Estudo longitudinal da associação entre gordura corporal e risco de comprometimento cognitivo em idosos comunitários brasileiros: Projeto Bambuí/Juliana Amorim Prosdocimi de Lima. Dadas as inconsistências nos achados sobre a relação entre estado nutricional e comprometimento cognitivo, o presente estudo teve como objetivo responder se a gordura corporal em idosos, medida pelo Índice de Massa Corporal (IMC) e Circunferência da Cintura (CC), está associada ao comprometimento cognitivo cognitivo . Os resultados mostraram que as análises ajustadas ao risco da subdistribuição de IMC e CC, para comprometimento cognitivo incidente, estratificadas por sexo, mostraram que em homens, IMC e CC maiores aumentaram o risco de comprometimento cognitivo na análise multivariada, o que não foi observado . em mulheres.
Concluímos, portanto, que existe associação entre a gordura corporal, medida pelo IMC e a CC, e o comprometimento cognitivo em idosos comunitários. Assim, propõe-se a avaliação da função cognitiva de homens idosos com IMC ou CC aumentados, pois esse grupo apresenta maior risco de comprometimento cognitivo.
INTRODUÇÃO
A gordura corporal também tem sido associada à presença ou gravidade de lesões da substância branca e perda de volume da substância cinzenta no cérebro, o que também afeta a função cognitiva (Gustafson, Steen, & Skoog, 2004; Taki et al., 2008). Além disso, tanto a obesidade quanto a resistência à insulina e a dislipidemia, doenças associadas à obesidade, convergem como lipotoxicidade, resultando em inflamação, disfunção neurológica e neurodegeneração (O'Brien et al., 2017). Além disso, pode ser considerada uma medida diferente e complementar ao IMC para complicações metabólicas e cardiovasculares associadas à obesidade (Rodríguez-Fernández et al., 2017).
REVISÃO DE LITERATURA
IMC: calculado a partir do peso e altura autorreferidos conforme classificação da OMS para a Ásia-Pacífico (obeso - IMC ≥ 25 kg/m²). MMSE, CLOX (Teste do Desenho do Relógio), TMTA (Teste de Trilha A) IMC: Calculado a partir do peso e altura medidos, divididos em quintis. IMC: calculado a partir do peso e altura aferidos, classificado para adultos (>30 kg/m² para obesidade).
IMC: Calculado a partir de medidas antropométricas autorreferidas, utilizando seis pontos de corte desenvolvidos no estudo. A curva ROC foi utilizada para determinar valores de corte de IMC e CC com ótima sensibilidade e especificidade para detecção de comprometimento cognitivo leve. IMC: calculado a partir do peso e altura aferidos, classificado para adultos (< 18 kg/m² para desnutrição).
O modelo de Cox foi usado para estimar fatores de risco não ajustados e ajustados (em termos sociodemográficos, econômicos, de saúde física e comorbidades médicas) para a associação entre o estado do peso corporal no início do ano e a ocorrência de comprometimento cognitivo. IMC: calculado a partir do peso e altura aferidos, classificado para adultos (>30 kg/m² para obesidade). CC: medida com fita métrica com ponto de corte > 102 cm para homens e > 88 cm para mulheres.
Os modelos foram separados e ajustados para CC e IMC, estratificados por idade e ajustados para variáveis sociodemográficas, estilo de vida, comorbidades.
JUSTIFICATIVA
OBJETIVO GERAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
METODOLOGIA
- TIPO DE PESQUISA
- LOCAL E POPULAÇÃO DO ESTUDO
- CARACTERIZAÇÃO DAS VARIÁVEIS
- ANÁLISE DOS DADOS
No entanto, o BHAS inclui uma versão brasileira padrão do MMSE, em que algumas questões foram modificadas de acordo com sua relevância para a população-alvo (Seabra et al., 1990). Assim, o comprometimento cognitivo foi definido neste estudo pelo ponto de corte correspondente ao quartil mais baixo da distribuição dos escores do MEEM, equivalente a 21/22 (Castro-Costa et al., 2008; Costa et al., 2000). O ponto de corte para CC foi definido como maior que 102 cm para homens e maior que 88 cm para mulheres, valores que representam um risco significativamente aumentado de complicações metabólicas relacionadas à obesidade e constituem critérios para a definição de Síndrome Metabólica (SM). ver Tabela 3 (Grundy et al., 2005; Negrão et al., 2005; Organização Mundial da Saúde, 2008).
Os dados sociodemográficos e de estilo de vida foram recolhidos através de entrevistas (Costa et al., 2000). Fumantes atuais foram definidos como aqueles que fumaram pelo menos 100 cigarros durante a vida e ainda fumavam, e o consumo de álcool foi definido como qualquer consumo de álcool nos últimos 12 meses (Costa et al., 2000). O DNA genômico para genotipagem da ApoeE foi extraído de amostras de sangue utilizando o Wizard® Genomic DNA Purification System (Érico Castro-Costa et al., 2013), e a doença de Chagas foi avaliada por testes sorológicos (Costa et al., 2000) .
A pressão arterial (PA) foi medida usando esfigmomanômetros e estetoscópios mercuriais padrão, de modo que três medições foram feitas após um repouso inicial de 5 minutos e depois em intervalos de 2 minutos ou 30 minutos ou mais após a última ingestão de cafeína ou consumo de cigarros, e se o valor da PA fosse alto, o processo seria repetido em dois dias diferentes (Costa et al., 2000). Assim, a hipertensão foi definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg e/ou uso de drogas anti-hipertensivas (Chobanian et al., 2003). Os sintomas depressivos foram avaliados por meio do General Health Questionnaire, versão de 12 itens (GHQ-12), traduzido e validado para o português brasileiro, para ser aplicado na população idosa brasileira (Costa et al., 2006; Mary e Williams, 1985).
Para verificar a associação do IMC e CC com comprometimento cognitivo, foi realizada a Regressão de Risco Competitivo, que oferece uma alternativa à regressão de Cox na presença de um ou mais riscos, como, no caso deste estudo em idosos, em que o a morte do participante é um risco competitivo para o desenvolvimento de comprometimento cognitivo (Berry et al., 2010).
RESULTADOS
- CARACTERÍSTICAS DA LINHA DE BASE DA POPULAÇÃO ESTUDADA
- CARACTERÍSTICAS DAS ANÁLISES LONGITUDINAIS
- ASSOCIAÇÃO LONGITUDINAL ENTRE IMC, CC E O COMPROMETIMENTO
- INTERAÇÃO ENTRE A VARIÁVEL SEXO COM IMC E CC NA ASSOCIAÇÃO COM
- ASSOCIAÇÃO LONGITUDINAL ENTRE IMC, CC E O COMPROMETIMENTO
- ESTIMATIVA DO RISCO DE COMPROMETIMENTO COGNITIVO PELO EFEITO
- INTERAÇÃO ENTRE A VARIÁVEL IDADE COM IMC E CC NA ASSOCIAÇÃO
Durante a avaliação longitudinal, foram identificados 403 participantes com comprometimento cognitivo, com uma incidência não ajustada de comprometimento cognitivo de 35,3 por 1.000 pessoas-ano. A interação no modelo final ajustado entre sexo com IMC e CC demonstrou efeito de interação estatisticamente significativo para ambas as variáveis: IMC (p < 0,05) e CC (p < 0,05). As Tabelas 2 e 3 apresentam as análises de risco não ajustadas e ajustadas da subdistribuição de IMC e CC para comprometimento cognitivo incidente, estratificadas por sexo.
Nos homens, o IMC mais alto na linha de base não aumentou estatisticamente o risco de comprometimento cognitivo na análise univariada (SHR; 1,40; CI. No entanto, o IMC mais alto aumentou progressivamente o risco de comprometimento cognitivo em todas as análises multivariadas, com o modelo ajustado terminando com o maior risco ( SHR: 2,01; IC Por outro lado, o IMC e a CC não foram associados com comprometimento cognitivo incidente em mulheres, tanto na análise univariada quanto na multivariada (Tabela 3).
Os Gráficos 1 e 2 mostram o efeito modificador da variável sexo na associação longitudinal entre IMC e CC com comprometimento cognitivo, respectivamente, usando homens com IMC como categorias de referência. A interação no modelo final ajustado entre idade com IMC e CC não apresentou efeito de interação estatisticamente significativo: IMC (p: 0,417) e CC (p: 0,726).
DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo são apenas diretamente comparáveis a um estudo realizado nos Estados Unidos (West et al., 2017) e outro na Coreia do Sul (Kim, Kim, & Park, 2016), onde o comprometimento cognitivo também foi avaliado pelo MMSE (Folstein, Folstein, & McHugh, 1975). O resultado do estudo americano foi consistente com o resultado demonstrado neste estudo quanto à associação entre CA aumentada e comprometimento cognitivo. Em relação a outros estudos que examinaram a associação entre gordura corporal e comprometimento cognitivo, os resultados também foram conflitantes.
Por outro lado, um estudo britânico de base populacional realizado com 1.570 idosos, exclusivamente do sexo masculino, mostrou que valores mais altos de IMC, CC e vários parâmetros de bioimpedância estavam associados a comprometimento cognitivo grave medido pelo TYM, um teste de triagem para autoavaliação. demência relatada (Papachristou et al., 2015). Finalmente, dois grandes estudos, conduzidos nos EUA (Rodríguez-Fernández et al., 2017) e na Holanda (Deckers et al., 2017) com amostras de 5239 e 1807 participantes, respectivamente, mostraram que um IMC e CC mais altos são associado ao comprometimento cognitivo medido por TICS e pedras de ervas (EUA) e uma bateria de testes neuropsicológicos usados por psicólogos (Holanda). Uma possível explicação para esse achado é a associação entre baixos níveis de testosterona em homens mais velhos e aumento da obesidade abdominal e visceral (Gao et al., 2018), que por sua vez foi significativamente associado ao comprometimento cognitivo de acordo com (Yoon et al., 2018) al., 2012).
Esses resultados também coincidem com estudos anteriores relatando que a obesidade central está mais fortemente associada à demência/comprometimento cognitivo do que o IMC (Deckers et al., 2017; Elias, Goodell, & Waldstein, 2012; West et al., 2017). O DM é importante, pois, segundo Arnold et al. 2018), parece haver uma ligação entre a resistência sistêmica à insulina no DM tipo 2 (DM2) e a resistência cerebral à insulina, e que tanto o DM2 quanto a doença de Alzheimer estão associados à resistência à insulina cerebral e à disfunção cerebral. No estudo de Elias et al. 2003) obesidade e hipertensão foram associadas com funcionamento cognitivo inferior em homens mais velhos, independente de outros fatores de risco comuns para doenças cardiovasculares, e efeitos significativos de hipertensão e obesidade em testes de aprendizagem e memória foram observados para homens, mas não para mulheres.
No entanto, vários estudos epidemiológicos anteriores usaram apenas medidas antropométricas tradicionais (Deckers et al., 2017; Kim, Kim e Park, 2016; Rodríguez-Fernández et al., 2017; Tolppanen et al., 2014; West et al., 2017; Xiang e An, 2015), enquanto estudos com medidas de BIA mostraram os mesmos padrões de associação com comprometimento cognitivo (Papachristou et al., 2015).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Body mass index, weight change and clinical progression in mild cognitive impairment and Alzheimer's disease. Norms for minimal mental status screening: cutoff adjustment in population-based studies (evidence from the Bambuí Health Aging Study). The association between nutritional status and cognitive impairment in Brazilian community-dwelling older adults assessed using a variety of anthropometric measures - The Bambui Study.
Seventh report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure: JNC Report 7. International Journal of Obesity and Related Metabolic Disorders: Journal of the International Association for the Study of Obesity, v. Diagnosis and management of the metabolic syndrome: an American Heart Association/National Heart, Lung, and Blood Institute Scientific Statement.
Prevalence of cognitive impairment and associated factors in the elderly in Bagé, Rio Grande do Sul, Brazil. A comparison of the validity of two psychiatric screening questionnaires (GHQ-12 and SRQ-20) in Brazil, using relative operational characteristics (ROC) analysis. Association between mild cognitive impairment and dementia and malnutrition in the elderly in Central Africa: some results from the EPIDEMCA (Epidemiology of Dementia in Central Africa) program.
Body mass index in middle and late life and dementia in late life: results from a prospective population-based cohort.