Referindo-se à noção de “corpo vivido” de Merleau-Ponty, Iris Young tenta descrever o condicionamento do corpo feminino e a experiência das mulheres no mundo, a partir de uma análise do que significa ser menina. Pretender-se-á também sugerir que a escolha do feminismo e a possível construção de uma “teoria política feminista” se reflecte numa afinidade e proximidade, que acontece de forma contingente mas inexorável através de um conjunto de relações determinadas entre militância, burocracia. e a academia. Segundo Ericka Tucker (2012), a ideia de uma teoria política feminista questionaria fundamentalmente a questão do que é “o” político, especialmente a dimensão ontológica da questão e, portanto, não haveria compromisso com a discussão conceitual. sobre "a" política.
DO PENSAMENTO MODERNO AO CONTEMPORÂNEO: AS
Segundo Carole Pateman, do ponto de vista das partes contratantes, a ideia original que se concretiza através do contrato reflete-se na própria estrutura deste contrato, que garante liberdade e domínio. Seu pedido: “que você se digne a refutar essas razões de outra forma que não com piadas e discursos insultuosos” não foi atendido.
O CAMPO DO CONHECIMENTO POLÍTICO NA
Para Leo Strauss (1959), o termo “ciência política” seria ambíguo porque “[..] aqueles estudos de coisas políticas que são guiados pelo modelo das ciências naturais, e também denotam o trabalho realizado por membros de departamentos científicos políticos” . Desta forma, a diversidade de correntes na teoria política – liberal, socialista, marxista, comunitária, republicana, feminista, para citar apenas algumas – converge positivamente com a definição das agendas actuais e passadas das ideologias políticas. Por outro lado, pode-se dizer que o logos da política – filosofia política, ciência política, ideologias – se expressa em proposições enunciativas que constituem um determinado conhecimento formulado.
A ciência política lida com o campo empírico da “política”, e a teoria política, que é o domínio dos filósofos, procura informações não sobre os factos da “política”, mas sobre a essência do “político”. A noção de política ou nível ôntico poderia ser resumida assim: se para Weber a questão da política se satisfaz na dimensão estatal, por outro lado existe uma dimensão voltada para a ação e a ideia de “esfera política” em Arendt (que poderia ser traduzida em cooperação, embora para o autor os movimentos sociais possam ter sido uma “ameaça” à política). Para Chantal Mouffe (2005b, p. 16), a tentativa de ambos os autores destaca que “[..] o campo da política – mesmo quando se trata de questões básicas como justiça ou princípios fundamentais – não é um campo neutro que possa ser isolado. do pluralismo de valores ou em que soluções racionais e universais poderiam ser formuladas".
Contudo, o movimento político na academia e no ativismo político, adentrando nos espaços estatais e exigindo que “o pessoal seja político”, tem mostrado a necessidade de pensar um parâmetro comum do que seria a “política” através de uma estabilização teórica que seja crítica, emancipatória. e pragmático. Ao contrário da noção de Laclau e Mouffe, a teoria feminista foi na contramão da corrente: ao propor novos paradigmas ontológicos, há agora uma redefinição do conceito de política – que incluiria uma visão que prevê micropoderes, pulverização institucional, localização antipatriarcal, considerações antimaquinistas, antidicotômicas e antibinárias, além de considerar as dinâmicas de transnacionalização e agonismo.
ANÁLISE FEMINISTA DO CONHECIMENTO POLÍTICO, OU, A
Hirschman e Di Stefano (1996) apontam o livro de Shulamith Firestone, The Dialectics of Sex, como o trabalho eficaz para criticar a orientação patriarcal da teoria política. Estas “ausências” revelam sintomaticamente um problema, um “nó”, na configuração do campo da teoria política feminista. Segundo Susan Moler Okin (1992), se pensarmos no desenvolvimento da “teoria política feminista”, este pode ter sido desencadeado, em certo sentido, pela publicação do seu trabalho.
Com base nesta conclusão, Okin (1992, p. 340, tradução nossa) conclui que “[..] a teoria política feminista veio para ficar, e seu impacto sobre o resto da teoria política provavelmente crescerá”. À luz destes debates iniciais, o mapeamento teórico-conceitual que será apresentado nesta tese segue um quadro analítico que alude à dimensão da "teoria política feminista" no campo do conhecimento político. A efetiva consolidação da "teoria política feminista" está intimamente relacionada à centralização deste campo em projetos pós-estruturalistas (com referências a Deleuze, Foucault e Guatari), pragmáticos, pós-modernos e pós-socialistas (terceiro modelo) e tal concretização teria ocorrido à luz da fase liberal da teoria política, em que os teóricos políticos se viram na necessidade de enfrentar os problemas modernos da democracia (como as disputas contemporâneas que lutaram sobretudo nas questões da igualdade, liberdade, fraternidade, justiça e paz), que não ainda não havia soluções modernas eficazes para.
Portanto, o terceiro modelo e corrente da teoria política feminista, por outro lado, opta por pensar numa relação lógica paradoxal entre os termos igualdade e diferença, identidade individual e identidade coletiva (SCOTT MATOS, 2008). Dessa forma, a teoria política feminista se consolidou e nos apresentou novas perspectivas para pensar política, justiça, igualdade, diferença, cidadania e representação.
A HISTÓRIA DO FEMINISMO CONTADA EM “ONDAS”
Do sexo ao gênero
A DINÂMICA CONCEITUAL DA TEORIA POLÍTICA FEMINISTA
O patriarcado: conceito central
O conhecimento desta questão deveria chamar a nossa atenção para o facto de que as distinções sociais e políticas não se baseiam na riqueza ou na posição social, mas no sexo. Segundo esta concepção weberiana, baseada nas regras de herança, uma figura exercerá domínio dentro de uma estrutura familiar ou económica. Cabe destacar que, segundo Machado (2000, p. 3, negrito do autor), “[para] Weber a referência é sempre histórica.
Outra contribuição muito significativa para o debate sobre o patriarcado, desta vez literária, é sugerida na obra "Um loft todo seu", de Virgina Woolf p. 54), pois é possível acreditar que as imagens construídas sobre as mulheres, percebidas como distorcidas espelhos. Embora a contribuição para a compreensão do patriarcado pareça satisfatória, Gayle Rubin (p. 12) pensa que pode ser problemática e limitada, uma vez que. Quando falamos de patriarcado, estamos falando da base sobre a qual toda a opressão é mantida [..] O patriarcado não é uma questão separada, se não, um eixo na estrutura econômica, cultural e política da sociedade;.
Considerando os debates sobre o papel central e o significado do patriarcado, acredita-se que este conceito traz aspectos importantes para a noção de política ao enfatizar as relações de desigualdade e dominação entre os sexos e pode, segundo Matos e Paradis (2014, p. que o patriarcado é uma forma de organização social em que as relações são governadas por dois princípios básicos: (1) as mulheres são hierarquicamente subordinadas aos homens e (2) os jovens são hierarquicamente subordinados aos homens mais velhos.''
O público e o privado: conceitos-fronteira
A subordinação da mulher na esfera privada, no lar, estaria relacionada à esfera pública, na medida em que “[..] a igualdade na família seria a condição da democracia no Estado”. (PHILLIPS, 1991, p. 102, tradução nossa). “A política deve ser vista como uma questão “[..] de ‘devir’, como algo que não pode ser reduzido a uma oferta de recursos, mas envolve a transformação dos interesses perseguidos.” (PHILLIPS, 1991, p. 102, tradução nossa) e os locais mais importantes da democracia ou da necessidade de democratização seriam: o estado democrático liberal, a economia capitalista e a família. Assim, segundo Phillips (1991), chamaria a atenção para evitar o problema de pensar "[.. ] que [se] tudo em nossa vida é um problema político, então estaremos abertos a acreditar que tudo tem uma solução política.” (PHILLIPS, 1991, p. 105).
88 Versão original em inglês: “[...] frustrados e humilhados, desamparados e dependentes da vida profissional e da cidadania, terão dificuldade em estabelecer crenças como alicerces e modos de ser em suas famílias.”. Haveria aí um problema sério: "[o] feminismo exige precisamente a ênfase exclusiva na 'política' tal como é convencionalmente definida e tem frequentemente destacado as questões mais imediatas de assumir o controlo de onde vivemos e trabalhamos."89, e como o autor adverte: “[a] insistência positiva na democratização da vida cotidiana não deve se tornar um substituto para uma vida política mais viva e vital.”90 (PHILLIPS, 1991, p. 119, tradução nossa). 90 Versão original em inglês: "Esta insistência positiva na democratização da vida quotidiana não deve tornar-se um substituto para uma vida política mais vibrante e vital."
A política deve centrar-se em problemas abrangentes e não em questões populares levantadas por este tipo de movimento, evitando assim a “política de quintal” (PHILLIPS, 1991, pp. 48-49). 92 Versão original em inglês: “As feministas criticaram a divisão ortodoxa entre público e privado, que representa um desafio forte e radical às noções existentes de democracia.
Dominação-liberdade: eixo de deslocamento
São Paulo, SP : Perspectiva, 2007c [verset original : Entre passé et futur : six exercices de pensée politique. Rio de Janeiro, RJ : Nova Fronteira, 1985 [verso original : L'amour à côté : une histoire d'amour maternel (XVIIe-XXe siècle). Rio de Janeiro, RJ : édité par Jorge Zahar, 2001 [version originale : La philosophie politique aujourd'hui : idées, débats, questions.
São Paulo, SP: Martins Fontes, 2005 [original version: Sovereing dyd: teori og praksis om lighed. Mediations: Revista de Ciências Sociais, Londrina, PR, v a [original version: Feminisme, kapitalisme og historiens list. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, São Paulo, SP, n c [original version: Reframing justice in a globalizing world.
Rio de Janeiro, RJ: Editora Rosa dos Tempos, 1991 [version of the original: With a different voice: psychological theory and women. 346-352 [version of the original: Situated Knowledges: The Scholarly Question in Feminism and the Privilege of the Partial Perspective.
Conceitos políticos/politizados: conceitos de interlocução
AS/OS SUJEITAS/OS DO FEMINISMO E A EXPERIÊNCIA DO SUL
A multiplicação de vozes e posições feministas deve ter em conta o aspecto da contingência, que inclui, por um lado, a dimensão do lugar, e por outro lado, a compreensão da localização histórica, que permite a produção de conhecimentos específicos, conhecimento das fronteiras, que faz do feminismo uma questão central na sua própria luta política. Para colocar em palavras todas estas dimensões, é portanto essencial regressar a um “nó” importante: temas e experiências. E usar aqui a experiência latino-americana significa salvar algumas das muitas feridas e “veias abertas”, referindo-se a Galeano, através das quais o feminismo sulista procura compreender, caracterizar-se e reconfigurar-se.
96 Neste caso particular, optou-se por deixar o original, pois o jogo de palavras e a escrita bilíngue é uma das características de Gloria Anzaldúa. A inspiração de Anzaldúa para o feminismo sulista é inegável, neste caso especificamente para o feminismo latino-americano. Racialmente, culturalmente e linguisticamente somos órfãos – falamos uma língua órfã [...] terei a língua da cobra – a minha voz de mulher, a minha voz sexual, a minha voz de poeta.
O que o torna mais relevante neste caso é que esta notícia seria veiculada de diferentes formas tendo em conta aspectos contingentes como a localização e o actual sistema político, económico e ideológico. Ao tentar caracterizar a “política do lugar”, o choque ou diferenciação entre os feminismos do Primeiro e do Terceiro Mundo torna-se uma tensão evidente e torna-se uma questão de trabalho axial para o feminismo académico.
DA POLÍTICA QUE “ODEIA” AS MULHERES AO NOVO CONCEITO
Rio de Janeiro, RJ: Tempo Brasileiro, 2003 [Originalfassung: Strukturwandel im öffentlichen Raum: Erforschung einer Kategorie der Zivilgesellschaft.