Em relação a isto, a vulnerabilidade das mulheres no crime de violação está ligada para complementar a abordagem pretendida. A inprescritibilidade do crime de estupro contra a mulher são dois objetivos fundamentados para a busca de resposta à principal questão levantada pelo tema.
Crime de estupro na perspectiva do Código Penal Brasileiro
Como mostra o depoimento acima, desde o início houve um comportamento semelhante ao crime de estupro, que nos dias atuais está estritamente relacionado ao comportamento sexual praticado ilegalmente. O pesquisador Yuri Carneiro Coelho (2014) define o crime de estupro como o mais irritante dos crimes contra a liberdade sexual, tipo de crime que sem dúvida causa maior carga de violência psicológica à vítima pelas consequências psicológicas e físicas sofridas. . Portanto, são necessárias dolo na conduta precedente (violência ou ameaça grave que cause constrangimento) e dolo ou culpa quanto ao resultado qualificativo (lesão grave ou morte) [..] (NUCCI, 2014, p. 105).
Considerando o crime de estupro na perspectiva do Código Penal, faz-se necessária, portanto, uma análise mais aprofundada, conforme será explicado a seguir.
Bem jurídico tutelado e sujeitos do crime
como único bem jurídico protegido, considerou-se apenas a liberdade sexual das mulheres, ou seja, a atribuição do crime de violação a um género, uma vez que a liberdade sexual dos homens tinha, se quiserem, um lugar nas entrelinhas do crime código. Com essa ideia unilateral, apenas o homem foi incluído no campo do gênero ativo do crime de estupro, tornando-o simplesmente um “agressor sexual”, o que foi historicamente uniforme no direito penal. Sobre esse fato, Damásio Evangelista de Jesus (1999) destaca que apenas o homem era sujeito ativo do crime de estupro, pois somente a figura masculina poderia manter a união física com a mulher, o que é o coito normal.
Com a nova lei, o crime de estupro ganhou enriquecimento jurídico para evitar que condutas criminosas, como o estupro de um homem, fiquem impunes.
Tipicidade objetiva
Incluído nesta lista de formas de atos libidinosos está o “beijo sensual” tão comum nos dias de hoje, também conhecido como “beijo roubado”. Portanto, caso seja obtido pela força ou ameaça grave, é importante reconhecer o crime de estupro. Apesar das dúvidas, o beijo lascivo, ainda hoje, mesmo após a entrada em vigor da Lei nº. A Lei nº 12.015, de 7 de agosto de 2009, é entendida como crime de estupro, quando a vítima é obrigada pelo costume a fazê-lo. de violência ou ameaça grave.
Além do comportamento classificado como ato lascivo, é necessário que o autor do ato lascivo seja o sujeito passivo, aliado ao uso da vergonha, para que possa naturalmente ser considerado um ato lascivo para com a vítima.
Tipicidade Subjetiva
Com isso, quando um indivíduo deseja satisfazer sua luxúria, ele agride sexualmente a vítima e comete o crime de estupro. Vale ressaltar aqui que a conduta de estupro, uma vez cometida, exige que a vítima se oponha à conduta do agressor, que, vencido pelo desejo sexual, inicia o ato para a autorrealização. Se a vítima consentir com o ato, a doutrina é bastante clara e diz que o estupro está excluído.
BITENCOURT (2016, p.57) afirma que “é necessário que a vítima, confrontada com o abuso sexual sofrido, ponha em perigo a sua vida para transmitir a sua opinião divergente sobre o comportamento do agressor e, assim, a violência ou ameaça grave sobre o parte do agressor. .”
Consumação do crime de estupro
COELHO (2014) destaca que em algumas situações, a vítima pode interpretar seu silêncio como uma desaprovação pela agressão sofrida devido ao estado de choque e pânico diante de um acontecimento tão cruel. Outro aspecto muito discutido na doutrina é o fato mutatis mutandis praticado pela vítima, ou seja, a vítima de estupro jamais poderá ser obrigada pelo ordenamento jurídico a repelir a agressão injusta de suas forças em um ato heroico isolado, pois, conforme via de regra, é sexual o agressor sempre mais forte que a vítima.
Crime de estupro na forma tentada
Classificação Doutrinária
É crime comum (não exige nenhuma qualidade ou condição especial do sujeito ativo, que agora pode ser homem ou mulher, sem distinção); material (crime que provoca a transformação em crime externo, deixando vestígios); intencional (não há previsão sobre a forma de culpabilização); livremente (pode ser praticado em qualquer forma ou meio escolhido pela entidade ativa); imperativo (verbo nuclear significa realizar uma ação); Utilizando as classificações acima, COELHO (2014, pg.743) reitera que o crime de estupro “deve ser classificado como crime comum, material, imediato, não subjetivo, multisubsistente, gratuito e cometimento ou desperdício, quando o agente tiver o dever de fiador”.
Continuidade delitiva do estupro
Na década de 1990, uma nova lei, a Lei 8.072/9, foi criada para classificar uma série de crimes, inclusive o crime de estupro, como crime hediondo, em formas simples e qualificadas, impondo essencialmente severidade hostil a esses crimes aplicados. Portanto, é de extrema importância mencionar que, além de equiparar o crime de estupro a crime hediondo, também foram atribuídas a não possibilidade de fiança e a obrigatoriedade inicial de a pena ocorrer em regime fechado. Portanto, a vontade dos eleitores desde as últimas décadas é uma clara tentativa de igualar o crime de estupro à sua real magnitude, pois é um crime bárbaro que dilacera os aspectos emocionais, psicológicos e físicos da vida da vítima.
Ressalte-se que o caráter hediondo do crime de estupro em todas as suas modalidades não o torna, nas estatísticas, o crime menos possível que exige novas medidas do constituinte para endurecer a prática do crime de estupro.
Importunação ofensiva ao pudor frente ao princípio da proporcionalidade
Aos poucos, porém, o constitutivo derruba as barreiras arcaicas do Estado para trazer soluções modernas à sociedade dentro do prisma criminal, citando como exemplo o crime de estupro, cada vez mais compatível com as consequências que deixa na vida das vítimas. . A referida afirmação deixa uma lacuna no âmbito jurídico em que desqualifica condutas que causem essencialmente danos à vítima nos mesmos moldes do estupro. É uma cadeia de ações, definidas como insultos à imputação de modéstia, praticadas contra as vítimas em locais públicos.
Um exemplo é a reportagem publicada por André Rosa no site de notícias g1.com, em que relata o ato de um indivíduo que ejaculou sobre uma mulher no transporte público na presença de outras pessoas.
Pena e ação penal
O crime de estupro tipificado no Código Penal Brasileiro é geralmente processado por meio de ação penal pública, sujeita a representação. O STF questiona o tipo de ação penal para o crime de estupro por meio de súmula que acrescenta exceção à norma penal. Dessa forma, na visão do nosso Supremo Tribunal Federal, sempre que o crime de estupro for cometido com força efetiva, a ação penal será iniciativa pública incondicional, tornando letra morta parte do disposto no art. .
Ressalte-se que a regra aceita pelo ordenamento jurídico brasileiro é que o crime de estupro será enquadrado como ação penal pública incondicional quando a vítima for menor de 18 (anos) conforme esclarecido pelo art.
A mulher como principal vítima do crime de estupro
Em princípio, o crime de violação é cometido não só contra um alvo, mas contra todos os que estão sujeitos a este crime bárbaro. Está estipulado na lei que o crime de estupro pode ser cometido contra o sexo feminino, masculino ou vulnerável, sendo considerados por lei as crianças menores de 14 anos, as pessoas com doença ou deficiência mental que não possam obter poder discricionário para cometer o crime. crime. da ação. Imensuráveis são as vítimas cujos pedidos diários de ajuda são abafados pelos terríveis danos causados pelo crime de violação.
O foco principal não é dizer que o ordenamento jurídico brasileiro é lento no andamento processual, caso contrário, informa-se que faltam meios para que toda uma investigação de estupro seja concluída de forma efetiva, com a punição adequada do agressor e a indenização mínima para o agressor e a vítima do dano, a punição do agente que cometeu o crime de estupro.
Da presença da imprescritibilidade na esfera penal
V – Para os crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em legislação especial, a partir da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se nesse momento tiver sido proposta infração penal. 11 do Código Penal, dispondo que a prescrição, antes do trânsito em julgado da sentença, passa a aplicar-se aos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos no Código Penal ou em legislação especial, a partir da data em que a vítima completa 18 (dezoito) anos, salvo se até essa data tiver sido proposta infração penal (GRECO, 2015, p.512). Temendo a colisão de garantias fundamentais e a impunidade de possíveis crimes, o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, já se pronunciou.
A discussão sobre o tema “inexplicabilidade” nas infrações penais é tão grande que é possível constatar que a ideia principal dos estudiosos do país é que mesmo sendo o crime muito relevante para a sociedade, ele não pode ser generalizado criando exceções . à regra da prescritividade dos crimes em geral, pois isso generalizará todo um cenário que poderá até levar a um possível ato autoritário total que só queira prejudicar o suspeito.
Colisão entre direitos fundamentais e imprescritibilidade penal no crime
Portanto, a natureza não estatutária do crime de estupro será um acréscimo ao ordenamento jurídico, o que poderá incentivar uma mudança na essência do crime de estupro. Com isso, a conduta ilícita abandonada pode ser punida por limitações não estatutárias, confirmadas e inseridas no texto constitucional. A PEC 64/2016, apresentada pelo senador Jorge Viana (PT-AC) e apoiada por outros senadores, traz um indício de avanço no setor mais deficiente do crime de estupro, a denúncia.
Em entrevista ao senador Jorge Viana, ele relatou a importância de tornar indescritível o crime de estupro, pois isso irá endurecer o código penal diante do crime de estupro e, sua proposta permitirá, por um lado, que a vítima . refletir, ser fortalecido e denunciado.
Perspectiva sobre a PEC nº 64/2016
Nos tempos atuais, em que os meios de comunicação social expõem diariamente os acontecimentos decorrentes da prática de crimes contra diversas vítimas, é evidente que o legislador usaria o seu poder garantido para responder ao clamor das estatísticas. A Lei nº 64/2016 é classificada como uma forma eficaz de rigidez em relação ao crime de estupro, pois é um comportamento que persiste na vítima por anos, mesmo que as marcas físicas sejam curadas.
Quanto a legalidade da PEC nº 64/2016 perante a CRFB/88
Atributos positivos da PEC nº 64/2016
Além disso, as estatísticas mostram que a incidência de crimes de estupro contra qualquer tipo de vítima aumentou drasticamente nos últimos anos, sem se saber exatamente qual o principal motivo do crime. É de conhecimento comum que qualquer vítima de estupro tem medo de denunciar ou simplesmente comentar o ocorrido. Por conta disso, muitos crimes são esquecidos e até mesmo excluídos diante do grande crime de estupro.
Dito isso, a inexplicabilidade do crime de estupro será uma resposta ao grito uníssono de uma sociedade exausta pelas perversidades cometidas na esfera social, ressagrando as crenças da população no direito penal brasileiro.