Desenvolvendo pela primeira vez uma política de valorização e fortalecimento das culturas indígenas, o Ministério da Cultura visa cooperar na efetivação dos direitos dos povos indígenas e na criação de condições para o exercício da cidadania cultural desses povos. No entanto, o reconhecimento oficial da contribuição da diversidade sociocultural dos povos indígenas para a formação da nação brasileira é recente.
INTRODUÇÃO
O Ministério da Cultura será responsável pela elaboração e implementação de uma “política de cultura indígena em parceria com os povos indígenas”, bem como. Não mais uma ideia essencialista e instrumentalizada de cultura, mas sim como modo de ser e viver dos povos indígenas.
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Dada a grande diversidade cultural e linguística dos povos indígenas no Brasil, que inclui 270 povos indígenas e 180 línguas; Considera a importância do desenvolvimento de políticas públicas setoriais para os povos indígenas para a efetivação de seus direitos socioculturais diferenciados.
OBJETIVO GERAL
PRINCÍPIOS
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Estimular e promover o mapeamento comunitário das culturas indígenas, com vistas à produção de conhecimento sobre a diversidade sociocultural dos povos indígenas no Brasil; Promover o registro dos saberes e práticas das culturas indígenas, contribuindo para a produção de subsídios e conteúdos para a elaboração de materiais bilíngues de divulgação da diversidade sociocultural indígena;
DIRETRIZES
Os processos tradicionais de transferência de conhecimento entre diferentes gerações são fundamentais para a reprodução sociocultural dos povos indígenas. Considerando a grande diversidade cultural dos povos indígenas no Brasil, faz-se necessária a realização de uma cartografia, com pesquisa e mapeamento, a fim de re-.
MARCOS LEGAIS
E esse entendimento - dos direitos culturais dos povos indígenas como direitos fundamentais - permite classificá-los como direitos sociais10, cujo cumprimento exigem. Desde 2009, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) nº 2.057, que cria o “Estatuto dos Povos Indígenas” e revoga o atual Estatuto do Índio. Decreto nº. 6.040, de 7 de fevereiro de 2007: institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Indígenas (PNPCT).
MACROPROGRAMAS DE AÇÕES
Contribuir para o fortalecimento das identidades e culturas dos povos indígenas, levando em consideração suas próprias estratégias e iniciativas. Atualmente, há o reconhecimento nacional e internacional da contribuição dos povos indígenas "para a diversidade cultural, harmonia social e ecológica da humanidade" e para a formação das comunidades nacionais e suas respectivas identidades (a diversidade da OIT é considerada pelas nações como um " patrimônio da humanidade” (ONU, 2007; 2) Capacitar organizações indígenas e membros de comunidades indígenas para realizar o mapeamento das culturas indígenas;
BIBLIOGRAFIA
Fluidez da Forma: Arte, Diferença e Ação na Sociedade Amazônica (Kaxinawa, Acre), Rio de Janeiro, TopBooks p. Coletâneas de propostas de conferências municipais, estaduais, distritais e livres II. da Conferência Nacional de Cultura, 2010. Disponível em: http://www.fja.edu.br/proj_acad/praxis/praxis_02/documentos/ensaio_2.pdf.
Legislação
Promulga o texto da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, celebrada em Paris em 20 de outubro de 2005. Providenciar as condições de promoção, protecção e restabelecimento da saúde, a organização e funcionamento dos respectivos serviços e dar outras providências. 1º, 8º, inciso “j”, 10, inciso “c”, 15 e 16, incisos 3 e 4 da Convenção sobre Diversidade Biológica, dispõem sobre o acesso ao patrimônio genético, proteção e acesso ao conhecimento tradicional que, com compartilhamento e acesso a tecnologia e transferência de tecnologia para sua preservação e uso, e dá outras providências.
ANEXOS
PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL SUB–EIXO: 1.1 - Produção de Arte e Bens Simbólicos
Registrar, valorizar, preservar e promover as manifestações de comunidades e povos tradicionais (conforme Decreto Federal 6.040 de 7 de fevereiro de 2007), viajantes, nômades, culturas populares, comunidades ayahuasqueiras, LGBT, imigrantes, entre outros, por meio da divulgação de seus símbolos, imagens, instrumentos, danças, músicas e memórias dos antigos, por meio da apresentação ou produção de CDs, DVDs, livros, fotografias, exposições e audiovisuais, estimulando o mapeamento e inventariação de referências - referências culturais desses grupos e comunidades. Garantir políticas públicas de combate à discriminação, preconceito e intolerância religiosa por meio de: .. a) campanhas educativas na mídia, em horário nobre, retratando as diferentes raças e etnias existentes em nosso país, enfatizando o caráter criminoso da discriminação racial; b) a demarcação de terras pertencentes à população tradicional (ribeirinhos, seringueiros, indígenas e quilombolas), a extensão de serviços sociais e culturais a essa população de forma a garantir sua permanência na terra; c) campanhas anti-homofobia visando o respeito à diversidade de gênero e às identidades de gênero. Implementar a Convenção da Diversidade Cultural por meio de atividades socioeducativas em diversas linguagens culturais (literatura, dança, teatro, memória e outras) e línguas específicas dos povos e culturas tradicionais de acordo com o Decreto Federal 6.040, de 7 de fevereiro de 2007, destinados a públicos específicos: crianças, jovens, adultos, idosos.
CULTURA, CIDADE E CIDADANIA
Fortalecer as emissoras de rádio e TV no âmbito público (comunitário, educacional, universitário e legislativo), estimulando a produção simbólica que promova a diversidade cultural e regional brasileira, produzida de forma independente. Incluir na agenda política e econômica da União, estados, municípios e no Distrito Federal a promoção da leitura por meio da criação de bibliotecas públicas, urbanas e rurais em todos os municípios, com fortalecimento e ampliação de acervos bibliográficos e arquivísticos, infraestrutura, acesso a novas tecnologias para inclusão digital, formação de recursos humanos, bem como atuação da sociedade civil e do setor privado, com o objetivo de democratizar o acesso à cultura oral, letrada e digital. Dotar o Ibram de plenas condições de funcionamento, para garantir com sua atuação que os museus brasileiros se consolidem como espaços de proteção e difusão de valores democráticos e de cidadania, que se colocam a serviço da sociedade com o objetivo de proporcionar o seu fortalecimento e manifestação. identidades, percepção crítica e reflexiva da realidade, produção de conhecimento, promoção da dignidade humana e oportunidades de lazer.
EIXO 3: CULTURA E DESENVOLVIMENTO SUS- TENTÁVEL
Assegurar a destinação dos recursos do Fundo Social do Pré-sal à cultura, aos programas de sustentabilidade e desenvolvimento do Sistema Nacional de Cultura, aumentar o investimento em programas que contemplem convênios entre União, Estados, Municípios e Distrito Federal. SUBAS: 3.2 - Cultura, Território e Desenvolvimento Local Promover, em colaboração com o MEC, organizações governamentais e não governamentais, a criação de cursos técnicos e programas de capacitação na área cultural para o desenvolvimento sustentável. Promover e garantir o reconhecimento, defesa, conservação e valorização do patrimônio cultural, natural e arquivístico com base em inventários e estudos participativos, especialmente nas comunidades tradicionais, promovendo o turismo comunitário sustentável por meio da articulação.
CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA
Garante, com a aprovação da PEC 150/2003, ainda neste semestre, as políticas de fomento e financiamento, por meio de editais, dos processos de criação, produção, consumo, formação, difusão e preservação de bens materiais simbólicos, imateriais e tradicionais ( autóctones, ribeirinhos, afrodescendentes, quilombolas e outros) e contemporâneos (vanguardas e emergentes), facilitando a exposição de suas obras, garantindo direitos autorais e registrando artistas e suas obras como patrimônio nacional. ASSUNTO: 4.2 - Sustentabilidade das cadeias produtivas Ampliar recursos públicos e privados para a sustentabilidade das cadeias criativas e produtivas da cultura, avaliando o potencial regional e envolvendo todos os setores da sociedade civil e poder público no processo de criação, produção e circulação. de bens e produtos culturais, visando ampliar a circulação e a exportação de produtos culturais brasileiros. Regulamentação das profissões da área da cultura, criando condições para o reconhecimento dos direitos laborais e da segurança social na área da arte, produção e gestão da cultura, incluindo os profissionais da cultura em atividades sazonais.
GESTÃO E INSTITUCIONALIDADE DA CULTURA
Criar um sistema nacional de educação na área da cultura, integrado com o SNC, articulando parcerias públicas e privadas para promover a atualização, formação e aperfeiçoamento de agentes e grupos culturais, gestores e servidores públicos, produtores, assessores, professores, pesquisadores, técnicos e artistas, para cuidar de todo o processo de criação, execução, qualificação de bens, elaboração e acompanhamento de projetos, captação de recursos e prestação de contas, garantindo a educação cultural nos níveis básico, técnico, intermediário e superior, a distância e presencial, tornando uso de ferramentas tecnológicas e métodos experimentais para a produção cultural. Assegurar que as Conferências Culturais nacionais, distritais, estaduais e municipais tenham caráter político público e que suas diretrizes e decisões sejam incorporadas aos respectivos Pla-. Implementar o sistema nacional de informação e indicadores culturais e respectivos sistemas estaduais e municipais, desenvolver mecanismos de articulação entre governo e sociedade civil, para facilitar e ampliar o acesso à informação, e capacitar pessoal em todas as áreas para geração, processamento e armazenamento de dados e cultura Informação.
PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL Fortalecer as identidades e culturas dos povos indí-
CULTURA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Garantir a autonomia e o respeito às especificidades
- Fortalecer as manifestações culturais indígenas
- Lutar contra o preconceito e promover campanhas de divulgação e valorização das culturas indígenas
- Romper com a marginalidade dos povos indígenas em relação ao acesso aos bens culturais do país
- Elaborar uma política cultural indígena em parceria com os povos indígenas
- Respeitar a propriedade intelectual dos povos indíge- nas e garantir a proteção aos bens culturais e conheci-
Também é importante possibilitar um diálogo cultural respeitoso e construtivo com os demais povos indígenas e com os diversos segmentos da população não indígena brasileira. É preciso que o governo se comprometa a garantir o acesso dos indígenas não só à sua cultura e de outros povos (intercâmbio cultural), mas também a toda produção cultural e artística que mereça o apoio e patrocínio do governo, em todos os campos da cultura (literatura, cinema, artes plásticas, música, dança, teatro e fotografia). 4) Desenvolver uma política cultural indígena em parceria com os povos indígenas. Incentivar a discussão com a população local sobre a questão dos direitos autorais relacionados aos bens culturais indígenas, bem como estabelecer mecanismos para a proteção do conhecimento tradicional dos povos indígenas, por meio de instrumentos legais apropriados.
A Arte Kusiwa
O Plano Setorial de Culturas Indígenas é resultado do trabalho do Colegiado Setorial de Culturas Indígenas do Conselho Nacional de Políticas Culturais, sob coordenação da então Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural (SID), em 2010, no âmbito do Programa Plural Brasil, e em parceria entre o Ministério da Cultura e o Instituto Empreender. OBS: Portaria n. 80, de 18 de agosto de 2011, transferiu o Programa Plural do Brasil para a então Secretaria de Cultura e Cidadania (SCC), que realizou esta edição do Plano, preservando a integridade do conteúdo do documento original, revisando, padronizando a edição , acrescentando foto e completando os dados sobre as ações realizadas pelo Ministério da Cultura, em 2011, no campo das culturas autóctones (fls. 93 a 118), para favorecer sua revisão à luz dos objetivos da Lei n. Plano Nacional de Cultura por meio de acesso virtual, impressão e tiragem de 6.000 exemplares. A próxima fase de trabalho dos Planos Setoriais de Cultura será a elaboração de metas, de acordo com as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Cultura, em ação realizada entre o Colegiado Setorial de Culturas Indígenas/KNPC, a Secretaria de Políticas Culturais e a Secretaria de Cidadania e Da Diversidade Cultural, SCDC, criada no Decreto n.º a partir da fusão da SID e da extinta SCC.