Este livro1 busca mostrar como as pesquisas realizadas desde a década de 1990 até meados desta década informam reflexões sobre as formas como a docência é aprendida em sala de aula para fins de formação e atuação docente em nosso país. Neles, ora mais, ora menos, abrimos a discussão sobre a significação de constituir a natureza do trabalho pedagógico, especialmente no que diz respeito às aulas presenciais. Em tais estudos (Silva a, 2004b, 2005) nos referimos a essa natureza como habitus do professor, quando se trata do trabalho realizado em sala de aula para ministrar conteúdos curriculares.
Outra informação que confirma o potencial metodológico da "voz do professor" vem de Catani (1997), em seu artigo intitulado Observa-se que a autora se refere ao fato de que a voz do professor não serve apenas como fonte de dados para a pesquisa, mas também como recurso metodológico endógeno, ou seja, ao falar sobre sua prática docente, o professor pode ao mesmo tempo, apresentar informações e refletir sobre o tipo de exercício que realizam em sala de aula. Pelo exposto, ainda que brevemente, os dados advindos da voz de professores e professoras podem fazer a diferença nas formas de pensar a formação e atuação docente, pois esses dados não são deles, são deles.
No entanto, consideramos aqui também fontes que não trazem informações oriundas da voz de profissionais que lecionam em sala de aula, mas sim formulações sobre ela de pesquisadores, cuja importância é igualmente clara e essencial para os estudos sobre formação e atuação docente. Portanto, foi compreender das fontes representações de professores sobre as formas como se aprende a prática docente, levando em conta a seguinte hipótese: o conhecimento prático se aprende na prática do ofício e não na universidade, onde se adquire o essencial teoria para o aprendizado prático.
V OZES ALCANÇADAS : O QUE DIZEM
A interação em sala de aula e com outros profissionais, por outro lado, são elementos estruturantes da constituição da epistemologia da prática docente. Não há indícios claros em suas falas de que aprenderam a ensinar em sala de aula com o exercício da profissão. Nesse fragmento, a autora deixa clara a ideia de que a prática docente se aprende em sala de aula, no exercício prático da profissão.
Segundo Pimenta, o conhecimento experiencial é formado a partir da experiência vivida em sala de aula como aluno, sobre o que é ser professor e sobre as dificuldades que esses profissionais enfrentam no exercício da profissão. Aprender a ser professor em relação aos alunos em sala de aula foi o mais desafiador, o mais caótico e o mais gostoso de aprender. É possível verificar em sua fala a ideia de que a reflexão sobre a prática em sala de aula possibilita aprimorá-la.
A experiência de sala de aula (que ocorre no âmbito da formação prática e não teórica) fornece ao professor conhecimentos práticos. Nesse trecho, nota-se que a criação está diretamente relacionada à solicitação feita ao professor em sala de aula. Aquele que se constitui em relação ao outro, situação que só pode ser vivenciada na prática de sala de aula.
Isso facilita a reflexão sobre suas atividades em sala de aula, levando em conta as experiências que produzem e reproduzem em sua trajetória pessoal e profissional. Reiteramos, portanto, que ser professor se constitui dentro da sala de aula, pois este é o lócus privilegiado em que se aprende a ser professor. É também na prática que o conhecimento teórico e técnico (conforme sugerido por Tardif, 2002) é utilizado como procedimento didático, no sentido estrito do termo, para subsidiar a reflexão sobre a prática docente em sala de aula.
Enfim, é a partir da prática em sala de aula que se aprende a ser professor, é um processo longo, gradativo e lento. Este relato, como tantos outros já aqui registrados, mostra que o trabalho em sala de aula é o que o professor “formula”. Silas (re)conhece – (re)faz – e (trans)forma a estrutura da escola, a sala de aula e as práticas pedagógicas por meio de suas próprias ações”.
Responder à pergunta Por que fazemos o que fazemos na sala de aula nos obriga a evocar essa mistura. A sala de aula é um campo fértil de reflexão, contato com diversos problemas e tomada de decisões. Os professores precisam manter os olhos e os ouvidos abertos para que possam observar todos os alunos de sua classe. idem, p.208, grifo nosso).
Os professores precisam estar de olhos e ouvidos abertos para observar todos os alunos que têm em sala de aula.”
V OZES POR AXIOMAS
CIRCUNSCRITOS
A profissão docente é ensinada/desenvolvida e exercida institucionalmente antes, durante e após a formação acadêmica específica. o conhecimento profissional é, de certo modo, uma confluência de diferentes fontes de conhecimento desde a história de vida individual, sociedade, instituição escolar, outros atores educativos, locais de formação, etc. os saberes do trabalho, construídos nos primeiros anos de exercício profissional, ganham todo o seu significado, pois constituem a própria base das rotinas de ação e. são ao mesmo tempo os fundamentos da personalidade do trabalhador. compreender os saberes dos professores é, pois, compreender a sua evolução e as suas sucessivas transformações e sedimentações ao longo da sua história de vida e carreira, história e carreira que remetem para diferentes camadas de socialização e recomeços. Algumas pesquisas apontaram sistematicamente para a importância da experiência pessoal na aprendizagem profissional, o significado pessoal dessa experiência e a consideração da prática profissional como a fonte básica (embora não a única) dessa aprendizagem.
Não apenas cursos de formação continuada, nem apenas prática profissional desvinculada de qualquer tipo de repertório, como se isso fosse possível. A análise e discussão das marcas do passado podem levar à compreensão das consequências para a vida profissional das diversas situações vividas: crises, mudanças, rupturas, sucessos e fracassos. Teoria (..), é a parte onde você consegue fundamentos, argumentos, conhecimentos que você pode colocar em prática.
E com base nisso você vai elaborar uma teoria que vai ser sua, para você praticar. Esses saberes são os saberes disciplinares, curriculares, profissionais (incluindo as ciências da educação e a pedagogia) e a experiência. Aprenderemos a aprender no contato direto com o aluno que nos ensinará a aprender a ensinar.
Ter em conta as características do pensamento prático do professor obriga-nos a repensar, não só a natureza dos saberes académicos mobilizados na escola e os princípios e métodos de investigação na e sobre a ação, mas também o papel do professor enquanto profissional. e os princípios, conteúdos e métodos de sua formação. Desenvolvimento profissional é o conjunto de processos e estratégias que facilitam a reflexão do professor sobre sua prática, o que contribui para que o professor gere conhecimentos práticos, estratégicos e possa aprender com suas experiências. O futuro profissional não pode construir seu know-how a não ser por sua própria ação.
Ou seja, a aula que você dá em que você introduz outra coisa, uma investigação, uma proposta ou algo completamente diferente, que solta um pouco do jeito que você pensa um pouco maior, que você extrapola um pouco. Aprenderemos a ensinar no contato direto com o aluno, que nos ensinará a ensinar. O habitus pode tornar-se um estilo de ensino, "truques do ofício" ou mesmo traços da "personalidade profissional": Eles são então expressos através de um saber-fazer pessoal e profissional validado e saber-fazer no trabalho diário.
A VOZ CONFIRMADA . P ARA QUÊ ?
A partir de Tardif, mas apenas em nossa opinião, ocorre o processo de formação profissional, ou seja, o processo de certificação de professores na universidade com prioridade teórica absoluta, e o processo de formação de professores ocorre no quadro do professor prático com prioridade prática absoluta . É essa relação inexorável que fundamenta a relação entre teoria e prática na formação e atuação docente. É também por isso que Tardif afirma que a formação docente se dá na prática da docência e na formação profissional na universidade.
Infelizmente, este estudo terá o mesmo destino de suas fontes quanto às medidas institucionais relacionadas à formação de professores em nosso país. Repetimos, apesar disso, que desde o início da década de 1990, pesquisas brasileiras e estrangeiras têm apontado que a formação de professores deve passar por uma reformulação. Salvo – na última orientação nacional para a formação de professores – o aumento para quatrocentas horas de carga horária prática supervisionada.
Formação profissional e desenvolvimento de professores: aprendendo o ofício (um estudo em uma escola pública). Reprodução: elementos para uma teoria do sistema educacional. educação continuada, autobiografia e colaboração em pesquisa.