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ATIVIDADE ANTINOCICEPTIVA DE

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Academic year: 2023

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O presente trabalho tem como objetivo avaliar a composição química e atividade antinociceptiva em camundongos de óleos essenciais obtidos das folhas de Oocephalus nubicola e Leptohyptis macrostachys. Ambos os óleos apresentaram-se como uma mistura de monoterpenos e sesquiterpenos, sendo que Oocephalus nubicola apresentou predominância de constituintes sesquiterpênicos, enquanto em Leptohyptis macrostachys os monoterpenos foram maioria. Os relatos de estudos farmacológicos também são extensos na literatura científica porque os exemplares desta família são encontrados em diversas partes do mundo.

This study aims to evaluate the chemical composition and antinociceptive activity in mice of the essential oils obtained from the leaves of Oocephalus nubicola and Leptohyptis macrostachys. Both oils were presented as a mixture of monoterpenes and sesquiterpenes, and Oocephalus nubicola showed predominance of sesquiterpene components, while in the Leptohyptis macrostachys monoterpenes were major.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

As pesquisas sobre produtos naturais com atividade antinociceptiva em nosso país têm aumentado significativamente nos últimos anos. A proposta de investigação da composição química de óleos essenciais de espécies de Lamiaceae aliada a testes de atividade antinociceptiva poderá levar à ampliação do conhecimento químico da família e à identificação de substâncias bioativas. Além disso, a identificação e o isolamento destes novos compostos com atividade antinociceptiva poderão ser utilizados na produção de medicamentos fitoterápicos ou como protótipos para o desenvolvimento de novos medicamentos.

Com base nas justificativas acima, o tema central deste estudo é o estudo da composição química e da atividade antinociceptiva dos óleos essenciais das folhas de Oocephalus nubicola (Harley) Harley & J.F.B. Investigar a atividade antinociceptiva de óleos essenciais obtidos das folhas de Oocephalus nubicola e Leptohyptis macrostachys em camundongos.

REVISÃO DE LITERATURA

  • PLANTAS MEDICINAIS
  • ÓLEOS ESSENCIAIS
    • Composição química e biogênese
    • Localização e funções biológicas
    • Propriedades farmacológicas
    • Métodos de extração
  • A FAMÍLIA LAMIACEAE
  • DOR E NOCICEPÇÃO

Os óleos essenciais são metabólitos secundários de plantas que consistem em misturas complexas de substâncias líquidas que parecem oleosas, voláteis, lipofílicas e geralmente odoríferas à temperatura ambiente. Os componentes químicos dos óleos essenciais variam desde hidrocarbonetos terpênicos, álcoois simples e terpênicos, cetonas, aldeídos, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, peróxidos, furanos, ácidos orgânicos, lactonas, cumarinas, até compostos de enxofre. Em geral, a grande maioria dos óleos essenciais é composta por derivados fenilpropanóides ou terpenóides, dos quais predominam estes últimos.

Entre os terpenóides, os compostos mais comuns nos óleos essenciais são os monoterpenos e sesquiterpenos. O método preferido para separar, determinar e caracterizar substâncias que constituem óleos voláteis é a cromatografia gasosa em combinação com técnicas de espectroscopia para aumentar a resolução e facilitar a identificação de terpenos. Os óleos essenciais podem ocorrer em estruturas secretoras especializadas, como pêlos glandulares (Lamiaceae), células parenquimatosas diferenciadas (Lauraceae), túbulos oleosos chamados vittae (Apiaceae) ou em sacos lisogênicos ou esquizogênicos (Pinaceae, Rutaceae).

Porém, sabe-se hoje que a volatilidade e o cheiro distinto dos óleos essenciais estão relacionados com diversas funções necessárias à sobrevivência da planta no seu ecossistema, desempenhando papel fundamental na defesa contra microrganismos e predadores, atraindo insetos e outros agentes fertilizantes, como inibidores de germinação, bem como na proteção contra perda de água e aumento de temperatura (SIANI et al, 2000). Simões e Spitzer (2007) destacam ainda as seguintes propriedades farmacológicas já consagradas dos óleos essenciais: carminativa, antiespasmódica, cardiovascular, irritante local ou revulsiva, secretolítica, estimulante do sistema nervoso central, anti-inflamatória, antisséptica, entre outras. Os métodos de extração de óleo essencial variam dependendo da localização do óleo volátil na planta e do uso pretendido.

Esta família tem grande importância econômica por ser fonte de óleos essenciais aromáticos, além de ser bastante estudada do ponto de vista químico. As inúmeras propriedades relatadas como características desta família, incluindo propriedades medicinais e antimicrobianas, devem-se em grande parte à presença destes compostos terpênicos presentes nos óleos essenciais destas plantas (RICHARDSON, 1992). Os terpenóides presentes nesta família também têm importância taxonômica significativa, uma vez que a divisão de Labiatae nas subfamílias Lamioideae e Nepetoideae por Erdtman é parcialmente apoiada pela presença de iridóides em Lamioideae, e pela grande quantidade de óleo essencial em Nepetoideae em desvantagem de a outra subfamília, com algumas exceções de espécies Lamioideae ricas em óleos essenciais.

A investigação da atividade antinociceptiva de óleos essenciais de plantas nativas é amplamente encontrada na literatura científica, e tem sido relatada em diversos países como Brasil, Cuba, Índia e México, que possuem uma flora diversificada associada a uma rica tradição de uso de medicamentos. plantas. A atividade biológica dos óleos essenciais está diretamente ligada aos seus componentes químicos, à configuração estrutural e aos grupos funcionais dos componentes, bem como à possibilidade de interações sinérgicas entre os componentes.

Figura 1 – Ciclo biossintético dos metabólitos secundários.
Figura 1 – Ciclo biossintético dos metabólitos secundários.

MATERIAIS E MÉTODOS

  • COLETA E PREPARAÇÃO DO MATERIAL VEGETAL
  • DETERMINAÇÃO DE UMIDADE DA BIOMASSA
  • EXTRAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS
    • Cálculo do teor de óleo
  • ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO QUÍMICA
  • ANIMAIS DE EXPERIMENTAÇÃO
  • TESTES FARMACOLÓGICOS GERAIS
    • Triagem farmacológica comportamental
    • Teste da barra giratória
  • AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTINOCICEPTIVA
    • Teste das contorções abdominais induzidas pelo ácido acético
    • Teste da formalina
  • ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS

A determinação da umidade ajudará a determinar o rendimento de extração de óleos essenciais porque a falta de conhecimento sobre a quantidade de umidade presente na biomassa pode reduzir drasticamente o verdadeiro valor do teor de óleo na biomassa. A análise quantitativa dos constituintes químicos foi realizada por cromatografia gasosa com detector de ionização de chama (FID), utilizando aparelho Shimadzu GC-17A (Shimadzu Corporation, Kyoto, Japão), nas seguintes condições de operação: coluna capilar ZB-5M5 (5% -fenil - arileno-95%-metilpolissiloxano) coluna capilar de sílica fundida (30 m x 0,25 mm de diâmetro interno x 0,25 µm de espessura), sob as mesmas condições relatadas para GC-MS. A identificação de componentes individuais de óleos essenciais foi realizada por correspondência automatizada de espectros de massa com aqueles armazenados nas bibliotecas de espectro de massa WILEY8, NIST107 e NIST21 do sistema de dados GC/MS.

Os animais foram alojados em gaiolas de polipropileno, providas de cama de serragem selecionada, com garrafa acoplada a bica de aço inoxidável para água e cocho para ração peletizada. Utilizando o método descrito por Almeida e Oliveira (2006), onde são estabelecidos critérios comparativos para uma série de comportamentos normalmente exibidos pelos animais (Tabela 2), foram analisados ​​os parâmetros estabelecidos no protocolo utilizado para triagem farmacológica comportamental para observar possíveis alterações. da OE e que podem estar relacionadas com a actividade no SNC. Após administração intraperitoneal de OEs e veículo, os animais foram observados após 240 min de acordo com o protocolo comportamental experimental padrão.

Após as primeiras quatro horas do experimento, os animais foram mantidos em observação por um período de até 72 horas, para registro da possível ocorrência de óbitos. O teste da barra rolante foi realizado para verificar possíveis interferências na coordenação motora de roedores após a administração de óleos essenciais. O dispositivo Rota Rod consiste em uma haste giratória antiderrapante, de 5 cm de diâmetro, dividida em quatro segmentos iguais, separados por 40 cm. pranchas que interrompem automaticamente o cronômetro digital ao entrar em contato com animais que caem da barra. Para evitar má interpretação dos resultados devido à incapacidade natural dos animais em manter o equilíbrio e a movimentação na esteira, 24 horas antes do teste foi realizada uma seleção preliminar dos animais (sem administração de substâncias), na qual foram considerados adequado. Participaram aqueles animais que permaneceram na barra giratória (na velocidade de 7 rpm) por 180 segundos, até três tentativas (MENDES; MATTEI; CARLINI, 2002; PULTRINI; GALINDO; COSTA, 2006; SOUSA; NÓBREGA; ALMEIDA, 2007). .

Após trinta minutos de administração intraperitoneal de óleos essenciais, veículo e medicamento padrão, os animais receberam uma administração intraperitoneal de solução de ácido acético (ml/10 g), seguida de um intervalo de 10 ml.15 minutos durante os quais os animais apresentam muito pouco o comportamento nociceptivo inclui um período de hipersensibilidade durante a ocorrência de inflamação. Trinta minutos após a administração intraperitoneal de óleos essenciais, medicamento padrão ou veículo, os animais receberam uma injeção de 20 µL de formalina (solução de formaldeído a 2,5%) na região intraplantar da pata traseira direita.

Figura 6 – Determinador de umidade (Série ID Versão 1.8 - Marte®)
Figura 6 – Determinador de umidade (Série ID Versão 1.8 - Marte®)

RESULTADOS

  • ÓLEO ESSENCIAL
  • TESTES FARMACOLÓGICOS GERAIS
    • Triagem farmacológica comportamental
    • Teste da barra giratória
  • AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTINOCICEPTIVA
    • Teste das contorções abdominais induzidas pelo ácido acético
    • Teste da formalina

De acordo com os parâmetros descritos no protocolo utilizado neste experimento, pode-se observar que após a aplicação dos óleos houve diminuição da hiperatividade e irritabilidade dos animais, bem como a presença de efeito analgésico nas três doses experimentais . Os animais tratados com os óleos não apresentaram alterações no desempenho motor, permanecendo na haste rotativa em sessões de 3 minutos. Como esperado, o diazepam, um depressor do SNC, reduziu significativamente o tempo que os animais permaneceram no dispositivo.

A indometacina, droga padrão utilizada no experimento, reduziu significativamente as contorções abdominais nos animais, conforme esperado, com valores de 0,1 ± 0,1 e 1,7 ± 0,6 das contorções para óleos O.

Tabela 4 - Composição química do óleo essencial das folhas de O. nubicola.
Tabela 4 - Composição química do óleo essencial das folhas de O. nubicola.

DISCUSSÃO

O teste de contorção abdominal induzida por ácido acético tem sido amplamente utilizado como modelo de nocicepção visceral induzida quimicamente. A injeção intraperitoneal de ácido acético induz hiperalgesia mecânica e demonstrou que os eicosanóides e as aminas simpaticomiméticas estão envolvidos na geração de dor neste modelo. Além disso, o ácido acético intraperitoneal induz a liberação de citocinas, que demonstraram desempenhar papel importante no desenvolvimento de processos inflamatórios locais e sistêmicos, como migração celular, edema e hiperalgesia (HONORE, 2002).

Utilizando a metodologia do ácido acético foi possível verificar que ambos os óleos apresentaram excelente atividade antinociceptiva. Também é considerado um exame mais específico, pois os analgésicos de ação central inibem ambas as fases, enquanto os medicamentos de ação periférica, como antiinflamatórios e corticosteróides, inibem apenas a segunda fase (OLIVEIRA, DE SOUZA, ALMEIDA, 2008). Como os óleos essenciais das folhas das duas espécies em estudo inibiram ambas as fases, podemos concluir que o mecanismo analgésico observado é de ação central.

Além disso, como a segunda fase é caracterizada por um processo inflamatório, muito sensível aos AINEs, como indometacina, os resultados observados nesta fase também fornecem fortes evidências de ação anti-inflamatória. Outras espécies pertencentes à subtribo Hyptidinae já demonstraram atividade antinociceptiva em modelos animais, como o óleo essencial e o extrato aquoso de H. Bravim (2008) demonstraram que o óleo de Hyptis crenata apresenta atividade antinociceptiva, possivelmente por ação direta.

Alguns dos compostos identificados nas espécies sob investigação já foram descritos na literatura como possuindo importantes atividades analgésicas e/ou anti-inflamatórias, confirmando os resultados encontrados nas análises farmacológicas deste trabalho. O monoterpeno limoneno, comumente encontrado em plantas medicinais, apresentou inibição significativa da nocicepção induzida pelo ácido acético intraperitoneal e na segunda fase do teste da formalina em camundongos (AMARAL et al, 2007). Estudos recentes definiram inclusive um possível mecanismo de ação do monoterpeno α-felandreno no efeito antinociceptivo em camundongos envolvendo os sistemas glutamatérgico, opioide, nitrérgico, colinérgico e adrenérgico (LIMA et al, 2012).

CONCLUSÃO

Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Pará Uma revisão genérica e novas combinações em Hyptidinae (Lamiaceae), baseada em revisão molecular e morfológica. TNP-ATP, um potente antagonista do receptor P2X3, bloqueia a contração abdominal induzida por ácido em camundongos: comparação com analgésicos de referência.

Activity of Hypericum brasiliense and Hypericum cordatum on the central nervous system in rodents. Fitoterapia, v. Characterization of the anti-inflammatory and antinociceptive of the Hyptis pectinata (L.) Poit essential oil. Journal of Ethnopharmacology, v.

Imagem

Figura 1 – Ciclo biossintético dos metabólitos secundários.
Figura 2 – Exemplos de fenilpropanóides de ocorrência em óleos essenciais.
Figura 3 – Exemplos de monoterpenos e sesquiterpenos de ocorrência em óleos  essenciais
Figura 4 – Lesão de tecido com ativação de nociceptores.
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Referências

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