No final de 2016, o MME lançou o programa denominado RenovaBio, com o objetivo de estimular a produção de biocombustíveis no país e apresentar propostas de mudanças estruturais amplamente discutidas com os agentes do setor. O programa RenovaBio foi lançado pelo governo em dezembro de 2016 com o objetivo de estimular a produção de biocombustíveis no país, nomeadamente etanol, biodiesel, biogás e bioquerosene de aviação, atendendo aos compromissos assumidos no Acordo de Paris.
EMISSORES PRIMÁRIOS
DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS
ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
Na avaliação do desempenho em termos de emissões, será utilizado o método de análise de ciclo de vida2 para calcular a intensidade de carbono, que é a razão entre as emissões de gases causadores do efeito estufa, calculadas no processo de produção do combustível, por unidade de potência. O programa emite créditos com base na intensidade de carbono gerada por cada combustível, tendo como referência as emissões fósseis.
CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICAÇÕES
Atualmente, o percentual de mistura de etanol anidro na gasolina pode variar de 18% a 27,5%, por lei, sendo o teor máximo de 27,5% determinado após a realização de testes para comprovar que esse volume não compromete o desempenho do . A adição de etanol anidro à gasolina não exige grandes modificações no motor a gasolina e também traz benefícios no desempenho do veículo e na redução da emissão de gases de efeito estufa.
REGULAÇÃO
Nos dias 31 de janeiro e 31 de março, o produtor, cooperativa de produtores ou comercializadora de etanol deverá possuir estoque próprio com volume mínimo de 25% ou 8%, respectivamente, de etanol anidro combustível comercializado em distribuidora no ano-calendário anterior. Caso o produtor, cooperativa ou trading tenha contrato com a distribuidora para pelo menos 90% do volume vendido de etanol anidro no ano anterior, basta comprovar o estoque mínimo exigido até 31 de março (correspondente a um volume mínimo de 8% das vendas do ano anterior), ficando dispensado da comprovação da quantidade mínima de estoque 25% em 31 de janeiro.
MERCADO
Desde o segundo semestre de 2016, o Brasil começou a importar quantidades significativas de etanol dos EUA, além das exportações, devido aos baixos preços resultantes da safra recorde de milho dos EUA. Nelas, a produção de etanol de milho ocorre fora da safra da cana, entre dezembro e março, que pode durar de 90 a 120 dias por ano. O consumo de etanol hidrogenado atingiu o pico de 16 bilhões de litros em 2009, respondendo por 39% da demanda total de combustível do ciclo Otto (Figura 13).
Conforme mencionado anteriormente, os preços do açúcar no mercado internacional dificultam a maior ou menor utilização da cana-de-açúcar para esta matéria-prima, afetando a participação da produção de etanol hidratado. As importações brasileiras de etanol são um fenômeno recente em relação às exportações, como mostra a Figura 15. Em seu Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2026, a EPE (2017c) estima que haja ex-expansão da oferta de etanol e que o etanol nacional O mercado de combustíveis deve continuar sua trajetória de expansão na próxima década para atender a demanda do ciclo Otto.
Já o RenovaBio quer estimular a produção de biocombustíveis, sabendo que o país tem capacidade de aumentar a produção de etanol e biodiesel, para garantir grande parte do abastecimento de combustíveis no médio prazo.
PRODUTIVIDADE
A Tabela 3 apresenta uma comparação entre algumas características da cana-de-açúcar convencional e da cana-energia produzida pela GranBio. A produção de bagaço da cana energética pode chegar a quase quatro vezes a da cana convencional, resultando em um rendimento de energia elétrica e/ou etanol de segunda geração significativamente superior ao da variedade tradicional. Segundo Pereira (2017), a pesquisa dessas novas variedades está sendo realizada em várias frentes: na mecanização, com equipamentos híbridos de colhedoras de forragem e colheitadeiras de cana-de-açúcar; na cristalização do açúcar, pois sua pureza é inferior à da cana-de-açúcar; e na combustão direta, que levaria a cana-energia do campo direto para a caldeira.
Dessa forma, espera-se que a introdução inicial da cana energética seja no início e no final da safra, agregando maior produção de etanol e energia elétrica de primeira geração, ao mesmo tempo em que permite que a cana convencional seja colhida mais tarde, quando haverá maior concentração de açúcar e melhor aproveitamento de seu potencial. Por outro lado, uma vez que o etanol de segunda geração se torne realidade, o uso da cana-de-energia tende a se expandir. O milho pode desempenhar um papel importante na expansão da produção de etanol, principalmente nas usinas denominadas flex, que utilizam o trigo durante a safra da cana-de-açúcar.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC, 2017), os pesquisadores do CTBE estão desenvolvendo um projeto para ampliar a produção de energia elétrica a partir da palha da cana-de-açúcar coletada na colheita da cana-de-açúcar sem queima.
TECNOLOGIA DOS MOTORES
Veículos elétricos com célula de combustível (FCEV) ainda são poucos e distantes entre si – em 2016 havia apenas três modelos FCEV em mercados selecionados dos EUA: Toyota Mirai, Hyundai ix35/. A tecnologia de célula a combustível elétrica vem se desenvolvendo, porém, e novas possibilidades já estão surgindo, como a Solid Oxide Fuel Cell (SOFC), que produz hidrogênio a partir do etanol. Antes de discutirmos como os biocombustíveis podem contribuir para o desenvolvimento da mobilidade elétrica no Brasil, vale entender melhor sobre as diferentes tecnologias dos veículos elétricos.
Além do tradicional FCEV, o Solid Oxide Fuel Cell (SOFC), que utiliza etanol, está sendo desenvolvido pela Nissan e deve estar disponível na próxima década. Veículos Elétricos a Célula de Combustível (FCEV): possuem apenas um motor, que é elétrico. A eletricidade que move o carro é resultado de uma reação química entre o hidrogênio e o oxigênio na célula de combustível.
Mas, antes de ser 100% elétrico, esse futuro em nosso país será híbrido com etanol, podendo então ser movido a células a combustível a etanol.
PERSPECTIVAS
A adição de biodiesel ao diesel contribui para a redução das emissões poluentes, conforme mostra a Figura 20. Os leilões de biodiesel visam obter biodiesel de fornecedores (produtores de biodiesel) por meio de compradores (produtores e importadores de óleo diesel) a título oneroso. Assim, o imposto incide separadamente sobre os volumes de gasóleo A (sem adição de biodiesel) e de biodiesel.
PRODUÇÃO E CAPACIDADE INSTALADA Segundo a ANP (2017), foram produzidos 3,8 bilhões de litros de biodiesel no Brasil em 2016. A Figura 21 mostra a evolução da produção e capacidade instalada de biodiesel no Brasil e o número de usinas homologadas pela ANP. O aumento da produção de farelo está atrelado às mudanças recentes no mix biodiesel/diesel, que passou de 7% para 8% neste ano e deve chegar a 10% em 2018.
A Figura 26 mostra a evolução dos preços do biodiesel pactuados nos leilões, juntamente com os preços do óleo diesel e do óleo de soja. A diversificação do mix de matérias-primas para a produção de biodiesel dependerá do sucesso dos programas governamentais. Tendo em conta o cenário apresentado, prevê-se que o aumento da produção de biodiesel terá o seguinte driver:
BIOQUEROSENE DE AVIAÇÃO
Querosene parafínico sintetizado por Fischer-Tropsch (SPK-FT): pode utilizar
Querosene parafínico sintetizado por áci- dos graxos e ésteres hidroprocessados
Iso-parafinas sintetizadas (SIP): processo avançado de fermentação de açúcares, utili-
A usina tem capacidade de produção de 50 milhões de litros por ano e seu processo é baseado na conversão do açúcar em farneseno, molécula que funciona como ponto de partida para a produção de diversos compostos, inclusive o bioquerosene. Segundo o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Márcio Felix (2017), a demanda interna de biocombustíveis poderia ficar entre 1 e 1,6 bilhão de litros até 2030, assumindo uma mistura de 10% de bioquerosene em combustível fóssil. Para reduzir os custos de capital, algumas empresas de produção de bioquerosene usaram instalações pré-existentes, como usinas de biocombustíveis, ou mesmo refinarias de petróleo abandonadas ou não utilizadas.
Outro desafio na produção de biocombustíveis de aviação é a competição direta por matérias-primas já utilizadas para a produção de biocombustíveis rodoviários, como etanol e biodiesel, que têm uma demanda muito maior, além de todo um mercado e cadeias produtivas bem estabelecidos . Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, 2017), quase todo o volume de bioquerosene disponível comercialmente hoje é produzido por meio da rota HEFA, utilizando como matérias-primas óleos vegetais, gorduras animais e óleos residuais de cozinha. . Em 2014, foi lançada a Plataforma Mineira de Bioquerosene, com foco no desenvolvimento de uma cadeia de valor integrada para a produção de bioquerosene para aviação, utilizando a macaúba, palmeira com grande concentração no estado, como principal insumo.
Além dessas, foi lançada em 2017 a Rede Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Renováveis para Aviação (RBQAV), com foco na realização de pesquisa, desenvolvimento e inovação por meio de parcerias entre academia, indústria e governo, e no apoio à criação de políticas públicas e viabilização medidas para a produção de bioquerosene e hidrocarbonetos renováveis.
BIOGÁS E BIOMETANO
A indústria sucroenergética gera diversos produtos residuais que podem ser utilizados na produção de biogás, entre eles palha, bagaço, torta de filtro e vinhaça. A palha e o bagaço já são destinados à produção de bioeletricidade ou etanol de segunda geração, sendo a torta e a vinhaça fontes com grande potencial para produção de biogás e biometano. Este foi o primeiro projeto de biogás a vencer um leilão de geração de energia, contratado para entrar em operação em 2021.
A capacidade de produção da unidade será de 65 milhões de m³ de biogás e a usina terá capacidade instalada de 21 MW. A estação de tratamento de biogás do Aterro Dois Arcos, inaugurada em 2014 em São Pedro da Aldeia (RJ), é pioneira na produção de biometano em escala comercial no Brasil. O Centro Internacional de Energias Renováveis - Biogás (CIBiogás) possui 11 unidades de produção de biogás em pequenas e médias propriedades rurais e cooperativas no oeste do Paraná e uma unidade em construção no Uruguai.
Em junho de 2017, a Itaipu Binacional e a CIBiogás inauguraram uma Unidade Demonstrativa de Biogás e Biometano, localizada dentro da Usina Hidrelétrica, com produção de 4.000 m³ de biometano por mês, capaz de abastecer 80 veículos da frota da usina, considerando uma média de utilização de 800. km por veículo por mês.
ÓLEO VEGETAL HIDROTRATADO
A geração de empregos também caiu nos Estados Unidos, apesar do aumento da produção de etanol e biodiesel. A produção de biocombustíveis manteve-se ao mesmo nível na União Europeia, enquanto o emprego diminuiu 8,6% em 201515. O Conselho Nacional de Bioetanol das Filipinas estima cerca de 20 mil empregos na cana-de-açúcar relacionados à produção de etanol (Biofuels International, 2015).
Disponível em: http://www.anp.gov.br/wwwanp/movimentacao-estocagem-e-comercializacao-de-gas-natural/transporte-de-gas-natural/acesso-a-gasodutos/676-leiloes-of -biodiesel-2. Disponível em: http://aprobio.com.br/legisla-cao-mercado/programa-nacional-de-produ-cao-e-uso-do-biodiesel-pnpb/. Disponível em https://www.arb.ca.gov/ch/educational/understanding_air_pollution.htm.
Available at: http://news.ihsmarkit.com/press-release/automotive/global-hydrogen-fuel-cell-electric-vehicle-market-buoyed-oems-will--launch-1.