• Nenhum resultado encontrado

Cesare Beccaria DOS DELITOS E DAS PENAS

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Cesare Beccaria DOS DELITOS E DAS PENAS"

Copied!
87
0
0

Texto

Sobre Crimes e Penas” é uma obra que se insere no movimento filosófico e humanitário da segunda metade do século XVIII, que inclui obras de enciclopedistas como Voltaire, Rousseau, Montesquieu e muitos outros. Foi um dos fundadores da sociedade literária fundada em Milão que, inspirada no exemplo de Helvétius, difundiu os novos princípios da filosofia francesa.

DA INTERPRETAÇÃO DAS LEIS

Daqui resulta que nenhum juiz pode aumentar a pena imposta pelo crime de um cidadão, mesmo sob o pretexto do bem público. No caso de ato criminoso, há dois lados: o governante, que alega que o contrato social foi violado, e o réu, que nega a violação.

DA OBSCURIDADE DAS LEIS

Foi a imprensa que espalhou aquele espírito aguçado de conspiração e intriga, que não suporta a luz e que finge desprezar as ciências apenas porque as teme secretamente. Aqueles que se levantam contra a alegada corrupção do grande século em que vivemos nem sequer pensarão que este quadro repugnante lhes possa agradar.

DA PRISÃO

A humanidade gemeu sob o jugo da superstição implacável; a ganância e a ambição de um pequeno número de homens poderosos inundaram os palácios dos grandes homens e os tronos dos reis com sangue humano. Mas, como as leis e os costumes de um povo estão sempre vários séculos atrás das luzes actuais, ainda mantemos a barbárie e as ideias selvagens dos caçadores do Norte, os nossos ancestrais selvagens.

DOS INDÍCIOS DO DELITO E DA FORMA DOS JULGAMENTOS

Contudo, é mais fácil sentir esta certeza moral de um crime do que defini-lo com precisão. Se são necessárias destreza e habilidade na investigação das provas de um crime, se se exigem clareza e precisão na forma de apresentação do seu resultado, para julgar pelo mesmo resultado, basta o simples bom senso: um guia menos enganoso que todos os conhecimento de um juiz acostumado a procurar apenas os culpados em todos os lugares e a trazer tudo para o sistema que adotou de acordo com seus estudos.

DAS TESTEMUNHAS

Nem deveríamos aceitar precipitadamente a acusação de crueldade sem justa causa, pois o homem só é cruel por interesse, ódio ou medo. Menos reconhecimento também deveria ser dado a um homem que é membro de uma ordem, de uma casta ou de uma determinada sociedade, cujos costumes e princípios são geralmente desconhecidos ou diferem dos costumes comuns, porque, além de suas próprias paixões, esse homem também tem as paixões da sociedade da qual faz parte.

DAS ACUSAÇÕES SECRETAS

Se o governo tiver a infelicidade de considerar certos actos como crimes sem importância ou mesmo úteis para o público, terá razão: então as acusações e o julgamento nunca seriam completamente secretos. Já dizia Montesquieu: o Ministério Público está de acordo com o espírito do governo republicano, onde o zelo pelo bem comum deve ser a primeira paixão dos cidadãos.

DOS INTERROGATÓRIOS SUGESTIVOS

Por fim, observemos que quem se recusa a responder a um interrogatório a que é submetido merece uma punição que deve ser determinada por lei. Da mesma forma, a confissão do arguido não é exigida se existirem provas suficientes que demonstrem que este é claramente culpado do crime em questão.

DOS JURAMENTOS

É necessário que este castigo seja muito pesado; porque o silêncio de um criminoso, perante o juiz que o interroga, é um escândalo para a sociedade, e a justiça é um delito a prevenir tanto quanto possível. Porém, esta pena especial deixa de ser necessária quando o crime já foi apurado e o criminoso está convencido, pois neste caso o interrogatório torna-se inútil.

DA QUESTÃO OU TORTURA

O arguido é tão capaz de não admitir o que lhe é exigido como era outrora capaz de prevenir, sem engano, os efeitos do fogo e da água a ferver. Ora, como a tortura envergonha quem a sofre, é um absurdo querer lavar assim a vergonha com o seu próprio insulto.

DA DURAÇÃO DO PROCESSO E DA PRESCRIÇÃO

Será, portanto, por vezes necessário reduzir os tempos de processamento e aumentar o que é necessário para a prescrição. Os crimes mais hediondos, os crimes mais obscuros e quiméricos e, portanto, os mais improváveis, são precisamente aqueles que se consideram confirmados com base em simples conjecturas e provas menos sólidas e mais equívocas.

DOS CRIMES COMEÇADOS;

Mas, de acordo com os princípios aceites, é principalmente para crimes difíceis de provar, como o adultério e a pederastia, que presunções, conjecturas, semi-provas são arbitrariamente permitidas, como se um homem pudesse ser semi-inocente ou semi-culpado, e merecesse ser semi-absolvido ou semi-punido. Quando se reflecte sobre todas estas coisas, somos forçados a admitir amargamente que a razão quase nunca foi consultada nas leis dadas ao povo.

DOS CÚMPLICES; DA IMPUNIDADE

DA MODERAÇÃO DAS PENAS

Os países e séculos em que foram perpetradas as torturas mais horríveis são também os países em que foram testemunhados os crimes mais horríveis. À medida que as torturas se tornam mais brutais, a alma, tal como os fluidos sempre ao nível dos objectos que os rodeiam, torna-se endurecida pelo renovado espectáculo da barbárie.

DA PENA DE MORTE

Estes dois sentimentos ocupam a alma do espectador, muito mais do que o terror salutar que é o fim da pena de morte. Responderei que, reunindo num só ponto todos os momentos infelizes da vida de um escravo, sua vida seria talvez mais horrível que as mais atrozes torturas; mas esses momentos se distribuem ao longo da vida, enquanto a pena capital exerce toda a sua força num único momento.

XVIII. DA INFÂMIA

  • DA PUBLICIDADE E DA PRESTEZA DAS PENAS
  • QUE O CASTIGO DEVE SER INEVITÁVEL. – DAS GRAÇAS
  • DOS ASILOS
  • DO USO DE PÔR A CABEÇA A PRÊMIO

Em toda a extensão de um Estado político não deve haver lugar que esteja fora da dependência das leis. Além disso, a prática de colocar um preço na cabeça de um cidadão anula todas as ideias de moralidade e virtude, que são tão fracas e tão abaladas na mente humana.

DA MEDIDA DOS DELITOS

Esses sentimentos variam em todos os homens e no mesmo indivíduo, numa rápida sucessão de ideias, paixões e circunstâncias. A grandeza do pecado ou ofensa contra Deus depende da maldade do coração; e, para que os homens pudessem sondar esse abismo, precisariam do auxílio da revelação.

DIVISÃO DOS DELITOS

Será facilmente percebido quão falsa é esta visão, se as verdadeiras relações que unem os homens entre si, e aquelas que existem entre o homem e Deus, forem examinadas a sangue frio. Sem este dogma sagrado, qualquer sociedade legítima não pode existir por muito tempo, porque é a justa recompensa pelo sacrifício que os homens fizeram da sua independência e liberdade.

Todo cidadão pode fazer tudo o que não contrarie as leis, sem temer outros inconvenientes além daqueles que podem resultar de suas próprias ações. Freqüentemente, você verá que as paixões de uma época servem de base para a moral das épocas seguintes e formam toda a política daqueles que presidem as leis.

XXVII. DOS ATENTADOS CONTRA A SEGURANÇA DOS PARTICULARES

Se fosse verdade que a desigualdade era inevitável e até benéfica na sociedade, certamente teria de existir apenas entre indivíduos e com base na dignidade e no mérito, mas não entre arranjos estatais; que as diferenças não devem permanecer. Qualquer que seja a conclusão de todas estas questões, limitar-me-ei a isto: que as punições para as pessoas de nascimento mais elevado devem ser as mesmas que para os últimos cidadãos.

XXVIII. DAS INJÚRIAS

DOS DUELOS

Seja como for, foi em vão que os modernos tentaram evitar duelos com a pena de morte. Por que os duelos serão menos frequentes entre os homens do povo do que entre os grandes?

DO ROUBO

Estas leis severas não poderiam destruir um costume baseado num tipo de honra mais caro aos homens do que a própria vida. É apenas porque as pessoas não carregam espadas, é porque têm menos necessidade de sufrágio público do que as pessoas de estatuto mais elevado, que se consideram com mais suspeita e inveja.

DO CONTRABANDO

XXXII. DAS FALÊNCIAS

Argumentar-se-á também que existe uma necessidade de proteger os interesses comerciais, bem como o direito à propriedade, que deve ser sagrado. Mas o comércio e os direitos de propriedade não são o fim do pacto social, são apenas meios para esse fim.

Sujeitar todos os membros da sociedade a leis cruéis, salvá-los dos inconvenientes que são as consequências naturais do estado social, anulará o propósito dos esforços para conseguir isso; e este é o erro desastroso pelo qual o espírito humano se perde em todas as ciências, mas especialmente na política(17). Mas se este magistrado não agir de acordo com leis conhecidas e familiares a todos os cidadãos; Se, por outro lado, ele pode fazer leis como achar adequado e à sua discrição, ele abre assim a porta à tirania, que continuamente se arrasta em torno das barreiras que a liberdade pública lhe estabeleceu e apenas procura subvertê-las.

XXXIV. DA OCIOSIDADE

DO SUICÍDIO

Se alguém observa as leis por medo de uma provação dolorosa, quem comete suicídio não tem nada a temer, pois a morte destrói toda a sensualidade. Mas quem se mata causa menos danos à sociedade do que quem renuncia para sempre à sua pátria.

É um crime que Deus pune após a morte do culpado, e só Deus pode punir após a morte. Quis expor as suas fontes, e penso que me é permitido extrair daí a consequência geral, de que a punição de um crime que as leis não procuraram prevenir pelos melhores meios possíveis não pode ser chamada de justa ou necessária (o que é a mesma coisa). e de acordo com as circunstâncias em que uma nação se encontra.

O déspota espalha medo e desespero nas almas de seus cativos, mas esse medo e desespero se volta contra si mesmo, enchendo rapidamente seu coração e tornando-o vítima de males maiores do que aqueles que ele causa. Aquele que tem prazer em inspirar terror corre pouco perigo se temer apenas a sua família e aqueles que o rodeiam.

XXXIX. DO ESPÍRITO DE FAMÍLIA

A tirania e o ódio são sentimentos duradouros, que se mantêm e adquirem novos poderes à medida que são exercidos; enquanto em nossos corações corruptos as afeições e os sentimentos ternos enfraquecem e morrem na ociosidade. Esta oposição entre as leis fundamentais dos Estados políticos e as leis da família é a fonte de muitas outras contradições entre a moral pública e a moral privada, que são constantemente combatidas no espírito de cada homem.

XL. DO ESPÍRITO DO FISCO

O juiz, destinado a investigar a verdade com espírito imparcial, não era outro senão o fiscal; e aquele que se autodenominava protetor e ministro das leis era apenas o cobrador do dinheiro do príncipe. O juiz, no exercício de suas funções, nada mais é do que inimigo do culpado, isto é, de um infeliz curvado sob o peso das correntes, minado pelo sofrimento, à espera do tormento, e cujo futuro mais terrível o envolve de terror. e surpresa..

O medo que as leis inspiram é saudável, o medo que inspira os homens é uma fonte desastrosa de crimes. Os escravos são sempre mais licenciosos, mais covardes, mais cruéis que os homens livres.

XLII. CONCLUSÃO

APÊNDICE

A heresia não pode ser chamada de crime de majestade lida-divina, segundo o autor do livro Dos Delitos e das Penas”. O autor do livro Dos Delitos e das Penas contesta o direito dos soberanos de punir com a morte”.

De Morellet(45) a Beccaria

Pareceu-me que poderia associar-me ao bem que fizeste ao povo, e que também poderia procurar algum reconhecimento dos corações ternos, que prezam os interesses da humanidade. Apresentei no prefácio as razões gerais que me justificam: mas devo fazer uma pausa com vocês a esse respeito.

De Beccaria a Morellet

Deixe-me servir também como copista, pois a carta que lhe escrevi não é muito legível. Não vejo nenhuma solidez na objeção que você fez, de que mudar a ordem poderia fazer com que ela perdesse sua força.

Notas

É preciso evitar vincular a ideia de força física ou de ser existente à palavra justiça. 51) - David Hume Filósofo e historiador inglês, criador da filosofia fenomenal, autor de um famoso ensaio sobre a compreensão humana.

Livros Grátis

Referências

Documentos relacionados

109 Os documentos a respeito dos dois tipos diferentes de prazer não são completamente claros, as inclinações diversas propagaram o prazer catastemático da