àquele que os convida a prestar um juramento falso” (MACIEL, 1897, p. 120). Mas segundo o conselheiro: “Vou demorar, disse Deus, para julgar a justiça” (MACIEL, 1897, p. 122), ou seja, o peregrino afirma que tais juízes responderão, diante de Deus, por seus atos. Por fim, Jesus é apresentado ao público como um exemplo de justiça a ser seguido, pois ele, como Deus, “[..] não deixou de ser o mais humilde, o orgulho desprezado, sincero em fazer a justiça” (MACIEL, 1897, pág. 123).

Deus santifica o domingo e os dias santos de preceito74, ouvindo missa, lendo livros espirituais, rezando o terço e acompanhando os atos de religião” (MACIEL, 1897, p. 123). Lutar contra o pecado para alcançar os bens da glória, que são de um valor tão precioso que ninguém consegue explicar a sua grandeza (MACIEL, 1897, p. 126). Para ele “Se o primeiro passo dado pelo ladrão na carreira do crime fosse imediatamente punido com rigor, a ponto de não sair da prisão, não haveria tantos desastres” (MACIEL, 1897, p. 141 ).

Pois é verdade que não querer abandonar a culpa é sinal de prestígio; e deixar-se entrar nele é querer ir para o inferno (MACIEL, 1897, p. 151). A oração que produz eficácia está aqui condicionada à observância dos mandamentos, pois: “como será possível a Deus aceitar a oração de quem não guarda os seus mandamentos?” (MACIEL, 1897, p. 151). Mas sendo um homem de muito claro entendimento, conheceu o seu erro e rapidamente se arrependeu e fez penitência, e Deus lhe perdoou o seu pecado (MACIEL, 1897, p. 153).

Palavras com que condenam a eloquência humana, e inculcam a eficácia necessária para reprovar os vícios e despertar o coração ao temor e ao santo amor de Deus” (MACIEL, 1897, p. 162).

Terceira parte: textos extraídos da sagrada escritura

Assim, nessas meditações de Antônio Conselheiro, não vemos nada além de um autor promovendo considerações afins e nada abstrusas, completamente ligadas ao texto bíblico, realizadas com força argumentativa clara, moderada, comprometida com a mensagem divina mais tangível. , numa verdadeira atitude de amor ao próximo, o que aconteceu naturalmente, como reflexo do amor de Deus que o peregrino tinha dentro de si. Pois estes ouvintes, não sendo homens espirituais, não gostam do espiritual, e tratam apenas do temporal: se a santa doutrina não fosse algo tão necessário para a salvação dos homens, e não tivesse sido ditada e ensinada por nosso Senhor Jesus. O próprio Cristo (MACIEL, 1897, p. 162). O conselheiro se concentra em mostrar aos seus ouvintes que a morte de Jesus na cruz faz parte do plano de Deus para a salvação da humanidade e, como tal, deve ser apreciada por eles.

Dionísio, o Areopagita, famoso astrólogo e matemático, que ainda é pagão, não tendo a luz da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, em Hierópolis, cidade do Egito, e vendo algo tão novo e maravilhoso, à medida que o sol escurece e escurece . tão milagroso com a interposição da lua contra toda a ordem natural; maravilhado com este sucesso, exclamou: Ou Deus, autor da natureza, sofre ou a máquina do mundo desmorona. Longuinhos, após ferir o lado de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao ver-lhe restaurada a visão, depois de ficar cego, arrependeu-se e confessou Nosso Senhor Jesus Cristo como verdadeiro Deus (MACIEL, 1897, p. 164). É bastante significativa a dedicação do Conselheiro em fazer com que seus ouvintes reconheçam Jesus como salvador e salvador.

E por isso João Crisóstomo diz que a lição dos Livros Sagrados é muito importante, porque através dela a alma recebe a santificação e a graça do Espírito Santo (Homil., 31). E muitos outros inúmeros homens, através das lições dos bons livros, tornaram-se tão grandes santos como vocês leram e ouviram falar (MACIEL, 1897, p. 166-167). O cuidado que Antônio Conselheiro tem com seus ouvintes, para conscientizá-los de que a maior motivação para que eles se voltem para Deus, se arrependam de seus pecados e assumam uma nova vida em busca da salvação, está no sacrifício de Jesus. , sem dúvida uma clara demonstração de amor por isso.

Seus argumentos, baseados no texto bíblico, bem como seus posicionamentos, em consonância com o que pregava, não permitem outra compreensão senão a de que se tratava de um missionário que ansiava ver a mensagem de salvação chegar a essas pessoas, a partir da observância dos preceitos missão divina – nobre erroneamente associada ao fanatismo religioso.

Quarta parte: prédicas de circunstâncias e discursos

E São Bernardo diz que numa missa oferecemos muito mais a Deus do que se dermos tudo o que temos aos pobres, mesmo que fôssemos Senhor do universo e demos esmolas ao mundo inteiro, com os seus rendimentos (MACIEL, 1897 , pág. 175). Bem-aventurados aqueles cujos pecados são perdoados por Deus ao participarem da comunhão com o Pai, que é um “[..] dom além de tudo o que um Deus Todo-Poderoso pode dar” (MACIEL, 1897, p. 178). Mais tarde, em resposta à oração de Salomão, Deus diz: “Ouvi a tua oração, santifiquei esta casa e os meus olhos e o meu coração aqui estarão sempre atentos a todos os que me invocam” (MACIEL, 1897, p. 180) .

E tem o cuidado de transmitir essa compreensão aos seus ouvintes, chegando a afirmar que: “O templo de Salomão, como o antigo tabernáculo, é a imagem das nossas Igrejas” (MACIEL, 1897, p. 181). Contudo, o peregrino atribui ajuda completa ao Filho de Deus: “Seria impossível, fiéis, construir a igreja de Santo Antônio se Bom Jesus deixasse de me dar sua poderosa ajuda” (MACIEL, 1897, p. 181). Na parábola da lâmpada, Jesus diz: “Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um prato ou a coloca debaixo da cama, mas acende-a num candelabro para que quem entra veja a luz [. ..]” (MACIEL, 1897, p. 185).

Antônio Conselheiro começa afirmando claramente sua posição em relação à República, o novo regime vigente na época: “[..] é sem dúvida um grande mal para o Brasil [...]” (MACIEL, 1897, p. 185). Afinal, é necessário que seja feita a sua vontade divina, que é combater o diabo que quer acabar com a fé da Igreja (MACIEL, 1897, p. 187). Portanto, é sábio e justo que os pais não obedeçam à lei do casamento civil e evitem ofensas gravíssimas em matéria religiosa que afetem diretamente a consciência e a alma (MACIEL, 1897, p. 189).

Rogo ao céu para que tão ardente desejo seja retribuído com aquele arrependimento sincero que tanto deve cativar seus afetos (MACIEL, 1897, p. 197).

Referências

Documentos relacionados

a) Durante o período de transição do novo Plano Diretor (de 2020 a fevereiro de 2023), havia um grande estoque de Transferência de Direito de Construir (TDC) no mercado.