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centro de artes humanidades e letras- cahl

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Academic year: 2023

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Por fim, quero agradecer a todos os professores que se dispuseram a responder à entrevista da pesquisa, minha eterna gratidão. E para responder à questão central, buscaremos identificar construções ideológicas sexistas no ambiente escolar, verificando em que medida os professores as reproduzem, bem como analisar o impacto do discurso docente na concepção das crianças sobre a ideia de gênero.

CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL DO MACHISMO

Segundo Saffiotti (2004, p.58) “Por exemplo, nas sociedades de caçadores-coletores, a primeira atividade pertencia aos homens e a segunda às mulheres (..) nessas sociedades eram responsáveis ​​por mais de 60% do fornecimento de necessidades de vida." Para as mulheres que vivem no campo, o que se chama de cuidar da casa significa trabalhar no campo, cultivar a horta e criar animais, onde os produtos são vendidos para sustentar a família.

DISCUTINDO GÊNERO

Pode ser pensado como “símbolos culturais que evocam representações, conceitos normativos como uma grade para interpretação de significados, organizações e instituições sociais, identidade subjetiva” (SCOTT, 1988). Diante do que a sociedade ao longo da história sempre atribuiu à mulher como simples complemento masculino, solidifica-se a violência simbólica construída no processo de socialização, onde o indivíduo internaliza o discurso dominante, independentemente de esse ator social ser um agente dominador ou dominado. A sociedade acaba reforçando o processo de educação sexista ao estabelecer noções que são vistas como “naturais” e há toda uma estrutura onde estão envolvidas família, religião, escola e mídia, determinando ações e conceitos que funcionam como “verdades absolutas” e que reproduzem estereótipos socialmente construídos.

Soihet (2008, p. 198) destaca que “definir a subordinação imposta às mulheres como violência simbólica ajuda a compreender como a relação de dominação é sempre afirmada como uma diferença da ordem natural, radical, irredutível, universal”.

LEI MARIA DA PENHA

Mas numa sociedade caracterizada pela exclusão e subjugação das mulheres, também destacámos a questão da violência contra as mulheres, que é a violência de género, um problema grave que inclui questões ideológicas e culturais, expressão de uma questão social que necessita de políticas públicas para tratar disso, que tem grande importância no Brasil, uma lei conhecida como Lei Maria da Penha. Foi recomendado o encerramento do processo criminal contra o agressor de Maria da Penha; conduzir investigações de irregularidades e atrasos no procedimento; indenização simbólica e material à vítima porque o Estado não ofereceu recursos adequados; e a adoção de políticas públicas destinadas a prevenir, punir e erradicar a violência contra as mulheres. Diante deste caso, que deu grande visibilidade à violência contra a mulher, tornou-se um exemplo na defesa dos direitos das vítimas desta violência, e por isso a Lei nº. 11.340 chamada de lei Maria da Penha.

Embora possa parecer utópico e impraticável, apenas os esforços conjuntos das instituições educativas e das famílias no sentido de uma nova compreensão das relações de género, que não seja a dominação masculina, podem tornar possível uma mudança tangível em relação à violência contra as mulheres.

MACHISMO MATA: CONSEQUÊNCIAS DE UMA EDUCAÇÃO MACHISTA

As mulheres são socializadas para viverem com impotência; os homens – sempre ligados à violência – estão dispostos a exercer o poder”. As mulheres são diariamente alvo de violência, na maioria das vezes esse fenômeno se manifesta dentro de suas casas, longe do olhar da sociedade e, como mostram pesquisas, majoritariamente praticado por seus (ex) parceiros. 5 Professora de Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo e Ministra de Políticas para as Mulheres entre 2012 e 2015.

Os resultados indicam que a LMP reduziu a taxa de homicídios contra mulheres dentro de casa em aproximadamente 10%, o que “implica que a LMP foi responsável pela prevenção de milhares de casos de violência doméstica no país”.

EDUCANDO HOMENS E MULHERES

Contudo, os autores salientam que a eficácia não foi uniforme em todo o país, devido aos “diferentes graus de institucionalização dos serviços de proteção às vítimas de violência doméstica”. que é educação e é de grande importância). O trabalho educativo deve começar para que os discursos e crenças sexistas sejam extintos desde o início da socialização do indivíduo. A educação é um caminho longo e por vezes difícil, mas é necessária e deve seguir os padrões para mudar as realidades estabelecidas, as crianças não devem ser educadas com base em estereótipos. A lista de discursos machistas impostos na infância é imensa e tais discursos permanecem e crescem cada vez mais. mais agressivo na adolescência.

Portanto, a educação deveria ser um meio de transformação, mas, segundo o modelo seguido, torna-se um instrumento de dominação e manutenção do poder.

A ESCOLA REPRODUTORA

Segundo Henriques e Barros, “A escola desempenha um papel essencial nesta dinâmica, pois é principalmente na escola que se estruturam as primeiras relações interpessoais, onde a criança tem contacto e é obrigada a conviver com pessoas que não são familiares” . A escola tornou-se um instrumento de mudança, mas observa-se que mantém seu caráter conservador, muitas vezes apenas reproduzindo padrões socialmente exigidos. No entanto, ainda pode ser um instrumento poderoso para preservar e reforçar valores arcaicos e mentalidades autoritárias.

É percebido como um instrumento de reprodução social no ambiente escolar, algo que se replica na educação infantil onde os alunos são incentivados a tratar os professores como tia ou mesmo como segunda mãe, acabam tendo sua formação e profissionalização reduzindo e até mesmo ser reduzido.

COMO SE REPRODUZ O MACHISMO

A escola contribui para perpetuar sistemas de pensamento e atitude sexistas historicamente construídos que mantêm as mulheres marginalizadas e hierarquicamente subjugadas às normas masculinas. A linguagem, o pensamento científico androcêntrico9, os conteúdos educativos das diversas disciplinas, os procedimentos pedagógicos e os padrões de relacionamento entre professores e alunos contribuem para a manutenção do status quo feminino e masculino. O machismo aparece e se reproduz de forma sutil, está constantemente presente na sociedade e pode ser facilmente percebido em diversos ambientes, aparece de diversas formas e está presente em propagandas que apresentam o corpo feminino como atrativo à venda voltado ao público masculino. Em letras que tratam as mulheres como objetos, em alguns contextos a justificativa das diversas formas de violência imposta às mulheres pode ser vista como algo 'necessário' porque é fruto do 'amor'.

Pelo que foi dito, percebe-se que o machismo se reproduz a partir dos pressupostos construídos ao longo do tempo de que as mulheres são seres inferiores.Os diversos ambientes sociais e principalmente a escola são os principais instrumentos de manutenção desse sistema que oprime e subjuga as mulheres.

O MACHISMO E A PL ESCOLA SEM PARTIDO

II – O professor não favorecerá, desfavorecerá ou constrangerá os alunos por causa de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou pela falta delas. III – O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incentivará seus alunos a participarem de manifestações, eventos públicos ou marchas. VI – O professor não permitirá que os direitos garantidos nos incisos anteriores sejam violados pela atuação de alunos ou de terceiros dentro da sala de aula (Programa Escola Sem Partido, s.d.).

O projeto de lei federal quer incluir o que chama de programa Escola Sem Partido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) ou Lei nº 9.394/96.

A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Além disso, a responsabilidade por esta fase do ensino primário passou a ser da responsabilidade dos municípios através dos conselhos municipais, das tutelas e do Fundo Municipal. A consolidação do reconhecimento estatal da educação infantil foi alcançada pela Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – LDB, quando no artigo 29 define a educação infantil como a primeira etapa do ensino fundamental. Torna-se direito da criança e da família, obrigação estatal, não obrigatória e gratuita nas instituições oficiais; a arte. No entanto, há uma clara necessidade de formação superior para professores do ensino primário, uma vez que o conhecimento se torna mais diversificado a cada dia, exigindo professores qualificados para trabalhar em todos os níveis de ensino.

O progresso tecnológico e as mudanças sociais exigem um novo perfil dos profissionais da educação.A formação desses profissionais não pode se limitar à educação básica, pois esta se torna incompleta à medida que o tempo passa e a sociedade muda.

O CAMINHO PERCORRIDO

O presente estudo contou com a análise de 04 entrevistas realizadas por professores da educação básica do município de São Félix-Ba da rede privada de ensino, os entrevistados têm entre 37 e 60 anos, todos declaram ser negros, a quem a formação diz respeito um completou o ensino superior, três concluíram o ensino secundário. Em relação ao tempo de atuação na atual instituição, um profissional leciona há seis anos e três atuam na instituição há mais de dez anos. A escola estudada atende 99 noventa e nove alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I, divididos em dois períodos de funcionamento: a partir das 7h30. às 11h30, crianças do 2.º ao 5.º ano do ensino básico; e das 13h30 às 16h30 as crianças do jardim de infância à 1ª série estudam.

É importante ressaltar que a escola existe há cinquenta e três anos, e há professores que lecionam na instituição há mais de trinta anos.

A ESCOLA IDEAL?

Os demais entrevistados percebem que as diferenças de gênero estão centradas nas diferenças impostas pela sociedade patriarcal. Destaco a resposta da professora D quando diz: "Na cultura do machismo, todos são responsáveis ​​pela construção do modelo feminino: os familiares, o Estado e a sociedade são todos os controladores e manipuladores de identidades femininas." Na relação entre homens e mulheres, a desigualdade entre os sexos não é um dado adquirido, mas pode ser construída, e muitas vezes é.” Quando falamos em desigualdades, podemos observar o ambiente escolar, ele é constituído e estruturado de acordo com os padrões sociais impostos a cada gênero, isso pode ser percebido nas divisões de linha, meninos de um lado, meninas do outro, na educação física aulas onde os jogos de bola são para os meninos, pular corda para as meninas entre outras divisões que podem ser observadas no ambiente escolar, mas quando pergunto se existem diferenças na educação para eles e se existem atividades proibidas com base no gênero, as respostas foram simplesmente não, apenas um Entrevistado D diz a seguinte frase: “Educar meninas e meninos em ambientes diferentes leva em conta suas diferenças, portanto o valor do atendimento educacional para meninos e meninas é indiscutível, pois a maturidade de ambos é significativa!”

O objetivo deste estudo foi investigar a construção de identidades de gênero a partir do ambiente escolar. Durante o trabalho percebemos que as determinações sociais relacionadas ao gênero são frutos de relações históricas que resistem às barreiras do tempo, tais relações começam na família e são mantidas no ambiente escolar estabelece a conformação de papéis sociais impostos, os comportamentos são pré-determinados e em última análise, os sujeitos naturalizam-se como únicos e imutáveis. A escola incentiva a brincadeira livre e sem preconceitos? Meninos e meninas brincam com brinquedos e assumem papéis de gênero. Certo tipo de demonstração de superioridade ou inferioridade sexual ocorre durante as aulas e/ou durante as brincadeiras.

Referências

Documentos relacionados

Para tanto, buscou-se adentrar nas práticas de uso mais frequentemente realizadas pelos entrevistados e analisar o papel da conexão nas suas formas de travar relações sociais e