Atualmente é pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1990), especialização em Educação Física Infantil pela mesma universidade, mestrado em Mídias e Saberes pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001) e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Norte do Rio Grande (2008).
A LUTA POR RECONHECIMENTO
Uma vez assim concebida, esta forma de educação seria capaz de desenvolver um sentimento de pertencimento para aqueles que vivem no e do campo. Dessa forma, a busca pela educação do campo – como ferramenta de construção de saberes social e culturalmente comprometidos – é uma tarefa desafiadora. De fato, é o envolvimento que possibilita a participação real e ativa em projetos e ações coletivas e em um projeto de educação do campo.
CONTRIBUIÇÕES DE PAULO FREIRE
O sujeito é considerado um agente ativo no processo de construção do conhecimento, que é composto de objetividade e subjetividade. É justamente o aspecto subjetivo do conhecimento que torna necessariamente dialógico o seu processo de construção, a forma como se dá a relação entre educador e educando. A perspectiva de Freire aponta para o caráter político da educação e enfatiza que ela se manifesta na própria ação humana, na medida em que intervém no mundo.
Aposta também no rigor como essencial para fundamentar e dar consistência aos dados obtidos no processo de conhecer. A consciência é a finalidade da ação pedagógica de Freire, entendida como um processo de revelação das relações consciência-mundo-espaço. Falar de consciência é, portanto, não apenas um procedimento metodológico para facilitar o processo de aprendizagem, mas o desenvolvimento de um modo de ser, uma atitude e uma obrigação para consigo e para com o mundo: ser sujeito consciente e responsável das próprias escolhas, construir e conduzir sua própria existência.
Este capítulo procurou tecer reflexões sobre o legado da pedagogia de Paulo Freire, diante de uma situação em que prevalece de forma acrítica o consumo de informações, bens e serviços em geral. A motivação para aprender ocorre na mesma medida que a motivação para superar situações extremas.
DA AUTOFORMAÇÃO E DA LUDOPOIESE
Esse corpo envolvido nesse processo deve ser submisso em seu cotidiano, imbuído de paixão e razão e aberto às experiências sociais para que possa tornar-se criativo no modo de vida e assim permitir o fluxo que possibilita a evolução da consciência (CSIKSZENTMIHALYI, 1996). Para que esse processo criativo ocorra e para que o estado de fluxo exista, são necessários momentos de experiência máxima. Em um ambiente complexo, questionar o estabelecido permite uma reflexão sobre o que se quer saber, uma espécie de oxigênio para qualquer proposição de conhecimento, exercício necessário no atual cenário educacional onde o conhecimento questiona o conhecimento.
Para tanto, propõem momentos significativos de relação com o meio ambiente para que o fluxo ocorra, que possibilitem trocas que preservem o equilíbrio e a identidade organizacional, ou seja, uma corporificação viva, presente nessa relação com o meio, que a compreensão e posicionamento dessa identidade do ser em suas relações sociais. Esses ambientes de troca devem favorecer posições significativas para a aprendizagem, melhor posicionadas nas escolas, para que ocorram organizações autopoiéticas na educação e, assim, ressignificar a educação no campo. O ambiente de formação humana e autoeducação na educação do campo deve ser permeado por sentimentos de alegria, beleza, encantamento, prazer e ludicidade, para que as vivências pedagógicas possam catalisar vivências que produzam essa autoeducação e sirvam de exemplo na processo formativo presente em espaços acadêmicos ou não, sabendo que é necessário.
O que deve ser feito para que os elementos da alegria sejam fortalecidos, para que a alegria apareça e prevaleça sobre a não alegria. No âmbito da formação acadêmica desse profissional, a experiência ludopoética torna-se essencial para a aprendizagem da autolibertação espaço-temporal e para ela.
DIREITO À TERRA E À EDUCAÇÃO
A experiência mostra que onde a posse da terra é injusta, a mudança efetiva não depende apenas da aprovação da legislação de reforma agrária. Diante desse cenário, principalmente para os que defendem a reforma agrária como direito social e de existência da população do campo, essa realidade ganhou novos contornos. Compreendemos as dificuldades dessa conciliação e refletimos sobre elas neste capítulo, cujo tema gira em torno da trajetória política dos cidadãos do campo e dos movimentos sociais no Brasil, bem como sua luta pelo direito à terra e à educação. , no contexto das discussões sobre a reforma agrária e as políticas de educação do campo, de meados do século XX ao início do século XXI.
Diante dessa realidade, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não teve vergonha de anunciar publicamente, com apoio da mídia, que seu governo promovia uma efetiva política de reforma agrária. O MST, sem dúvida, se apresenta como uma força motriz na luta contra a negação e a passividade dos governos, especialmente durante a política de reforma agrária de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo com o entendimento de que a reforma agrária depende de decisões políticas efetivas e de direitos plenamente garantidos, isso.
A Educação na Reforma Agrária na Perspectiva: Avaliação do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. A Educação na Reforma Agrária na Perspectiva: Avaliação do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.
DOS VALORES, USOS E FUNÇÕES SOCIAIS
Ressalte-se que Seu José se refere ao lavrador e, na Tabela 1, nota-se que, em relação à capital Natal, que apresenta uma taxa de analfabetismo de 21,8%, o estado tem uma taxa de 45,3% público. Seu José: Filho eu não quero você, seus filhos não trabalham, no vale. Seu José: Eu não tenho medo de chegar em Brasília, então pega um microfone e solta, fala o que eu quero falar, não.
Ao completar 8 anos, Seu José se referiu ao ex-presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva. Embora afirmasse ser analfabeto, que ler e escrever levariam a diálogos diferentes, Seu José mais uma vez destacou sua iniciativa e coragem – atitudes que outras pessoas da sociedade não conseguiam ter. Seu José: A gente tem um exemplo aqui, pessoa, como essa menina aí (referindo-se a Isabel, a professora de leitura), que se dispõe a admitir pra gente que começou a ver o mundo de outra forma quando entrou.
Seu José: Mas também fui reconhecido pela vida política, também fui candidato na política, pelo Partido dos Trabalhadores, e eu louvo a Deus por isso, fui o representante16 da minha cidade Riachuelo por dois mandatos. Seu José insiste sempre em salvar o passado, não em apagá-lo, como se sempre quisesse nos alertar sobre seu papel e ao mesmo tempo enfatizar que sua trajetória política é antiga.
EDUCAÇÃO DO CAMPO, LEGISLAÇÃO E IMPLICAÇÕES
Em seguida, explanamos aspectos da realidade das escolas plurianuais, a partir de estudos realizados no âmbito do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia (GEPERUAZ) sobre escolas plurianuais do estado do Pará. De acordo com as Diretrizes Operacionais da LDBEN para a Educação Básica no Campo, as Escolas oportunizam o desenvolvimento de políticas públicas que afirmem a diversidade cultural, política, econômica, de gênero, geracional e étnica presente no campo. o decreto define que campo rural é "aquele que se localiza em área rural, conforme
Dentre os princípios da educação do campo estabelecidos no artigo 2º, o decreto confirma “o controle social da qualidade da educação escolar por meio da participação efetiva da sociedade e dos movimentos sociais do meio rural” (BRASIL, 2010, p. 2). Desde 2002, realizamos pesquisas sobre educação no campo, com foco específico nas escolas rurais multisseriadas e nos desafios que os sujeitos rurais enfrentam para garantir seu direito à escolarização nas pequenas comunidades onde vivem, trabalham e ganham a vida. Dispõe sobre a política de educação no meio rural e o Programa Nacional de Educação para a Reforma Agrária - Pronera.
Define diretrizes, normas e princípios complementares para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a Educação Básica no campo. Políticas nucleares e transporte escolar: construindo indicadores de qualidade da educação básica em escolas rurais da Amazônia.
EDUCAÇÃO DO CAMPO
Formação de profissionais na área de Ciências Agrárias desenvolvida em cursos de Agronomia de todo o país, tanto de universidades públicas como privadas, com foco em monocultura e agronegócio; os alunos vêm do meio urbano; As práticas educativas, via de regra, são cartesianas porque ignoram a realidade; o currículo é disciplinar e fragmentado, limitado a uma rede de disciplinas construída pela produção acadêmica sem a participação da sociedade organizada, cuja formação está desvinculada do projeto de desenvolvimento rural e das políticas públicas de crédito, assistência técnica, saúde e infraestrutura, entre outras. Essa perspectiva de formação limita-se à preparação do trabalho para o mercado capitalista, pautada na urbanização dos cursos, seja porque a estrutura física está localizada no espaço urbano, seja porque o currículo, as metodologias e as práticas de ensino ignoram as potencialidades do campo e agricultura familiar, além da própria diversidade da realidade do campo, que gera um distanciamento entre teoria e prática, ensino, pesquisa e extensão. Esses problemas dizem respeito a uma concepção de universidade que surgiu na criação das universidades brasileiras.
2 Esse modelo tratava da introdução da pesquisa como uma das finalidades da universidade e da constituição da Faculdade de Filosofia, Ciências Naturais e Letras como centro de ligação e catalizador da ideia de uma universidade responsável pela ciência livre e desinteressada . Defendia a autonomia universitária - ainda que financiada pelo Estado -, a formação geral, científica e humanística e tinha a pesquisa como um de seus objetivos. A aceitação do conhecimento científico como forma oficial privilegiada de conhecimento, segundo Santos (2006), fez com que as universidades tivessem dificuldade em compreender a necessidade de práticas que garantissem uma relação mútua com os saberes existentes na sociedade, pois estes são contextualizados por um realidade complexa.
Contrapondo-se a essa visão, a UFPA materializou a concepção de educação do campo que, em seu bojo, comporta uma concepção de universidade, currículo, formação, pesquisa e extensão que visa assegurar a participação ativa da sociedade organizada nas tomadas de decisões por meio de diálogo entre sujeitos, áreas, saberes e instituições. Foi construída através do diálogo com os movimentos sociais do campo ao longo dos últimos vinte anos, por meio do Centro Agropecuário do Tocantins (CAT), fundado em 1990, com ações de pesquisa e informação, em que essas práticas geraram uma matriz curricular inovadora para o curso de Agronomia.