The next objective was to examine the configuration of innovation requirements in the Curso de Letras that was my research site. In this context, concepts and arguments from the national debate on Portuguese language and teaching take on specific values, due to available resources, institutional exigencies and local power relations.
CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
Neste capítulo problematizo também o conceito de inovação na sua articulação com a formação de professores de língua portuguesa e com o debate popular sobre a língua e o ensino de língua portuguesa. Foi assim que cheguei à questão central da minha pesquisa: Como compreender as relações entre as demandas e os processos locais de inovação curricular, num curso de Letras de uma universidade privada, e o debate popular sobre a língua e o ensino da língua portuguesa. Tanto no debate nacional sobre a língua e o ensino da língua portuguesa, como na sua re/con/textualização no curso de Letras, em.
Continuemos analisando a obra de Bagno, procurando identificar a sua posição no debate popular sobre a língua portuguesa e a educação.
BAGNO, 1999, capa
Ao nomear seus oponentes, Bagno os re/poderia/textualiza como continuações de uma tradição gramatical ultrapassada e discriminatória que produz para o autor “erros científicos” e “erros comportamentais” (p. 94). Pela estrutura do referido livro, em sua maior parte com propostas de atividades para o estudo do "padrão real" do português brasileiro (em oposição ao de Portugal), a obra responde à questão de "como fazer", de como “colocar em prática” o trabalho proposto em trabalhos anteriores. O que os gramáticos tradicionalistas chamam de “norma educada” é o uso escrito, formal e literário da língua, ou seja, uma espécie de norma.
Nada na língua é acidental, é uma resposta à demanda identificada pelo autor de uma base teórica para lidar com a variação linguística como objeto e finalidade do ensino da língua portuguesa. Ganhou reconhecimento nacional, especialmente por meio do programa Nossa língua portuguesa55, da TV Cultura, e de suas colunas sobre língua portuguesa publicadas na Folha de S.Paulo, a partir de 1997. Inculto e belo é o nome de uma coletânea de volumes em que Pasquale republica suas colunas (ou artigos, como ele as chama) da Folha de S.Paulo.
Em coluna de jornal, publicado em Jundiaí, Possenti fala sobre episódio em que o professor de comunicação social foi chamado pela revista Veja para tratar de um caso de “erro” linguístico. Para Bagno, Pasquale não tem autorização para falar sobre a língua portuguesa e o ensino porque o professor de comunicação social não fala do ponto de vista científico. Para o professor de português na mídia, suas afirmações sobre a língua devem ser re/con/textualizadas de acordo com seu objetivo principal: “aproximar as pessoas da língua”.
PASQUALE, 2001a
O seu livro, Inculta e Bela 1, é uma homenagem à nossa língua no que há de mais pungente: a sua capacidade de nos apoiar na expressão cada vez mais correta da língua que nos torna irmãos. A gramática normativa estabelece a norma cultural, ou seja, o padrão linguístico que é considerado pela sociedade como modelo e adotado para o ensino nas escolas e para a redação de documentos oficiais. Portanto, algumas classes sociais dominam uma forma de língua que goza de prestígio, enquanto outras são vítimas de preconceito pelo uso de formas de língua de menor prestígio.
Dessa forma, cria-se um tipo de linguagem – a norma educada – que deve ser adquirida durante a vida escolar e cujo domínio é exigido como forma de ascensão profissional e social. Os dois fragmentos anteriores apresentam uma visão de norma culta que identifica a gramática normativa e a escola, respectivamente, como instrumento e local de acesso à norma, que por sua vez é buscada “como forma de ascensão profissional e social”. Na entrevista que tive em 2007, o discurso de Pasquale sobre a norma da educação mostrou uma visão um pouco mais “comovente” do que a elaborada na gramática publicada em 1998.
Cla: então, quando/quando você define o padrão, (+) você define esse padrão baseado em quê. Cla: Quer dizer, acho que esse padrão (+) de alguma forma reflete seu trabalho nessa gramática com, com (+) Ulisses. No ‘ouvido’ do livro a ser analisado, o leitor se encontra naquilo que é e não é o propósito da obra (ênfase no original):
PASQUALE, 1999
Além disso, segundo o texto de apresentação, Pasquale mostra também que “quem se desvia da norma culta nem sempre erra” e que, portanto, “o que importa é a adequação”. Ao iniciarmos a leitura da primeira unidade do livro – O que é verbo – percebemos que a ordem em que a obra é apresentada não é tão diferente da ordem da gramática tradicional. O que difere é a forma como o autor interage com o leitor ao apresentar as classificações e nomenclaturas da gramática tradicional.
E o que dizer da inevitável confusão com verbos irregulares, com verbos defeituosos, com verbos abundantes, com verbos irregulares. O tom coloquial do texto de Pasquale produz um efeito de aproximação do leitor, o que segundo Rodrigues (2004) em uma análise das crônicas de Pasquale serve para esconder o caráter prescritivo da abordagem do professor de mídia. Na verdade, ao contrário do que sugere a apresentação do livro, nesta obra Pasquale é bastante rigoroso quanto ao uso de “normas educadas”.
O tratamento da linguagem assume tom e conteúdo mais prescritivos do que o das colunas de jornal, talvez porque neste livro Pasquale não conseguiu re/poder/textualizar seu texto a partir de “motes” de mistura entre o uso da linguagem e os acontecimentos do cotidiano. . .day, que reforça o quadro normativo. Este enquadramento lúdico explica em parte a popularidade de Pasquale entre muitos professores, como será demonstrado no capítulo 5 desta tese. Reproduzo, a seguir, estas palavras iniciais, na íntegra, para destacar a forma como Pasquale expressa sua preocupação com as demais “modalidades de linguagem”:.
PASQUALE, 2001a
PASQUALE, 2001b
Deixando de lado as explicações e justificativas, parece inegável que os jornalistas devem conjugar os verbos de acordo com a variedade padrão da língua. Se tomarmos “corretamente” aquilo que é da variedade padrão da língua, a resposta é “interveniente”, pois é a forma corrente nessa variedade. Se tomarmos como certo o que é "lógico", a resposta é "interveio", pois com verbos terminados em "ir", a desinência regular do terceiro singular do tempo perfeito (tempo "intervindo") é "iu" (" visto/visto", "permitido/permitido", "decidido/decidido", etc.).
Por uma determinada razão, o “errado”, isto é, o anormal ou irregular (“interveniente”) um dia tornou-se “certo”, ao passar a fazer parte da variedade linguística socialmente prestigiada. Contudo, é interessante notar que ele neutraliza o aspecto político envolvido na discussão da diferença linguística, como se a variedade padrão tivesse sido definida arbitrariamente: “Por uma determinada razão, o “errado” um belo dia tornou-se o “certo”. ", por ter passado a fazer parte da variedade linguística socialmente prestigiada". Pasquale re/con/textualiza o seu argumento num quadro científico e crítico ("não basta explicar como é; é preciso dizer porquê. E sobretudo que está por trás dos fatos da linguagem").
Mendonça (2001) analisa exemplos de discursos sobre a linguagem produzidos por Pasquale em duas colunas da Folha de S. Paulo publicadas em 16 e 23 de setembro de 1999. Embora Mendonça note semelhanças entre o discurso de Pasquale e o da linguística, pelo menos no que diz respeito ao conceito da variação utilizada no uso cotidiano da língua, o autor não consegue ver um valor positivo no impacto da fala de Pasquale no contexto do ensino do português. Entendemos tal discurso como o discurso dos formadores de opinião que se opõem aos linguistas e aos seus caminhos alternativos.
PASQUALE, 2002
Pasq72: olha, numa palestra tem muito pouco para dizer como deveria ser, como não deveria ser (+) mas eu sempre falo para os professores que as aulas de português devem começar com coisas concretas. Pasq73: Aprendi português com letra de música, na ditadura militar, ((pausa)) se é professor tradicional não é, (+) eu (+) sempre me recusei a seguir aquele pequeno roteiro, (+) aquela coisa , pé-pé-pé. Pasq74: AMPLIO a conversa que eu, é: estabeleço nas colunas (+) não é, (+) que é exatamente isso (+) eu sempre falo para os professores terem os pés no chão, (+) realidade, bom senso, (+) e se eu/você tiver que ver, se eu falar para eles pararem de perder tempo com bobagens, gramática e tal, eles me olham com cara feia.
Na fala de Pasquale vemos abordagens dos discursos oficiais sobre o ensino da língua portuguesa. Em outros trechos da entrevista que me concedeu, Pasquale enfatiza sua posição de professor de gramática e defende o ensino como “padrão”. Contudo, o professor de mídia também enfatiza sua posição (nos trechos selecionados) como um professor não tradicional, engajado em leituras e discussões de gramática e variação, principalmente quando necessário para a compreensão do texto (preocupado também com o fato de não ser rotulado como 'gramático'). ).
No diálogo comigo sobre o ensino/estudo da língua portuguesa, Pasquale tentou reverter a polarização que o distancia da linguística e das diretrizes oficiais para o ensino, ao enfatizar principalmente a centralidade do texto na aula de português, e dominantemente fazer. utilização de referenciais científicos e lúdicos. Isto pode ser constatado pela análise de trechos das colunas publicadas durante o ano de 2007 pela professora de português.
PASQUALE 76
Quanto à finalidade do ensino da língua portuguesa, há uma tendência de transformar a variação linguística em uma só. Estes processos devem também ter em conta as forças que actuam na formação de professores portugueses. Isso significa que a construção de metadiscursos sobre o estudo/ensino da língua portuguesa não se dá num campo homogêneo.
Quase cinco anos depois da entrevista acima, Cris e eu tivemos outra conversa sobre o curso de literatura e o ensino da língua portuguesa. Essa relação com a literatura parece ser importante para a compreensão dos movimentos de Cris no âmbito do estudo/ensino da língua portuguesa. Ele é mais um profissional que inovou sua área e está fazendo de tudo para mudar a imagem distorcida que temos do ensino da língua portuguesa.
O grupo estava interessado em compreender o impacto do discurso de Pasquale e a sua visão para o ensino da língua portuguesa na comunidade local. O primeiro texto comentado foi sobre gramática e ensino da língua portuguesa e o segundo sobre linguística e ensino da língua portuguesa. 116 Ver proposta de Rafael (2007) de colocar o processo de didatização no centro da formação de professores de língua portuguesa.
Exemplo disso foi o artigo sobre o ensino de gramática normativa na aula de língua portuguesa produzido por uma aluna formada em 2005. A re/con/textualização do debate popularizado sobre a língua portuguesa e o ensino no curso de literatura explica como a língua se refaz e desfazendo a polarização local entre tradição.