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Artigos DIREITO TRIBUTÁRIO E CONTABILIDADE

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Academic year: 2023

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11.638 e 11.941 introduziram diversas alterações nos critérios e métodos de registro dos fatos econômicos da pessoa jurídica na contabilidade comercial, baseadas fundamentalmente na primazia da essência econômica sobre a forma jurídica e na visão prospectiva dos fatos. Para tanto, e com vistas a refletir fielmente as variações do patrimônio da pessoa jurídica, a contabilidade, após as renovações das leis n. 11.638 e 11.941, baseou-se em três principais premissas, princípios ou critérios norteadores, a saber: a) primazia da essência econômica sobre a forma. Prioridade da essência econômica sobre a forma jurídica A “essência econômica sobre a forma jurídica” é um ponto de partida da Contabilidade.

Ressalte-se que o princípio da essência econômica sobre a forma jurídica já havia penetrado na ciência contábil antes mesmo das alterações introduzidas pelas Leis n. 6.404, afirmou em 1989 que a contabilidade brasileira foi informada pelo princípio da "prevalência da substância econômica" por "considerar os fatos que admitem que a substância econômica é mais importante do que a forma jurídica. Como você pode ver, o princípio da essência sobre a forma foi consagrado em portarias e manuais de contabilidade, muito antes das Leis n.

O exemplo clássico da primazia do ser econômico, adotado em escolas, livros e artigos sobre o assunto, é o da locação financeira. Já o locador, do ponto de vista contábil da ocorrência da essência econômica, não é o proprietário do bem, ainda que o imóvel lhe pertença de direito, e apesar de a opção de compra ser mera opção colocada à disposição do locatário para ser exercida, conforme o caso, ao término do contrato. Interessante notar que o princípio da aparência de substância econômica, embora contábil, já permeou julgamentos em matéria tributária, inclusive no tocante ao arrendamento mercantil financeiro.

Apesar de o princípio da aparência da essência econômica não ter sido invocado à época, seus pressupostos acabaram por levar à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a aparência do ISS, que enfatizou os aspectos econômicos da operação. , em detrimento de sua natureza jurídica.

Subjetivismo responsável

Com base nesse novo critério contábil, determinados fatos, eventos ou transações deixam de ser contabilizados pelo seu custo histórico, passando a adotar o chamado "valor justo" (ou "valor justo"), assim entendido como "o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado na data de mensuração. (item 09 do Pronunciamento Técnico KPP 46 - Mensuração do valor justo) . "Subjetivismo responsável" também fundamenta a adoção do chamado teste de "impairment" (ou recuperabilidade de ativos), por meio do qual o contador deve avaliar as possíveis perdas ou impairments de um ativo. 01 (Redução do valor de depreciação de ativos): "Se, e somente se, o valor recuperável de um ativo for menor que seu valor contábil, o valor contábil do ativo deve ser reduzido ao seu valor recuperável.

Uma perda por redução ao valor recuperável de um ativo deve ser reconhecida imediatamente na demonstração do resultado, a menos que o ativo tenha sido reavaliado”. A adoção do “justo valor” em detrimento do valor original, bem como a adoção do teste de impairment dos ativos, revelam que uma avaliação objetiva baseada em documentos e evidências materiais tem cedido lugar, em situações permitidas por lei ou atos normativos, ao subjetivismo de o contador, com o objetivo de melhor representar a realidade patrimonial de uma pessoa jurídica e, assim, fornecer informações confiáveis ​​aos "stakeholders" alinhadas com as práticas de mercado entre entidades independentes que ocorreram hoje, e não com fatos históricos vivenciados pela pessoa jurídica em o passado.

Visão prospectiva

Como explica Nelson Carvalho, “o principal papel – aliás, o objetivo mais nobre – das demonstrações financeiras no mundo empresarial (...) é informar sobre o futuro esperado à luz do passado alcançado”11. Ainda segundo o autor, “as decisões econômicas são tomadas apenas sobre o futuro; para isso, o passado é dado, concluído, e podem ser aplicadas interpretações a ele, mas nunca interpretações que advêm da análise de alternativas que visam resultados diferentes dos já alcançados"12. A perspectiva dos usuários da contabilidade é preditiva, ou seja, voltada para o futuro, na medida em que esses usuários realizam análises de risco para suas decisões, pesquisam os fluxos de caixa esperados, verificam a capacidade de geração de lucro, etc.

Portanto, as demonstrações financeiras, que registram apenas informações históricas, e que podem conter superavaliações de passivos ou subavaliações de ativos, não fornecem informações úteis, confiáveis ​​e, portanto, necessárias e suficientes para a tomada de decisão desses usuários. A visão em perspectiva, nesse contexto, é útil para as partes interessadas e para o processo decisório, pois permite verificar o potencial de geração de riqueza da pessoa jurídica e o grau de risco do investimento, estando de acordo com o propósito da ciência contábil representar com fidelidade as variações do capital das empresas13. 13 De referir a análise de Ana Isabel Morais e José Dias Curto sobre a experiência portuguesa após a adopção das normas internacionais de contabilidade.

Segundo os autores, num estudo comparativo que abrangeu os dois anos posteriores à introdução dos novos métodos contabilísticos, verificou-se uma melhoria da qualidade da informação sobre os resultados da empresa (in: MORAIS, Ana Isabel; CURTO, José Dias.

O Direito Tributário, suas premissas e sua convivência com os novos postulados da Contabilidade

O Direito Tributário

Além de se basear na lei, a tributação é retroativa, pois se baseia em um retrato da situação econômica ocorrida no presente imediato ou iniciada naquele momento no passado e encerrada exatamente no momento da criação do tributável. (Art. 116 do Código Tributário Estadual). Conforme breves apontamentos apresentados no tópico anterior sobre legislação tributária e suas premissas, ela pode ser conciliada com a nova contabilidade. 43 O Código Tributário Nacional permite a tributação do aumento do patrimônio, que está disponível não só legalmente, mas também economicamente.

Tanto que a própria Lei Tributária Nacional, em seu artigo 43, refere-se não apenas à disponibilidade legal de renda, mas também à disponibilidade econômica. Assim, se do ponto de vista econômico as novas normas contábeis revelam a maior disponibilidade do contribuinte, não parece inconsistente com o referido dispositivo da Lei Tributária Nacional que essa maior "disponibilidade econômica" esteja sujeita à tributação prevista no art. lei22”. 43 A legislação tributária nacional, que permite a tributação de rendimentos cuja disponibilidade seja apenas econômica, é possível, ao menos em tese, para fins tributários adotar os métodos de mensuração do patrimônio que são transferidos pelas leis n.

Ademais, não se deve esquecer que a tentativa de integrar a interpretação econômica ao direito tributário não foi acolhida pelo Congresso Nacional, uma vez que o art. 74 do Anteprojeto de Lei Tributária Nacional, que continha tal dispositivo27, não foi incluído no texto final28; 110 do Código Tributário Nacional, sendo permitida a tributação da aparência econômica de fatos, atos ou empresas em detrimento de sua natureza jurídica, é importante violar conceitos de direito privado, que por vezes são adotados pelo eleitor como limitadores das normas de competência tributária.

112 do Código Tributário Nacional, considerou que “pode ser desconsiderada a prática de ato ou negócio jurídico indireto que produza o mesmo resultado econômico que o ato ou negócio jurídico oculto”. 685 também tentou introduzir a obrigação legal de informar o fisco sobre transações que consistam em atos jurídicos indiretos (art. 7, inciso II). A tributação não afetaria rendimentos, proventos ou acréscimos, mas sim o próprio patrimônio do contribuinte, pondo em risco o direito individual e fundamental à propriedade (Art. 5º, Inciso XXII, da Constituição Federal).

Palestra Inaugural do XXXIX Simpósio CEU/IICS de Direito Tributário – Aspectos Controversos do Imposto de Renda e Rendas de Qualquer Natureza. 43 do Código Tributário Nacional autorizaria a tributação, no mínimo, do imposto de renda, sobre o capital contábil. Portanto, não há total dependência do Direito Tributário da Contabilidade e, reciprocamente, não há total autonomia entre os dois.

Nesse modelo de dependência parcial pode haver: (i) convergência de conceitos, o que se verifica, por exemplo, quando o direito tributário e a contabilidade adotam conceitos jurídicos; (ii) divergência, mas coexistência, entre o conceito contábil e o conceito tributário, como ocorre na depreciação de ativos da pessoa jurídica (a depreciação contábil considera a perspectiva de geração de benefícios econômicos do ativo, enquanto a depreciação fiscal considera o desgaste físico e rasgo do bem, por uso, desastres naturais ou obsolescência normal, nos termos do art. sentido do art. 57, § 15, da Lei nº 4.506); e (iii) aplicação do conceito ou critério contábil para fins fiscais, como ocorre atualmente com relação à amortização fiscal do chamado “ágio”, permitida pelo art.

Conclusões

Pelo contrário, exige-se obediência aos seus propósitos intrínsecos e às normas em que cada um se baseia. A aceitação ilimitada do subjetivismo responsável, da essência econômica sobre a forma e da visão prospectiva do Direito Tributário, pode conduzir, a rigor, à tributação por analogia, contrária à legalidade, segurança jurídica e capacidade contributiva, sem prejuízo de também contrária às normas . de competência e a norma do art. No entanto, tentativas como essas não têm respaldo em nosso ordenamento jurídico, pelas razões expostas acima, devendo, portanto, ser rejeitadas.

Com efeito, a utilização, na área fiscal, de critérios, métodos e normas contabilísticas, criadas para ir ao encontro dos anseios da ciência contabilística, acaba por vezes por desvirtuar não só as normas subjacentes ao Sistema Tributário Nacional, mas os próprios objetivos do Direito Fiscal. Daí a rejeição do uso excessivo e não autorizado de normas de outra ciência, criadas com finalidades diversas, que não coincidem com as do Direito Tributário. Os princípios da solidariedade, da isonomia e da capacidade contributiva, todos de estatura constitucional, não alteram essa conclusão, na medida em que não são suficientes para afastar as normas jurídicas rigidamente estabelecidas no texto constitucional.

In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.) Aspectos polêmicos do imposto de renda e rendas de todas as espécies.

Referências

Documentos relacionados

Em estudo mais recente, Banegas e Alves (2014) num exame mais amplo do sistema tributário brasileiro verifica que a tributação indireta, no caso particular do Imposto sobre