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BENJAMIM E BEAUTIFUL LOSERS: - UEFS

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Academic year: 2023

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Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, da Universidade Estadual de Feira de Santana, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Estudos Literários. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Feira de Santana, Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, 2016.

INTRODUÇÃO

Acima de tudo, foi uma tentativa de inaugurar um estudo potencialmente esclarecedor – e não definitivo – de uma identidade coheniana. Esta tentativa de salvar o passado na sua integridade através de uma concepção de linearidade temporal é um problema, uma “ilusão de salvar a realidade”, uma vez que, como argumenta Lúcia Castello Branco, tal concepção deve ser ignorada.

MEMÓRIA E LITERATURA

Imago feminino: o universal versus o particular

A personagem, que não possui voz autêntica, fala com a voz e a imaginação do narrador, através de fantasias que se manifestam através do delírio textual. A mulher, no caso concreto das duas narrativas analisadas, vista sob a hipótese da sua "incompletude" e da sua "diferença sexual", só pode ser completada através de um homem que se insere nela através do erotismo implícito e imagético (a lacuna, a lacuna, o abismo de sua boca).

A crise da representação: trauma e propósito

Sob o enfoque narrativo de Benjamim, ou mesmo dos narradores autodiegéticos de Beautiful Losers, as mulheres são a construção de um imaginário cultural e psicológico. Mais do que uma autoridade capaz de falar em nome de um grupo - e longe de enfrentar com maior intensidade a crise de participação e representação abordada por este autor -, o representante mantém as relações entre representação e realidade que, neste caso, têm a ver com a gênero feminino.

Transgressão e morte: violência e libertação

Da mesma forma, a morte também é o aspecto da desconstrução utilizado em Beautiful Losers para demonstrar as consequências que a desconstrução da imagem universal do feminino pode impor às personagens que fazem parte da trama. Edith, esposa do narrador autodiegético anônimo de Beautiful Losers, sofre destino semelhante ao de Castana Beatriz.

MEMÓRIA E PSIQUE

Benjamim: memória pura versus memória involuntária

Derrida conclui que “não há arquivo sem lugar de entrega, sem técnica de repetição e sem certa exterioridade. Porém, para que isso aconteça, as percepções, centradas no corpo, são essenciais para a constituição da matéria, entendida como um conjunto de imagens que medirá a configuração e posterior reconhecimento de um objeto passado tornado presente através da memória.

Do inconsciente individual ao artifício de construção discursiva

Nos estudos desenvolvidos por Freud é possível identificar, por exemplo, a noção de repressão, que inclui a rejeição de imagens apresentadas inconscientemente. Em última análise, expandindo os paradigmas de interpretação dessas mesmas percepções das imagens femininas para além da fronteira textual.

O inconsciente coletivo e o arquétipo

São principalmente imagens herdadas de uma época esquecida e enraizadas numa influência mental internalizada que raramente é autoconsciente. Mesmo que mudem a abordagem e os aspectos marginais que contribuem para a formação da identidade dessas personagens, elas são, sem exceção, dotadas de uma identidade central densa e clara com a qual estamos bem habituados. Apesar de reconhecermos a existência de uma variedade de possíveis imagens arquetípicas inscritas no imaginário popular, trabalharemos exclusivamente com aquelas que expõem as dualidades femininas e que apontam fortemente para as narrativas com as quais estamos trabalhando.

Na perspectiva do “Universo-Mãe”35 ou da “Deusa-Mãe” consagrada em diversas culturas de todas as partes do mundo, a criação do universo se dá através das mãos, ao mesmo tempo puras, generosas e ausentes, punir, de uma figura feminina o que é.

A asceta e a hedonista

Talvez isso ocorra porque o estilo de vida do personagem está fora do comum em comparação com o que é percebido pela persona santa com a qual temos lidado até agora. A atrofetização da personagem após a acne desdobra uma busca desenfreada por um erotismo perdido através da experimentação informal e habitual do sexo, que, no entanto, não encontra resultados significativos manifestados pelo clímax sexual – um orgasmo. É importante destacar que a caracterização sob o enfoque hedonista é também uma espécie de imposição – ora sutil, ora explícita – às personagens que a cercam com o objetivo singular de uma relação de poder.

O suicídio é, portanto, um grito abafado sobre os problemas da personagem Edith, pois ela ocupa uma posição arquetípica que não é a dela, que não lhe convém e que, no entanto, lhe é imposta.

A dialética do poder e o erotismo

Mas a crescente erotização dos personagens pelos seus parceiros – com exceção do relacionamento de Benjamim e Ariela Masé – não permite que isso aconteça. Por outro lado, a postura adotada pelas personagens femininas na imagem da Pedra38 indica que esta é uma força opressora em oposição a uma formação identitária única. Essa desconstrução, e até mesmo fuga, da imagem universal da boa mãe reverbera constantemente na vida de Benjamin, que não consegue se desvencilhar de uma imagem anterior, enquanto “A Pedra” continua a lançar sombra em seu apartamento, assim como Castana Beatriz irrompe tenazmente em sua memória – primeiro pela imagem da própria “Pedra”, que instiga em Benjamin a lembrança de uma ação negativa e contrária da personagem sobre ela; e depois com a chegada de Ariela Masé.

Por outras palavras, a “Pedra” não é apenas uma metáfora para a (re)pressão inconsciente de uma formação identitária genérica regulada nos modelos patriarcais ocidentais.

Iconoclastia: razão da desconstrução

Essa dialética do poder, porém, só pode ser posta em prática quando se observa a natureza do processamento dos códigos eróticos que variam de acordo com os aspectos contextuais culturais, históricos ou morais de uma determinada sociedade. Ele toma seus estudos sobre uma tribo decadente e estigmatizada, sobre Santa Catarina que faz parte da metodologia de seu trabalho, e até mesmo sobre seu amigo/amante e mentor, como ícones de uma forma que contradiz o que se entende por esse termo. A mulher velada é uma representação significativa de uma escuridão que causa terror e fascínio.

O clímax de sua queda emocional é revelado através de uma morte decadente digna de The Beautiful Loser.

MEMÓRIA E HISTÓRIA

Fuck a saint, that’s how! – Alegoria para a desconstrução historiográfica

"Eu me apaixonei por sua imagem religiosa" de Catherine Tekakwitha (1966, p. 03) afirma uma perspectiva histórica da qual ele não fazia parte e da qual não poderia conhecer intimamente, mas que, no entanto, ressoa em sua psique através da influência da memória coletiva . Apesar da excêntrica doutrinação de seu amigo F., será difícil para ele separar a imagem de um índio iroquês ​​da imagem arquetípica de um santo, pois tal imagem está ligada à tradição cristã, que faz parte da identidade cultural de sua comunidade. Dessacralizar a imagem do santo significa romper alegoricamente com a tradição da verdade objetiva na história canadense e criar os meios para resgatar e (re)construir a memória coletiva bruta em uma leitura alternativa de seu passado.

Em meio à agitação de uma mente atormentada, a personagem não se acalma diante da complexidade do princípio filosófico imposto por F.

Beautiful Losers e a metaficção historiográfica

O narrador anônimo encontra na substância de um romance metaficcional historiográfico um modelo de desconstrução viável para deslocar o sentido de verdade da realidade imaginária de Catherine Tekakwitha, ao mesmo tempo que descentraliza o poder discursivo da história "oficial" canadense. A força desse tipo de discurso incentiva a violência pela exclusão de um grupo que não se vê representado integralmente na construção da história de uma nação. Se não é através da violência subtil que exclui da história “oficial” as características que configuram a identidade de um grupo, é através da violência explícita reforçada pelo legado do discurso historiográfico.

Nessa perspectiva, a ficção de Leonard Cohen pode ser caracterizada como um romance de metaficção historiográfica pelo tratamento que dá à diferença e que difere daquele dado pelo discurso histórico porque a.

Personas compulsórias: o paralelismo historiográfico

A representação do género feminino fixada nas narrativas permite-nos quebrar a tradição da imagem ecoada por este tipo de discursos e estabelecer não só uma espécie de desconstrução da unidade imagética, mas também a validação de uma leitura alternativa da história. constituindo-a, como uma crítica aos discursos de elite recuperados, ainda que inconscientemente, das percepções privadas dos sujeitos das narrativas. Assim, ao olhar para a realidade da transformação de Catherine Tekakwitha na santa arquetípica, os narradores autodiegicos buscam a assimilação. Porém, diferentemente de Beautiful Losers que utiliza a comparação para desconstruir a imagem universal de Santa Catarina Tekakwitha através de Edith, a desconstrução na ficção de Buarque não ocorre especificamente através da transferência de Castana Beatriz para Ariela Masé.

Acontece a partir de inferências imagéticas do meio social na percepção e, posteriormente, na forma de construção de um ou de outro, nunca entre os dois.

Benjamim Zambraia: modelo fotográfico; arquivos (im)perfeitos

No entanto, a fotografia é também uma força que se tem revelado revolucionária para a memória, pessoal ou colectiva, pois apresenta-se como uma “memória materializada” de uma imagem do passado. Aceitar o estudo significa reconhecer na origem da fotografia a realidade que ela reproduz, deixando-se levar por uma memória concretizada e bloqueada pelo ícone (COLOMBO, 1991, p. 48). Este meio, que para ele é o registo irrefutável da sua história individual, oprime-o com a força de uma verdade aparentemente indiscutível à qual se voltou desde a juventude para evocar com maior precisão a realidade de um objecto passado. leitor. Apresenta-se na sua dimensão social que reconstitui não só o passado do indivíduo, mas também o da comunidade que o rodeia.

Portanto, mesmo através do registro fotográfico de Benjamin, a memória se configura como um artifício que ajuda a produzir os problemas de sua vida.

MEMÓRIA E CULTURA

Morte: a alegoria do não pertencimento

Na narrativa, Edith representa uma minoria cujas características étnicas são minadas por uma cultura dominante que não as representa e que desencadeia a crise de identidade nacional com a ideia de não pertencer à sua comunidade afetiva. Edith é a representação do sujeito moderno e fragmentado cuja identidade cultural descentraliza e desestabiliza as estruturas unificadoras da identidade nacional do Canadá. A identidade nacional do personagem entra em crise e seu sentimento de pertencimento se dissipa em meio à ilusão de coerência identitária.

A personagem é o próprio sujeito em crise de identidade, deslocado do centro de uma identidade nacional estática e unificada.

Benjamim, Beautiful Losers e a virada cosmopolita

ANEXO C - Conforme ordem de aparecimento e utilização: trechos do livro Belos perdedores, utilizado para análise do subcapítulo 3.4 “O asceta e o hedonista”. APÊNDICE D – Em ordem de apresentação e utilização: trechos do livro de Benjamin utilizados para análise do subcapítulo 3.5 “Dialética do poder e erotismo”. ANEXO E – Em ordem de aparecimento e utilização: trechos do livro de Benjamin utilizados para análise do subcapítulo 3.5 “Dialética do poder e erotismo”.

APÊNDICE F – Na ordem em que aparecem e são utilizados: trechos do livro Beautiful Losers utilizados para análise do subcapítulo 4.1 “Foda-se um santo, é assim. APÊNDICE G – Na ordem em que aparecem e são utilizados: trechos do livro Beautiful Losers utilizados para análise do subcapítulo 4.2 “Beautiful Losers e a metaficção historiográfica”. APÊNDICE H – Na ordem em que aparecem e são utilizados: trechos do livro Beautiful Losers utilizados para análise do subcapítulo “4.3 Personas Obrigatórias: Paralelismo Historiográfico”.

Referências

Documentos relacionados

A proposta deste trabalho, assim como do projeto Zeitgeist, é o de refletir e atuar de maneira prática sobre o ensino e aprendizagem e a pesquisa do alemão como língua adicional